Titulo: Flocos de neve
Autora: Bruna Behrens
Classificação: G
Shipper: H/Hr
Spoiler: 1 a 5
Shortfic/Romance
Pós-Hogwarts
Sinopse: Olhei para os enfeites lá fora, todos cobertos de neve. Ergui a cabeça e observei os flocos caindo. Já era tarde e eu devia estar dormindo mas a neve em especial me fascinava. Não que eu nunca a tivesse visto, porém ela parecia diferente. Eu não sei explicar o que exatamente. Ela simplesmente me encantava.
http://www.floreioseborroes.net/menufic.php?id=17253
**Beta: Adriana Snape
Flocos de neve (Já com beta!!!)
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- Bruna Behrens
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Flocos de neve (Já com beta!!!)
Amorzinho da Gabione . Marida da Camilla . Quase-Marida da Cacaúdia . Futura da Perséfone Black . Noeva da Thaty . Consciência da Nana
Thaty, a apertadora oficial da minha bunda ;x
"O amor escorre pela telinha do PC"
Adriana Snape . Amandita Winchester² . Betynha
Elizabeth Maives . Fla W. Malfoy . Hokuto
Porque certas coisas nunca mudam.
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<center>Flocos de neve (Original):</center>
Eu estava enrolada em um manto de lã que minha mãe havia feito para mim há dois natais atrás mas mesmo assim encontrava-me encolhida no parapeito da janela observando a rua. Era noite. Uma linda noite. A rua estava completamente coberta de neve e eu já vira, pelos menos umas seis vezes no tempo em que estava ali sentada, o carro que tirava a neve da rua passar. Flocos alvos continuavam a cair insistentemente. Estava frio apesar da lareira estar acesa e de eu ter feito um feitiço de aquecimento na casa.
Já é tarde e eu devia estar dormindo mas a neve em especial me fascinava. Não que eu nunca a tivesse visto, porém hoje ela parecia diferente. Eu não sei explicar o que exatamente. Ela simplesmente me encantava.
As luzes das casas enfeitadas para o natal, uma mais bonita que a outra, encantava quem passasse pela rua Victoryan (uma das mais bonitas e tranqüilas de Londres). A minha casa fora a última da rua a ser enfeitada. Compreendam-me. É arduamente trabalhoso para uma pessoa, sem varinha (por se tratar de um bairro trouxa), enfeitar uma casa como a minha. Ela não era tão grande quanto as casas vizinhas, provavelmente seria a menor. Mas ainda sim era grande para uma única pessoa. Eu também achava isso mas o que eu podia fazer?!Rony insistira tanto para que eu a aceitasse como seu primeiro presente de aniversário decente já que era goleiro de um famoso time Irlandês. Eu não pude negar, estava realmente querendo sair da casa dos meus pais naquela época.
Queria minha independência, afinal eu tinha vinte anos e desejava muito ter liberdade para fazer coisas as quais eu tinha receio por estar na casa dos meus pais.
Um floco de neve caiu no vidro da janela e escorregou até as rosas completamente cobertas pela neve.
–Coitado do meu jardim – eu comentei triste.
Eu tive o trabalho de plantá-lo e cuidá-lo durante todo o ano para que quando chegasse o inverno as flores e folhas simplesmente morressem pelo frio?!Todo ano era a mesma coisa. Eu me dedicava ao jardim durante a primavera, o verão e o outono até que o inverno chegava e destruía quase tudo.
Minha barriga roncou de fome.
–Accio pote de biscoitos – e o pote veio até mim. Eu o abri e mordi um biscoito – Hum!Avelã – eu disse. Era um dos meus sabores preferidos.
Todas as luzes das casas na vizinhança estavam apagadas a não ser pela luz do quarto dos Wilsons. Jeremy certamente acordara os pais berrando de novo. Ter filho pequeno é uma árdua tarefa.
A rua estava quase silenciosa. Ouvia-se apenas o latido insistente de Pomer, o cão de guarda da Srª Calmon que morava ao lado e do carro que tirava a neve da rua. Seria a sétima vez que ele passara somente naquelas três horas?Eu mordi o biscoito. É acho que é sétima vez que o vejo. E tirei outro pedaço do biscoito. Isso serve para eu me lembrar de não deixar Preston (meu primo mais novo) trabalhar como motorista de um carro desses. Ele provavelmente nunca parou para contar quantas vezes eles passam pelo mesmo lugar numa mesma noite.
Passei a outra mão na janela que havia embaçado novamente. O fio lá fora... Nossa!Deve estar de matar!Eu me encolhi mais sobre o manto e peguei outro biscoito. Peguei minha varinha que estava em cima da estante ao lado da janela e aumentei o fogo. Coloquei-a novamente no lugar e mordi meu biscoito.
Olhei para rua e vi que algumas luzes estavam apagadas. Provavelmente queimaram. O hidrante estava coberto de neve mas isso não deveria ser preocupante. O índice de incêndios no inverno era realmente baixo apesar de todos usarem mais o fogo do que em outras estações. Tirei um pedaço do biscoito. Pensando bem, é algo contraditório. Deveria ser exatamente ao contrário. Dei de ombros. Vai entender!As pessoas são tão complicadas... Mordi meu biscoito. E eu tomo a mim mesma como exemplo.
Pomer estava latindo de novo. Não sei como a Srª Calmon pode considerá-lo um cão de guarda se ele late a noite toda mesmo que ninguém chegue perto da porta e se ele adora me lamber. Se eu quisesse assaltá-la não seria nem um pouco difícil. Ela tem um sono de pedra e Pomer me estima. Dei outra mordida no biscoito. Ele continuava a latir. Em outros dias eu estaria xingando Beth por seu cachorro não se calar. Pus o pote de biscoitos sobre a estante e comi o último pedaço. Mas hoje eu simplesmente não me importava. Sentia-me realizada e parecia que nada mudaria isso.
Sorri. Sozinha. E encostei a cabeça na janela. Eu demorei muito tempo para me sentir assim. Vinte e cinco anos para ser mais exata. Vinte e cinco anos. E somente agora eu percebo que eu só precisava de uma coisa para me sentir completa e feliz. Eu ri baixinho e voltei meus olhos para a rua. Olhei para as casas vizinhas, uma por uma (a luz da casa dos Wilsons já estava apagada). Observei com extrema atenção seus enfeites natalinos, suas luzes ofuscantes. A minha casa fora a última a ser enfeitada. E eu posso dizer que estou imensamente contente por minha falta de interesse com esses costumes natalinos. Dei outro sorriso ainda olhando para a rua.
–Hermione querida! – Beth me saldou sorrindo do outro lado da cerca quando me viu retirando, com uma pá, a neve da entrada da minha casa. Nem eu mesma conseguia me mover até o portão com tanta neve.
–Olá Srª Calmon! – eu exclamei num misto de dor e cansaço.
Enchi a pá de neve e a joguei para o lado. Parei erguendo a minha coluna que já doía e encarei a minha vizinha. Sorri-lhe rapidamente e voltei ao trabalho antes que ela resolvesse comentar sobre o único assunto sobre o qual falava comigo desde meados de novembro.
–Hermione? – chamou-me.
Eu parei ainda curvada. Não adiantou nada continuar a tirar a neve. Enfiei a pá na neve alva e a olhei apoiando uma mão na pá.
–Sim? – questionei dando-lhe o meu melhor falso sorriso.
–Quando é mesmo que você irá enfeitar a fachada da sua casa? – perguntou-me num tom inocente.
Eu ri por dentro. Beth era uma mulher engenhosa e não parava até conseguir o que queria. Realmente parecia comigo nesse sentido.
–Essa semana – eu afirmei por fim. Talvez assim ela parasse de me lembrar que a minha casa era a única sem enfeites.
–Ótimo! – ela vibrou sorrindo – Hoje já é dia 19 – eu voltei ao meu trabalho, ainda tinha muita neve para se tirar – Mas você a enfeitará sozinha?
Suspirei.
–Provavelmente – eu respondi jogando mais um monte de neve para longe da entrada.
–É muito trabalhoso fazer tudo sozinha – disse-me preocupada – Eu pedi a dois sobrinhos que viessem me ajudar. Talvez devesse pedir ajuda a algum amigo – comentou.
–Obrigada pela preocupação Srª Calmon – falei tirando mais um monte de neve – Eu pensarei em algo.
–Está bem – concordou sorrindo – Um bom dia para você! – desejou e saiu.
Eu balancei a cabeça continuando o trabalho. Mas pensando bem seria exaustivo fazer tudo sozinha. Pensei em chamar o Rony mas ele estava na Irlanda para um importante jogo de quadribol. Talvez o Harry?Não. Ele estava na América terminando um curso de Auror. Enfiei a pá na neve e suspirei.
–Acho que seremos somente eu e você – sussurrei e encarei os flocos de neve que cobriam toda a rua.
*****
Os shoppings e lojas de toda Londres estavam um inferno. Nunca pensei que pudesse caber tanta gente em um lugar só (sem a utilização de algum feitiço). Fora realmente cansativo e trabalhoso comprar as luzes, enfeites e os presentes. Sorte que eu fizera um feitiço na sacola para que coubesse mais coisa e não pesasse tanto quanto devia.
Não estava nevando. Mas apesar do sol mostrar a sua cara o frio estava insuportável e as ruas estavam cobertas de neve da noite anterior.
Peguei a lista com a mão livre. Olhei os itens. Sentia que esquecia de alguém. Lembrei dos meus amigos e parentes mais uma vez.
–Jarerd! – exclamei quando os rostos de Fleur e Gui passaram pela minha mente.
Fui em uma loja de brinquedos bruxos e comprei algo para o filho deles.
Ao final da tarde dirigi-me ao Caldeirão Furado para descansar e beber algo. Lembrei-me das tantas vezes em que eu, Harry e os Weasleys nos encontrávamos lá antes de irmos para Hogwarts. Tempo bom aquele. Às vezes eu sentia falta de tudo aquilo. De conversarmos no trem esperando ele chegar em Hogwarts, das risadas, dos sermões que eu dava em Harry e Rony. Ri tomando um gole de chá. Sentia falta de todos os colegas de classe que eu quase nunca vejo hoje em dia. De fazer as tarefas com os dois ou até mesmo das raras vezes em que conversávamos sobre algo sem importância. Sentia falta deles. Olhei para a minha xícara, estava triste. Era por isso que não gostava dessas datas festivas, elas me faziam lembrar de coisas que me faziam sofrer. Nem Harry, nem Rony estariam aqui em Londres no Natal. E essa data era uma das poucas nas quais nós três nos víamos. Ergui a cabeça pois uma lágrima teimava em querer cair. Rony estava noivo de uma irlandesa e talvez não voltasse a morar na Inglaterra por causa disso. Harry estava solteiro mas muito ocupado com os cursos de auror que ele estava fazendo. Seu objetivo era se preparar para assumir o cargo de Ministro da Segurança. Quando conseguir isso irá ter mais tempo para si. Bebi outro gole do chá. Ele era quem me fazia mais falta. Suspirei triste e enxuguei a lágrima que escorreu pela minha bochecha.
*****
Ao chegar em casa tomei um banho, troquei de roupa e desci para esvaziar a sacola. Coloquei tudo sobre a mesa. Pus as mãos na cintura e suspirei. A mesa estava cheia de coisas e mais coisas e eu não sabia por onde começar.
Olhei para o relógio. Já passavam das seis. Preparei um chocolate quente, ascendi a lareira e com minha varinha comecei a separar tudo o que havia comprado. Árvore de natal e seus enfeites e luzes sobre o sofá. Bebi um gole do chocolate que desceu quente pela minha garganta esquentando todo o meu corpo. Luzes para a fachada da casa sobre a mesinha em frente ao sofá. Sendo assim só sobraram os presentes e papéis de embrulho sobre a mesa de jantar.
Suspirei e tomei outro gole. Ainda faltava comprar enfeites para colocar no jardim. Mas isso eu veria amanhã. Sentei-me em uma das cadeiras e comecei a separar os presentes com a varinha. Bruxos e trouxas, depois homens, mulheres e crianças. Em pouco mais de uma hora e meia todos os presentes estavam embrulhados e etiquetados. Deixei-os sobre a mesa e me preocupei com a árvore que precisava ser montada. Montei-a no canto da sala, ao lado do sofá. Ela era grande, maior do que eu. Dei graças aos céus por eu ser bruxa. Montar isso tudo sem varinha seria desgastante. Enquanto enfeites iam e vinham das caixas para a árvore eu terminava meu chocolate quente. Por fim os pisca-piscas e a estrela no topo. Olhei-a meticulosamente. E percebi que uma pequena parte parecia estar com menos enfeites do que a outra. Ergui a varinha e os papais noeis, laços, anjinhos e tudo mais começaram a voar. Coloquei a xícara sobre a mesinha, que agora continha apenas caixas vazias. Olhei para a árvore. Virei a cabeça para o lado direito. Um laço parecia torto. Ajeitei-o com a mão. Encarei novamente a árvore. Parecia que havia mais pisca-piscas na base do que no resto. Levantei a varinha e abri a boca para pronunciar o feitiço. Desisti. Se continuasse assim eu nunca a terminaria, pois ela nunca estaria perfeita. Tenho que parar com esse perfeccionismo. Balancei a cabeça e parei de olhar para a árvore. Estava linda. Para que a obrigação de estar perfeita?
*****
Acordei de mau humor. Somente por saber que teria que enfrentar aquele mar de pessoas que tomava conta das ruas comercias de Londres. Resolvi não adiar mais. Levantei-me, tomei café, me arrumei e aparatei em uma rua pouco movimentada. Caminhei até o centro e ao encontrar uma loja de enfeites natalinos para jardim eu entrei. Não estava com paciência para procurar a melhor loja.
O estabelecimento estava lotado e eu tive que me espremer entre as pessoas para que conseguisse chegar até o balcão. Um senhor me viu se aproximar e chamou um jovem rapaz que veio logo me atender. Fiz o pedido e ele me disse que à tarde o entregador passaria lá em casa para deixar o pedido. Isso, é claro, somente porque eu paguei a mais pela rapidez.
Ao sair da loja respirei fundo. Estava satisfeita e aliviada. Não teria mais que enfrentar aquele estresse.
*****
Mas a minha paz não durou muito. Quando o entregador chegou na minha casa e colocou as enormes caixas na garagem eu me lembrei que ainda teria que enfeitar a fachada da casa. O homem entrou no carro e seguiu e eu encarei o interior da minha garagem com tristeza. Amanhã seria um longo dia. E hoje já era dia 21.
*****
Acordei cedo. Tinha muita coisa para fazer e pouco tempo.
Eu carregava uma caixa da garagem para a entrada da casa. Pode-se dizer que eu não enxergava praticamente nada a minha frente e caminhava com certa cautela para não pisar na neve, por isso seguia pelo caminho de cimento do qual eu havia retirado a neve ontem (já que costumava nevar a noite). Procurei olhar por cima da caixa para ver se via a porta. Não seria nada bom se eu me esbarrassem nela.
–Oi! – alguém sussurrou no meu ouvido me fazendo saltar e derrubar a caixa no chão.
Virei-me para ver quem foi e vi Harry sorrindo-me com uma sacola a mão. Eu o abracei forte e comecei a chorar em seu ombro. Ele ficou sem ação por um momento mas acabou me abraçado também.
–Mione... – ele começou a falar afagando meus cabelos mas eu o interrompi.
–Senti tanto a sua falta! – ele sorriu e beijou meus cabelos.
–Eu também senti – afirmou enquanto nos afastávamos. Segurou a minha mão e olhou-me dos pés a cabeça – Você está mais linda do que a última vez que eu a vi – eu sorri, enrubescendo, ao mesmo tempo em que ele enxugava as minhas lágrimas.
–Eu estou é mais velha – rebati ainda vermelha.
–Todos nós estamos – comentou rindo. Depois parou e me encarou fixamente ainda segurando a minha mão – Eu voltei para ficar – contou. Eu sorri – No próximo ano serei efetivado.
–Que ótimo Harry! – eu disse fazendo-o sorrir também.
*****
Ele me dissera que não havia tomado café pois viajara cedo então nós entramos. Harry sentou-se à mesa e comeu o bolo de laranja que eu havia feito ontem com uma xícara de café.
–Você já falou com os Weasleys? – perguntei enquanto retirava seu prato e xícara.
–Ainda não – ele se levantou e me seguiu até a cozinha – Queria vir falar com você primeiro – eu sorri de costas para ele e fazendo um feitiço para lavar a louça.
–Pensei que não o veria no natal – eu falei enquanto os pratos eram enxutos.
–Eu tive que sacrificar um dos cursos que eu iría fazer para poder estar aqui – comentou me observando guardar a louça – Eu percebi que quando eu cheguei você estava com uma grande caixa na mão.
–É, eu ia enfeitar a fachada da casa – contei virando-me para ele – Sem varinha é claro – retifiquei.
–Eu posso te ajudar – se ofereceu de braços cruzados – se você quiser – e deu de ombros.
