Travessa do Tranco

RPs antigas? Histórias que quer rever? Subfórum destinado ao arquivamento dos tópicos de jogo do RPG. Você veio ao lugar certo!

Moderador: RPG

Travessa do Tranco

Mensagempor Storyteller » 09/10/08, 21:52

Travessa do Tranco


Diziam alguns que a Travessa do Tranco era sinônimo de magia negra. Muitos consideravam aqueles becos escuros e muitas das vezes mal freqüentados o "point" dos bruxos que mexiam com a mais pura arte negra. Havia muitas lojas sinistras, apertadas umas às outras, disputando a clientela misteriosa que passava pelo estreito beco sombrio.

Para se chegar à entrada da Travessa do Tranco, devia-se pegar o segundo corredor à esquerda do Beco Diagonal. Sinalizada com dizeres esverdeados e brilhantes numa precária tabuleta, a entrada desembocava numa estreita viela que mais além bifurcava-se em mais dois corredores.

A Borgins & Burkes se localizava por ali também. A famosa loja de artigos de magia era bastante visitada. Em sua vitrine vários objetos estranhos podiam ser vistos, reluzindo como se fosse ouro aos olhos dos transeuntes.
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Re: Travessa do Tranco

Mensagempor David Feather » 23/02/10, 20:50

Trevas. Somente trevas. De repente, um lampejo. Num flash, a imagem de uma possível tragédia surgiu diante de seus olhos; um garoto, prestes a ser atingido por prata afiada. De repente, uma dor aguda no peito. Depois, o rosto de uma garota aos prantos acima de si. Então, trevas novamente. E, por fim, a luz. Abriu os olhos lentamente, sentindo logo a necessidade de acostumá-los à claridade do dia, ainda que esta fosse mínima, devido ao céu encoberto e ao lugar consideravelmente sombrio. Há quanto tempo não via a luz? Tinha a sensação de que era há muito, muito tempo...

Não reconheceu, porém, o céu cinza-claro e o vento gélido que soprava. Não reconheceu a empoeirada calçada de pedra sobre a qual jazia, nem a parede do edifício, igualmente de pedra, na qual estava recostado. Esforçou-se para levantar, logo sentindo a cabeça rodar, o que fez com que tivesse que fechar os olhos e apoiar a mão esquerda no muro para não cair novamente no chão. Respirou fundo. Alguns segundos bastaram para que se sentisse um pouco melhor. Esfregou as mãos sujas nos olhos e então os abriu novamente. Olhou ao redor. A paisagem ali não era muito agradável. Mas não era como se ele tivesse alguma referência do que seria uma paisagem agradável.

Do outro lado da estreita ruela de pedras, uma tabuleta com inscrições em verde brilhante lhe chamou a atenção. Caminhou até ela, nos olhos expressão alguma a não ser de curiosidade e dúvida. Pôde ler, de alguma forma, o que estava escrito na tábua de madeira velha – "Travessa do Tranco". O que quer que fosse aquilo, tinha certeza de que não conhecia. Não, absolutamente. Sacudiu a cabeça, desapontado, sem saber por quê. E só então se deu conta de que, na verdade, não conhecia a si mesmo.

Passou as mãos pelo rosto, sujando-o ainda um pouco mais, os olhos arregalados. Fitou as mãos, e em seguida, ao erguer os olhos, avistou uma parede de vidro – uma vitrine – logo mais adiante no beco sombrio, a poucos metros de onde estava. Deu mais alguns passos pela viela, ainda um tanto quanto cambaleante. Parou diante da vitrine. E então, certo de que pela primeira vez, ele se viu. Estranhou, a princípio, a figura do garoto mirrado, pálido, trajando roupas esfarrapadas. Acostumou-se logo, porém, à sua imagem. Qual seria seu nome? Não tinha idéia. Por ora, seria, apenas, eu.

Eu teve ainda mais consciência de si ao sentir o estômago roncar. A garganta seca, para completar, fez com que percebesse que precisava de algo – e logo. Manteve os olhos na vitrine, mas dessa vez dando atenção ao que podia ver através do vidro. Havia coisas lá dentro, coisas as quais não podia identificar, primeiro pelo fato de que havia pouquíssima iluminação lá dentro, e segundo porque desconhecia boa parte dos objetos. De qualquer modo, talvez houvesse pessoas lá que pudessem ajudá-lo, da maneira que fosse. Ou não.

Resolveu entrar. Passou lentamente pela porta, observando, admirado, os objetos esquisitos que pendiam, alguns, do teto, e outros que jaziam em estantes altas de madeira tão velha e empoeirada quanto todo o ambiente em si. O ambiente, aliás, era de fato lúgubre, muito mais do que parecia olhando-se lá de fora. Uma única lamparina, igualmente velha, era responsável por iluminar todo o interior do lugar – e obviamente não dava conta da tarefa de maneira satisfatória.

Havia algumas poucas pessoas ali, todas vestindo roupas não menos estranhas e sinistras. O garoto evitou olhar para elas, especialmente após ter sido encarado por um sujeito alto e mal-encarado que usava um chapéu preto de abas largas. Dirigiu-se decididamente a uma espécie de balcão que ficava ao fundo, por detrás do qual havia um homem um tanto quanto rechonchudo e não menos mal-encarado, mas que eu imaginou, por algum motivo, ser o único ali que poderia ajudá-lo. Parou diante do homem cujo rosto, visto de perto, lembrava a figura de um sapo. Ele apenas manteve-se encarando o jovem, por certo esperando que dissesse algo. Com alguma dificuldade e sentindo a voz falhar a princípio, o garoto se pronunciou – do único modo que lhe ocorreu:


- ...g-gall yr wyf wedi gwydraid o ddwr, os gwelwch yn dda?¹

Permaneceu parado, estático, diante do homem, que o encarava de modo curioso, mas também maldoso. O garoto percebeu, ainda, que dois outros sujeitos haviam se aproximado e parado às suas costas. Mas não era como se soubesse o que estava acontecendo ou o que exatamente devia fazer. Sequer sabia seu próprio nome...

Entretanto, por instinto ou qualquer outro motivo, sabia que estava correndo perigo. Seu coração passou a bater mais rápido a cada segundo. E, ao que o homem aproximou-se ainda mais, pôs-se a correr instantaneamente, como se suas pernas tivessem vida própria. Disse, ainda antes de cruzar a porta estreita em velocidade razoável:


- Oes angen...²



<Off>> Yes, he's back \o/
*though mindless .-.


Trad.: ¹p-pode me dar um copo d'água, por favor?

²Não precisa mais...
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Re: Travessa do Tranco

Mensagempor Anne Carter » 25/02/10, 23:52

    Olhares curiosos vinham de um lado da rua enquanto tantos outros de desprezos a fulminavam do outro, já estava acostumada á isso tudo, mas afinal, esse era o preço a ser pago por andar vestida como trouxa...uma trouxa punk para piorar. Anne parecia desinteressada enquanto observava uma vitrine de vassouras junto com Allan, um rapaz de quase 1,89 de altura, portador de um penteado um tanto moderno: cabelo loiro quase branco totalmente bagunçado com algumas mechas pretas.

