Se eu não te amasse tanto assim...

Publiquem suas fics aqui para os outros opinarem.
Não se esqueçam de também postarem no Floreioseborroes.net.
Post Reply
User avatar
Éowyn & Tonks
Conhecendo A Toca
Conhecendo A Toca
Posts: 208
Joined: 08/01/05, 15:07
Location: Entre o Lupin e o Faramir :P
Contact:

Post by Éowyn & Tonks »

Ai, que lindo! Li tudo de novo ontem à noite, mas não me canso! :palmas
(Eheh! Também não precisava dizer que eu quase morri quando li o capítulo 6... embora seja verdade! :mrgreen: Meu Lupin amado!!!! :lol: )
Mas você parou agora, na melhor parte!!! :(
Ai, esse Snape... :P
Bom, eu, que não gosto de fics de ação, estou adorando a sua,~mas não preciso falar isso, porque você já sabe, não é? :)
Então, beijão!
Fui!

PS- Sangalite aguda é ótimo! eheh! Também já passei por lá... :oops: Aliás, acho que estou passando de novo, vivo escutando a música que deu origem ao nome da sua fic... :roll: Sou um caso perdido mesmo! :mrgreen:
Image
Minha fic: http://www.floreioseborroes.net/menufic.php?id=6555
AKAMARY LUPIN -- A BOA FILHA À CASA TORNA... MIL PERDÕES PELO SUMIÇO
User avatar
Regina McGonagall
Ministra da Magia
Ministra da Magia
Posts: 1023
Joined: 05/01/05, 15:56
Sexo: Feminino
Estado: MG
Location: Ministério da Magia, claro!

Post by Regina McGonagall »

Hehe, pra curar a sangalite, que tal Jota Quest? uma songfic pra aliviar um pouquinho da tensão do que aconteceu na penseira.... A minha primeira songfic: Amor Maior

=============================================
Eu Quero ficar só
Mas comigo só
eu não consigo

Eu Quero ficar junto
Mas sozinho só
não é possível


Ele já se decidira há muito tempo. Ficar só era o melhor pra ele. Sem compromissos, sem cobranças, sem remorsos....E, principalmente, sem ninguém se arriscando a sofrer por ele.

É preciso amar direito
um amor de qualquer jeito
ser amor a qualquer hora
ser amor de corpo inteiro
amor de dentro pra fora
amor que eu desconheço


Mas, agora, aquela mulher chegava e mexia com ele daquele jeito. Uma mulher estranha, mas capaz de lhe despertar sensações e desejos há muito abafados.
Que se dizia uma coisa, mas ele bem sabia ser outra... Ele sentia em suas entranhas, que aquela mulher era mais do que dizia. Mais do que ela mesma imaginava. E ainda tivera a petulância de se afirmar apaixonada por ele!

Quero um amor maior...
um amor maior que eu


E agora, ali estava ele, vigiando-a como um adolescente, embora o fizesse cumprindo ordens superiores. Mas não conseguia evitar aquele sentimento de que não era só por isso que o fazia. Aquela vontade que crescia dentro dele de provar daquele amor que ela dizia sentir. Um amor maior do que os que já sentira na vida. Um amor que vencera uma barreira mágica para chegar até ele, só podia ser um amor que valeria a pena.

Então seguirei meu coração até o fim
pra saber se é amor
magoarei mesmo assim, mesmo sem querer,
pra saber se é amor
eu estarei mais feliz, mesmo morrendo de dor
pra saber se é amor


Mas ao mesmo tempo, ele sentia vontade de feri-la, de magoá-la, só para ver se ela mudaria de idéia, se deixaria de amá-lo. Ele a beijara, e ela correspondera. Com paixão, ele o sentira. Sentira seu corpo vibrar, sentira o próprio corpo se inflamar. Mas ela tivera medo. E ele a ferira.
Sentira prazer ao fazer isso. Ou não, apenas raiva de si mesmo? Por desperdiçar a chance de sentir um amor como aquele?
Porque agora, mais do que antes, enquanto a via caminhar à margem do lago, ele queria aquele amor, e tudo que ela tivesse pra lhe dar.
Só não sabia como admitir isso...