–Você deve ter assuntos para tratar – eu comentei por mais que quisesse que ele ficasse – depois de tanto tempo longe.
Ele se aproximou de mim descruzando os braços.
–Esses assuntos podem esperar – afirmou me encarando.
*****
Nós resolvemos começar pelos enfeites. Harry trazia algumas caixas para o jardim enquanto eu desenhava em um papel como eu queria que a casa fosse enfeitada.
Fazia um friozinho gostoso e o sol iluminava o ambiente. As pessoas que caminhavam pela rua não estavam tão agasalhadas quanto no dia anterior.
O jovem colocou uma caixa em cima da outra que estava ao lado da porta. E parou me vendo se aproximar com um papel à mão.
–Essas duas caixas são as dos bonecos de neve – informei – Aquelas em baixo da janela são as dos papais noeis. Acho que devemos começar por eles – e mostrei o papel a ele, indicando como eu gostaria que tudo fosse arrumado.
*****
À tardinha nós estávamos empurrando uns duendes até perto da cerca que dividia o meu jardim e o da Srª Calmon quando Beth saiu com seu cachorro e nos viu, se aproximando da cerca.
–Hermione meu bem? – chamou-me já próxima.
Eu me ergui com certa dificuldade, minha coluna estava doendo por causa do trabalho que tive durante todo o dia.
–Olá Beth! – eu a cumprimentei olhando para o jardim todo enfeitado a não ser pelo último duende que Harry ajeitava.
–Está lindo o jardim! – afirmou sorrindo satisfeita. Parecia até que fora ela quem o enfeitara.
Eu sorri igualmente satisfeita. Só faltavam as luzes e a Srª Calmon finalmente pararia de me encher com esse assunto.
–Vejo que pediu ajuda como eu havia lhe opinando – comentou olhando para Harry com certo interesse.
–Na verdade eu não pedi – comentei me aproximando mais da cerca – O Harry é um amigo que estava viajando e por sorte voltou hoje – o rapaz ergueu-se e encarou a senhora. Já tinha colocado o duende no lugar certo – Ele percebeu que eu estava enfeitando o jardim e então se ofereceu para me ajudar – eu sorri.
–Prazer! – ele disse lhe estendendo a mão.
–Prazer Harry! – falou ela apertando sua mão e o encarando.
–Se você nos dá licença Beth – eu comentei – Nós ainda temos coisas a fazer.
–Claro! – concordou acenando.
Eu e Harry acenamos de volta e a vimos sair pela portinha da cerca levando Pomer para passear.
*****
–Já está muito tarde para instalar as luzes – Harry comentou quando entramos na casa.
Eu concordei. Era preciso de iluminação para se mexer com coisas elétricas. Não poderia correr o risco de acontecer um acidente.
Ele me encarou por trás daqueles mesmos óculos de tantos anos atrás. Eu forcei um sorriso, por mais que quisesse que fosse sincero não conseguia me sentir feliz por saber que ele iría embora. Senti-me tão bem naquele dia, tendo a companhia dele. Era algo que eu sentia tanta falta. Apenas estar com ele.
Harry se aproximou.
–Eu poso ficar até amanhã para te ajudar com o resto – falou me encarando.
–Você deve ter muita coisa para fazer agora que está de volta a Londres – eu argumentei.
O que eu estou dizendo?Minto para mim mesma ao dizer que ele deve ir. Eu queria que ele ficasse, queria que ficasse... para sempre.
Pare!Pare de pensar nessas coisas!Eu não podia... Por favor, me diga que eu não estou apaixonada por você. Eu... eu não posso.
–O que foi Mione? – questionou segurando meu rosto delicadamente. Ele percebeu a confusão em meu olhar.
–Nada – eu menti – Apenas acho que você deve ter muita coisa pendente. E eu já o prendi aqui durante todo o dia.
Ele riu sem entender e retirando a mão do meu rosto.
–Parece até que você não quer que eu fique – ele comentou triste e ofendido.
Eu pensei em baixar os olhos mas desisti a tempo. Se o fizesse ele teria a certeza de que algo não estava certo. Continuei a encará-lo enquanto levava alguns poucos segundos para pensar em uma resposta.
–Claro que não Harry!Eu quero que você fique – respondi-lhe sincera. Ao menos até esse ponto – Quero que me ajude com algumas coisas que ainda terei que fazer amanhã. Mas você talvez você tenha coisas mais importantes para fazer.
–Por que você sempre acha que os outros – perguntou de forma serena e cruzando os braços – são mais importantes para mim do que você?
Eu entreabri a boca para falar mais a fechei sem ter o que dizer. Acabei por dar de ombros.
Ele segurou a minha mão e a levou de encontro aos seus lábios, beijando-a.
–Pois saiba que qualquer coisa que eu tenha que fazer é muito menos importante do que a sua companhia – eu sorri encabulada. Vencida.
Ele me puxou até a cozinha para tomarmos café.
E que Merlin me guie pelo caminho correto.
*****
Harry se instalou no quarto de hóspedes ao lado do meu. O único livre dos quatro pois um deles era o meu, o outro foi transformado em uma biblioteca e o terceiro era o laboratório que eu utilizava para testar novas poções ou até mesmo fabricar alguma já existente. Chato?Talvez para você. Eu amo o meu trabalho.
Eu já estava vestida com minha camisola azul, quase transparente e de um tecido suave, e segurava a maçaneta para entrar no meu quarto quando o vi saindo do quarto de hóspedes após arrumar sua mala. Foi assim que eu percebi que a camisola deveria ser um pouco... inapropriada. Minha certeza veio quando o notei me encarar fixamente. Seus olhos seguiram desde as minhas pernas até meus olhos. Ele balançou a cabeça levemente, constrangido e eu não pude conter um pequeno sorriso divertido. Harry caminhou até mim.
–Eu já vou dormir – lhe falei ainda segurando a maçaneta com uma mão – Amanhã temos muito a fazer.
–Ok – ele concordou.
Beijou-me suavemente o rosto e me olhou, eu lhe sorri. Harry virou-se e seguiu até seu quarto. Eu permanecia ali. Imóvel. Como se esperasse por algo. Como se esperasse por ele.
Mas ele nada fez. Eu o assisti, pelo canto do olho, entrar e fechar a porta atrás de si. Balancei a cabeça como se acordasse e fiz o mesmo.
*****
–Eu não consigo enxergar nada! – Harry falou sujo de massa para biscoito. Até seus cabelos e óculos estavam cobertos.
Eu ri dele. Era a sua quinta tentativa. E eu havia me convencido na segunda de que ele não conseguiria terminar a receita sem ajuda. Mas ele havia dispensado a minha ajuda. Disse que queria fazer aquilo sozinho porque não era possível que ele, com vinte e cinco anos, não conseguisse cozinhar nada. E eu não relutei quando ele me dissera para não interferir. Não me titule como péssima amiga pois era imensamente divertido vê-lo vestido em um avental tentando cozinhar.
–Hermione? – ele me chamou tentando limpar os óculos no avental também sujo – Há que ótimo! – resmungou ao perceber que havia sujado mais ainda os óculos.
–Limpar! – eu disse contendo um riso e apontando para seus óculos.
–Obrigado – ele falou olhando a bagunça que havia feito na minha cozinha. Voltou seus olhos para mim – Engraçado não é? – questionou chateado e me fazendo rir mais ainda – Para de rir Hermione!Olha só como eu estou – afirmou passando as mãos no avental e sujando-o mais ainda – Mione? – ele disse me olhando.
–Hum? – eu perguntei com uma mão sobre a boca, contendo a risada.
Vi surgir nos lábios dele um sorriso arteiro e irritantemente charmoso. Eu parei de rir quando percebi sua aproximação e pedi mentalmente que meus pensamentos e impulsos não vagassem por caminhos impróprios. Encarei aqueles olhos. Aqueles olhos tão acostumados a me olhar agora continham algo diferente. Eu ri rapidamente, deveria ser a minha imaginação vagando por locais proibidos.
Harry parou na minha frente e com o mesmo sorriso nos lábios passou a palma da sua mão na minha testa me sujando. Foi quando eu pisquei pela primeira vez depois que ele começara a se aproximar de mim.
Eu abri a boca surpresa. E ele riu passando a outra mão da minha bochecha esquerda. Eu o odiei por isso.
–Você me paga! – eu falei e ele correu de mim no instante seguinte – Eu vou te matar Harry James Potter! – ele pulara o sofá e eu pulei atrás dele correndo pela sala – Eu acabei de tomar banho!
–Você tem alergia a água por acaso? – ele questionou num sorriso divertido enquanto saia pela porta.
–Volte aqui! – eu gritei saindo pela porta.
A Srª Calmon ,que estava sentada (com Pomer no seu colo) em um banco no seu jardim, nos olhou espantada.
–Olá Beth! – ele a saldei correndo até meu jardim.
Ela levantou a mão, ainda assustada, em resposta.
–Você está fora de forma Hermione! – ele provocou.
Eu corri mais rápido fazendo-o acelerar também. Era difícil correr no gelo e eu quase cai de cara no chão quando passei em um pulo por uma plantação de bromélias. Joguei-me em cima dele que caiu na neve comigo por cima. Eu encarei novamente seus olhos e depois me ocupei com seus lábios que continham um encantador sorriso.
Não era possível!Ele devia...
–Fazer isso de propósito – comentei alto demais.
–Quem devia fazer o que de propósito? – me questionou com um riso.
–Nada – contei saindo de cima dele – Ótimo! – resmunguei olhando para a minha roupa suja daquela massa grudenta. Harry riu se levantando.
–Já que você está suja também – ele comentou interesseiro – bem que poderia me ajudar com esses biscoitos – e passou o braço pelo meu ombro enquanto caminhávamos até a casa. Eu o encarei com um olhar ''matador'' como ele mesmo denominava – Opa! – ele se afastou – Vamos!Você não consegue ficar longe de mim mesmo! – comentou sorrindo.
Eu lhe dei um tapa no ombro.
–Ai! – ele disse segurando o ombro. Eu ri e ele também.
*****
Ele desistiu de fazer, sozinho, os biscoitos e então eu fui ajudá-lo.
Os biscoitos deveriam estar prontos para amanhã sendo que eles ainda teriam que esfriar para se colocar a cobertura.
Sem feitiço ficava mais complicado, é verdade. E apesar de Harry insistir para que eu usasse varinha eu rebati dizendo que eles não ficavam tão gostosos quanto os que eram feitos manualmente. Ele desistiu. E disse que eu continuava a mesma teimosa de Hogwarts.
A festa de natal seria na Toca. Começava pela manhã e só terminava após a ceia à meia noite.
*****
Harry havia subido em uma escada enquanto eu estava ao lado dele, em terra. Sim. Eu ainda tenho medo de altura.
Fazia sol e ventava um pouco. O frio parecia ter dado uma trégua. Estava uma gostosa tarde de dezembro.
–Mione? – ele me chamou olhando para baixo.
–Oi? – eu respondi acordando. Observava atentamente cada movimento dele, curiosa.
Ele riu.
–Você poderia me dar as luzes? – pediu com um sorriso divertido.
–Ok – eu respondi.
E abri a caixa na qual estavam as lâmpadas.
–Tente desenrolá-las – disse – E me dê uma das pontas a outra você ficará segurando porque se embolar depois que já tiver começado a colocá-las será realmente trabalhoso.
–Certo – concordei dando uma das pontas para ele e começando a desembolar o resto.
Ao final da tarde nós já tínhamos colocado as lâmpadas na fachada da casa e no jardim, onde estavam os bonecos, também.
*****
Pinguei três gotas de chocolate em um dos biscoitos. A mesa estava completamente coberta de biscoitos em grandes assadeiras. Eu já havia feito o mesmo com cerca de um terço dos biscoitos. E Harry estava raspando a panela onde eu havia derretido o chocolate. Pinguei mais três gotas em outro biscoito.
–Está pegando a prática – ele comentou com um sorriso brincalhão.
Eu ergui a cabeça e olhei para ele (que estava recostado na pia) com a panela em uma mão e uma colher na outra. Além de estar com o canto esquerdo da boca sujo de chocolate.
Eu coloquei um dedo em cima do canto esquerdo da minha boca. Harry passou o indicador em cima do local sujo de chocolate, limpando-se.
Voltei aos biscoitos, ainda havia muitos nos quais pingar chocolate. E a verdade é que eu realmente estava pegando a prática. E em poucas horas já tinha acabado.
Fui tomar banho enquanto Harry assistia algo na televisão. Era o tempo que o chocolate secava.
*****
Ao retornar a sala vi que Harry tinha acabado de colocar um biscoito na boca.
–Te peguei! – exclamei fazendo-o dar um salto de susto. Eu ri.
–Você podia ter me matado! – falou com a boca cheia.
–Dê-me esse biscoito! – e tomei da mão dele o pedaço que não coubera em sua boca – Quantos você comeu? – questionei vendo-o terminar de mastigar.
–Só esse – eu o olhei desconfiada – Juro! – afirmou após terminar de mastigar.
Eu mordi o pedaço que havia pego dele.
–E por falar nisso, estava ótimo – comentou e tomou da minha mão o pedacinho que eu não havia posto na boca.
–Ajude-me a guardá-los – falei caminhando até a cozinha – E não se atreva a comer mais nenhum! – retifiquei o encarando.
*****
Estávamos no sofá da sala assistindo um filme. Eu já tinha vestido a minha camisola enquanto Harry vestia um short e camiseta. A cabeça dele repousou sobre minhas pernas e eu não questionei. Comecei a afagar seus cabelos rebeldes, displicentemente.
Ele me encarou mas eu não percebi pois prestava atenção no filme. Pouco depois ele colocou uma mão em cima do meu rosto me impedindo de ver. Eu tirei a sua mão, o encarei e percebi um sorriso brincalhão em seus lábios.
–Besta! – eu disse contendo um sorriso divertido.
*****
Passei uma mão em seus cabelos olhando para ele que estava deitado de lado e assistia ao filme que eu já não conseguia entender porque eu não era capaz de me concentrar. Passei meus dedos entre seus cabelos novamente.
Estar ao lado dele me provocava desejos de fazer coisas que não se deveria fazer com um amigo. Estar ao lado dele me fazia lembrar que eu o amava.
Eu me levantei em um salto fazendo com que Harry erguesse a cabeça, espantado com meu ato brusco e repentino. Andei rápido até a cozinha. Apoiei minhas mãos na pia, fechei os olhos e apertei a beirada da pia com força.
–O que aconteceu? – ele perguntou preocupado.
Eu abri os olhos imediatamente, me virei e percebi que ele estava perto de mim e me encarava.
Virei-me para o outro lado e tentei correr até a escada mas ele segurou meu braço logo após eu dar dois passos. Aproximou-se e me olhou fundo nos olhos.
–Do que está fugindo? – questionou suave.
–De mim mesma – disse-lhe sincera.
Desvencilhei-me dele e corri até as escadas. Não sabia se conseguiria viver com essa certeza, se isso só me faria sofrer mais... Não sabia o que fazer em seguida, nem mesmo sabia o que estava fazendo agora.
Senti um puxão brusco no braço, era ele que havia me seguido e me alcançado quase no fim das escadas. Empurrou-me contra a parede rudemente. Eu pude encarar seus olhos queimando em brasas apenas por alguns poucos segundos pois logo depois ele me beijara. Um beijo intenso e violento. Eu pensei em lutar mas mesmo se eu quisesse seria impossível. Ele me pressionava contra a parede, segurava minha cabeça cravando seus dedos em meus cabelos enquanto sua outra mão afagava a minha cintura e me beijava vorazmente. Deliciando-se com meus lábios, brincando com a minha língua e me tirando o fôlego.
Pouco depois ele afastou-se de mim
–Pois somos dois – disse me fazendo abrir os olhos. Eu percebi que seu peito arfava sob a camiseta – Eu também tento fugir de mim mesmo. Somente porque te amo – eu envolvi seu pescoço com meus braços e o beijei suavemente.
Olhei-o nos olhos e o vi sorrir. E eu sorri juntamente com ele.
Eu sorri cúmplice. Oh, sim!Eu teria que agradecer a Beth por insistir tanto que eu enfeitasse a casa.
Olhei para os enfeites lá fora. Todos cobertos de neve. Ergui a cabeça e observei os flocos caindo. Era simplesmente encantador.
–Hei? – voltei-me para onde vinha a voz e percebi um silhueta masculina descendo os últimos degraus da escada. Apesar de não ver quem era eu reconheci sua voz – Está tarde – comentou aproximando-se (a pouca iluminação que entrava pela janela vinha da Lua e das lâmpadas da rua). Pude ver o seu rosto, com seus inseparáveis óculos. Parecia com sono – O que você está fazendo aqui? – perguntou passando uma mão nos cabelos e bocejando.
Eu recostei a cabeça na parede e o olhei se aproximar. Harry estava vestido apenas com uma cueca preta.
–Hum! – sussurrei. Tentador.
Ele beijou-me a testa e me sorriu.