    Já não agüentava mais ficar ali parada esperando ele decidir o que “levar”, já deviam esta parados ali uns trinta minutos mais ou menos, e Anne já estava ficando impaciente.

    -Já volto Allan...

    Já estava demorando muito, pensava ela. Seus olhos refletiam insatisfação por algo que nem ela sabia. Tudo tava calmo demais, Allan não pensava mais em se “divertir” como eles faziam antes com a gangue, agora tudo era mais discreto, mais reservado...não tinha mais graça.

    Anne parou na sorveteria que havia ao lado do portal para a Travessa do Tranco, catou em seu bolso da calça alguns nuques, mas parecia que já tinha gastado tudo em algo que não lembrava, ótimo não queria sorvete algum, algo mais interessante despertou sua atenção.Viu de longe um garoto correr de uma loja, parecia perdido...com certeza ele não deveria estar ali, concluiu.

    Foi se aproximando cautelosamente do garoto, viu alguns daqueles bruxos a observarem também, estava se arriscando por uma pessoa que mal conhecia...poderia ser uma armadilha...

    - Ei muleque... Siga-me...

    Ela puxou a manga da blusa do garoto, que parecia um pouco apavorado digamos.Apressou o passo enquanto se sentia observada por outros bruxos mas não intimidou seu olhar até que rapidamente chegarão ao Beco Diagonal em frente a sorveteria que antes estava Anne sozinha e sem “grana”.

    - Seu idiota o que pensa que estava fazendo na Travessa do Tranco?Ei você tem grana aew?!- Ela falava com uma cara séria, mas dava para perceber em seu tom de voz que ela não era uma pessoa “ruim”...pelo menos não igual às pessoas da Travessa.- Ei garoto o gato comeu sua língua ou você só me achou muito sexy por isso está calado?Ah idiota...

    Claro em todas as suas palavras tinha um pingo de sarcasmo. Quando viu que o garoto não ia responder tão cedo, passou a mão pelo bolso na intenção de encontrar algum dinheiro, mas no final quando viu que não tinha nada virou os olhos e encarou o garoto a sua frente, foi pela primeira vez que reparou como ele era. Não era tão baixo, era quase do mesmo tamanho que Anne , mas parecia bem mais jovem.

    -Tá você estava na Travessa do Tranco e sem nenhuma grana...qual seu nome pirralho?
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Re: Travessa do Tranco

Mensagempor David Feather » 26/02/10, 08:34

Continuou correndo após cruzar a porta, embora ainda incomodado por uma leve tontura. Sem rumo – e sem a mínima idéia de que lugar era aquele – tomou a esquerda, quase batendo-se nas paredes ao tentar escapar o mais rápido que conseguiria. A respiração, muito mais ofegante do que outrora, lhe dava a sensação de que estava fora de forma – se é que algum dia estivera em forma. Não saberia dizer. Muito menos num momento como aquele.

Olhou para frente e avistou uma possível luz no fim do túnel – quase literalmente. A estreita travessa parecia terminar em um espaço um pouco mais amplo, e talvez ali houvesse mais pessoas. Aqueles homens não lhe fariam mal diante de outras pessoas. Ou fariam? Ao menos as chances diminuiriam, constatou. De qualquer modo, não era como se tivesse outra alternativa...

De repente, a imagem de uma garota surgiu bem ao final do corredor. Estava certo – haveria mais pessoas ali. A garota, no entanto, pareceu perceber que havia algo de errado. Ela disse alguma coisa – que a princípio eu não pôde precisar exatamente o que era – e fez um gesto para que ele a seguisse – e isso o garoto entendeu prontamente. Não sabia se realmente deveria seguí-la, se poderia confiar nela. Mas, mais uma vez, era sua única opção. Sem falar que, ao que ele se aproximou, foi praticamente puxado pela garota pela manga esfarrapada da blusa.

Seguiu após ela, olhando constantemente para trás a fim de verificar se os esquisitões ainda estavam atrás deles. Caminharam a passos largos até pararem diante de um espaço – como ele imaginara – um tanto quanto mais movimentado. Eu ficou estático diante da garota, sem saber o que fazer. Não demorou para que ela tomasse a iniciativa. Ouviu-a dizer, num tom sério, palavras que achou estranhas e familiares ao mesmo tempo.


- Seu idiota o que pensa que estava fazendo na Travessa do Tranco?Ei você tem grana aew?! - alguns segundos de silêncio não foram suficientes para que o garoto assimilasse o falar estranho da jovem, que continuou - Ei garoto o gato comeu sua língua ou você só me achou muito sexy por isso está calado?Ah idiota...

Manteve-se parado enquanto a ouvia falar, apenas encarando-a por mais alguns segundos ao que ela terminara. Não que não pudesse falar – sim, havia entendido cada palavra que ela dissera, ainda que tivessem lhe soado demasiadamente estranhas; na verdade, não sabia o que – ou se – deveria responder. Ao que ele manteve a boca fechada, a garota pareceu incomodar-se. Ainda assim, ele continuou parado, quase na mesma posição, até mesmo quando a moça vasculhou seus bolsos não menos esfarrapados, nos quais, obviamente, não havia nada além de poeira.

Depois disso, ela pôs-se a observá-lo por alguns instantes, e ele fez o mesmo. Não havia reparado que ela também usava roupas estranhas, não como as dos sujeitos da tal travessa, claro, mas ainda assim estranhas. Ela tinha os olhos envoltos em preto, mas isso não a tornava assustadora, como poderia parecer a princípio. Seus olhos, ao menos naquele instante, transmitiam, no mínimo, sinceridade. Ela não demorou a voltar a falar:


-Tá você estava na Travessa do Tranco e sem nenhuma grana...qual seu nome pirralho?

Mais uma vez, ele compreendeu. Piscou os olhos, abaixou a cabeça levemente por alguns segundos, tentando encontrar a melhor forma de respondê-la. O problema era que nem ele mesmo sabia a resposta para aquela pergunta...

- Fy enw... meu... nome? Eu... não sei...

Não saberia dizer como pôde respondê-la daquela maneira; as palavras simplesmente foram formando-se em sua mente e em seus lábios, ainda que mais lentamente no começo. Seu olhar perdeu-se por alguns segundos, pôs-se a observar o horizonte, pensativo, tentando, ainda, encontrar a resposta. Lhe parecia grosseiro, de certa forma, não ter um nome para se apresentar à garota. Voltou a encará-la, agora mais timidamente por não ter sido capaz de responder ao que ela lhe perguntara...
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Re: Travessa do Tranco

Mensagempor Anne Carter » 27/02/10, 19:01

    Anne não era o tipo de pessoa que se podia dizer que tinha paciência, mas ela tentava ouvir os outros um pouco, antes de começar a falar. Ficou observando com uma expressão de quem não estava entendendo nada e com os braços cruzados estava prestes a sair do local quando notou que o menino não sabia qual era seu próprio nome.


    “Deve ter fugido do St. Mungo's...”