Quero um amor maior...
um amor maior que eu
Last edited by Regina McGonagall on 23/06/05, 08:27, edited 1 time in total.
Regina McGonagall
Ministra da Magia


Image
***
Clique aqui para me mandar uma coruja

RPG
Narração
Fala
Pensamento
Outros personagens


Image
User avatar
Éowyn & Tonks
Conhecendo A Toca
Conhecendo A Toca
Posts: 208
Joined: 08/01/05, 15:07
Location: Entre o Lupin e o Faramir :P
Contact:

Post by Éowyn & Tonks »

Tá lindo, Regina!!! :palmas
É ótimo ver a história de amor do ponto de vista do Snape.
É, acho que talvez fosse melhor um tópico só para a song, mas pode ficar valendo como um subcapítulo dessa fic, porque não? ;)
Bjão
Image
Minha fic: http://www.floreioseborroes.net/menufic.php?id=6555
AKAMARY LUPIN -- A BOA FILHA À CASA TORNA... MIL PERDÕES PELO SUMIÇO
User avatar
Regina McGonagall
Ministra da Magia
Ministra da Magia
Posts: 1023
Joined: 05/01/05, 15:56
Sexo: Feminino
Estado: MG
Location: Ministério da Magia, claro!

Post by Regina McGonagall »

enquanto não sigo a sugestão da Mary, eis o capítulo que ainda está ganhando na minha própria avaliação como o mais maluco... Essa penseira faz coisas que até Merlim duvida!

Obs.: A música tocada na cena da "dança", se vocês conhecerem, pode ser "Duende" dos Gypsy Kings.

Pessoal, devido a algumas "reclamações" e sugestões recebidas por email (ganhei um novo "beta", o Tio Jaja, vou editar este capítulo, mudando a cor da fala dos "personagens" das lembranças, ok? Parece que ficou um pouco confuso... O que está em itálico, vou deixar assim mesmo. Algumas partes intermediárias ficaram coloridas também, porque é meio chato fazer essa edição... sorry! :lol:

==============================================

Cap. 7 – A Penseira

A sensação de mergulhar, atravessando o teto, lhe pareceu muito estranha.
Mais estranho ainda era ver a si mesma, diante de seu computador, em sua pequena sala de recepção. Explicou o que fazia, e eles a rodearam, para ler o que escrevia, os dedos correndo pelo teclado, enquanto conversava com um rapaz de paletó branco e gravata borboleta, sentado no sofá ao lado da mesa. No texto, os nomes dos bruxos eram visíveis: ela escrevia uma “fanfic”. Algo piscou, ela abriu uma “janela”. Larissa perguntava, o que ela fazia. Ela respondeu, escrevendo: “consultando o fórum, editando uma fic, conversando com um colega.” “você tá no trampo?” “estou sim” “em que você trabalha” “você não viu o meu perfil? sou recepcionista do quartel dos aurores”. O rapaz se despedira, outro saíra da sala atrás e lhe entregara uma caixa, o notebook, eles reconheceram. O dia avançou um pouco, agora ela abria a caixa que retirara do “malão” e admirava, extasiada, seu conteúdo. Os livros, as figurinhas, a capa... Ela a vestiu, sorrindo, se olhou no reflexo da porta. Em poucos minutos, fechava o computador, pegava suas coisas e se preparava para ir embora, sem contudo, tirar a capa. Enquanto no corredor, o mesmo rapaz de antes lhe perguntara se ia visitar Harry Potter, Regina já levara os três bruxos à frente, entrando na sala de reuniões cuja porta estava entreaberta. A sala estava vazia, mas não por muito tempo. Um repentino brilho azul, e um casal conhecido aparecia “do nada”: Roni e Hermione.
- Onde estamos? Decididamente, não é a casa dele...
- Calma! Eu peguei a chave errada, só isso. – ele olhou para um objeto de prata em sua mão, balançou a cabeça e procurou por outra coisa no bolso, uma caixinha de madeira e bateu nela com a varinha, fazendo-a cintilar numa luz azul - A certa é esta aqui... Pronta? Um... dois...
- Ei! – Regina, que empurrara a porta cautelosa e os vira atrás da porta, estendeu o braço, tocando o ombro de Rony abaixado à sua frente.
- Três! – Rony exclamou, antes de perceber que não estavam mais sozinhos, e os três sumiram.