–Estava sem sono foi? – disse alisando meu rosto. Eu concordei com a cabeça.
–Fiquei admirando a noite – contei pousando uma mão no fim das suas costas. E voltei meus olhos para o jardim coberto de neve. Sim, hoje definitivamente é um dia especial. E até mesmo a natureza parece saber disso.
Ele olhou lá para fora. Pouco depois voltou a me encarar.
–Está muito frio sabia? – informou atraindo a minha atenção – Vem, vamos subir! – pediu sorrindo marotamente. Eu lhe sorri divertida.
Tínhamos que acordar cedo pois já era dia 24 e teríamos que ir a Toca. Mas quem disse que eu me importava com isso?
Risos.
Eu estava enrolada em um manto de lã que minha mãe havia feito para mim há dois natais atrás mas mesmo assim encontrava-me encolhida no parapeito da janela observando a rua. Era noite. Uma linda noite. A rua estava completamente coberta de neve e eu já vira, pelos menos umas seis vezes no tempo em que estava ali sentada, o carro que tirava a neve da rua passar. Flocos alvos continuavam a cair insistentemente. Estava frio apesar da lareira estar acesa e de eu ter feito um feitiço de aquecimento na casa.
Já é tarde e eu devia estar dormindo mas a neve em especial me fascinava. Não que eu nunca a tivesse visto, porém hoje ela parecia diferente. Eu não sei explicar o que exatamente. Ela simplesmente me encantava.
As luzes das casas enfeitadas para o natal, uma mais bonita que a outra, encantava quem passasse pela rua Victoryan (uma das mais bonitas e tranqüilas de Londres). A minha casa fora a última da rua a ser enfeitada. Compreendam-me. É arduamente trabalhoso para uma pessoa, sem varinha (por se tratar de um bairro trouxa), enfeitar uma casa como a minha. Ela não era tão grande quanto as casas vizinhas, provavelmente seria a menor. Mas ainda sim era grande para uma única pessoa. Eu também achava isso mas o que eu podia fazer?!Rony insistira tanto para que eu a aceitasse como seu primeiro presente de aniversário decente já que era goleiro de um famoso time Irlandês. Eu não pude negar, estava realmente querendo sair da casa dos meus pais naquela época.
Queria minha independência, afinal eu tinha vinte anos e desejava muito ter liberdade para fazer coisas as quais eu tinha receio por estar na casa dos meus pais.
Um floco de neve caiu no vidro da janela e escorregou até as rosas completamente cobertas pela neve.
–Coitado do meu jardim – eu comentei triste.
Eu tive o trabalho de plantá-lo e cuidá-lo durante todo o ano para que quando chegasse o inverno as flores e folhas simplesmente morressem pelo frio?!Todo ano era a mesma coisa. Eu me dedicava ao jardim durante a primavera, o verão e o outono até que o inverno chegava e destruía quase tudo.
Minha barriga roncou de fome.
–Accio pote de biscoitos – e o pote veio até mim. Eu o abri e mordi um biscoito – Hum!Avelã – eu disse. Era um dos meus sabores preferidos.
Todas as luzes das casas na vizinhança estavam apagadas a não ser pela luz do quarto dos Wilsons. Jeremy certamente acordara os pais berrando de novo. Ter filho pequeno é uma árdua tarefa.
A rua estava quase silenciosa. Ouvia-se apenas o latido insistente de Pomer, o cão de guarda da Srª Calmon que morava ao lado e do carro que tirava a neve da rua. Seria a sétima vez que ele passara somente naquelas três horas?Eu mordi o biscoito. É acho que é sétima vez que o vejo. E tirei outro pedaço do biscoito. Isso serve para eu me lembrar de não deixar Preston (meu primo mais novo) trabalhar como motorista de um carro desses. Ele provavelmente nunca parou para contar quantas vezes eles passam pelo mesmo lugar numa mesma noite.
Passei a outra mão na janela que havia embaçado novamente. O fio lá fora... Nossa!Deve estar de matar!Eu me encolhi mais sobre o manto e peguei outro biscoito. Peguei minha varinha que estava em cima da estante ao lado da janela e aumentei o fogo. Coloquei-a novamente no lugar e mordi meu biscoito.
Olhei para rua e vi que algumas luzes estavam apagadas. Provavelmente queimaram. O hidrante estava coberto de neve mas isso não deveria ser preocupante. O índice de incêndios no inverno era realmente baixo apesar de todos usarem mais o fogo do que em outras estações. Tirei um pedaço do biscoito. Pensando bem, é algo contraditório. Deveria ser exatamente ao contrário. Dei de ombros. Vai entender!As pessoas são tão complicadas... Mordi meu biscoito. E eu tomo a mim mesma como exemplo.
Pomer estava latindo de novo. Não sei como a Srª Calmon pode considerá-lo um cão de guarda se ele late a noite toda mesmo que ninguém chegue perto da porta e se ele adora me lamber. Se eu quisesse assaltá-la não seria nem um pouco difícil. Ela tem um sono de pedra e Pomer me estima. Dei outra mordida no biscoito. Ele continuava a latir. Em outros dias eu estaria xingando Beth por seu cachorro não se calar. Pus o pote de biscoitos sobre a estante e comi o último pedaço. Mas hoje eu simplesmente não me importava. Sentia-me realizada e parecia que nada mudaria isso.
Sorri. Sozinha. E encostei a cabeça na janela. Eu demorei muito tempo para me sentir assim. Vinte e cinco anos para ser mais exata. Vinte e cinco anos. E somente agora eu percebo que eu só precisava de uma coisa para me sentir completa e feliz. Eu ri baixinho e voltei meus olhos para a rua. Olhei para as casas vizinhas, uma por uma (a luz da casa dos Wilsons já estava apagada). Observei com extrema atenção seus enfeites natalinos, suas luzes ofuscantes. A minha casa fora a última a ser enfeitada. E eu posso dizer que estou imensamente contente por minha falta de interesse com esses costumes natalinos. Dei outro sorriso ainda olhando para a rua.
–Hermione querida! – Beth me saldou sorrindo do outro lado da cerca quando me viu retirando, com uma pá, a neve da entrada da minha casa. Nem eu mesma conseguia me mover até o portão com tanta neve.
–Olá Srª Calmon! – eu exclamei num misto de dor e cansaço.
Enchi a pá de neve e a joguei para o lado. Parei erguendo a minha coluna que já doía e encarei a minha vizinha. Sorri-lhe rapidamente e voltei ao trabalho antes que ela resolvesse comentar sobre o único assunto sobre o qual falava comigo desde meados de novembro.
–Hermione? – chamou-me.
Eu parei ainda curvada. Não adiantou nada continuar a tirar a neve. Enfiei a pá na neve alva e a olhei apoiando uma mão na pá.
–Sim? – questionei dando-lhe o meu melhor falso sorriso.
–Quando é mesmo que você irá enfeitar a fachada da sua casa? – perguntou-me num tom inocente.
Eu ri por dentro. Beth era uma mulher engenhosa e não parava até conseguir o que queria. Realmente parecia comigo nesse sentido.
–Essa semana – eu afirmei por fim. Talvez assim ela parasse de me lembrar que a minha casa era a única sem enfeites.
–Ótimo! – ela vibrou sorrindo – Hoje já é dia 19 – eu voltei ao meu trabalho, ainda tinha muita neve para se tirar – Mas você a enfeitará sozinha?
Suspirei.
–Provavelmente – eu respondi jogando mais um monte de neve para longe da entrada.
–É muito trabalhoso fazer tudo sozinha – disse-me preocupada – Eu pedi a dois sobrinhos que viessem me ajudar. Talvez devesse pedir ajuda a algum amigo – comentou.
–Obrigada pela preocupação Srª Calmon – falei tirando mais um monte de neve – Eu pensarei em algo.
–Está bem – concordou sorrindo – Um bom dia para você! – desejou e saiu.
Eu balancei a cabeça continuando o trabalho. Mas pensando bem seria exaustivo fazer tudo sozinha. Pensei em chamar o Rony mas ele estava na Irlanda para um importante jogo de quadribol. Talvez o Harry?Não. Ele estava na América terminando um curso de Auror. Enfiei a pá na neve e suspirei.
–Acho que seremos somente eu e você – sussurrei e encarei os flocos de neve que cobriam toda a rua.
*****
Os shoppings e lojas de toda Londres estavam um inferno. Nunca pensei que pudesse caber tanta gente em um lugar só (sem a utilização de algum feitiço). Fora realmente cansativo e trabalhoso comprar as luzes, enfeites e os presentes. Sorte que eu fizera um feitiço na sacola para que coubesse mais coisa e não pesasse tanto quanto devia.
Não estava nevando. Mas apesar do sol mostrar a sua cara o frio estava insuportável e as ruas estavam cobertas de neve da noite anterior.
Peguei a lista com a mão livre. Olhei os itens. Sentia que esquecia de alguém. Lembrei dos meus amigos e parentes mais uma vez.
–Jarerd! – exclamei quando os rostos de Fleur e Gui passaram pela minha mente.
Fui em uma loja de brinquedos bruxos e comprei algo para o filho deles.
Ao final da tarde dirigi-me ao Caldeirão Furado para descansar e beber algo. Lembrei-me das tantas vezes em que eu, Harry e os Weasleys nos encontrávamos lá antes de irmos para Hogwarts. Tempo bom aquele. Às vezes eu sentia falta de tudo aquilo. De conversarmos no trem esperando ele chegar em Hogwarts, das risadas, dos sermões que eu dava em Harry e Rony. Ri tomando um gole de chá. Sentia falta de todos os colegas de classe que eu quase nunca vejo hoje em dia. De fazer as tarefas com os dois ou até mesmo das raras vezes em que conversávamos sobre algo sem importância. Sentia falta deles. Olhei para a minha xícara, estava triste. Era por isso que não gostava dessas datas festivas, elas me faziam lembrar de coisas que me faziam sofrer. Nem Harry, nem Rony estariam aqui em Londres no Natal. E essa data era uma das poucas nas quais nós três nos víamos. Ergui a cabeça pois uma lágrima teimava em querer cair. Rony estava noivo de uma irlandesa e talvez não voltasse a morar na Inglaterra por causa disso. Harry estava solteiro mas muito ocupado com os cursos de auror que ele estava fazendo. Seu objetivo era se preparar para assumir o cargo de Ministro da Segurança. Quando conseguir isso irá ter mais tempo para si. Bebi outro gole do chá. Ele era quem me fazia mais falta. Suspirei triste e enxuguei a lágrima que escorreu pela minha bochecha.
*****
Ao chegar em casa tomei um banho, troquei de roupa e desci para esvaziar a sacola. Coloquei tudo sobre a mesa. Pus as mãos na cintura e suspirei. A mesa estava cheia de coisas e mais coisas e eu não sabia por onde começar.
Olhei para o relógio. Já passavam das seis. Preparei um chocolate quente, ascendi a lareira e com minha varinha comecei a separar tudo o que havia comprado. Árvore de natal e seus enfeites e luzes sobre o sofá. Bebi um gole do chocolate que desceu quente pela minha garganta esquentando todo o meu corpo. Luzes para a fachada da casa sobre a mesinha em frente ao sofá. Sendo assim só sobraram os presentes e papéis de embrulho sobre a mesa de jantar.
Suspirei e tomei outro gole. Ainda faltava comprar enfeites para colocar no jardim. Mas isso eu veria amanhã. Sentei-me em uma das cadeiras e comecei a separar os presentes com a varinha. Bruxos e trouxas, depois homens, mulheres e crianças. Em pouco mais de uma hora e meia todos os presentes estavam embrulhados e etiquetados. Deixei-os sobre a mesa e me preocupei com a árvore que precisava ser montada. Montei-a no canto da sala, ao lado do sofá. Ela era grande, maior do que eu. Dei graças aos céus por eu ser bruxa. Montar isso tudo sem varinha seria desgastante. Enquanto enfeites iam e vinham das caixas para a árvore eu terminava meu chocolate quente. Por fim os pisca-piscas e a estrela no topo. Olhei-a meticulosamente. E percebi que uma pequena parte parecia estar com menos enfeites do que a outra. Ergui a varinha e os papais noeis, laços, anjinhos e tudo mais começaram a voar. Coloquei a xícara sobre a mesinha, que agora continha apenas caixas vazias. Olhei para a árvore. Virei a cabeça para o lado direito. Um laço parecia torto. Ajeitei-o com a mão. Encarei novamente a árvore. Parecia que havia mais pisca-piscas na base do que no resto. Levantei a varinha e abri a boca para pronunciar o feitiço. Desisti. Se continuasse assim eu nunca a terminaria, pois ela nunca estaria perfeita. Tenho que parar com esse perfeccionismo. Balancei a cabeça e parei de olhar para a árvore. Estava linda. Para que a obrigação de estar perfeita?
*****
Acordei de mau humor. Somente por saber que teria que enfrentar aquele mar de pessoas que tomava conta das ruas comercias de Londres. Resolvi não adiar mais. Levantei-me, tomei café, me arrumei e aparatei em uma rua pouco movimentada. Caminhei até o centro e ao encontrar uma loja de enfeites natalinos para jardim eu entrei. Não estava com paciência para procurar a melhor loja.
O estabelecimento estava lotado e eu tive que me espremer entre as pessoas para que conseguisse chegar até o balcão. Um senhor me viu se aproximar e chamou um jovem rapaz que veio logo me atender. Fiz o pedido e ele me disse que à tarde o entregador passaria lá em casa para deixar o pedido. Isso, é claro, somente porque eu paguei a mais pela rapidez.
Ao sair da loja respirei fundo. Estava satisfeita e aliviada. Não teria mais que enfrentar aquele estresse.
*****
Mas a minha paz não durou muito. Quando o entregador chegou na minha casa e colocou as enormes caixas na garagem eu me lembrei que ainda teria que enfeitar a fachada da casa. O homem entrou no carro e seguiu e eu encarei o interior da minha garagem com tristeza. Amanhã seria um longo dia. E hoje já era dia 21.
*****
Acordei cedo. Tinha muita coisa para fazer e pouco tempo.
Eu carregava uma caixa da garagem para a entrada da casa. Pode-se dizer que eu não enxergava praticamente nada a minha frente e caminhava com certa cautela para não pisar na neve, por isso seguia pelo caminho de cimento do qual eu havia retirado a neve ontem (já que costumava nevar a noite). Procurei olhar por cima da caixa para ver se via a porta. Não seria nada bom se eu me esbarrassem nela.
–Oi! – alguém sussurrou no meu ouvido me fazendo saltar e derrubar a caixa no chão.
Virei-me para ver quem foi e vi Harry sorrindo-me com uma sacola a mão. Eu o abracei forte e comecei a chorar em seu ombro. Ele ficou sem ação por um momento mas acabou me abraçado também.
–Mione... – ele começou a falar afagando meus cabelos mas eu o interrompi.
–Senti tanto a sua falta! – ele sorriu e beijou meus cabelos.
–Eu também senti – afirmou enquanto nos afastávamos. Segurou a minha mão e olhou-me dos pés a cabeça – Você está mais linda do que a última vez que eu a vi – eu sorri, enrubescendo, ao mesmo tempo em que ele enxugava as minhas lágrimas.
–Eu estou é mais velha – rebati ainda vermelha.
–Todos nós estamos – comentou rindo. Depois parou e me encarou fixamente ainda segurando a minha mão – Eu voltei para ficar – contou. Eu sorri – No próximo ano serei efetivado.
–Que ótimo Harry! – eu disse fazendo-o sorrir também.
*****
Ele me dissera que não havia tomado café pois viajara cedo então nós entramos. Harry sentou-se à mesa e comeu o bolo de laranja que eu havia feito ontem com uma xícara de café.
–Você já falou com os Weasleys? – perguntei enquanto retirava seu prato e xícara.
–Ainda não – ele se levantou e me seguiu até a cozinha – Queria vir falar com você primeiro – eu sorri de costas para ele e fazendo um feitiço para lavar a louça.
–Pensei que não o veria no natal – eu falei enquanto os pratos eram enxutos.
–Eu tive que sacrificar um dos cursos que eu iría fazer para poder estar aqui – comentou me observando guardar a louça – Eu percebi que quando eu cheguei você estava com uma grande caixa na mão.
–É, eu ia enfeitar a fachada da casa – contei virando-me para ele – Sem varinha é claro – retifiquei.
–Eu posso te ajudar – se ofereceu de braços cruzados – se você quiser – e deu de ombros.
–Você deve ter assuntos para tratar – eu comentei por mais que quisesse que ele ficasse – depois de tanto tempo longe.
Ele se aproximou de mim descruzando os braços.
–Esses assuntos podem esperar – afirmou me encarando.
*****
Nós resolvemos começar pelos enfeites. Harry trazia algumas caixas para o jardim enquanto eu desenhava em um papel como eu queria que a casa fosse enfeitada.
Fazia um friozinho gostoso e o sol iluminava o ambiente. As pessoas que caminhavam pela rua não estavam tão agasalhadas quanto no dia anterior.