    Pensou. Ainda com cara de quem comeu e não gosto Anne forçou um sorriso, é claro ou ele era lunático ou alguma coisa seria tinha rolado na Travessa do Tranco, pensando nessa ultima hipótese, não poderia deixá-lo ali sozinho, afinal ela não era uma pessoa ruim...

    - Há...ótimo! - Colocou a mão sobre a cabeça como se tivesse feito algo de errado e estaria encrencada...novamente.- Ok, venha aqui....tenho que falar com uma pessoa.

    Não esperou ou olhou para trás com a intenção de ver se o garoto estava a seguindo, apenas seguiu o mesmo caminho de que tinha vindo em passos largos, logo avistou Allan e fez um sinal para o menino ficasse ali.

    Anne tinha certeza que Allan falaria algo do tipo “Deixe esse moleque ai “ ou qualquer coisa do tipo, ele não era o tipo de pessoa que aceitava recém conhecidos com um sorriso no rosto. Anne parou ao lado de seu amigo e ficou em silencio, sem realmente saber o que falar. Pensava freneticamente no que fazer, era como se houvesse aqueles diabinhos em um lado do ouvido dizendo pra abandonar o garoto no meio da multidão, afinal ela não tinha nada haver com isso...por outro lado havia um anzinho na outra orelha falando para ajudá-lo e blábláblá.

    - Err... Allan vou dar uma volta por aew – Disse tentando parecer o mais natural possível. – Não me espere...se quiser voltar pra Londres tudo bem.


    Após falar saiu em passos largos. Era “normal” esse tipo de atitudes entre eles e o resto do grupo, às vezes cada um precisa esfriar a cabeça e também ninguém estava numa gangue pra bancar papai e mamãe ou coisa do tipo. Como esperou Allan não questionou nada, nem ao menos a olhou, era como se as vassouras da estante tivessem o hipnotizado


    - Vou te chamar de Thiago...voce tem cara de Thiago.
    – Concluiu ela chegando á David com uma cara de quem não sabia o que fazer. – Bem me fale sobre você. Voce não sabe seu nome mas sabe mais alguma coisa? Como você foi parar na Travessa do Tranco?


    Ela falava indo em direção aos Tres Vassouras.


off: post rapido e coisado só pra descoisar xD
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Re: Travessa do Tranco

Mensagempor David Feather » 12/04/10, 15:08

Percebeu as caras-e-bocas da garota, que de fato parecia incomodada por ele não dizer quase nada. Mas não era como se, no caso, ele tivesse muito o que falar. Apenas continuou encarando-a do mesmo modo perdido quando ela ficou pensativa logo após ele ter dito que não sabia seu próprio nome. Esperou até que ela se pronunciasse, o que, felizmente – assim ele pensou –, não demorou a acontecer.

- Há...ótimo! – ela disse, com um sorriso forçado, mas levando a mão à cabeça, como se estivesse num grande dilema – Ok, venha aqui....tenho que falar com uma pessoa.

Sem dizer mais nada, a garota virou-se e pôs-se a caminhar na direção de um rapaz que olhava uma vitrine como se ali estivesse alguma coisa que ele desejava muito. Eu a seguiu, ainda que andando mais devagar, e parou ao que ela lhe fez um sinal. Ela disse algo para o garoto parado na frente da vitrine, que pareceu nem lhe dar atenção, tão admirado que estava com qualquer coisa por trás do vidro. A moça voltou rapidamente, a passos largos, parecendo aliviada mas ao mesmo tempo ainda confusa (embora não tanto quanto o garoto sem nome).

- Vou te chamar de Thiago...voce tem cara de Thiago. Bem me fale sobre você. Voce não sabe seu nome mas sabe mais alguma coisa? Como você foi parar na Travessa do Tranco? – ela disse.

Thiago. Por alguma razão aquele nome lhe pareceu familiar, embora não se lembrasse de tê-lo ouvido alguma vez. Bem, não era como se lembrasse de qualquer coisa, muito menos de quem realmente era... Manteve os olhos fitos na garota enquanto já se colocavam a caminhar, pensando no que responder a ela. Tentaria dizer algo mais dessa vez, visto que ela pareceu se irritar após a última resposta. Queria dizer algo mais. Mas o que?

Não conseguiu sequer forçar um sorriso. Agora era ele mesmo que começava a se irritar, mas com sua própria mente. Esforçou-se, mas não conseguiu lembrar de absolutamente nada. Achou que seria pior se ficasse calado por mais tempo, e então resolveu responder apenas o que podia:


- Eu... eu não sei, eu só... só acordei ali, q-quer dizer... eu acordei e estava ali, sabe... – tentou dizer qualquer outra coisa, mas realmente não havia o que acrescentar; lembrou-se, então, que não tinha perguntado o nome da garota. Certamente ela saberia responder – M-mas e você, como... qual o seu nome?

Esboçou um sorriso dessa vez, ainda que breve. Seus lábios tremeram demais quando o fez. Continuou encarando a garota, tentando estudá-la, imaginar o que estava pensando, enquanto esperava pela resposta. Nesse tempo, seu estômago roncou alto, e ele, por algum motivo, sentiu-se um idiota, um tom um pouco mais rosado preenchendo seu rosto até então bastante empalidecido. Engoliu seco, tentando controlar a fome e torcendo para que a garota se limitasse a responder a pergunta que ele fizera. Já tinha coisas demais com que se preocupar...



<Off>> post curto pra descoisar³²³²³² (depois de seculos .-. *hide)
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Re: Travessa do Tranco

Mensagempor Anne Carter » 25/04/10, 18:53

    David
    [Eu... eu não sei, eu só... só acordei ali, q-quer dizer... M-mas e você, como... qual o seu nome?]

    - Hum sei como é isso...normal eu acordar em lugar estranhos e nem como cheguei até eles, mas isso geralmente é por causa das bebidas sabe...- Tinha um semblante sério e ao ver a cara de espanto de "Thiago" mudou rapidamente para um sorriso acompanhado de uma gargalhada.- Brincadeirinha garoto! Relaxa...enfim você tah mal mesmo heim...

    Ela falou ao ouvir o estomago do garoto roncar. Não deixou de sorrir. Realmente era estranho tudo aquilo mas queria ajuda-lo, mas não sabia exatamente como. Eles passaram pela porta dos Tres Vassouras, alguns bruxos olharão enquanto outros estavam bebados de mais para notar a presença de mais pessoas. Ela caminhou com o garoto em uma parte do balcão que estava mais afastada do velhos bruxos bebados, ali poderiam comer algo decente...ou não.

    - Duas cervejas Amantegadas e alguns bolinhos de cereja...

    Esperou o garçon mal encarado olhar com um olhar de insatisfação e entregar a comida. Anne empurrou o pratinho com os 4 bolinhos de cereja para Thiago junto com um copo de cerveja amanteigada e logo depois experimentou do outro copo calmamente.

    -Enfim daqui a pouco irei ir pra Howgarts...Allan era pra ir também mas acho que ele naum vai, vai ficar super grande mas vc póde usar as roupas dele...na verdade não sei o que fazer com voce. Nhaai de qualquer maneira, voce terá que ir pra Hogwarts comigo, ou então terá que voltar pra rua ou ficar com Allan, coisa que creio eu ele não ira gostar nada...