Os bruxos olharam para Regina, que piscava, incrédula. Ainda não conseguia acreditar em tudo que lhe acontecera, mas precisavam prosseguir.
- Se eu só pensar no dia anterior, a gente já vai automaticamente?
- Sim. – Dumbledore confirmou em voz baixa, e ela assim fez.

Logo, todos se viam dentro de um apartamento singelo, não muito grande, e sua presença pareceu preencher todo o espaço. Regina acabara de entrar em casa, jogando a bolsa no sofá e se deixando cair junto, cansada. A sala tinha sofás e almofadas coloridas, um rack com a tv, som, vídeo e dvd, além do telefone, e de porta-retratos mostrando em sua maioria quatro mulheres. Regina era uma delas.
Minerva comentou sobre as fotos se manterem estáticas, Regina explicou que era o “normal”, mas que tinham vídeos, com as imagens em movimento. Mostrou-lhes o vídeo e as fitas, achando engraçado estar ali em duplicidade, mas a “outra” não podia vê-la, ou aos seus acompanhantes. Ligara a tv, para o telejornal da noite, mas desanimara ao ver apenas notícias de violência.

- Preferia notícias como periquitos esquiando, como no Harry Potter! – ela exclamara, se erguendo e indo para o seu quarto.
- Vê se desliga um pouco desse Harry Potter, menina, a gente não agüenta mais! – a voz feminina e zombeteira viera da cozinha. Uma jovem de cabelos curtos e óculos entrou na sala, levando um prato com sanduíches e um copo de suco para a mesa na outra extremidade do cômodo – Quer suco? Acabei de fazer.
- Deixa eu trocar de roupa, vou querer sim. Nem vi você vindo embora! – respondeu entrando no quarto e colocando a bolsa sobre a cama.
- Ah, eu vim direto da Secretaria. – a outra explicou, entre um gole e outro de suco – Ah! Tem mensagem pra você na secretária.
- “Brigada”, Sinara.- ela voltou à sala, já descalça e ligou a secretária.

Os quatro “viajantes” da penseira ouviram, então, um apito, e logo uma voz masculina saia do tal aparelho.
- Oi Rê, é o Vinicius!
- Como se eu não reconhecesse sua voz de sapo... – ela murmurara, divertida, mas fechara a cara ao ouvir o resto do recado.
- ... olha, o pessoal tá indo amanhã para o sítio. Vem com a gente! Sei que as meninas também vão viajar. Ou você pretende passar o fim de semana inteiro enfiada nessa Internet? Gata, isso não é bom...
Ela interrompeu a mensagem – “ele sabe que não gosto que me chame de gata”. Um clique, outro apito, outra mensagem: sua mãe.
- Oi, filha, tô indo amanhã para Juiz de Fora, ver o Roberto. Tem certeza de que não quer vir comigo? A Taís pediu que lhe dissesse pra ir, não é um bom sinal? Ela quer se desculpar...Em todo caso, venha almoçar comigo. Chegou sua encomenda da Inglaterra, e se você não quiser esperar um mês para pegar, é melhor passar aqui antes da minha viagem! Um beijo. Mãe.
Ela desligou o aparelho, enquanto Sinara, ria, disfarçadamente.
- Pelo menos uma boa notícia...
- Que encomenda é essa?
- Tem certeza de que quer saber, ou é só pra pegar no meu pé?
- Desculpe se eu nasci! – a outra retrucou, ajeitando o óculos, mas continuou num tom menos agressivo – Já sei que tem a ver com Harry Potter. O que é?
- Ah, os cinco livros em inglês, na versão adulta, aquelas capas são lindas! E acho que a Luciana ia mandar também figurinhas de “sapos de chocolate”
- Nem vou perguntar o que é isso...
- Até parece que não viu o filme, aquele sapo de chocolate pulando para a janela do trem... Você até achou graça!