O jovem colocou uma caixa em cima da outra que estava ao lado da porta. E parou me vendo se aproximar com um papel à mão.
–Essas duas caixas são as dos bonecos de neve – informei – Aquelas em baixo da janela são as dos papais noeis. Acho que devemos começar por eles – e mostrei o papel a ele, indicando como eu gostaria que tudo fosse arrumado.
*****
À tardinha nós estávamos empurrando uns duendes até perto da cerca que dividia o meu jardim e o da Srª Calmon quando Beth saiu com seu cachorro e nos viu, se aproximando da cerca.
–Hermione meu bem? – chamou-me já próxima.
Eu me ergui com certa dificuldade, minha coluna estava doendo por causa do trabalho que tive durante todo o dia.
–Olá Beth! – eu a cumprimentei olhando para o jardim todo enfeitado a não ser pelo último duende que Harry ajeitava.
–Está lindo o jardim! – afirmou sorrindo satisfeita. Parecia até que fora ela quem o enfeitara.
Eu sorri igualmente satisfeita. Só faltavam as luzes e a Srª Calmon finalmente pararia de me encher com esse assunto.
–Vejo que pediu ajuda como eu havia lhe opinando – comentou olhando para Harry com certo interesse.
–Na verdade eu não pedi – comentei me aproximando mais da cerca – O Harry é um amigo que estava viajando e por sorte voltou hoje – o rapaz ergueu-se e encarou a senhora. Já tinha colocado o duende no lugar certo – Ele percebeu que eu estava enfeitando o jardim e então se ofereceu para me ajudar – eu sorri.
–Prazer! – ele disse lhe estendendo a mão.
–Prazer Harry! – falou ela apertando sua mão e o encarando.
–Se você nos dá licença Beth – eu comentei – Nós ainda temos coisas a fazer.
–Claro! – concordou acenando.
Eu e Harry acenamos de volta e a vimos sair pela portinha da cerca levando Pomer para passear.
*****
–Já está muito tarde para instalar as luzes – Harry comentou quando entramos na casa.
Eu concordei. Era preciso de iluminação para se mexer com coisas elétricas. Não poderia correr o risco de acontecer um acidente.
Ele me encarou por trás daqueles mesmos óculos de tantos anos atrás. Eu forcei um sorriso, por mais que quisesse que fosse sincero não conseguia me sentir feliz por saber que ele iría embora. Senti-me tão bem naquele dia, tendo a companhia dele. Era algo que eu sentia tanta falta. Apenas estar com ele.
Harry se aproximou.
–Eu poso ficar até amanhã para te ajudar com o resto – falou me encarando.
–Você deve ter muita coisa para fazer agora que está de volta a Londres – eu argumentei.
O que eu estou dizendo?Minto para mim mesma ao dizer que ele deve ir. Eu queria que ele ficasse, queria que ficasse... para sempre.
Pare!Pare de pensar nessas coisas!Eu não podia... Por favor, me diga que eu não estou apaixonada por você. Eu... eu não posso.
–O que foi Mione? – questionou segurando meu rosto delicadamente. Ele percebeu a confusão em meu olhar.
–Nada – eu menti – Apenas acho que você deve ter muita coisa pendente. E eu já o prendi aqui durante todo o dia.
Ele riu sem entender e retirando a mão do meu rosto.
–Parece até que você não quer que eu fique – ele comentou triste e ofendido.
Eu pensei em baixar os olhos mas desisti a tempo. Se o fizesse ele teria a certeza de que algo não estava certo. Continuei a encará-lo enquanto levava alguns poucos segundos para pensar em uma resposta.
–Claro que não Harry!Eu quero que você fique – respondi-lhe sincera. Ao menos até esse ponto – Quero que me ajude com algumas coisas que ainda terei que fazer amanhã. Mas você talvez você tenha coisas mais importantes para fazer.
–Por que você sempre acha que os outros – perguntou de forma serena e cruzando os braços – são mais importantes para mim do que você?
Eu entreabri a boca para falar mais a fechei sem ter o que dizer. Acabei por dar de ombros.
Ele segurou a minha mão e a levou de encontro aos seus lábios, beijando-a.
–Pois saiba que qualquer coisa que eu tenha que fazer é muito menos importante do que a sua companhia – eu sorri encabulada. Vencida.
Ele me puxou até a cozinha para tomarmos café.
E que Merlin me guie pelo caminho correto.
*****
Harry se instalou no quarto de hóspedes ao lado do meu. O único livre dos quatro pois um deles era o meu, o outro foi transformado em uma biblioteca e o terceiro era o laboratório que eu utilizava para testar novas poções ou até mesmo fabricar alguma já existente. Chato?Talvez para você. Eu amo o meu trabalho.
Eu já estava vestida com minha camisola azul, quase transparente e de um tecido suave, e segurava a maçaneta para entrar no meu quarto quando o vi saindo do quarto de hóspedes após arrumar sua mala. Foi assim que eu percebi que a camisola deveria ser um pouco... inapropriada. Minha certeza veio quando o notei me encarar fixamente. Seus olhos seguiram desde as minhas pernas até meus olhos. Ele balançou a cabeça levemente, constrangido e eu não pude conter um pequeno sorriso divertido. Harry caminhou até mim.
–Eu já vou dormir – lhe falei ainda segurando a maçaneta com uma mão – Amanhã temos muito a fazer.
–Ok – ele concordou.
Beijou-me suavemente o rosto e me olhou, eu lhe sorri. Harry virou-se e seguiu até seu quarto. Eu permanecia ali. Imóvel. Como se esperasse por algo. Como se esperasse por ele.
Mas ele nada fez. Eu o assisti, pelo canto do olho, entrar e fechar a porta atrás de si. Balancei a cabeça como se acordasse e fiz o mesmo.
*****
–Eu não consigo enxergar nada! – Harry falou sujo de massa para biscoito. Até seus cabelos e óculos estavam cobertos.
Eu ri dele. Era a sua quinta tentativa. E eu havia me convencido na segunda de que ele não conseguiria terminar a receita sem ajuda. Mas ele havia dispensado a minha ajuda. Disse que queria fazer aquilo sozinho porque não era possível que ele, com vinte e cinco anos, não conseguisse cozinhar nada. E eu não relutei quando ele me dissera para não interferir. Não me titule como péssima amiga pois era imensamente divertido vê-lo vestido em um avental tentando cozinhar.
–Hermione? – ele me chamou tentando limpar os óculos no avental também sujo – Há que ótimo! – resmungou ao perceber que havia sujado mais ainda os óculos.
–Limpar! – eu disse contendo um riso e apontando para seus óculos.
–Obrigado – ele falou olhando a bagunça que havia feito na minha cozinha. Voltou seus olhos para mim – Engraçado não é? – questionou chateado e me fazendo rir mais ainda – Para de rir Hermione!Olha só como eu estou – afirmou passando as mãos no avental e sujando-o mais ainda – Mione? – ele disse me olhando.
–Hum? – eu perguntei com uma mão sobre a boca, contendo a risada.
Vi surgir nos lábios dele um sorriso arteiro e irritantemente charmoso. Eu parei de rir quando percebi sua aproximação e pedi mentalmente que meus pensamentos e impulsos não vagassem por caminhos impróprios. Encarei aqueles olhos. Aqueles olhos tão acostumados a me olhar agora continham algo diferente. Eu ri rapidamente, deveria ser a minha imaginação vagando por locais proibidos.
Harry parou na minha frente e com o mesmo sorriso nos lábios passou a palma da sua mão na minha testa me sujando. Foi quando eu pisquei pela primeira vez depois que ele começara a se aproximar de mim.
Eu abri a boca surpresa. E ele riu passando a outra mão da minha bochecha esquerda. Eu o odiei por isso.
–Você me paga! – eu falei e ele correu de mim no instante seguinte – Eu vou te matar Harry James Potter! – ele pulara o sofá e eu pulei atrás dele correndo pela sala – Eu acabei de tomar banho!
–Você tem alergia a água por acaso? – ele questionou num sorriso divertido enquanto saia pela porta.
–Volte aqui! – eu gritei saindo pela porta.
A Srª Calmon ,que estava sentada (com Pomer no seu colo) em um banco no seu jardim, nos olhou espantada.
–Olá Beth! – ele a saldei correndo até meu jardim.
Ela levantou a mão, ainda assustada, em resposta.
–Você está fora de forma Hermione! – ele provocou.
Eu corri mais rápido fazendo-o acelerar também. Era difícil correr no gelo e eu quase cai de cara no chão quando passei em um pulo por uma plantação de bromélias. Joguei-me em cima dele que caiu na neve comigo por cima. Eu encarei novamente seus olhos e depois me ocupei com seus lábios que continham um encantador sorriso.
Não era possível!Ele devia...
–Fazer isso de propósito – comentei alto demais.
–Quem devia fazer o que de propósito? – me questionou com um riso.
–Nada – contei saindo de cima dele – Ótimo! – resmunguei olhando para a minha roupa suja daquela massa grudenta. Harry riu se levantando.
–Já que você está suja também – ele comentou interesseiro – bem que poderia me ajudar com esses biscoitos – e passou o braço pelo meu ombro enquanto caminhávamos até a casa. Eu o encarei com um olhar ''matador'' como ele mesmo denominava – Opa! – ele se afastou – Vamos!Você não consegue ficar longe de mim mesmo! – comentou sorrindo.
Eu lhe dei um tapa no ombro.
–Ai! – ele disse segurando o ombro. Eu ri e ele também.
*****
Ele desistiu de fazer, sozinho, os biscoitos e então eu fui ajudá-lo.
Os biscoitos deveriam estar prontos para amanhã sendo que eles ainda teriam que esfriar para se colocar a cobertura.
Sem feitiço ficava mais complicado, é verdade. E apesar de Harry insistir para que eu usasse varinha eu rebati dizendo que eles não ficavam tão gostosos quanto os que eram feitos manualmente. Ele desistiu. E disse que eu continuava a mesma teimosa de Hogwarts.
A festa de natal seria na Toca. Começava pela manhã e só terminava após a ceia à meia noite.
*****
Harry havia subido em uma escada enquanto eu estava ao lado dele, em terra. Sim. Eu ainda tenho medo de altura.
Fazia sol e ventava um pouco. O frio parecia ter dado uma trégua. Estava uma gostosa tarde de dezembro.
–Mione? – ele me chamou olhando para baixo.
–Oi? – eu respondi acordando. Observava atentamente cada movimento dele, curiosa.
Ele riu.
–Você poderia me dar as luzes? – pediu com um sorriso divertido.
–Ok – eu respondi.
E abri a caixa na qual estavam as lâmpadas.
–Tente desenrolá-las – disse – E me dê uma das pontas a outra você ficará segurando porque se embolar depois que já tiver começado a colocá-las será realmente trabalhoso.
–Certo – concordei dando uma das pontas para ele e começando a desembolar o resto.
Ao final da tarde nós já tínhamos colocado as lâmpadas na fachada da casa e no jardim, onde estavam os bonecos, também.
*****
Pinguei três gotas de chocolate em um dos biscoitos. A mesa estava completamente coberta de biscoitos em grandes assadeiras. Eu já havia feito o mesmo com cerca de um terço dos biscoitos. E Harry estava raspando a panela onde eu havia derretido o chocolate. Pinguei mais três gotas em outro biscoito.
–Está pegando a prática – ele comentou com um sorriso brincalhão.
Eu ergui a cabeça e olhei para ele (que estava recostado na pia) com a panela em uma mão e uma colher na outra. Além de estar com o canto esquerdo da boca sujo de chocolate.
Eu coloquei um dedo em cima do canto esquerdo da minha boca. Harry passou o indicador em cima do local sujo de chocolate, limpando-se.
Voltei aos biscoitos, ainda havia muitos nos quais pingar chocolate. E a verdade é que eu realmente estava pegando a prática. E em poucas horas já tinha acabado.
Fui tomar banho enquanto Harry assistia algo na televisão. Era o tempo que o chocolate secava.
*****
Ao retornar a sala vi que Harry tinha acabado de colocar um biscoito na boca.
–Te peguei! – exclamei fazendo-o dar um salto de susto. Eu ri.
–Você podia ter me matado! – falou com a boca cheia.
–Dê-me esse biscoito! – e tomei da mão dele o pedaço que não coubera em sua boca – Quantos você comeu? – questionei vendo-o terminar de mastigar.
–Só esse – eu o olhei desconfiada – Juro! – afirmou após terminar de mastigar.
Eu mordi o pedaço que havia pego dele.
–E por falar nisso, estava ótimo – comentou e tomou da minha mão o pedacinho que eu não havia posto na boca.
–Ajude-me a guardá-los – falei caminhando até a cozinha – E não se atreva a comer mais nenhum! – retifiquei o encarando.
*****
Estávamos no sofá da sala assistindo um filme. Eu já tinha vestido a minha camisola enquanto Harry vestia um short e camiseta. A cabeça dele repousou sobre minhas pernas e eu não questionei. Comecei a afagar seus cabelos rebeldes, displicentemente.
Ele me encarou mas eu não percebi pois prestava atenção no filme. Pouco depois ele colocou uma mão em cima do meu rosto me impedindo de ver. Eu tirei a sua mão, o encarei e percebi um sorriso brincalhão em seus lábios.
–Besta! – eu disse contendo um sorriso divertido.
*****
Passei uma mão em seus cabelos olhando para ele que estava deitado de lado e assistia ao filme que eu já não conseguia entender porque eu não era capaz de me concentrar. Passei meus dedos entre seus cabelos novamente.
Estar ao lado dele me provocava desejos de fazer coisas que não se deveria fazer com um amigo. Estar ao lado dele me fazia lembrar que eu o amava.
Eu me levantei em um salto fazendo com que Harry erguesse a cabeça, espantado com meu ato brusco e repentino. Andei rápido até a cozinha. Apoiei minhas mãos na pia, fechei os olhos e apertei a beirada da pia com força.
–O que aconteceu? – ele perguntou preocupado.
Eu abri os olhos imediatamente, me virei e percebi que ele estava perto de mim e me encarava.
Virei-me para o outro lado e tentei correr até a escada mas ele segurou meu braço logo após eu dar dois passos. Aproximou-se e me olhou fundo nos olhos.
–Do que está fugindo? – questionou suave.
–De mim mesma – disse-lhe sincera.
Desvencilhei-me dele e corri até as escadas. Não sabia se conseguiria viver com essa certeza, se isso só me faria sofrer mais... Não sabia o que fazer em seguida, nem mesmo sabia o que estava fazendo agora.
Senti um puxão brusco no braço, era ele que havia me seguido e me alcançado quase no fim das escadas. Empurrou-me contra a parede rudemente. Eu pude encarar seus olhos queimando em brasas apenas por alguns poucos segundos pois logo depois ele me beijara. Um beijo intenso e violento. Eu pensei em lutar mas mesmo se eu quisesse seria impossível. Ele me pressionava contra a parede, segurava minha cabeça cravando seus dedos em meus cabelos enquanto sua outra mão afagava a minha cintura e me beijava vorazmente. Deliciando-se com meus lábios, brincando com a minha língua e me tirando o fôlego.
Pouco depois ele afastou-se de mim
–Pois somos dois – disse me fazendo abrir os olhos. Eu percebi que seu peito arfava sob a camiseta – Eu também tento fugir de mim mesmo. Somente porque te amo – eu envolvi seu pescoço com meus braços e o beijei suavemente.
Olhei-o nos olhos e o vi sorrir. E eu sorri juntamente com ele.
Eu sorri cúmplice. Oh, sim!Eu teria que agradecer a Beth por insistir tanto que eu enfeitasse a casa.
Olhei para os enfeites lá fora. Todos cobertos de neve. Ergui a cabeça e observei os flocos caindo. Era simplesmente encantador.
–Hei? – voltei-me para onde vinha a voz e percebi um silhueta masculina descendo os últimos degraus da escada. Apesar de não ver quem era eu reconheci sua voz – Está tarde – comentou aproximando-se (a pouca iluminação que entrava pela janela vinha da Lua e das lâmpadas da rua). Pude ver o seu rosto, com seus inseparáveis óculos. Parecia com sono – O que você está fazendo aqui? – perguntou passando uma mão nos cabelos e bocejando.
Eu recostei a cabeça na parede e o olhei se aproximar. Harry estava vestido apenas com uma cueca preta.
–Hum! – sussurrei. Tentador.
Ele beijou-me a testa e me sorriu.
–Estava sem sono foi? – disse alisando meu rosto. Eu concordei com a cabeça.
–Fiquei admirando a noite – contei pousando uma mão no fim das suas costas. E voltei meus olhos para o jardim coberto de neve. Sim, hoje definitivamente é um dia especial. E até mesmo a natureza parece saber disso.
Ele olhou lá para fora. Pouco depois voltou a me encarar.
–Está muito frio sabia? – informou atraindo a minha atenção – Vem, vamos subir! – pediu sorrindo marotamente. Eu lhe sorri divertida.
Tínhamos que acordar cedo pois já era dia 24 e teríamos que ir a Toca. Mas quem disse que eu me importava com isso?