    Ela deu uma outra gargalhada e bebeu mais um pouco da cerveja.

    -Bem temos que ir...já está quase na hora, pgue esses bolinhos e lá decidimos o que vai acontecer com voce...Pegue esses bolinhos e venha correndo.

    Ela retirou a varinha do bolso mirou em uma luminaria que esta presa no teto e com um murmurio fez se sair um pequena luz da ponta da varinha que causou na queda da luminaria em cima de uma mesa cheia de bebados risonhos, que imetiatamente começaraum a acusar um ao outro e alguns começaram a sair no "tapa". Ela bateu o copo vazio no balcão e desceu do banco antes que o garçon percebesse e "andou" em direção à porta.


    off: post mega lixo , mega preguiça
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Re: Travessa do Tranco

Mensagempor Hokuto » 02/05/10, 22:48

    Ele não se lembrava de muita coisa. Só dos acontecimentos da Ala Hospitalar, de andar até o dormitório, trocar de roupa, tacar pó-de-flu na lareira desprotegida do sétimo andar e... O QUE RAIOS TINHA DITO PARA A LAREIRA?

    Hokuto esfregou os olhos e se manteve frio. Tinha saído em algum lugar esquisito, frio, sombrio e cheio magia negra, mas do que lhe adiantaria desespero. É provável que fosse alvo fácil de ladrões se manifestasse um possível desespero que, na verdade, não sentia. Não tinha motivos. Se pensasse, lembraria de uma série de coisas que ele só queria esquecer.

    Não que ele tenha saído para beber. Apesar de tudo, gostava de ser sóbrio em suas atitudes. Mas precisava de ar novo. O que não significava se enfiar num beco cheio de gente com aspecto esquisito. Se ele mantesse o ar superior, esperava repelir as pessoas. E era melhor assim. Ele realmente não estava a fim de papo. Nem de eventos extraordinários na sua vida. Qualquer coisa, era só sacar a varinha, que estava no bolso direito do sobretudo. O coração batia tão lentamente que Hokuto achava que ia morrer.

    Foi com um arquear de sobrancelha que ele recebeu a notícia de que estava na Travessa do Tranco. Ele continuou calmo. Semi-morto, na verdade. Não adiantava, por mais que ele não quisesse, as surpresas sempre lhe apareciam. E era sempre quando ele menos esperava.

    Não foi sem um palavrão e um ar de enfado que ele pediu algo para beber naquela espelunca. Onde quer que ele estivesse, não era possível que não servissem uma bebida razoável... Era?
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Re: Travessa do Tranco

Mensagempor David Feather » 03/05/10, 16:00

- Hum sei como é isso...normal eu acordar em lugar estranhos e nem como cheguei até eles, mas isso geralmente é por causa das bebidas sabe... – ela disse.

Thiago não conseguiu conter a expressão de espanto ao ouvir aquilo. Certo, primeiro porque não podia conceber que uma garota como aquela se envolvesse com bebidas. Segundo porque pôs-se a imaginar se não teria sido exatamente isso que lhe acontecera – poderia ter se embebado e caído, batido a cabeça talvez e, assim, perdido a memória. Faria sentido, por mais assustador que isso fosse. A garota, que ainda sequer lhe dissera o seu nome, mudou a expressão séria para um sorriso, e continuou, gargalhando:


- Brincadeirinha garoto! Relaxa...enfim você tah mal mesmo heim...

"Mal"? O que ela queria dizer com "mal"? Então ele devia ter bebido mesmo... Devia estar com uma aparência horrível, além de tudo. Apenas continuou encarando a garota, confuso, enquanto ela já o arrastava para dentro de uma espécie de pub. Pub? Adentraram o recinto, um ambiente não muito agradável, com alguns velhos não menos esquisitos os encarando. Caminharam até uma parte menos poluída do balcão, e a garota fez um pedido.

"Cervejas"? Então iriam beber mesmo... Thiago não queria, realmente não queria, mas ficaria sem jeito de dizer à garota que preferia recusar. Além do que, estava morrendo de sede... Sem falar que o que importava mesmo eram os tais bolinhos de cereja. Não se recordava de tê-los provado (não era como se de fato se recordasse de alguma coisa), mas só em imaginar já pareciam deliciosos...

Um homem deixou os itens sobre a mesa, e logo a garota empurrou os bolinhos e um dos copos de cerveja para Thiago. Ele não levou dois segundos para praticamente engolir um dos bolinhos do prato, achando-o simplesmente suculento. Pegou mais um bolinho e deu um gole na cerveja, que não parecia, a princípio, algo com que fossem se embebedar. A garota voltou a falar:


- Enfim daqui a pouco irei ir pra Howgarts...Allan era pra ir também mas acho que ele naum vai, vai ficar super grande mas vc póde usar as roupas dele...na verdade não sei o que fazer com voce. Nhaai de qualquer maneira, voce terá que ir pra Hogwarts comigo, ou então terá que voltar pra rua ou ficar com Allan, coisa que creio eu ele não ira gostar nada...

"Hogwarts"? Uma imagem lhe veio à mente, numa fração de segundos, quando a garota disse aquela palavra. Um castelo, talvez, não saberia precisar. De qualquer maneira, aquilo fizera com que algo se ativasse em sua mente – algo tão forte a ponto de fazê-lo murmurar, quase como que fora de si:

- Hogwarts...

A garota, gargalhando por algum motivo, não percebeu o murmúrio, nem mesmo a expressão sombria que tomou conta da face do garoto por alguns instantes. A expressão só desapareceu quando uma sucessão de eventos se deu tão rapidamente que ele mal pôde perceber.

- Bem temos que ir...já está quase na hora, pgue esses bolinhos e lá decidimos o que vai acontecer com voce...Pegue esses bolinhos e venha correndo.

A garota, então, levantou-se num salto, retirou um objeto de madeira do bolso e o apontou na direção de uma luminária, que subitamente despencou sobre uma mesa à qual sentavam-se alguns bebados velhos, que puseram-se a se estapear na mesma hora. Quando Thiago se deu por si, a nova amiga já estava quase à porta.

Só então ele se deu conta de que tudo aquilo era porque ela também não tinha dinheiro. Conseequentemente, não teriam como pagar pelos bolinhos e pela cerveja. E ainda que, por ora, discordasse daquilo, Thiago não viu outra alternativa a não ser correr também – levando consigo os deliciosos bolinhos, é claro.

Colocou os bolinhos restantes nos bolsos da calça e levantou-se rapidamente do banquinho, derrubando-o. Desequilibrou-se quando uma das pernas deste atingiu a sua esquerda, mas procurou continuar – ainda mais quando viu o homem do bar o encarar com feição nada amistosa. Correu, olhando para trás a fim de certificar-se de que o homem não o alcançaria. Erro fatal.

De repente, uma parede. Não, não era uma parede. Era algo. Alguém. Não era como se Thiago tivesse sido capaz de identificar o que quer fosse no momento em que esbarrou com tudo em algo à sua frente, provocando uma verdadeira profusão de braços para um lado, pernas para o outro, bolinhos, banqueta e outros objetos voando pelo ar. Só se deu conta quando sentiu o braço esquerdo arder – um arranhão – e se viu no chão, estirado, quase por sobre um rapaz de feições orientais – o obstáculo no caminho.