Ela entrou para o quarto, pegando algumas peças de roupa no armário para se trocar. Foi para o banheiro, enquanto os “visitantes” examinavam o quarto. Duas camas, uma de cada lado, dois armários, enfeites em tons suaves, embora sobre a cama que Regina apontou como sendo sua houvesse um cartaz de uma companhia de dança flamenca. Ela explicou que dançava. Mas não foi preciso dizer qual o seu armário... Um pôster de PdA na porta dizia tudo. Na parte interna, outras fotos do filme, mas a maior era uma foto de Snape, segurando um ursinho azul. Ele a olhou sem entender: era ele sem dúvida, apesar de pequenas diferenças.
- Eu te falei que o Alan Rickman era “ótimo”! E não ficou uma graça, esse urso? Foi a Gabi que achou na net.
Ele não teve tempo de responder, pois “ela” voltava do banheiro, vestindo uma camiseta e uma bermuda curta, feita de uma calça jeans cortada e esfiapada nas beiradas. Prendera os cabelos num rabo frouxo, e se sentara na cama de pernas cruzadas, ligando o notebook e buscando o cabo para se conectar. Ao fazer isso, o decote largo da blusa, cujo acabamento fora retirado, acabou caindo pelo lado, deixando um ombro e um pouco dos seios, em uma lingerie colorida, à mostra. Dumbledore parecia divertido, mas Minerva se mexeu, inquieta, e Snape... bem, sua expressão era uma incógnita. Regina, percebendo que eles estavam “incomodados” com seus trajes, tratou de explicar que por ali ainda era verão, faziam 30°C no mínimo. Mas não deixou de ficar encabulada.

- Você não disse que ia levar pro conserto essa coisa? – Sinara aparecera na porta, levando-lhe o copo de suco, que ela aceitou com um sorriso.
- Não tá estragado. O Bill só vai instalar uns programas novos pra mim, amanhã.
- Ah! – a outra piscou – Horário normal, amanhã?
- Pra mim, sim. E você também, claro.
- Claro! – ela riu – sem chance de sair à uma. Mas vou ver se dobro o Rogério, quero pegar estrada, pelo menos uma hora mais cedo.


Ela já entrava na Internet e acessava a página do fórum. Regina chamou os visitantes para ver na tela, e eles ficaram abismados. Lá estavam os nomes, como lhes dissera, os comentários, as fotos, as enquetes. Ela entrava em uma que discutia quem era o “rei do charme”, e respondia sem cerimônias que o Sirius merecia o título, mas ela votara no seu “amado” Snape. E ainda fizera um gracejo sobre o Tom Ridle, um dos favoritos das meninas, o que muito assombrou a Dumbledore.

Mas era preciso avançar e as lembranças se alteraram. Estavam algum tempo antes, em um lugar diferente. Com pouca iluminação, cheio de cadeiras, pessoas entrando ruidosamente, crianças em sua maioria.
- O cinema – ela explicou – O Prisioneiro de Azkaban, o filme mais esperado do ano!
Minerva deu um grito, quando a tela se iluminou e as luzes do salão se apagaram. Nunca estivera em um cinema trouxa. Regina apontou para si mesma entrando apressada, um grande pacote de pipocas e uma latinha de refrigerante nas mãos, conduzindo um bando de adolescentes e pré-adolescentes para a parte do meio da platéia. Os bruxos notavam que os garotos a chamavam de “Tia Regina” e questionaram. Ela explicou que eram todos filhos de amigos seus, que alguns dos pais estavam lá fora, bebendo alguma coisa e batendo papo nas mesas do shopping, outros faziam compras ou assistiam a outro filme “para adultos” no cinema ao lado, enquanto ela sozinha enfrentava a maratona de tentar assistir ao filme e tomar conta deles ao mesmo tempo. Mas disse que se divertia com isso, não se importava, pois se dava bem com os garotos.
Logo após alguns vídeos promocionais, o filme começara, deixando-os mais espantados. Na cena do dementador no trem, ela perguntou a Dumbledore se eles eram tão feios.
- Piores! – ele murmurou.
Ela desejou avançar o filme, e lá estavam eles na casa dos gritos, Snape ficou lívido ao se ver representado, discutindo com Sirius, revivendo o ataque de Hermione, apesar de perceber que não estava exatamente como acontecera, e Regina explicou que o roteiro do filme nunca ficava igual ao livro. Ela estava transtornada, e Dumbledore percebeu, curioso, que a “outra” assistindo junto com as crianças também. Algo naquela cena a tocara profundamente. Mas a lembrança se modificava de novo...