Risos.
Amorzinho da Gabione . Marida da Camilla . Quase-Marida da Cacaúdia . Futura da Perséfone Black . Noeva da Thaty . Consciência da Nana
Thaty, a apertadora oficial da minha bunda ;x
"O amor escorre pela telinha do PC"
Adriana Snape . Amandita Winchester² . Betynha
Elizabeth Maives . Fla W. Malfoy . Hokuto
Porque certas coisas nunca mudam.
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- Bruna Behrens
- Descobrindo a Profecia

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<center>Flocos de Neve (Betada por Adriana Snape):</center>
Eu estava enrolada em um manto de lã que minha mãe havia feito para mim há dois natais atrás, mas mesmo assim encontrava-me encolhida no parapeito da janela observando a rua. Era noite. Uma linda noite. A rua estava completamente coberta de neve e eu já vira, pelos menos umas seis vezes no tempo em que estava ali sentada, o carro que tirava a neve da rua passar. Flocos alvos continuavam a cair insistentemente. Estava frio apesar da lareira estar acesa e de eu ter feito um feitiço de aquecimento na casa.
Já era tarde e eu devia estar dormindo, mas a neve em especial me fascinava. Não que eu nunca a tivesse visto, porém hoje ela parecia diferente. Eu não sei explicar o que exatamente. Ela simplesmente me encantava.
As luzes das casas enfeitadas para o natal, uma mais bonita que a outra, encantava quem passasse pela Rua Victoryan (uma das mais bonitas e tranqüilas de Londres). A minha casa fora a última da rua a ser enfeitada. Compreendam-me. É arduamente trabalhoso para uma pessoa, sem varinha (por se tratar de um bairro trouxa), enfeitar uma casa como a minha. Ela não era tão grande quanto as casas vizinhas, provavelmente seria a menor. Mas ainda sim era grande para uma única pessoa. Eu também achava isso, mas o que eu podia fazer?! Rony insistira tanto para que eu a aceitasse como seu primeiro presente de aniversário decente, agora que se tornara goleiro de um famoso time Irlandês. Eu não pude negar, estava realmente querendo sair da casa dos meus pais naquela época.
Um floco de neve caiu no vidro da janela e escorregou até as roseiras completamente cobertas pela neve.
– Coitado do meu jardim – eu comentei triste.
Eu tive o trabalho de plantá-lo e cuidá-lo durante todo o ano para que quando chegasse o inverno as flores e folhas simplesmente morressem pelo frio?! Todo ano era a mesma coisa. Eu me dedicava ao jardim durante a primavera, o verão e o outono, até que o inverno chegasse e destruísse quase tudo.
Minha barriga roncou de fome.
–Accio pote de biscoitos – e o pote veio até mim. Eu o abri e mordi um biscoito – Hum! Avelã – eu disse. Era um dos meus sabores preferidos.
Todas as luzes das casas na vizinhança estavam apagadas a não ser pela luz do quarto dos Wilson. Jeremy certamente acordara os pais berrando de novo. Ter filho pequeno é uma árdua tarefa.
A rua estava quase silenciosa. Ouvia-se apenas o latido insistente de Pomer, o cão de guarda da Srª Calmon que morava ao lado, e o carro que tirava a neve da rua. Seria a sétima vez que ele passara somente naquelas três horas? Eu mordi o biscoito. É, acho que é sétima vez que o vejo. E tirei outro pedaço do biscoito. Isso serve para eu me lembrar de não deixar Preston (meu primo mais novo) trabalhar como motorista de um carro desses. Ele provavelmente nunca parou para contar quantas vezes eles passam pelo mesmo lugar numa mesma noite.
Passei a outra mão na janela que havia embaçado novamente. O fio lá fora... Nossa! Deve estar de matar! Eu me encolhi mais sob o manto e peguei outro biscoito. Peguei minha varinha que estava em cima da estante ao lado da janela e aumentei o fogo. Coloquei-a novamente no lugar e mordi meu biscoito.
Olhei para rua e vi que algumas luzes estavam apagadas. Provavelmente queimaram. O hidrante estava coberto de neve, mas isso não deveria ser preocupante. O índice de incêndios no inverno era realmente baixo, apesar de todos usarem mais o fogo do que em outras estações. Tirei um pedaço do biscoito. Pensando bem, é algo contraditório. Deveria ser exatamente ao contrário. Dei de ombros. Vai entender! As pessoas são tão complicadas... Mordi meu biscoito. E eu tomo a mim mesma como exemplo.
Pomer estava latindo de novo. Não sei como a Srª Calmon pode considerá-lo um cão de guarda se ele late a noite toda mesmo que ninguém chegue perto da porta e se ele adora me lamber. Se eu quisesse assaltá-la, não seria nem um pouco difícil. Ela tem um sono de pedra e Pomer me estima. Dei outra mordida no biscoito. Ele continuava a latir. Em outros dias eu estaria xingando Beth por seu cachorro não se calar. Pus o pote de biscoitos sobre a estante e comi o último pedaço. Mas hoje eu simplesmente não me importava. Sentia-me realizada e parecia que nada mudaria isso.
Sorri. Sozinha. E encostei a cabeça na janela. Eu demorei muito tempo para me sentir assim. Vinte e cinco anos para ser mais exata. Vinte e cinco anos. E somente agora eu percebo que eu só precisava de uma coisa para me sentir completa e feliz. Eu ri baixinho e voltei meus olhos para a rua. Olhei para as casas vizinhas, uma por uma (a luz da casa dos Wilson já estava apagada). Observei com extrema atenção seus enfeites natalinos, suas luzes ofuscantes. A minha casa fora a última a ser enfeitada. E eu posso dizer que estou imensamente contente por minha falta de interesse com esses costumes natalinos. Dei outro sorriso, ainda olhando para a rua.
<i>–Hermione querida! – Beth me saudou sorrindo do outro lado da cerca quando me viu retirando, com uma pá, a neve da entrada da minha casa. Nem eu mesma conseguia me mover até o portão com tanta neve.
–Olá Srª Calmon! – eu exclamei num misto de dor e cansaço.
Enchi a pá de neve e a joguei para o lado. Parei erguendo a minha coluna que já doía e encarei a minha vizinha. Sorri-lhe rapidamente e voltei ao trabalho antes que ela resolvesse comentar sobre o único assunto sobre o qual falava comigo desde meados de novembro.
–Hermione? – chamou-me.
Eu parei ainda curvada. Não adiantou nada continuar a tirar a neve. Enfiei a pá na neve alva e a olhei apoiando uma mão na pá.
–Sim? – questionei dando-lhe o meu melhor falso sorriso.
–Quando é mesmo que você irá enfeitar a fachada da sua casa? – perguntou-me num tom inocente.
Eu ri por dentro. Beth era uma mulher engenhosa e não parava até conseguir o que queria. Realmente parecia comigo nesse sentido.
–Essa semana – eu afirmei por fim. Talvez assim ela parasse de me lembrar que a minha casa era a única sem enfeites.
–Ótimo! – ela vibrou sorrindo – Hoje já é dia 19 – eu voltei ao meu trabalho, ainda tinha muita neve para se tirar – Mas você a enfeitará sozinha?
Suspirei.
–Provavelmente – eu respondi jogando mais um monte de neve para longe da entrada.
–É muito trabalhoso fazer tudo sozinha – disse-me preocupada – Eu pedi a dois sobrinhos que viessem me ajudar. Talvez devesse pedir ajuda a algum amigo – comentou.
–Obrigada pela preocupação Srª Calmon – falei tirando mais um monte de neve – Eu pensarei em algo.
–Está bem – concordou sorrindo – Um bom dia para você! – desejou e saiu.
Eu balancei a cabeça continuando o trabalho. Mas, pensando bem, seria exaustivo fazer tudo sozinha. Pensei em chamar o Rony, mas ele estava na Irlanda para um importante jogo de quadribol. Talvez o Harry? Não. Ele estava na América terminando um curso de Auror. Enfiei a pá na neve e suspirei.
–Acho que seremos somente eu e você – sussurrei e encarei os flocos de neve que cobriam toda a rua.
*****
Os shoppings e lojas de toda Londres estavam um inferno. Nunca pensei que pudesse caber tanta gente em um lugar só (sem a utilização de algum feitiço). Fora realmente cansativo e trabalhoso comprar as luzes, enfeites e os presentes. Sorte que eu fizera um feitiço na sacola para que coubesse mais coisa e não pesasse tanto quanto devia.
Não estava nevando. Mas, apesar do sol mostrar a sua cara, o frio estava insuportável e as ruas estavam cobertas de neve da noite anterior.
Peguei a lista com a mão livre. Olhei os itens. Sentia que esquecia de alguém. Lembrei dos meus amigos e parentes mais uma vez.
–Jarerd! – exclamei quando os rostos de Fleur e Gui passaram pela minha mente.
Fui a uma loja de brinquedos bruxos e comprei algo para o filho deles.
Ao final da tarde, dirigi-me ao Caldeirão Furado para descansar e beber algo. Lembrei-me das tantas vezes em que eu, Harry e os Weasleys nos encontrávamos lá antes de irmos para Hogwarts. Tempo bom aquele. Às vezes, eu sentia falta de tudo aquilo. De conversarmos no trem esperando ele chegar a Hogwarts, das risadas, dos sermões que eu dava em Harry e Rony. Ri tomando um gole de chá. Sentia falta de todos os colegas de classe que eu quase nunca vejo hoje em dia. De fazer as tarefas com os dois ou até mesmo das raras vezes em que conversávamos sobre algo sem importância. Sentia falta deles. Olhei para a minha xícara, estava triste. Era por isso que não gostava dessas datas festivas, elas me faziam lembrar de coisas que me faziam sofrer. Nem Harry, nem Rony estariam aqui em Londres no Natal. E essa data era uma das poucas nas quais nós três nos víamos.
Ergui a cabeça, pois uma lágrima teimava em querer cair. Rony estava noivo de uma irlandesa e talvez não voltasse a morar na Inglaterra por causa disso. Harry estava solteiro, mas muito ocupado com os cursos de auror que ele estava fazendo. Seu objetivo era se preparar para assumir o cargo de Ministro da Segurança. Quando conseguir isso terá mais tempo para si. Bebi outro gole do chá. Ele era quem mais me fazia falta. Suspirei triste e enxuguei a lágrima que escorreu pela minha bochecha.
*****
Ao chegar em casa, tomei um banho, troquei de roupa e desci para esvaziar a sacola. Coloquei tudo sobre a mesa. Pus as mãos na cintura e suspirei. A mesa estava cheia de coisas e mais coisas, e eu não sabia por onde começar.
Olhei para o relógio. Já passavam das seis. Preparei um chocolate quente, acendi a lareira e com minha varinha comecei a separar tudo o que havia comprado. Árvore de natal e seus enfeites e luzes sobre o sofá. Bebi um gole do chocolate que desceu quente pela minha garganta esquentando todo o meu corpo. Luzes para a fachada da casa sobre a mesinha em frente ao sofá. Sendo assim, só sobraram os presentes e papéis de embrulho sobre a mesa de jantar.
Suspirei e tomei outro gole. Ainda faltava comprar enfeites para colocar no jardim. Mas isso eu veria amanhã. Sentei-me em uma das cadeiras e comecei a separar os presentes com a varinha. Bruxos e trouxas, depois homens, mulheres e crianças. Em pouco mais de uma hora e meia todos os presentes estavam embrulhados e etiquetados. Deixei-os sobre a mesa e me preocupei com a árvore que precisava ser montada. Montei-a no canto da sala, ao lado do sofá. Ela era grande, maior do que eu. Dei graças aos céus por eu ser bruxa. Montar isso tudo sem varinha seria desgastante. Enquanto enfeites iam e vinham das caixas para a árvore, eu terminava meu chocolate quente. Por fim, os pisca-piscas e a estrela no topo. Olhei-a meticulosamente. E percebi que uma pequena parte parecia estar com menos enfeites do que a outra. Ergui a varinha e os papais noéis, laços, anjinhos e tudo mais começaram a voar. Coloquei a xícara sobre a mesinha, que agora continha apenas caixas vazias. Olhei para a árvore. Virei a cabeça para o lado direito. Um laço parecia torto. Ajeitei-o com a mão. Encarei novamente a árvore. Parecia que havia mais pisca-piscas na base do que no resto. Levantei a varinha e abri a boca para pronunciar o feitiço. Desisti. Se continuasse assim eu nunca a terminaria, pois ela nunca estaria perfeita. Tenho que parar com esse perfeccionismo. Balancei a cabeça e parei de olhar para a árvore. Estava linda. Para que a obrigação de estar perfeita?
*****
Acordei de mau humor. Somente por saber que teria que enfrentar aquele mar de pessoas que tomava conta das ruas comercias de Londres. Resolvi não adiar mais. Levantei-me, tomei café, me arrumei e aparatei em uma rua pouco movimentada. Caminhei até o centro e ao encontrar uma loja de enfeites natalinos para jardim eu entrei. Não estava com paciência para procurar a melhor loja.
O estabelecimento estava lotado e eu tive que me espremer entre as pessoas para que conseguisse chegar até o balcão. Um senhor me viu se aproximar e chamou um jovem rapaz que veio logo me atender. Fiz o pedido e ele me disse que à tarde o entregador passaria lá em casa para deixar o pedido. Isso, é claro, somente porque eu paguei a mais pela rapidez.
Ao sair da loja respirei fundo. Estava satisfeita e aliviada. Não teria mais que enfrentar aquele estresse.
*****
Mas a minha paz não durou muito. Quando o entregador chegou à minha casa e colocou as enormes caixas na garagem, eu me lembrei que ainda teria que enfeitar a fachada da casa. O homem entrou no carro e se foi, enquanto eu encarava o interior da minha garagem com tristeza. Amanhã seria um longo dia. E hoje já era dia 21.
*****
Acordei cedo. Tinha muita coisa para fazer e pouco tempo.
Eu carregava uma caixa da garagem para a entrada da casa. Pode-se dizer que eu não enxergava praticamente nada à minha frente e caminhava com certa cautela para não pisar na neve, por isso seguia pelo caminho de cimento do qual eu havia retirado a neve ontem (já que costumava nevar a noite). Procurei olhar por cima da caixa para ver se via a porta. Não seria nada bom se eu esbarrasse nela.
–Oi! – alguém sussurrou no meu ouvido me fazendo saltar e derrubar a caixa no chão.
Virei-me para ver quem foi e vi Harry sorrindo-me com uma sacola a mão. Eu o abracei forte e comecei a chorar em seu ombro. Ele ficou sem ação por um momento, mas acabou me abraçado também.
–Mione... – ele começou a falar afagando meus cabelos, mas eu o interrompi.
–Senti tanto a sua falta! – ele sorriu e beijou meus cabelos.
–Eu também senti – afirmou enquanto nos afastávamos. Segurou a minha mão e olhou-me dos pés a cabeça – Você está mais linda do que a última vez que eu a vi – eu sorri, enrubescendo, ao mesmo tempo em que ele enxugava as minhas lágrimas.
–Eu estou é mais velha – rebati ainda vermelha.
–Todos nós estamos – comentou rindo. Depois parou e me encarou fixamente ainda segurando a minha mão – Eu voltei para ficar – contou. Eu sorri – No próximo ano serei efetivado.
–Que ótimo Harry! – eu disse fazendo-o sorrir também.
*****
Ele me dissera que não havia tomado café, pois viajara cedo, então nós entramos. Harry sentou-se à mesa e comeu o bolo de laranja que eu havia feito ontem, com uma xícara de café.
–Você já falou com os Weasley? – perguntei enquanto retirava seu prato e xícara.
–Ainda não – ele se levantou e me seguiu até a cozinha – Queria vir falar com você primeiro – eu sorri de costas para ele e fazendo um feitiço para lavar a louça.
–Pensei que não o veria no natal – eu falei enquanto os pratos eram enxutos.
–Eu tive que sacrificar um dos cursos que eu iría fazer para poder estar aqui – comentou me observando guardar a louça – Eu percebi que quando eu cheguei você estava com uma grande caixa na mão.
–É, eu ia enfeitar a fachada da casa – contei virando-me para ele – Sem varinha é claro – retifiquei.
–Eu posso te ajudar – se ofereceu de braços cruzados – se você quiser – e deu de ombros.
–Você deve ter assuntos para tratar – eu comentei por mais que quisesse que ele ficasse – depois de tanto tempo longe.
Ele se aproximou de mim descruzando os braços.
–Esses assuntos podem esperar – afirmou me encarando.
*****
Nós resolvemos começar pelos enfeites. Harry trazia algumas caixas para o jardim enquanto eu desenhava em um papel como eu queria que a casa fosse enfeitada.
Fazia um friozinho gostoso e o sol iluminava o ambiente. As pessoas que caminhavam pela rua não estavam tão agasalhadas quanto no dia anterior.
O jovem colocou uma caixa em cima da outra que estava ao lado da porta. E parou me vendo se aproximar com um papel à mão.