- Mae'n flin gyda fi, nid oeddwn yn ei olygu i wneud hynny, mae'n ddrwg gennyf, a ydych yn dda?* – disse ao rapaz oriental sem tomar fôlego, sem, no entanto, sair de onde estava.

Não se deu conta de que estava usando outra língua, mas, no nervosismo, recorreu à primeira que lhe ocorreu. Agora estava realmente encrencado. O lado bom era que ninguém sabia quem ele era, nem ele mesmo. Escaparia de qualquer coisa pior, por certo. Ou não.


- M-me... desculpe... sussurrou, por fim.



<Off>> *Do galês, "Me desculpe, foi sem querer, eu peço desculpas, você está bem?"
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Re: Travessa do Tranco

Mensagempor Hokuto » 04/05/10, 00:06


    Alguma coisa lhe fez cócegas. E foi quando viu um projeto de gente caído no chão e confuso. No alto de seu um e noventa e alguma coisa de altura e constituição física robusta até, aquele anão não era exatamente um GRAANDE IMPACTO. Mas serviu para tira-lo do torpor. Pelo menos um pouco. Puxou o moleque pela gola e viu que ele estava nervoso. E o dono da espelunca, para não dizer outra coisa, estava chateado.

    - Mae'n flin gyda fi, nid oeddwn yn ei olygu i wneud hynny, mae'n ddrwg gennyf, a ydych yn dda? - Disparou o micro-ser.

    Sim, eles - porque tinha outra meliantezinha, obviamente experiente, que fugira quando ele entrara - queriam dar o calote no cara. Tenso. Com um sinal, Hokuto disse que arcaria com as despesas. Não era um um prejuízo tão demasiado a ponto de ele não poder arcar. E seria legal assustar o pirralho ter companhia, ainda que não pretendesse exatamente conversar. Num galês sério, intimidador e sem sotaques, Hokuto respondeu:

    - Dwi'n iawn. Nid oedd yn ddim. Llythrennol. Rydych chi eisiau rhedeg i ffwrdd heb dalu? Nid am ddim, ond mae'n edrych yn hyll. A oes gennych unrhyw pickpocket hwynebu. Dal yn newynog? Beth yw eich enw?*

    Pela gola, sentou o pedaço de gente numa cadeira qualquer duma mesa qualquer e o encarou, varrendo a mente do nano-mendigo em busca de respostas que ele não seria capaz de lhe dar de boa vontade.

*Estou bem. Não foi nada. Literalmente. Você pretendia fugir sem pagar? Não por nada, mas é feio. E você não tem cara de trombadinha. Ainda está com fome? Qual é o seu nome?
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Re: Travessa do Tranco

Mensagempor David Feather » 04/05/10, 12:30

Thiago foi simplesmente levantado – sim, levantado – pelo rapaz de traços orientais pela gola da camisa, tal qual uma coisinha qualquer. Arregalou os olhos quando o rapaz, que tinha quase o dobro de seu tamanho, o encarava agora de frente, ainda mantendo-o no ar. Sabia que não adiantaria tentar se soltar, e por isso sequer perdeu tempo. Manteve-se na posição em que estava, olhando, não pouco assustado, para o jovem a sua frente, até que ele se pronunciou – para a supresa de Thiago, em sua língua natural, sem qualquer diferença perceptível:

- Dwi'n iawn. Nid oedd yn ddim. Llythrennol. Rydych chi eisiau rhedeg i ffwrdd heb dalu? Nid am ddim, ond mae'n edrych yn hyll. A oes gennych unrhyw pickpocket hwynebu. Dal yn newynog? Beth yw eich enw?

Arregalou ainda mais os olhos azuis, virando a cabeça, por alguns instantes, procurando pela amiga. Talvez ela ainda estivesse por ali e o ajudasse, ou a menos inventasse qualquer coisa para livrá-los daquela situação, afinal parecia uma garota bastante esperta. No entanto, não conseguiu vê-la, num primeiro momento; ao menos já não estava perto da saída, último local em que a vira. Talvez já tivesse fugido. Thiago entenderia, se fosse este o caso, enfim. Voltou os olhos novamente para o rapaz que o suspendia, e então respondeu, quase que sussurrando, sem jeito e visivelmente receoso:

- Yr wyf yn gwybod, fi jyst oedd dim arian, nid oeddwn yn gwybod beth i'w wneud.*

Não respondeu a pergunta sobre a fome. A resposta, no caso, era sim, mas achou que talvez não fosse conveniente – ou prudente – dizer isso. Apenas balançou de leve a cabeça, num movimento quase imperceptível e ainda preso pelo fato de estar suspenso pelo colarinho. Quanto ao nome, pensou consigo mesmo que só poderia ser piada, mas obviamente não externou isso, de nenhum modo. Disse apenas, a voz quase rouca:

- Nid wyf yn gwybod... Yr wyf yn credu ei bod yn... T-Thiago... **– pigarreou brevemente, tentando desfazer a rouquidão, e então quase que implorou – E-Efallai y byddwch yn rhoi fi ar y llawr... os gwelwch yn dda?***

O rapaz, então, ainda movimentando-o pela gola da camisa, praticamente o colocou sentado em uma cadeira a uma das várias mesas do bar. Depois, passou a encará-lo, olhando-o ainda mais diretamente nos olhos, quase como que querendo arrancar deles qualquer coisa que fosse. Thiago piscou, uma, duas vezes, mantendo-se estático, a princípio como se estivesse hipnotizado. Subitamente, porém, sua expressão foi alterando-se, até assumir um aspecto sombrio. O olhar agora estava baixo, fundo; o azul dos olhos escureceu; os lábios afinaram-se, assumindo o tom da pele; o rosto empalideceu ainda mais. Thiago então disse, com voz de garoto mas num tom tão soturno e grave quanto o seu rosto havia se tornado:

- O que está tentando fazer?

Um estalo em sua mente e a sensação de ardência no braço esquerdo fizeram com que o garoto voltasse, tão repentinamente quanto antes, à expressão amedrontada e juvenil, como se jamais tivesse sido alterada. Desviando os olhos do rapaz, levou a mão direita ao braço esquerdo, pondo-a exatamente sobre o local do corte. Resmungou um "Ouch!" ao sentí-lo arder um pouco mais. Por mais incômoda que fosse, aquela sensação lhe parecia extremamente familiar.



<Off>> *Eu sei, eu só não tinha dinheiro, não sabia o que fazer.