- Desculpem. – ela sorria, triste – Sei que viram pouco do filme, iam gostar de vê-lo todo, mas...
- Foi o suficiente, acredite. – Dumbledore apertou sua mão, inexplicavelmente gelada.
Acabavam de “aterrissar” em um sítio. Um rapaz louro ligava um estranho aparelho e o levava à altura do rosto. Acenava para seu reflexo no vidro de um carro, e saía andando pela casa.
- Por que estamos na lembrança de outra pessoa? – Minerva estranhou.
- Na verdade, estou chegando aqui – Regina comentou, também intrigada – Mas acho que assisti tanto a esta fita de vídeo, que as lembranças do Vinicius “invadiram” as minhas. É possível, Prof. Dumbledore?
- Também estou confuso, minha cara. Mas acho possível, sim. A penseira nos permite caminhar por um espaço mais dilatado das lembranças, por isso é tão útil.
Regina concordou. Lembrou-se de que Harry acompanhara os marotos, mesmo distanciados de Snape.

Mas Vinicius(o dono da voz de sapo) avançava pela sala da casa rústica, brincando com cada um dos que conversavam na sala, indo à cozinha. A dona da casa, uma jovem e sorridente senhora, fez um gracejo para as jovens que a ajudavam no preparo do almoço. Uma delas, Isabel, se virou para ele, “ameaçando-o” com uma colher de pau:
- Ah, nem vem, Vinicius! Se você pensa que vai descobrir o segredo de minhas poções, pode tirar seu cavalinho da chuva! A menos que queira levar com o caldeirão na cabeça!
O rapaz fez um gesto dramático, comentando para a câmera:
- Pessoal, acabou a cobertura da cozinha. Quem sou eu, pobre mortal, contra bruxas tão poderosas? Cadê “el rey de los brujos” pra me salvar?
- Quem? O Rodrigo? Ih, aquele ali sabe muito bem que por aqui, não manda nada! Chispa! – Isabel ria, uma mão na cintura e a outra ainda lhe apontando a colher.

Enquanto o rapaz saia pela porta dos fundos, ao coro de risadas das mulheres na cozinha, Dumbledore perguntou:
- Há bruxos, aqui? Você não nos disse...
- Não, não são. É só zueira... brincadeira! Ninguém leva a sério, ou acredita mesmo em histórias de bruxas. É só um jeito de brincar. Se bem que pelo menos metade dessa turma, inclusive eu, sempre acreditou que foi bruxa em outra reencarnação...
Os três não pareciam convencidos, enquanto iam atrás do rapaz louro com a câmera. Antes que ele a visse, os três já haviam percebido que ela estava lá, embora aguardassem os acontecimentos de onde estavam, um pouco atrás do “cameraman”.

O louro focalizava a quadra, onde alguns jogavam futebol, e a varanda, onde um baixinho de olhos azuis e cabelos encaracolados tocava violão.
- Ei, Vinicius! – um rapaz gordinho de óculos chamou sua atenção.
- Oi, Edu! – ele o focalizou, mas o amigo apontou para o lado.
- Veja! Nossa “Esmeralda” chegou!

Ele deu um giro e a localizou. A saia longa, vermelha, a blusa branca e justa de renda, os cabelos longos e negros caindo pelas costas.
- Rê, olha pra cá! – ele pediu.

Ela se virou, e os três bruxos puderam vê-la por inteiro. Bem mais jovem, e mais bonita, pois lhe faltava aquele tom de amargura no rosto, ela sorriu francamente para o rapaz, ao mesmo tempo que alguém que também estivera de costas se virava, surpreendendo ainda mais os três bruxos.
Era um rapaz alto, os cabelos escuros crescidos o suficiente para que ele os tirasse do rosto a toda hora, um ar de displicência e rebeldia acentuado pela barba curta, abraçou-a por trás, beijando seu ombro. Ela se encolheu, meio encabulada, enquanto o jovem se colocava ao seu lado, abraçando-a pela cintura e lhe dando um “selinho”. Seu gesto provocou um murmúrio de surpresa e alguém exclamou um “Epa! Novidades!”.Ele vestia calças jeans justas, botas pretas de cano curto. A camisa marrom para dentro da calça, deixando ver o velho cinto largo de couro, tinha as mangas curtas dobradas e estava aberta pela metade, deixando o peito à mostra, e uma fina corrente de ouro em seu pescoço.
- Sirius Black! – Snape exclamou, sem se conter.
- O que? – Regina o olhou, confusa
- Minha cara, você não nos disse que conhecia o Sirius Black. – Dumbledore a fitou.
- Mas... esse é o Tiago! Não é o Sirius! – ela balançava a cabeça, seus olhos se enchendo de lágrimas, visivelmente transtornada, e o velho professor entendeu o que a incomodara no filme.