–Essas duas caixas são as dos bonecos de neve – informei – Aquelas embaixo da janela são as dos papais noéis. Acho que devemos começar por eles – e mostrei o papel a ele, indicando como eu gostaria que tudo fosse arrumado.
*****
À tardinha, nós estávamos empurrando uns duendes até perto da cerca que dividia o meu jardim e o da Srª Calmon quando Beth saiu com seu cachorro e nos viu, se aproximando da cerca.
–Hermione meu bem? – chamou-me já próxima.
Eu me ergui com certa dificuldade, minha coluna estava doendo por causa do trabalho que tive durante todo o dia.
–Olá Beth! – eu a cumprimentei olhando para o jardim todo enfeitado a não ser pelo último duende que Harry ajeitava.
–Está lindo o jardim! – afirmou sorrindo satisfeita. Parecia até que fora ela quem o enfeitara.
Eu sorri igualmente satisfeita. Só faltavam as luzes e a Srª Calmon finalmente pararia de me encher com esse assunto.
–Vejo que pediu ajuda como eu havia lhe opinando – comentou olhando para Harry com certo interesse.
–Na verdade eu não pedi – comentei me aproximando mais da cerca – O Harry é um amigo que estava viajando e por sorte voltou hoje – o rapaz ergueu-se e encarou a senhora. Já tinha colocado o duende no lugar certo – Ele percebeu que eu estava enfeitando o jardim e então se ofereceu para me ajudar – eu sorri.
–Prazer! – ele disse lhe estendendo a mão.
–Prazer Harry! – falou ela apertando sua mão e o encarando.
–Se você nos dá licença Beth – eu comentei – Nós ainda temos coisas a fazer.
–Claro! – concordou acenando.
Eu e Harry acenamos de volta e a vimos sair pela portinha da cerca, levando Pomer para passear.
*****
–Já está muito tarde para instalar as luzes – Harry comentou quando entramos na casa.
Eu concordei. Era preciso de iluminação para se mexer com coisas elétricas. Não poderia correr o risco de acontecer um acidente.
Ele me encarou por trás daqueles mesmos óculos de tantos anos atrás. Eu forcei um sorriso, por mais que quisesse transmitir sinceridade não conseguia me sentir feliz pelo fato dele ir embora. Senti-me tão bem naquele dia, tendo a companhia dele. Era algo que eu sentia tanta falta. Apenas estar com ele.
Harry se aproximou.
–Eu poso ficar até amanhã para te ajudar com o resto – falou me encarando.
–Você deve ter muita coisa para fazer, agora que está de volta a Londres – eu argumentei.
O que eu estou dizendo?Minto para mim mesma ao dizer que ele deve ir. Eu queria que ele ficasse, queria que ficasse... para sempre.
Pare!Pare de pensar nessas coisas!Eu não podia... Por favor, me diga que eu não estou apaixonada por você. Eu... eu não posso.
–O que foi Mione? – questionou segurando meu rosto delicadamente. Ele percebeu a confusão em meu olhar.
–Nada – eu menti – Apenas acho que você deve ter muita coisa pendente. E eu já o prendi aqui durante todo o dia.
Ele riu sem entender e retirando a mão do meu rosto.
–Parece até que você não quer que eu fique – ele comentou triste e ofendido.
Eu pensei em baixar os olhos mas desisti a tempo. Se o fizesse ele teria a certeza de que algo não estava certo. Continuei a encará-lo enquanto levava alguns poucos segundos para pensar em uma resposta.
–Claro que não Harry! Eu quero que você fique – respondi-lhe sincera. Ao menos até esse ponto – Quero que me ajude com algumas coisas que ainda terei que fazer amanhã. Mas você talvez você tenha coisas mais importantes para fazer.
–Por que você sempre acha que os outros – perguntou de forma serena e cruzando os braços – são mais importantes para mim do que você?
Eu entreabri a boca para falar mais a fechei sem ter o que dizer. Acabei por dar de ombros.
Ele segurou a minha mão e a levou de encontro aos seus lábios, beijando-a.
–Pois saiba que qualquer coisa que eu tenha que fazer é muito menos importante do que a sua companhia – eu sorri encabulada. Vencida.
Ele me puxou até a cozinha para tomarmos café.
E que Merlin me guie pelo caminho correto.
*****
Harry se instalou no quarto de hóspedes ao lado do meu. O único livre dos quatro, pois um deles era o meu, o outro foi transformado em uma biblioteca e o terceiro era o laboratório que eu utilizava para testar novas poções ou até mesmo fabricar alguma já existente. Chato? Talvez para você. Eu amo o meu trabalho.
Eu já estava vestida com minha camisola azul, quase transparente, de um tecido suave, e segurava a maçaneta para entrar no meu quarto quando o vi saindo do quarto de hóspedes após arrumar sua mala. Foi assim que eu percebi que a camisola deveria ser um pouco... inapropriada. Minha certeza veio quando o notei me encarar fixamente. Seus olhos seguiram desde as minhas pernas até meus olhos. Ele balançou a cabeça levemente, constrangido e eu não pude conter um pequeno sorriso divertido. Harry caminhou até mim.
–Eu já vou dormir – lhe falei ainda segurando a maçaneta com uma mão – Amanhã temos muito a fazer.
–Ok – ele concordou.
Beijou-me suavemente o rosto e me olhou, eu lhe sorri. Harry virou-se e seguiu até seu quarto. Eu permaneci ali. Imóvel. Como se esperasse por algo. Como se esperasse por ele.
Mas ele nada fez. Eu o assisti, pelo canto do olho, entrar e fechar a porta atrás de si. Balancei a cabeça como se acordasse e fiz o mesmo.
*****
–Eu não consigo enxergar nada! – Harry falou, sujo de massa para biscoito. Até seus cabelos e óculos estavam cobertos.
Eu ri dele. Era a sua quinta tentativa. E eu havia me convencido na segunda de que ele não conseguiria terminar a receita sem algum auxílio. Mas ele havia dispensado a minha ajuda. Disse que queria fazer aquilo sozinho porque não era possível que ele, com vinte e dois anos, não conseguisse cozinhar nada. E eu não relutei quando ele me dissera para não interferir. Não me intitule uma péssima amiga, pois era imensamente divertido vê-lo vestido em um avental tentando cozinhar.
–Hermione? – ele me chamou tentando limpar os óculos no avental também sujo – Ah, que ótimo! – resmungou ao perceber que havia sujado mais ainda os óculos.
–Limpar! – eu disse, contendo um riso e apontando para seus óculos.
–Obrigado – ele falou, olhando a bagunça que havia feito na minha cozinha. Voltou seus olhos para mim – Engraçado não é? – questionou chateado e me fazendo rir mais ainda – Pára de rir Hermione! Olha só como eu estou – afirmou, passando as mãos no avental e sujando-o mais ainda – Mione? – ele disse me olhando.
–Hum? – eu perguntei com uma mão sobre a boca, contendo a risada.
Vi surgir nos lábios dele um sorriso arteiro e irritantemente charmoso. Parei de rir quando percebi sua aproximação e pedi mentalmente que meus pensamentos e impulsos não vagassem por caminhos impróprios. Encarei aqueles olhos. Aqueles olhos tão acostumados a me olhar agora continham algo diferente. Eu ri rapidamente, deveria ser a minha imaginação vagando por locais proibidos.
Harry parou na minha frente e com o mesmo sorriso nos lábios passou a palma da sua mão na minha testa me sujando. Foi quando eu pisquei pela primeira vez depois que ele começara a se aproximar de mim.
Abri a boca, surpresa. E ele riu passando a outra mão da minha bochecha esquerda. Eu o odiei por isso.
–Você me paga! – eu falei e ele correu de mim no instante seguinte – Eu vou te matar, Harry James Potter! – ele pulou o sofá e eu fui atrás dele, correndo pela sala – Eu acabei de tomar banho!
–Você tem alergia à água por acaso? – ele questionou num sorriso divertido enquanto saia pela porta.
–Volte aqui! – eu gritei saindo pela porta.
A Srª Calmon, que estava sentada com Pomer no seu colo, em um banco no seu jardim, nos olhou espantada.
–Olá Beth! – ele a saldei correndo até meu jardim.
Ela levantou a mão, ainda assustada, em resposta.
–Você está fora de forma Hermione! – ele provocou.
Eu corri mais rápido fazendo-o acelerar também. Era difícil correr no gelo e eu quase cai de cara no chão quando passei em um pulo por uma plantação de bromélias. Joguei-me sobre ele, que caiu na neve comigo por cima. Eu encarei novamente seus olhos e depois me ocupei com seus lábios que continham um encantador sorriso.
Não era possível! Ele devia...
–Fazer isso de propósito – comentei alto demais.
–Quem devia fazer o que de propósito? – me questionou com um riso.
–Nada – contei saindo de cima dele – Ótimo! – resmunguei olhando para a minha roupa suja daquela massa grudenta. Harry riu se levantando.
–Já que você está suja também, – ele comentou interesseiro – bem que poderia me ajudar com esses biscoitos – e passou o braço pelo meu ombro enquanto caminhávamos até a casa. Eu o encarei com um olhar ''matador'', como ele mesmo denominava – Opa! – ele se afastou – Vamos! Você não consegue ficar longe de mim mesmo! – comentou sorrindo.
Eu lhe dei um tapa no ombro.
–Ai! – ele disse segurando o ombro. Eu ri e ele também.
*****
Ele desistiu de fazer, sozinho, os biscoitos e então eu fui ajudá-lo.
Os biscoitos deveriam estar prontos para amanhã sendo que ainda teriam que esfriar para se colocar a cobertura.
Sem feitiço ficava mais complicado, é verdade. E apesar de Harry insistir para que eu usasse varinha, rebati dizendo que eles não ficavam tão gostosos quanto os que eram feitos manualmente. Ele desistiu. E disse que eu continuava a mesma teimosa de Hogwarts.
A festa de natal seria na Toca. Começaria pela manhã e só terminaria após a ceia à meia noite.
*****
Harry havia subido em uma escada enquanto eu estava ao lado dele, em terra. Sim. Eu ainda tenho medo de altura.
Fazia sol e ventava um pouco. O frio parecia ter dado uma trégua. Estava uma gostosa tarde de dezembro.
–Mione? – ele me chamou olhando para baixo.
–Oi? – eu respondi acordando. Observava atentamente cada movimento dele, curiosa.
Ele riu.
–Você poderia me alcançar as luzes? – pediu com um sorriso divertido.
–Ok – eu respondi.
E abri a caixa na qual estavam as lâmpadas.
–Tente desenrolá-las – disse – E me dê uma das pontas; a outra você ficará segurando porque, se embolar depois que já tiver começado a colocá-las, será realmente trabalhoso.
–Certo – concordei dando uma das pontas para ele e começando a desembolar o resto.
Ao final da tarde, nós já tínhamos colocado as lâmpadas na fachada da casa e no jardim, onde estavam os bonecos, também.
*****
Pinguei três gotas de chocolate em um dos biscoitos. A mesa estava completamente coberta de grandes assadeiras cheias deles. Eu já havia feito o mesmo com cerca de um terço dos bonequinhos. E Harry estava raspando a panela onde eu havia derretido o chocolate. Pinguei mais três gotas em outro biscoito.
–Está pegando a prática – ele comentou com um sorriso brincalhão.
Eu ergui a cabeça e olhei para ele (que estava recostado na pia) com a panela em uma mão e uma colher na outra. Além de estar com o canto esquerdo da boca sujo de chocolate.
Eu coloquei um dedo em cima do canto esquerdo da minha boca. Harry passou o indicador em cima do local sujo de chocolate, limpando-se.
Voltei aos biscoitos, ainda havia muitos nos quais pingar chocolate. A verdade é que eu realmente estava pegando a prática. E em poucas horas já tinha acabado.
Fui tomar banho enquanto Harry assistia algo na televisão. Era o tempo que o chocolate secava.
*****
Ao retornar a sala vi que Harry tinha acabado de colocar um biscoito na boca.
–Te peguei! – exclamei fazendo-o dar um salto de susto. Eu ri.
–Você poderia ter me matado! – falou com a boca cheia.
–Dê-me esse biscoito! – e tomei da mão dele o pedaço que não coubera em sua boca – Quantos você comeu? – questionei vendo-o terminar de mastigar.
–Só esse – eu o olhei desconfiada – Juro! – afirmou após terminar de mastigar.
Eu mordi o pedaço que havia pegado dele.
–E por falar nisso, estava ótimo – comentou e tomou da minha mão o pedacinho que eu não havia posto na boca.
–Ajude-me a guardá-los – falei caminhando até a cozinha – E não se atreva a comer mais nenhum! – retifiquei o encarando.
*****
Estávamos no sofá da sala assistindo um filme. Eu já tinha vestido a minha camisola enquanto Harry vestia uma calça folgada e camiseta. A cabeça dele repousou sobre minhas pernas e eu não questionei. Comecei a afagar seus cabelos rebeldes, displicentemente.
Ele me encarou, mas eu não percebi pois prestava atenção no filme. Pouco depois, ele colocou uma mão em cima do meu rosto me impedindo de ver. Eu tirei a sua mão, o encarei e percebi um sorriso brincalhão em seus lábios.
–Besta! – eu disse, contendo um sorriso divertido.
*****
Passei uma mão em seus cabelos olhando para ele, que estava deitado de lado e assistia ao filme que eu já não conseguia entender porque não era capaz de me concentrar. Passei meus dedos entre seus cabelos novamente.
Estar ao lado dele me provocava desejos de fazer coisas que não se deveria fazer com um amigo. Estar ao lado dele me fazia lembrar que eu o amava.
Eu me levantei em um salto fazendo com que Harry erguesse a cabeça, espantado com meu ato brusco e repentino. Andei rápido até a cozinha. Apoiei minhas mãos na pia, fechei os olhos e apertei a beirada da pia com força.
–O que aconteceu? – ele perguntou preocupado.
Eu abri os olhos imediatamente, me virei e percebi que ele estava perto de mim e me encarava.
Virei-me para o outro lado e tentei correr até a escada, mas ele segurou meu braço logo após eu dar dois passos. Aproximou-se e me olhou fundo nos olhos.
–Do que está fugindo? – questionou suave.
–De mim mesma – disse-lhe sincera.
Desvencilhei-me dele e corri até as escadas. Não sabia se conseguiria viver com essa certeza, se isso só me faria sofrer mais... Não sabia o que fazer em seguida, nem mesmo sabia o que estava fazendo agora.
Senti um puxão brusco no braço, era ele que havia me seguido e me alcançado quase no fim das escadas. Empurrou-me contra a parede rudemente. Eu pude encarar seus olhos queimando em brasas apenas por alguns poucos segundos, pois logo depois ele me beijara. Um beijo intenso e violento. Eu pensei em lutar, mas mesmo se eu quisesse seria impossível. Ele me pressionava contra a parede, segurava minha cabeça cravando seus dedos em meus cabelos enquanto sua outra mão afagava a minha cintura e me beijava vorazmente. Deliciando-se com meus lábios, brincando com a minha língua e me tirando o fôlego.
Pouco depois ele afastou-se de mim
–Pois somos dois – disse me fazendo abrir os olhos. Eu percebi que seu peito arfava sob a camiseta – Eu também tento fugir de mim mesmo. Somente porque te amo – eu envolvi seu pescoço com meus braços e o beijei suavemente.
Olhei-o nos olhos e o vi sorrir. E eu sorri juntamente com ele. </i>
Sorri cúmplice. Oh, sim!Eu teria que agradecer a Beth por insistir tanto que eu enfeitasse a casa.
Olhei para os enfeites lá fora. Todos cobertos de neve. Ergui a cabeça e observei os flocos caindo. Era simplesmente encantador.
–Hei? – voltei-me para onde vinha a voz e percebi um silhueta masculina descendo os últimos degraus da escada. Apesar de não ver o seu rosto, eu reconheci a sua voz – Está tarde – comentou aproximando-se (a pouca iluminação que entrava pela janela vinha da Lua e das lâmpadas da rua). Pude ver o seu rosto, com seus inseparáveis óculos. Parecia com sono – O que você está fazendo aqui? – perguntou passando uma mão nos cabelos e bocejando.
Eu recostei a cabeça na parede e o olhei se aproximar. Harry estava vestido apenas com uma cueca preta.
<i>–Hum! – sussurrei.</i> Tentador.
Ele beijou-me a testa e me sorriu.
–Estava sem sono, foi? – disse alisando meu rosto. Eu concordei com a cabeça.
–Fiquei admirando a noite – contei, pousando uma mão no fim das suas costas. E voltei meus olhos para o jardim coberto de neve. Sim, hoje definitivamente é um dia especial. E até mesmo a natureza parece saber disso.
Ele olhou lá para fora. Pouco depois voltou a me encarar.
–Está muito frio, sabia? – informou atraindo a minha atenção – Vem, vamos subir! – pediu sorrindo marotamente. Eu lhe sorri divertida.