**Eu não sei... Acho que é...
Thiago.

***S-será que pode me por no chão... por favor?
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Re: Travessa do Tranco

Mensagempor Hokuto » 04/05/10, 14:09

    O cheiro que pairava no ar era medo. Tudo bem, Hokuto não fora a pessoa mais educada do mundo quando levantou o moleque pela gola para analisá-lo. Mas ele não iria se agachar para tal, não? Além disso, não queria que a criança fugisse. Não queria perder sua companhia ou algo importante que ele parecia ter para dizer. Quando ele virou a cabeça, o rapaz compreendeu o que ele tentava fazer:

    - Mae hi'n ffoi. Ond ni fyddwch yn gallu gwneud yr un peth.* - A voz grave e profunda era seca e dava medo pela falta de emoções que imprimia. - Ac nid wyf yn ei eni ddoe, yna yr wyf yn credu gair meddai.**

    Quando o garoto finalmente se entendeu cercado, diligenciou a responder suas perguntas, deixando o japonês mais satisfeito. O moleque não tinha dinheiro. A pergunta sobre a fome acabou se provando estúpida, porque os bolinhos apareciam no bolso e, se a fuga tivesse sido um sucesso, eles provavelmente estariam no estômago do menor. Apesar de tudo teria gostado que ele tivesse respondido. Quando ele respondeu o nome, o japonês trincou a cara, em sinal de profunda decepção:

    - Nid wyf am adroddiad yr ydych i unman, fyn. Fi jyst yn gwybod ei enw, oherwydd ni allaf sefyll heb wybod enw y rhai sydd ag yr wyf yn bwriadu cinio. Efallai nad ydym yn gweld anymore, felly pam gorwedd i mi? Yr wyf yn edrych fel bwystfil a fydd yn bwyta chi?***

    Por pura diversão, manteve o ar sério e aproximando-se o rapaz, deu um sorriso relativamente feroz. Cansado desta brincadeira, sentou o moleque sem muito jeito, quando ele pediu para ir ao chão. Poderia simplesmente tê-lo deixado cair de bunda e rido um pouco, mas seu senso de humor ainda estava anulado pelos acontecimentos recentes e ficariam piores, talvez. E nesse meio tempo de pensamentos velozes como raios, vasculhava-o incessantemente pela cabeça, mantendo o ar frio e isento de emoções, enquanto o garoto se revoltava pelo tratamento que lhe era dado. Nada mal, ele poderia morder, mas Hokuto estaria pronto para ele.

    Pediu um jantar completo para dois com carne bovina e cerveja. Impossível não ter acertado, a não ser que ele fosse vegetariano. Quando foi questionado o que estava tentando fazer, deu um sorrisinho maroto, relaxando um pouco. Então ele também ladrava.

    - Ah, inglês finalmente. Uma pena. Era tão interessante treinar meu galês com você. E o que eu estou fazendo?... Bom, nada que você não saiba.

    Enquanto chegava o pequeno banquete, Thiago voltava a ser o garoto medroso que carregara pela gola. E Hokuto viu tudo o que se passava na mente dele. Suas suspeitas estavam corretas, mas ele não sabia o quanto. Até se assustou com intensidade e tamanho do acerto. Sua decisão estava tomada, por mais imprudente que fosse. Mas primeiro iria comer e alimentar o moleque e conhecê-lo melhor. Quem sabe arrancar-lhe o nome verdadeiro, não importando por qual via...

---------------------

* Ela fugiu. Mas você não vai conseguir fazer o mesmo.
** E eu não nasci ontem, então eu acreditaria numa palavra que ela dissesse.
*** Eu não vou te denunciar para lugar algum, moleque. Eu só quero saber seu nome, porque não suporto não saber o nome daqueles com quem eu pretendo jantar. Talvez não nos vejamos nunca mais, então por que mentir para mim? Eu pareço uma fera que vai te comer?

Off: Galês foi divertido! aisudhaiuhsdiua
Off2: Acrescente a descrição do jantar, Dvd. Coisas gostosas, de preferência. Estou com fome qqqiaushdiuahsdiuashduia
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Re: Travessa do Tranco

Mensagempor David Feather » 04/05/10, 20:50

Ainda se assustava com a maneira com a qual o rapaz se dirigia a ele, num tom extremamente sério e seco, e também na forma com que o encarava. Não tinha a mínima idéia de quanto o outro realmente estava irritado ou se apenas queria fazer justiça ou qualquer coisa do tipo. Thiago não fizera aquilo por mal, disso tinha certeza. Fora apenas... induzido a correr, visto que se ficasse ali iriam acusá-lo de qualquer maneira, principalmente porque não teria como pagar pelo que ele e a garota haviam quase consumido.

Mesmo depois de tê-lo colocado praticamente como um trapo velho sobre uma das cadeiras do bar, o outro continuou o encarando quase que incessantemente, o que o deixava já bastante incomodado. Vez ou outra virava a cabeça de um lado para o outro, tentando evitar o contato olhos nos olhos, mas nem ele sabia exatamente por que. Simplesmente não estava gostando daquilo. Teve vontade de levantar e sair correndo, mas sabia que não conseguiria escapar tão facilmente. O jeito era continuar...

De repente, o rapaz oriental pediu um jantar – para dois. Só então Thiago entendeu o que ele dissera sobre querer saber o nome das pessoas com quem pretendia jantar. Mas por que ele faria aquilo? Quer dizer, depois de tê-lo levantado do chão e o encarado daquela maneira... Não pôde deixar de se sentir um tanto ressabiado. Não era como se estivesse acostumado a entender o comportamento das pessoas, uma vez que havia praticamente acabado de acordar, há algumas poucas horas. Manteve-se calado enquanto o outro comentava algo sobre galês, inglês e sobre "o que estava fazendo". Mas do que exatamente ele estava falando? Decidiu que seria melhor não perguntar.

Não demorou para que o homem do bar trouxesse o jantar pedido pelo rapaz – e não era como se a visão e o aroma daquilo não tivessem feito Thiago arregalar os olhos e esquecer qualquer outra coisa na vida. Dois pratos com filés de carne cobertos por queijo, molho e temperos, uma porção de batatas e um bocado de cenouras raladas, além de dois copos da tal cerveja. Sentiu a saliva enchendo-lhe a boca imediatamente. E a despeito de já ter ou não provado aquilo algum dia, sabia que era algo de se deliciar. Não pode conter-se, e logo, com os talheres não tão cuidadosamente dispostos pelo próprio homem do bar, cortou um pedaço da carne e a colocou na boca como se dependesse daquilo para continuar vivo. Notou o olhar do rapaz e, intimidando-se um pouco, saboreou um segundo pedaço muito mais lentamente do que o primeiro.

Permaneceu em silêncio por alguns instantes, deliciando-se com a comida, mas completamente sem jeito pela situação. Achou que devia, ao menos, ser sincero com o rapaz, que no fim das contas estava sendo tão gentil. Bebericou mais um gole da cerveja e finalmente disse, a voz num tom baixo e visivelmente intimidado:


- Na verdade, eu não sei mesmo o meu nome. Quer dizer, eu... não lembro. Eu acordei hoje cedo e estava naquela travessa e... eu não lembro de nada antes disso.

Seu olhar fixou-se no horizonte, perdendo-se por alguns instantes. Mais uma vez, ele estava se dando conta da condição em que se encontrava. Não era como se soubesse para onde ir depois que saísse dali. E depois, e depois e depois... Se ao menos tivesse conseguido acompanhar a garota, talvez pudesse ter ido com ela para onde quer que fosse. Agora já nem sabia se a veria novamente. Voltou-se novamente para o rapaz, desta vez olhando-o diretamente no rosto.