Mas o casal ainda ria, feliz como qualquer casal recente de namorados, cujo segredo fora revelado.
- Desde quando vocês estão namorando? – uma menina ruiva perguntou.
- Desde o aniversário da Isabel... – Regina respondeu, meio sem jeito – Já estávamos pensando quando é que alguém ia descobrir...
- Ah, de que jeito? Vocês sempre andaram grudados, mesmo... Bem, nem tão grudados assim! – o rapaz do violão gracejou, enquanto Edu parecia ter notado outro detalhe e comentava, num tom divertido de dúvida:
- Não me diga que você veio assim... de moto! Com esta saia? – ele balançava a cabeça – Você é louca mesmo!
- Não, o Tiago é que é louco! – alguém retrucou.
- Cara, não é minha culpa! – ele fez um movimento engraçado de defesa – Na hora que chamei na casa dela, ela já apareceu assim. E não quis trocar de roupa. Por mim... Mas ela se virou muito bem pelo caminho, não foi, gata?
- Claro! – com um gesto rápido, ela segurou a ponta da saia e a “juntou” na cintura – Sou ou não sou uma ballerina do “Los Del Rocio”?
- Ah! Então vai dar uma “palhinha” pra gente, não é, pessoal? – Edu perguntou.
- Sem música? Não trouxe um Gipsy King ou Paco de Lucia na mochila...
- Não seja por isso! – o rapaz com o violão tamborilou em sua caixa, provocando um ritmo. Aos gritos de “Rodrigo é demais”, começou uma música do famoso conjunto cigano, enquanto fitava Regina com um sorriso de desafio e malícia. Ela correspondeu o olhar, mas também sorriu, capitulando. Fez um gesto para o namorado, ele lhe atirou as chaves da moto, que apanhou no ar, graciosa.
- Quem não tem cão... – gracejou, fazendo-as de castanholas. E começou a dançar.
Piscando para a câmera, dançou alegre e contagiante, trazendo para si o namorado dali a pouco. Ele, relutante a princípio, acabou por deixar-se envolver e lhe acompanhou os passos com elegância preguiçosa, batendo palmas ritmadas. Ao final da música, marcada por um “olé” de Rodrigo, o grupo os aplaudia e ela sorria, rosto afogueado e sem fôlego.
Desligando a câmera, visivelmente admirado, Vinicius comentou em tom de queixa:
- Tiago, meu velho, como é que deixei você me passar a perna dessa vez?
- Ah, meu chapa! Ela cansou de esperar que você a notasse, e já que não sou bobo... Não ia dispensar um material desses, não é?
Regina ouviu o comentário e os enfrentou com um falso ar de zanga:
- O que vocês pensam que eu sou, hein?
Ante o sorriso malandro deles, ela retrucou.
- A sorte de vocês é que não existe essa coisa de varinha mágica, ou feitiços. Porque, se eu tivesse uma agora...
- Os transformaria em porcos? – Rodrigo ria até se dobrar de dor.
- Não... porcos não. Ia ofender os pobres bichos... – Ela estreitou os olhos – Já sei! Dois belos cachorros, vira-latas, claro!
- Bem... – Tiago parecia divertido com a possibilidade – Só se você prometesse...
- O que?
- Que viria junto um feitiço anti-pulgas. Porque eu “odeio” pulgas!
- Desisto! – ela se aproximou, fazendo que ia beijá-lo, mas ao invés disso, deu-lhe um sonoro tapa no “traseiro”.
- Rê, deixa esses bobos aí e vem cá nos dar uma mãozinha!
Isabel a chamava da porta da cozinha, e ela deu uma pequena corrida até lá, enquanto Tiago massageava a “parte atingida” murmurando um “ui, doeu!” e os amigos riam da sua cara.
- Mulheres... – ele suspirou – E ai, cara? Vai ou não vai querer registrar pra posteridade a nova máquina do papai aqui? Sei que tá louco pra dar uma voltinha... Vou pensar se te empresto. A moto, é claro! Porque, agora, meu amigo, acabou essa história de “nossa Esmeralda”! – ele piscou para o amigo, malicioso, e o pequeno grupo se deslocou para a parte da frente do sítio, rindo e falando alto, para ver a tal moto.