Tínhamos que acordar cedo, pois já era dia 24 e teríamos que ir à Toca. Mas quem disse que eu me importava com isso?
Risos.
Eu estava enrolada em um manto de lã que minha mãe havia feito para mim há dois natais atrás, mas mesmo assim encontrava-me encolhida no parapeito da janela observando a rua. Era noite. Uma linda noite. A rua estava completamente coberta de neve e eu já vira, pelos menos umas seis vezes no tempo em que estava ali sentada, o carro que tirava a neve da rua passar. Flocos alvos continuavam a cair insistentemente. Estava frio apesar da lareira estar acesa e de eu ter feito um feitiço de aquecimento na casa.
Já era tarde e eu devia estar dormindo, mas a neve em especial me fascinava. Não que eu nunca a tivesse visto, porém hoje ela parecia diferente. Eu não sei explicar o que exatamente. Ela simplesmente me encantava.
As luzes das casas enfeitadas para o natal, uma mais bonita que a outra, encantava quem passasse pela Rua Victoryan (uma das mais bonitas e tranqüilas de Londres). A minha casa fora a última da rua a ser enfeitada. Compreendam-me. É arduamente trabalhoso para uma pessoa, sem varinha (por se tratar de um bairro trouxa), enfeitar uma casa como a minha. Ela não era tão grande quanto as casas vizinhas, provavelmente seria a menor. Mas ainda sim era grande para uma única pessoa. Eu também achava isso, mas o que eu podia fazer?! Rony insistira tanto para que eu a aceitasse como seu primeiro presente de aniversário decente, agora que se tornara goleiro de um famoso time Irlandês. Eu não pude negar, estava realmente querendo sair da casa dos meus pais naquela época.
Um floco de neve caiu no vidro da janela e escorregou até as roseiras completamente cobertas pela neve.
– Coitado do meu jardim – eu comentei triste.
Eu tive o trabalho de plantá-lo e cuidá-lo durante todo o ano para que quando chegasse o inverno as flores e folhas simplesmente morressem pelo frio?! Todo ano era a mesma coisa. Eu me dedicava ao jardim durante a primavera, o verão e o outono, até que o inverno chegasse e destruísse quase tudo.
Minha barriga roncou de fome.
–Accio pote de biscoitos – e o pote veio até mim. Eu o abri e mordi um biscoito – Hum! Avelã – eu disse. Era um dos meus sabores preferidos.
Todas as luzes das casas na vizinhança estavam apagadas a não ser pela luz do quarto dos Wilson. Jeremy certamente acordara os pais berrando de novo. Ter filho pequeno é uma árdua tarefa.
A rua estava quase silenciosa. Ouvia-se apenas o latido insistente de Pomer, o cão de guarda da Srª Calmon que morava ao lado, e o carro que tirava a neve da rua. Seria a sétima vez que ele passara somente naquelas três horas? Eu mordi o biscoito. É, acho que é sétima vez que o vejo. E tirei outro pedaço do biscoito. Isso serve para eu me lembrar de não deixar Preston (meu primo mais novo) trabalhar como motorista de um carro desses. Ele provavelmente nunca parou para contar quantas vezes eles passam pelo mesmo lugar numa mesma noite.
Passei a outra mão na janela que havia embaçado novamente. O fio lá fora... Nossa! Deve estar de matar! Eu me encolhi mais sob o manto e peguei outro biscoito. Peguei minha varinha que estava em cima da estante ao lado da janela e aumentei o fogo. Coloquei-a novamente no lugar e mordi meu biscoito.
Olhei para rua e vi que algumas luzes estavam apagadas. Provavelmente queimaram. O hidrante estava coberto de neve, mas isso não deveria ser preocupante. O índice de incêndios no inverno era realmente baixo, apesar de todos usarem mais o fogo do que em outras estações. Tirei um pedaço do biscoito. Pensando bem, é algo contraditório. Deveria ser exatamente ao contrário. Dei de ombros. Vai entender! As pessoas são tão complicadas... Mordi meu biscoito. E eu tomo a mim mesma como exemplo.
Pomer estava latindo de novo. Não sei como a Srª Calmon pode considerá-lo um cão de guarda se ele late a noite toda mesmo que ninguém chegue perto da porta e se ele adora me lamber. Se eu quisesse assaltá-la, não seria nem um pouco difícil. Ela tem um sono de pedra e Pomer me estima. Dei outra mordida no biscoito. Ele continuava a latir. Em outros dias eu estaria xingando Beth por seu cachorro não se calar. Pus o pote de biscoitos sobre a estante e comi o último pedaço. Mas hoje eu simplesmente não me importava. Sentia-me realizada e parecia que nada mudaria isso.
Sorri. Sozinha. E encostei a cabeça na janela. Eu demorei muito tempo para me sentir assim. Vinte e cinco anos para ser mais exata. Vinte e cinco anos. E somente agora eu percebo que eu só precisava de uma coisa para me sentir completa e feliz. Eu ri baixinho e voltei meus olhos para a rua. Olhei para as casas vizinhas, uma por uma (a luz da casa dos Wilson já estava apagada). Observei com extrema atenção seus enfeites natalinos, suas luzes ofuscantes. A minha casa fora a última a ser enfeitada. E eu posso dizer que estou imensamente contente por minha falta de interesse com esses costumes natalinos. Dei outro sorriso, ainda olhando para a rua.
<i>–Hermione querida! – Beth me saudou sorrindo do outro lado da cerca quando me viu retirando, com uma pá, a neve da entrada da minha casa. Nem eu mesma conseguia me mover até o portão com tanta neve.
–Olá Srª Calmon! – eu exclamei num misto de dor e cansaço.
Enchi a pá de neve e a joguei para o lado. Parei erguendo a minha coluna que já doía e encarei a minha vizinha. Sorri-lhe rapidamente e voltei ao trabalho antes que ela resolvesse comentar sobre o único assunto sobre o qual falava comigo desde meados de novembro.
–Hermione? – chamou-me.
Eu parei ainda curvada. Não adiantou nada continuar a tirar a neve. Enfiei a pá na neve alva e a olhei apoiando uma mão na pá.
–Sim? – questionei dando-lhe o meu melhor falso sorriso.
–Quando é mesmo que você irá enfeitar a fachada da sua casa? – perguntou-me num tom inocente.
Eu ri por dentro. Beth era uma mulher engenhosa e não parava até conseguir o que queria. Realmente parecia comigo nesse sentido.
–Essa semana – eu afirmei por fim. Talvez assim ela parasse de me lembrar que a minha casa era a única sem enfeites.
–Ótimo! – ela vibrou sorrindo – Hoje já é dia 19 – eu voltei ao meu trabalho, ainda tinha muita neve para se tirar – Mas você a enfeitará sozinha?
Suspirei.
–Provavelmente – eu respondi jogando mais um monte de neve para longe da entrada.
–É muito trabalhoso fazer tudo sozinha – disse-me preocupada – Eu pedi a dois sobrinhos que viessem me ajudar. Talvez devesse pedir ajuda a algum amigo – comentou.
–Obrigada pela preocupação Srª Calmon – falei tirando mais um monte de neve – Eu pensarei em algo.
–Está bem – concordou sorrindo – Um bom dia para você! – desejou e saiu.
Eu balancei a cabeça continuando o trabalho. Mas, pensando bem, seria exaustivo fazer tudo sozinha. Pensei em chamar o Rony, mas ele estava na Irlanda para um importante jogo de quadribol. Talvez o Harry? Não. Ele estava na América terminando um curso de Auror. Enfiei a pá na neve e suspirei.
–Acho que seremos somente eu e você – sussurrei e encarei os flocos de neve que cobriam toda a rua.
*****
Os shoppings e lojas de toda Londres estavam um inferno. Nunca pensei que pudesse caber tanta gente em um lugar só (sem a utilização de algum feitiço). Fora realmente cansativo e trabalhoso comprar as luzes, enfeites e os presentes. Sorte que eu fizera um feitiço na sacola para que coubesse mais coisa e não pesasse tanto quanto devia.
Não estava nevando. Mas, apesar do sol mostrar a sua cara, o frio estava insuportável e as ruas estavam cobertas de neve da noite anterior.
Peguei a lista com a mão livre. Olhei os itens. Sentia que esquecia de alguém. Lembrei dos meus amigos e parentes mais uma vez.
–Jarerd! – exclamei quando os rostos de Fleur e Gui passaram pela minha mente.
Fui a uma loja de brinquedos bruxos e comprei algo para o filho deles.
Ao final da tarde, dirigi-me ao Caldeirão Furado para descansar e beber algo. Lembrei-me das tantas vezes em que eu, Harry e os Weasleys nos encontrávamos lá antes de irmos para Hogwarts. Tempo bom aquele. Às vezes, eu sentia falta de tudo aquilo. De conversarmos no trem esperando ele chegar a Hogwarts, das risadas, dos sermões que eu dava em Harry e Rony. Ri tomando um gole de chá. Sentia falta de todos os colegas de classe que eu quase nunca vejo hoje em dia. De fazer as tarefas com os dois ou até mesmo das raras vezes em que conversávamos sobre algo sem importância. Sentia falta deles. Olhei para a minha xícara, estava triste. Era por isso que não gostava dessas datas festivas, elas me faziam lembrar de coisas que me faziam sofrer. Nem Harry, nem Rony estariam aqui em Londres no Natal. E essa data era uma das poucas nas quais nós três nos víamos.
Ergui a cabeça, pois uma lágrima teimava em querer cair. Rony estava noivo de uma irlandesa e talvez não voltasse a morar na Inglaterra por causa disso. Harry estava solteiro, mas muito ocupado com os cursos de auror que ele estava fazendo. Seu objetivo era se preparar para assumir o cargo de Ministro da Segurança. Quando conseguir isso terá mais tempo para si. Bebi outro gole do chá. Ele era quem mais me fazia falta. Suspirei triste e enxuguei a lágrima que escorreu pela minha bochecha.
*****
Ao chegar em casa, tomei um banho, troquei de roupa e desci para esvaziar a sacola. Coloquei tudo sobre a mesa. Pus as mãos na cintura e suspirei. A mesa estava cheia de coisas e mais coisas, e eu não sabia por onde começar.
Olhei para o relógio. Já passavam das seis. Preparei um chocolate quente, acendi a lareira e com minha varinha comecei a separar tudo o que havia comprado. Árvore de natal e seus enfeites e luzes sobre o sofá. Bebi um gole do chocolate que desceu quente pela minha garganta esquentando todo o meu corpo. Luzes para a fachada da casa sobre a mesinha em frente ao sofá. Sendo assim, só sobraram os presentes e papéis de embrulho sobre a mesa de jantar.
Suspirei e tomei outro gole. Ainda faltava comprar enfeites para colocar no jardim. Mas isso eu veria amanhã. Sentei-me em uma das cadeiras e comecei a separar os presentes com a varinha. Bruxos e trouxas, depois homens, mulheres e crianças. Em pouco mais de uma hora e meia todos os presentes estavam embrulhados e etiquetados. Deixei-os sobre a mesa e me preocupei com a árvore que precisava ser montada. Montei-a no canto da sala, ao lado do sofá. Ela era grande, maior do que eu. Dei graças aos céus por eu ser bruxa. Montar isso tudo sem varinha seria desgastante. Enquanto enfeites iam e vinham das caixas para a árvore, eu terminava meu chocolate quente. Por fim, os pisca-piscas e a estrela no topo. Olhei-a meticulosamente. E percebi que uma pequena parte parecia estar com menos enfeites do que a outra. Ergui a varinha e os papais noéis, laços, anjinhos e tudo mais começaram a voar. Coloquei a xícara sobre a mesinha, que agora continha apenas caixas vazias. Olhei para a árvore. Virei a cabeça para o lado direito. Um laço parecia torto. Ajeitei-o com a mão. Encarei novamente a árvore. Parecia que havia mais pisca-piscas na base do que no resto. Levantei a varinha e abri a boca para pronunciar o feitiço. Desisti. Se continuasse assim eu nunca a terminaria, pois ela nunca estaria perfeita. Tenho que parar com esse perfeccionismo. Balancei a cabeça e parei de olhar para a árvore. Estava linda. Para que a obrigação de estar perfeita?
*****
Acordei de mau humor. Somente por saber que teria que enfrentar aquele mar de pessoas que tomava conta das ruas comercias de Londres. Resolvi não adiar mais. Levantei-me, tomei café, me arrumei e aparatei em uma rua pouco movimentada. Caminhei até o centro e ao encontrar uma loja de enfeites natalinos para jardim eu entrei. Não estava com paciência para procurar a melhor loja.
O estabelecimento estava lotado e eu tive que me espremer entre as pessoas para que conseguisse chegar até o balcão. Um senhor me viu se aproximar e chamou um jovem rapaz que veio logo me atender. Fiz o pedido e ele me disse que à tarde o entregador passaria lá em casa para deixar o pedido. Isso, é claro, somente porque eu paguei a mais pela rapidez.
Ao sair da loja respirei fundo. Estava satisfeita e aliviada. Não teria mais que enfrentar aquele estresse.
*****
Mas a minha paz não durou muito. Quando o entregador chegou à minha casa e colocou as enormes caixas na garagem, eu me lembrei que ainda teria que enfeitar a fachada da casa. O homem entrou no carro e se foi, enquanto eu encarava o interior da minha garagem com tristeza. Amanhã seria um longo dia. E hoje já era dia 21.
*****
Acordei cedo. Tinha muita coisa para fazer e pouco tempo.
Eu carregava uma caixa da garagem para a entrada da casa. Pode-se dizer que eu não enxergava praticamente nada à minha frente e caminhava com certa cautela para não pisar na neve, por isso seguia pelo caminho de cimento do qual eu havia retirado a neve ontem (já que costumava nevar a noite). Procurei olhar por cima da caixa para ver se via a porta. Não seria nada bom se eu esbarrasse nela.
–Oi! – alguém sussurrou no meu ouvido me fazendo saltar e derrubar a caixa no chão.
Virei-me para ver quem foi e vi Harry sorrindo-me com uma sacola a mão. Eu o abracei forte e comecei a chorar em seu ombro. Ele ficou sem ação por um momento, mas acabou me abraçado também.
–Mione... – ele começou a falar afagando meus cabelos, mas eu o interrompi.
–Senti tanto a sua falta! – ele sorriu e beijou meus cabelos.
–Eu também senti – afirmou enquanto nos afastávamos. Segurou a minha mão e olhou-me dos pés a cabeça – Você está mais linda do que a última vez que eu a vi – eu sorri, enrubescendo, ao mesmo tempo em que ele enxugava as minhas lágrimas.
–Eu estou é mais velha – rebati ainda vermelha.
–Todos nós estamos – comentou rindo. Depois parou e me encarou fixamente ainda segurando a minha mão – Eu voltei para ficar – contou. Eu sorri – No próximo ano serei efetivado.
–Que ótimo Harry! – eu disse fazendo-o sorrir também.
*****
Ele me dissera que não havia tomado café, pois viajara cedo, então nós entramos. Harry sentou-se à mesa e comeu o bolo de laranja que eu havia feito ontem, com uma xícara de café.
–Você já falou com os Weasley? – perguntei enquanto retirava seu prato e xícara.
–Ainda não – ele se levantou e me seguiu até a cozinha – Queria vir falar com você primeiro – eu sorri de costas para ele e fazendo um feitiço para lavar a louça.
–Pensei que não o veria no natal – eu falei enquanto os pratos eram enxutos.
–Eu tive que sacrificar um dos cursos que eu iría fazer para poder estar aqui – comentou me observando guardar a louça – Eu percebi que quando eu cheguei você estava com uma grande caixa na mão.
–É, eu ia enfeitar a fachada da casa – contei virando-me para ele – Sem varinha é claro – retifiquei.
–Eu posso te ajudar – se ofereceu de braços cruzados – se você quiser – e deu de ombros.
–Você deve ter assuntos para tratar – eu comentei por mais que quisesse que ele ficasse – depois de tanto tempo longe.
Ele se aproximou de mim descruzando os braços.
–Esses assuntos podem esperar – afirmou me encarando.
*****
Nós resolvemos começar pelos enfeites. Harry trazia algumas caixas para o jardim enquanto eu desenhava em um papel como eu queria que a casa fosse enfeitada.
Fazia um friozinho gostoso e o sol iluminava o ambiente. As pessoas que caminhavam pela rua não estavam tão agasalhadas quanto no dia anterior.
O jovem colocou uma caixa em cima da outra que estava ao lado da porta. E parou me vendo se aproximar com um papel à mão.
–Essas duas caixas são as dos bonecos de neve – informei – Aquelas embaixo da janela são as dos papais noéis. Acho que devemos começar por eles – e mostrei o papel a ele, indicando como eu gostaria que tudo fosse arrumado.
*****
À tardinha, nós estávamos empurrando uns duendes até perto da cerca que dividia o meu jardim e o da Srª Calmon quando Beth saiu com seu cachorro e nos viu, se aproximando da cerca.
–Hermione meu bem? – chamou-me já próxima.