- Desculpe, mas, qual o seu nome, senhor? E... por que está fazendo isso? – perguntou, num tom muito diferente da última vez que fizera uma pergunta parecida e quase como se não se recordasse que a fizera – Quero dizer, por que está me ajudando? Eu estava fazendo algo errado e... bem, você nem me conhece. Ou... conhece?

Manteve o olhar indagador para o rapaz à sua frente, só então se dando conta de que havia essa possibilidade – o jovem, talvez, o conhecesse. Talvez soubesse seu nome e... talvez não. Murchou sutilmente o olhar ao imaginar que não deveria se entusiasmar. Deveria esperar, simplesmente. E, no caso, tinha todo o tempo do mundo...




<Off>> ¹Galês ruleia '-' *abraça galês -q ahauahaauhu e foi coisado mesmo '-' vamos abrir um curso de conversação? \o/ *cai

²Tentei coisar, mas tinha acabado de jantar e a descrição não saiu tão feliza ._. Devia ter feito antes que saía melhor *se morre
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Re: Travessa do Tranco

Mensagempor Hokuto » 06/05/10, 01:32

    Hokuto não tocara na própria comida, tamanha era a sensação de algo pior estava por trás de tudo isso. Deja-vu, deja-vu, deja-vu... Sua mente ficou martelando e, ora, mas que merda, estava tudo claro, então por que Hokuto se sentia cego? Uns palavrões mentais em todas as línguas eram soltas como rojões, como se fossem combustíveis para o pensamento atordoado do rapaz.

    Mas nada disso transparecia, a não ser, talvez, pelo fato de não tocar no prato.

    - Estou fazendo isso porque estou a fim. Se dissesse coisas como "caridade, amor ao próximo e solidariedade" você estranharia. E, apesar de tudo, não sou aliciador de crianças. Só me resta a honestidade. Fiz porque quis. - Ele respondeu com descaso, finalmente tocando na comida.

    Sim, estava gostosa. Não foi sem um feitiço silencioso que prendia o menino sem amarras óbvias que ele se permitiu meditar e transcender. Que droga, teria que arriscar e botar tudo a perder por conta de algo que talvez não fosse o que parecia?

    Teria que arriscar.

    - Você confiaria em mim? Apenas responda sim ou não. E não se esqueça, você confiou naquela pilantrinha que nem boa gente era... - Ele acrescentou não sem o peso de alguma ironia nas palavras.

    Quero dizer, será que dois mais dois poderiam não ser quatro, para variar?


#MistureiActiviaCom RPG e saiu esta merda de post. =p
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Re: Travessa do Tranco

Mensagempor David Feather » 06/05/10, 12:20

Thiago notou que o rapaz não havia tocado na comida até então. Talvez estivesse concentrado em alguma coisa que lhe perturbava, ou ao menos lhe intrigava – o que deixava o garoto um tanto quanto receoso em relação a ele, especialmente pelo fato de que o jovem não demonstrava emoção alguma em seu rosto. Não havia como saber se estava irritado, feliz, confuso, nervoso ou qualquer outra coisa. E o silêncio que se seguiu enquanto Thiago devorava – ainda que sutilmente – a comida em seu prato, e o rapaz sequer tocava a sua, aumentou a sensação de estranhamento que sentia.

Quando o outro finalmente se pronunciou, no mesmo tom seco de sempre, o garoto sentiu-se um tanto aliviado, mas não menos incomodado. "Fiz porque quis", ele dissera. Certo. Não era como Thiago tivesse algum parâmetro em mente para poder comparar a atitudade do rapaz por simples vontade. Também não era como se ele soubesse por que exatamente a garota o havia ajudado na travessa. Talvez as pessoas fizessem isso, simplesmente, por alguma razão que Thiago ainda não compreendia.

Balançou a cabeça afirmativamente, apenas, em resposta à fala do rapaz. Ao contrário dele, a expressão no rosto de Thiago demonstrava absolutamente tudo que ele estava sentindo – ou, ao menos, que pensava sentir. Confusão, dúvida, gratidão e, ainda, um leve receio. Tentou desviar os olhos do outro enquanto já praticamente terminava de limpar o prato. Esperou até que o rapaz voltasse a falar, o que, novamente, levou um certo tempo.


- Você confiaria em mim? Apenas responda sim ou não. E não se esqueça, você confiou naquela pilantrinha que nem boa gente era... – ele disse, no tom já costumeiro.

Thiago manteve os olhos baixos. Estava em dúvida sobre o que responderia; na verdade, sobre o que faria. Não sabia o quanto poderia de fato confiar nas pessoas. Mas achou que talvez pudesse confiar ao menos nas que costumavam ajudar os outros, como aquele rapaz e a garota... Se realmente o faziam sem nenhum interessa, como parecia, não teria por que não acreditar nelas.

Respondeu, no tom tímido – de quase sempre –, tentando, primeiro, justificar a garota:


- Ela não é ruim. E-ela me ajudou lá naquela travessa... E, bem eu... Eu não sei se... Sim. Eu confio, q-quer dizer, eu acredito em você.

Ergueu os olhos e encarou o jovem, desta vez, mantendo os olhos novamente fitos nele. Teve a impressão de que já vivera aquilo, ou algo semelhante. Sentira algo bom... familiar. Sorriu, mas talvez não para o rapaz à sua frente. Um lampejo surgiu em sua mente e, por alguns instantes, algumas imagens pulularam diante de seus olhos. Uma mulher de cabelos negros, olhos avermelhados, expressão não tão amigável, mas acolhedora; um abraço. Depois, via-se diante de um espelho. Não, não era um espelho. Era outro, outro ele, idêntico. Seus olhos subitamente perderam-se no horizonte e um nome saltou-lhe dos lábios:

- D-Daniel?

Uma dor aguda invadiu-lhe a cabeça no mesmo instante. Apertou os olhos e levou as duas mãos à cabeça, como se esta estivesse a ponto de explodir. Permaneceu assim por alguns segundos até que a dor começou a diminuir, e todas as imagens se evaporaram de sua mente como fantasmas.

Algumas gotas de sangue escorreram-lhe pelo nariz. Virou-se sutilmente para o lado, esfregando a manga da camisa rapidamente para desfazer aquilo. Voltou-se para o rapaz, um tanto quanto constrangido – e ainda mais confuso –, e disse, o braço esquerdo cobrindo o parte inferior do rosto:


- D-desculpe, senhor, eu não sei... o que houve. Acho que é melhor eu ir...

"Para onde?", ele mesmo se perguntou. Não sabia. Na verdade, não sabia absolutamente nada.



<Off>> Nem tá u.u O post, aliás, os posts estão felizos '-'
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Re: Travessa do Tranco

Mensagempor Hokuto » 06/05/10, 23:36

    - Acredita em mim... - Hokuto refletiu.

    Na verdade, o rapaz não fazia outra coisa se não pensar. Se era certo o que ele estava pensando em fazer. Quer dizer, claro que era. Por que não seria?