Minerva, observando-o se afastar, comentou:
- Minha filha, seu namorado é idêntico ao Sirius Black, até nos modos!
- É... o Tiago era meio irreverente... no princípio, não gostava muito dele. Praticamente crescemos juntos, éramos vizinhos... Ele era uma peste, quando menino. Mas aconteceram algumas coisas que nos aproximaram mais, e acabamos descobrindo que nos dávamos muito bem... em tudo. Tínhamos planos...para uma vida inteira... até ele morrer daquele jeito estúpido!
Regina não reteve o choro, parecia não se importar mais, ou talvez fosse mesmo efeito da poção. Dumbledore falou em tom brando, mas que lhe pareceu incisivo:
- Vamos em frente? Precisamos ir...

Suas lembranças avançaram só mais um pouco. Eles encontraram os jovens novamente espalhados, após o almoço. Regina estava sentada na grama do jardim, à beira do regato que cortava toda a propriedade, os pés nas pedras dentro d’água. Tiago, deitado com a cabeça em seu colo, mastigava um ramo de capim, olhos fechados e expressão relaxada. Perto deles, Rodrigo brincava com o violão, e os outros jogavam conversa fora.
Um dos rapazes. Luís, parou ao lado do pequeno grupo, reclamando que estava com dor de estômago, o almoço não lhe fizera bem. Beth, uma garota gorda e risonha, protestou que não havia nada de errado com sua comida, além de um pouco de “pó mágico”.
- E que raio de pó era esse?
- Pó do amor, meu querido! – ela respondera.
- Então foi amor demais pro meu estômago! – ele retrucou, fazendo todos rirem, enquanto ela assumia um ar zangado e perigoso.
Mas Regina sugeriu, séria:
- A tia Vera tem um canteiro de ervas. Deve ter losna, peça a ela pra lhe fazer um chá.
- Valeu, Rê. Vou falar com ela. – ele se afastou, mas a garota lhe gritou, fazendo-o parar a meio caminho:
- Mas cuidado, hein? Asfódelo também é bom, mas não vá misturar com a losna, achando que vai fazer efeito melhor. Se você fizer isso, nem Cristo te acorda mais.
- Nossa! Onde você aprendeu isso? – uma das meninas indagou.
Regina ficou pensativa:
- Não sei... li em algum lugar – respondeu
- Deve ter sido nos livros do “Vô” Aníbal. – Tiago comentou sem ao menos abrir os olhos.
- É... pode ser.-
Uma das jovens fez a pergunta que Snape estava prestes a fazer:
- Quem é vô Aníbal?
- Um velho pra quem mamãe alugou nosso porão, depois que o papai morreu. Ele era inglês, e me deixava estudar nos seus livros, praticar tradução. Todos falavam de magia, de bruxas, ele era doido por esse assunto! Acho que um deles era sobre fungos e ervas, farmacologia, essas coisas! Anda sumido...
- O velho era doidinho! – Tiago soltou uma gargalhada
- Não diga isso! Só porque gostava de corujas?
- Ah! Isso era o de menos! – e ele começou a contar uma história engraçada sobre o velho, mas a cara feia de Regina para ele o fez se calar.


Dumbledore tinha uma expressão pensativa. Aqueles jovens falavam de magia e feitiços com naturalidade, sem serem bruxos. Começava a entender porque Harry Potter fizera sucesso neste mundo. A maioria dos trouxas que conhecia ficaria petrificada só em pensar numa poção morto-vivo. E esse homem com os livros... ele ficou curioso.