Eu me ergui com certa dificuldade, minha coluna estava doendo por causa do trabalho que tive durante todo o dia.
–Olá Beth! – eu a cumprimentei olhando para o jardim todo enfeitado a não ser pelo último duende que Harry ajeitava.
–Está lindo o jardim! – afirmou sorrindo satisfeita. Parecia até que fora ela quem o enfeitara.
Eu sorri igualmente satisfeita. Só faltavam as luzes e a Srª Calmon finalmente pararia de me encher com esse assunto.
–Vejo que pediu ajuda como eu havia lhe opinando – comentou olhando para Harry com certo interesse.
–Na verdade eu não pedi – comentei me aproximando mais da cerca – O Harry é um amigo que estava viajando e por sorte voltou hoje – o rapaz ergueu-se e encarou a senhora. Já tinha colocado o duende no lugar certo – Ele percebeu que eu estava enfeitando o jardim e então se ofereceu para me ajudar – eu sorri.
–Prazer! – ele disse lhe estendendo a mão.
–Prazer Harry! – falou ela apertando sua mão e o encarando.
–Se você nos dá licença Beth – eu comentei – Nós ainda temos coisas a fazer.
–Claro! – concordou acenando.
Eu e Harry acenamos de volta e a vimos sair pela portinha da cerca, levando Pomer para passear.
*****
–Já está muito tarde para instalar as luzes – Harry comentou quando entramos na casa.
Eu concordei. Era preciso de iluminação para se mexer com coisas elétricas. Não poderia correr o risco de acontecer um acidente.
Ele me encarou por trás daqueles mesmos óculos de tantos anos atrás. Eu forcei um sorriso, por mais que quisesse transmitir sinceridade não conseguia me sentir feliz pelo fato dele ir embora. Senti-me tão bem naquele dia, tendo a companhia dele. Era algo que eu sentia tanta falta. Apenas estar com ele.
Harry se aproximou.
–Eu poso ficar até amanhã para te ajudar com o resto – falou me encarando.
–Você deve ter muita coisa para fazer, agora que está de volta a Londres – eu argumentei.
O que eu estou dizendo?Minto para mim mesma ao dizer que ele deve ir. Eu queria que ele ficasse, queria que ficasse... para sempre.
Pare!Pare de pensar nessas coisas!Eu não podia... Por favor, me diga que eu não estou apaixonada por você. Eu... eu não posso.
–O que foi Mione? – questionou segurando meu rosto delicadamente. Ele percebeu a confusão em meu olhar.
–Nada – eu menti – Apenas acho que você deve ter muita coisa pendente. E eu já o prendi aqui durante todo o dia.
Ele riu sem entender e retirando a mão do meu rosto.
–Parece até que você não quer que eu fique – ele comentou triste e ofendido.
Eu pensei em baixar os olhos mas desisti a tempo. Se o fizesse ele teria a certeza de que algo não estava certo. Continuei a encará-lo enquanto levava alguns poucos segundos para pensar em uma resposta.
–Claro que não Harry! Eu quero que você fique – respondi-lhe sincera. Ao menos até esse ponto – Quero que me ajude com algumas coisas que ainda terei que fazer amanhã. Mas você talvez você tenha coisas mais importantes para fazer.
–Por que você sempre acha que os outros – perguntou de forma serena e cruzando os braços – são mais importantes para mim do que você?
Eu entreabri a boca para falar mais a fechei sem ter o que dizer. Acabei por dar de ombros.
Ele segurou a minha mão e a levou de encontro aos seus lábios, beijando-a.
–Pois saiba que qualquer coisa que eu tenha que fazer é muito menos importante do que a sua companhia – eu sorri encabulada. Vencida.
Ele me puxou até a cozinha para tomarmos café.
E que Merlin me guie pelo caminho correto.
*****
Harry se instalou no quarto de hóspedes ao lado do meu. O único livre dos quatro, pois um deles era o meu, o outro foi transformado em uma biblioteca e o terceiro era o laboratório que eu utilizava para testar novas poções ou até mesmo fabricar alguma já existente. Chato? Talvez para você. Eu amo o meu trabalho.
Eu já estava vestida com minha camisola azul, quase transparente, de um tecido suave, e segurava a maçaneta para entrar no meu quarto quando o vi saindo do quarto de hóspedes após arrumar sua mala. Foi assim que eu percebi que a camisola deveria ser um pouco... inapropriada. Minha certeza veio quando o notei me encarar fixamente. Seus olhos seguiram desde as minhas pernas até meus olhos. Ele balançou a cabeça levemente, constrangido e eu não pude conter um pequeno sorriso divertido. Harry caminhou até mim.
–Eu já vou dormir – lhe falei ainda segurando a maçaneta com uma mão – Amanhã temos muito a fazer.
–Ok – ele concordou.
Beijou-me suavemente o rosto e me olhou, eu lhe sorri. Harry virou-se e seguiu até seu quarto. Eu permaneci ali. Imóvel. Como se esperasse por algo. Como se esperasse por ele.
Mas ele nada fez. Eu o assisti, pelo canto do olho, entrar e fechar a porta atrás de si. Balancei a cabeça como se acordasse e fiz o mesmo.
*****
–Eu não consigo enxergar nada! – Harry falou, sujo de massa para biscoito. Até seus cabelos e óculos estavam cobertos.
Eu ri dele. Era a sua quinta tentativa. E eu havia me convencido na segunda de que ele não conseguiria terminar a receita sem algum auxílio. Mas ele havia dispensado a minha ajuda. Disse que queria fazer aquilo sozinho porque não era possível que ele, com vinte e dois anos, não conseguisse cozinhar nada. E eu não relutei quando ele me dissera para não interferir. Não me intitule uma péssima amiga, pois era imensamente divertido vê-lo vestido em um avental tentando cozinhar.
–Hermione? – ele me chamou tentando limpar os óculos no avental também sujo – Ah, que ótimo! – resmungou ao perceber que havia sujado mais ainda os óculos.
–Limpar! – eu disse, contendo um riso e apontando para seus óculos.
–Obrigado – ele falou, olhando a bagunça que havia feito na minha cozinha. Voltou seus olhos para mim – Engraçado não é? – questionou chateado e me fazendo rir mais ainda – Pára de rir Hermione! Olha só como eu estou – afirmou, passando as mãos no avental e sujando-o mais ainda – Mione? – ele disse me olhando.
–Hum? – eu perguntei com uma mão sobre a boca, contendo a risada.
Vi surgir nos lábios dele um sorriso arteiro e irritantemente charmoso. Parei de rir quando percebi sua aproximação e pedi mentalmente que meus pensamentos e impulsos não vagassem por caminhos impróprios. Encarei aqueles olhos. Aqueles olhos tão acostumados a me olhar agora continham algo diferente. Eu ri rapidamente, deveria ser a minha imaginação vagando por locais proibidos.
Harry parou na minha frente e com o mesmo sorriso nos lábios passou a palma da sua mão na minha testa me sujando. Foi quando eu pisquei pela primeira vez depois que ele começara a se aproximar de mim.
Abri a boca, surpresa. E ele riu passando a outra mão da minha bochecha esquerda. Eu o odiei por isso.
–Você me paga! – eu falei e ele correu de mim no instante seguinte – Eu vou te matar, Harry James Potter! – ele pulou o sofá e eu fui atrás dele, correndo pela sala – Eu acabei de tomar banho!
–Você tem alergia à água por acaso? – ele questionou num sorriso divertido enquanto saia pela porta.
–Volte aqui! – eu gritei saindo pela porta.
A Srª Calmon, que estava sentada com Pomer no seu colo, em um banco no seu jardim, nos olhou espantada.
–Olá Beth! – ele a saldei correndo até meu jardim.
Ela levantou a mão, ainda assustada, em resposta.
–Você está fora de forma Hermione! – ele provocou.
Eu corri mais rápido fazendo-o acelerar também. Era difícil correr no gelo e eu quase cai de cara no chão quando passei em um pulo por uma plantação de bromélias. Joguei-me sobre ele, que caiu na neve comigo por cima. Eu encarei novamente seus olhos e depois me ocupei com seus lábios que continham um encantador sorriso.
Não era possível! Ele devia...
–Fazer isso de propósito – comentei alto demais.
–Quem devia fazer o que de propósito? – me questionou com um riso.
–Nada – contei saindo de cima dele – Ótimo! – resmunguei olhando para a minha roupa suja daquela massa grudenta. Harry riu se levantando.
–Já que você está suja também, – ele comentou interesseiro – bem que poderia me ajudar com esses biscoitos – e passou o braço pelo meu ombro enquanto caminhávamos até a casa. Eu o encarei com um olhar ''matador'', como ele mesmo denominava – Opa! – ele se afastou – Vamos! Você não consegue ficar longe de mim mesmo! – comentou sorrindo.
Eu lhe dei um tapa no ombro.
–Ai! – ele disse segurando o ombro. Eu ri e ele também.
*****
Ele desistiu de fazer, sozinho, os biscoitos e então eu fui ajudá-lo.
Os biscoitos deveriam estar prontos para amanhã sendo que ainda teriam que esfriar para se colocar a cobertura.
Sem feitiço ficava mais complicado, é verdade. E apesar de Harry insistir para que eu usasse varinha, rebati dizendo que eles não ficavam tão gostosos quanto os que eram feitos manualmente. Ele desistiu. E disse que eu continuava a mesma teimosa de Hogwarts.
A festa de natal seria na Toca. Começaria pela manhã e só terminaria após a ceia à meia noite.
*****
Harry havia subido em uma escada enquanto eu estava ao lado dele, em terra. Sim. Eu ainda tenho medo de altura.
Fazia sol e ventava um pouco. O frio parecia ter dado uma trégua. Estava uma gostosa tarde de dezembro.
–Mione? – ele me chamou olhando para baixo.
–Oi? – eu respondi acordando. Observava atentamente cada movimento dele, curiosa.
Ele riu.
–Você poderia me alcançar as luzes? – pediu com um sorriso divertido.
–Ok – eu respondi.
E abri a caixa na qual estavam as lâmpadas.
–Tente desenrolá-las – disse – E me dê uma das pontas; a outra você ficará segurando porque, se embolar depois que já tiver começado a colocá-las, será realmente trabalhoso.
–Certo – concordei dando uma das pontas para ele e começando a desembolar o resto.
Ao final da tarde, nós já tínhamos colocado as lâmpadas na fachada da casa e no jardim, onde estavam os bonecos, também.
*****
Pinguei três gotas de chocolate em um dos biscoitos. A mesa estava completamente coberta de grandes assadeiras cheias deles. Eu já havia feito o mesmo com cerca de um terço dos bonequinhos. E Harry estava raspando a panela onde eu havia derretido o chocolate. Pinguei mais três gotas em outro biscoito.
–Está pegando a prática – ele comentou com um sorriso brincalhão.
Eu ergui a cabeça e olhei para ele (que estava recostado na pia) com a panela em uma mão e uma colher na outra. Além de estar com o canto esquerdo da boca sujo de chocolate.
Eu coloquei um dedo em cima do canto esquerdo da minha boca. Harry passou o indicador em cima do local sujo de chocolate, limpando-se.
Voltei aos biscoitos, ainda havia muitos nos quais pingar chocolate. A verdade é que eu realmente estava pegando a prática. E em poucas horas já tinha acabado.
Fui tomar banho enquanto Harry assistia algo na televisão. Era o tempo que o chocolate secava.
*****
Ao retornar a sala vi que Harry tinha acabado de colocar um biscoito na boca.
–Te peguei! – exclamei fazendo-o dar um salto de susto. Eu ri.
–Você poderia ter me matado! – falou com a boca cheia.
–Dê-me esse biscoito! – e tomei da mão dele o pedaço que não coubera em sua boca – Quantos você comeu? – questionei vendo-o terminar de mastigar.
–Só esse – eu o olhei desconfiada – Juro! – afirmou após terminar de mastigar.
Eu mordi o pedaço que havia pegado dele.
–E por falar nisso, estava ótimo – comentou e tomou da minha mão o pedacinho que eu não havia posto na boca.
–Ajude-me a guardá-los – falei caminhando até a cozinha – E não se atreva a comer mais nenhum! – retifiquei o encarando.
*****
Estávamos no sofá da sala assistindo um filme. Eu já tinha vestido a minha camisola enquanto Harry vestia uma calça folgada e camiseta. A cabeça dele repousou sobre minhas pernas e eu não questionei. Comecei a afagar seus cabelos rebeldes, displicentemente.
Ele me encarou, mas eu não percebi pois prestava atenção no filme. Pouco depois, ele colocou uma mão em cima do meu rosto me impedindo de ver. Eu tirei a sua mão, o encarei e percebi um sorriso brincalhão em seus lábios.
–Besta! – eu disse, contendo um sorriso divertido.
*****
Passei uma mão em seus cabelos olhando para ele, que estava deitado de lado e assistia ao filme que eu já não conseguia entender porque não era capaz de me concentrar. Passei meus dedos entre seus cabelos novamente.
Estar ao lado dele me provocava desejos de fazer coisas que não se deveria fazer com um amigo. Estar ao lado dele me fazia lembrar que eu o amava.
Eu me levantei em um salto fazendo com que Harry erguesse a cabeça, espantado com meu ato brusco e repentino. Andei rápido até a cozinha. Apoiei minhas mãos na pia, fechei os olhos e apertei a beirada da pia com força.
–O que aconteceu? – ele perguntou preocupado.
Eu abri os olhos imediatamente, me virei e percebi que ele estava perto de mim e me encarava.
Virei-me para o outro lado e tentei correr até a escada, mas ele segurou meu braço logo após eu dar dois passos. Aproximou-se e me olhou fundo nos olhos.
–Do que está fugindo? – questionou suave.
–De mim mesma – disse-lhe sincera.
Desvencilhei-me dele e corri até as escadas. Não sabia se conseguiria viver com essa certeza, se isso só me faria sofrer mais... Não sabia o que fazer em seguida, nem mesmo sabia o que estava fazendo agora.
Senti um puxão brusco no braço, era ele que havia me seguido e me alcançado quase no fim das escadas. Empurrou-me contra a parede rudemente. Eu pude encarar seus olhos queimando em brasas apenas por alguns poucos segundos, pois logo depois ele me beijara. Um beijo intenso e violento. Eu pensei em lutar, mas mesmo se eu quisesse seria impossível. Ele me pressionava contra a parede, segurava minha cabeça cravando seus dedos em meus cabelos enquanto sua outra mão afagava a minha cintura e me beijava vorazmente. Deliciando-se com meus lábios, brincando com a minha língua e me tirando o fôlego.
Pouco depois ele afastou-se de mim
–Pois somos dois – disse me fazendo abrir os olhos. Eu percebi que seu peito arfava sob a camiseta – Eu também tento fugir de mim mesmo. Somente porque te amo – eu envolvi seu pescoço com meus braços e o beijei suavemente.
Olhei-o nos olhos e o vi sorrir. E eu sorri juntamente com ele. </i>
Sorri cúmplice. Oh, sim!Eu teria que agradecer a Beth por insistir tanto que eu enfeitasse a casa.
Olhei para os enfeites lá fora. Todos cobertos de neve. Ergui a cabeça e observei os flocos caindo. Era simplesmente encantador.
–Hei? – voltei-me para onde vinha a voz e percebi um silhueta masculina descendo os últimos degraus da escada. Apesar de não ver o seu rosto, eu reconheci a sua voz – Está tarde – comentou aproximando-se (a pouca iluminação que entrava pela janela vinha da Lua e das lâmpadas da rua). Pude ver o seu rosto, com seus inseparáveis óculos. Parecia com sono – O que você está fazendo aqui? – perguntou passando uma mão nos cabelos e bocejando.
Eu recostei a cabeça na parede e o olhei se aproximar. Harry estava vestido apenas com uma cueca preta.
<i>–Hum! – sussurrei.</i> Tentador.
Ele beijou-me a testa e me sorriu.
–Estava sem sono, foi? – disse alisando meu rosto. Eu concordei com a cabeça.
–Fiquei admirando a noite – contei, pousando uma mão no fim das suas costas. E voltei meus olhos para o jardim coberto de neve. Sim, hoje definitivamente é um dia especial. E até mesmo a natureza parece saber disso.
Ele olhou lá para fora. Pouco depois voltou a me encarar.
–Está muito frio, sabia? – informou atraindo a minha atenção – Vem, vamos subir! – pediu sorrindo marotamente. Eu lhe sorri divertida.
Tínhamos que acordar cedo, pois já era dia 24 e teríamos que ir à Toca. Mas quem disse que eu me importava com isso?
Risos.
Amorzinho da Gabione . Marida da Camilla . Quase-Marida da Cacaúdia . Futura da Perséfone Black . Noeva da Thaty . Consciência da Nana
Thaty, a apertadora oficial da minha bunda ;x
"O amor escorre pela telinha do PC"
Adriana Snape . Amandita Winchester² . Betynha
Elizabeth Maives . Fla W. Malfoy . Hokuto
Porque certas coisas nunca mudam.
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