    - Acho que é o suficiente, por enquanto. - Ele disse, sem exatamente emitir algum som, enquanto mantia os olhos fixos no menino, obviamente vasculhando tudo o que ele pensava e lembrava.

    Estranhamente parecia vazio por dentro. E mesmo assim Hokuto confiava. Acompanhando a linha de lembranças do rapaz de forma descarada, viu dois seres idênticos.

    - Daniel... - Disse o anão de nariz de batata.

    Aqueles lesados do Bergerson e o do Feather iam ter uma grande surpresa. Mas na hora certa. E Hokuto não pôde deixar de dar um sorriso maroto de canto por isso.

    Mas quando o menino simplesmente anunciou que ia embora, Hokuto foi enfático e severo:

    - Vai pra onde se está sem memória? Não sabe de onde é, onde mora, como veio parar aqui ou qualquer informação que lhe dê juízo. Na certa vai ficar como um errante até que algo faça sentido na sua mente e isso pode ser quando tiver uns... 60 anos, talvez, enquanto passa as noites na rua, com frio e fome, dependendo da caridade alheia. Esta é uma opção. - Ele finalizou, encarando o garoto.

    Na verdade, Hokuto buscava algo que fizesse o garoto vir com ele, caso seus argumentos assustadores não funcionassem.

    - Ou poderia vir comigo. Pense bem: sem fome, sem frio, um teto, uma possível chave para o passado... - Ele disse com falso descaso.

    Na pior das hipóteses, poderia simplesmente imobilizar o garoto e fugir dali...
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Re: Travessa do Tranco

Mensagempor David Feather » 07/05/10, 09:50

O rapaz mantinha-se pensativo, o que deixava Thiago um tanto quanto incomodado – especialmente pelo fato de que não podia precisar o que exatamente o outro considerava, silencioso. Acreditava nele, sim, mas ainda não tinha certeza sobre se as intenções do outro eram realmente boas, ainda que parecesse que fossem. Por outro lado, não era como se tivesse outra opção no momento, como o próprio rapaz disse em resposta à sua incerta afirmação de que precisava ir.

- Vai pra onde se está sem memória? Não sabe de onde é, onde mora, como veio parar aqui ou qualquer informação que lhe dê juízo. Na certa vai ficar como um errante até que algo faça sentido na sua mente e isso pode ser quando tiver uns... 60 anos, talvez, enquanto passa as noites na rua, com frio e fome, dependendo da caridade alheia. Esta é uma opção.

Thiago abaixou a cabeça. Sabia que o outro tinha razão. Ele simplesmente não tinha para onde ir e muito menos a quem recorrer. Fato. Esfregou mais uma vez a manga da camisa por debaixo do nariz. Não conseguiu responder ao rapaz, mas ter-se calado por si só, de certa forma, já foi uma resposta. O outro então continuou:

- Ou poderia vir comigo. Pense bem: sem fome, sem frio, um teto, uma possível chave para o passado...

Levantou a cabeça e encarou o rapaz, curioso, especialmente quando ele mencionou "uma possível chave para o passado". Então ele realmente o conhecia? Se o conhecia, por que ainda não havia dito? Faria sentido, por um lado. E de qualquer forma, ainda nem sabia para onde o rapaz estava indo. Mas não era como se pudesse simplesmente recusar, dados os motivos apresentados. A dor na cabeça finalmente cessou por completo e aparentemente o nariz parara de sangrar. Abaixou o braço, colocando-o sobre a mesa, e então disse, resignado e envergonhado:

- Tudo bem, eu... vou com você. Mas... pra onde?

Um arrepio sombrio percorreu-lhe a espinha ao fazer aquela pergunta. Era como se, de algum modo, ele já soubesse a resposta e estivesse esperando por ela. Como se tivesse algo muito importante a fazer no local de destino do rapaz, mas não pudesse discernir isto em sua mente. Não por algum tempo, talvez. Manteve os olhos fitos no jovem, esperando que ele terminasse de comer se pronunciasse e que seguissem, então, seu rumo. E, de repente, uma luz surgiu ao final do túnel na mente do garoto...



<Off>> gadewch i ni fynd! \o/ -qq
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Re: Travessa do Tranco

Mensagempor Hokuto » 07/05/10, 15:25

    - Tudo bem, eu... vou com você. Mas... pra onde? - Perguntou o trombadinha.

    Não adianta, a tendência é que virasse apelido carinhoso, num jeito muito peculiar de demonstrar carinho. Pediu para o menino uma sobremesa, enquanto ele mesmo terminava de comer. O pior ele já tinha conseguido. E outra parte também pior estava por vir, mas se ele não relaxasse, teria uma indigestão. Afinal das contas estava se habituando a ser ainda mais silente.

    Pagou a conta, por fim, e se levantou em direção a porta. Quando viu que não era seguido, simplesmente estendeu a mão, deu u meio sorriso e disse:

    - Você vai ter que aguardar e confiar.
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Re: Travessa do Tranco

Mensagempor David Feather » 12/05/10, 22:45

O jovem não respondeu a pergunta de Thiago. Ao menos não imediatamente. Ao invés disso, pediu uma sobremesa para o garoto, enquanto ainda acabava o seu jantar. A sobremesa não demorou a ser servida, e não era como se Thiago não tivesse vontade de devorar aquilo – o que quer que fosse, mas que achou simplesmente delicioso – de uma só vez. Conteve-se, no entanto, como fizera com o jantar. Algo parecia lhe dizer que aquilo seria mal-educado.

O rapaz acabou de comer enquanto Thiago ainda se fartava com os restos da saborosa sobremesa. Então, ele simplesmente pagou a conta, se levantou e começou a caminhar na direção da porta, sem dizer absolutamente nada. Thiago arregalou os olhos, perguntando-se se o rapaz haveria mudado de idéia e apenas o deixaria ali. Não pôde evitar o pensamento de como seria ruim ficar sozinho novamente, como quando acordara na travessa. No entanto, permaneceu em silêncio, quase estático enquanto observava o outro afastar-se em direção à porta.

De repente, o rapaz virou-se e estendeu a mão na direção de Thiago, que a princípio continuou apenas observando-o. Ele deu um sorriso – ou quase isso – e disse apenas:


- Você vai ter que aguardar e confiar.

Thiago sorriu em resposta. Levantou-se e tocou a mão estendida do rapaz, mais num gesto de aceitação do que qualquer outra coisa, soltando-a logo em seguida. Caminhou, por fim, ao lado do jovem porta afora, e foram-se rumo a um lugar a que Thiago achava que não conhecia. E, novamente, uma pequena luz pareceu ter despontado no fim do túnel...




<Off>> ¹Idos o/ ~hoho

²Post horrivelmente curto e ruim, só pra descoisar .-.
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Re: Travessa do Tranco

Mensagempor Nick Potter » 10/06/12, 01:23

*nick chega a travessa do tranco e cumprimenta todos com um sorriso*

#oi, gente, como a vida? ele pergunta.
pega sua varinha e faz aparecer uma caixinha com algusn morangos.

#estão servidos?

*ele diz, apontando para eles a caixinha de morango, que ele molhava em uma calda de chocolate e devorada.*
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