Mas as lembranças de Regina já os puxavam novamente. Agora, era noite alta, quase madrugada, e eles continuaram no jardim. Ela os guiou pelo gramado até o outro lado, onde uma confortável barraca fora armada. Em volta, só se ouvia o som dos grilos e outros insetos noturnos e o céu estava estrelado. Regina os conduziu para dentro da tenda, onde apenas ela e Tiago dormiam.
- Era para os “meninos” dormirem aqui, mas cada um arrumou uma desculpa e, para o Tiago não dormir “sozinho, aqui fora”, vim ficar com ele.
- E você quer que presenciemos sua... “intimidade” com ele? – Snape sussurrava sem motivo, mas o sarcasmo se mesclava ao espanto.
- Não! – ela corou, na pouca luz – É que... Dumbledore quis que eu me lembrasse de qualquer coisa, que pudesse ter a ver com vocês. E isso... o que está acontecendo, tem.
- O que quer dizer? – Snape se aproximou, bravo, mas ela chamou sua atenção para a “outra Regina”, que começava a se mexer no sonho, murmurando frases desconexas:

- Não! Ela não!... Deixe-a em paz... Pare! ... Não!
Tiago acordou e acendeu a lanterna, iluminando todo o interior da barraca com uma luz branca. Estava sem camisa, a corrente de ouro cintilando ao se balançar com seu movimento. Passou os dedos pelos cabelos, nervoso, e se sentou, observando-a, atento e preocupado. Logo, ela começava a se mexer e gritar de novo:
- Onde... onde você está?... Severo! – ela gritou o nome com aflição e pavor, e os “visitantes” ficaram lívidos de espanto. Mas o sonho continuava:
- Eu preciso vê-lo... por favor! Onde... onde ele está?... Severo!
- Regina, acorde! É um sonho, acorde! – Tiago a sacudiu levemente, mas o tom de comando em sua voz foi irresistível.
Ela abriu os olhos, assustada. Por um segundo, pareceu ver vultos à sua volta. Fechou os olhos e tornou a abri-los. Então, só viu Tiago.
- O mesmo pesadelo, de novo?
Ela assentiu, tremendo.
- Severo... quem é Severo? Nunca ouvi este nome antes... – Tiago perguntou, intrigado.
- Não sei... tinha gente morta pra todo lado! – ela soluçava - Luzes verdes, relâmpagos... não sei. Eu não sei quem é, só sei que precisava achá-lo... nunca sonhei com isso antes, quer dizer... esta parte não estava lá antes... só a mulher, gritando, igual às outras vezes... mas depois, ficou tudo preto, e eu estava procurando esse homem... tinha medo... aí, apareceu um velho, parecia o Paulo, mas muito velho... me dizia que estava tudo bem, que terminara... o quê, eu não sei. Quando acordei, pensei que ainda o via, ali – ela apontou exatamente para o lugar onde Dumbledore estava, e este franziu o cenho, mais intrigado ainda.
- Vamos falar com o Paulo, assim que ele chegar.
- Estou com medo... Senti um aperto no peito!
- Está tudo bem, agora! Olha, são quase cinco horas, já vai clarear. Tente descansar, está bem?
- Me abraça! – ela pediu, as lágrimas brilhando em seus olhos aflitos.
- Claro que sim, gata! Vamos... descanse. – ele a abraçou, beijando docemente seus cabelos,.


Dumbledore os chamou para fora, dizendo que já era tempo de voltarem.
Mas Regina balançou a cabeça.
- Tem uma coisa... O senhor disse que a penseira estende as coisas... Tem uma coisa que preciso ver, preciso ouvir. Posso... ver um pouco mais? Poderei ver de outro ângulo algo que aconteceu sem que eu visse, porque estava lá dentro... – ela apontou para a barraca.
Dumbledore não foi capaz de negar, ao ver seu rosto torturado. Mas indagou:
- Por que quer fazer isso?
- Porque Tiago sabia de alguma coisa que eu não sabia. Ele ficou meio... diferente, depois desse dia.
Eles concordaram, e o dia nasceu um pouco mais rápido. Tiago saíra da barraca, tomara um banho, frio mesmo, no chuveiro da varanda, e agora estava sentado em um banco tosco de madeira, esperando. A camisa estava aberta, como se ele fosse insensível ao vento frio da madrugada. Mas sua espera chegava ao fim, e ele se ergueu quando ouviu um automóvel que se aproximava e entrava na propriedade.
O motorista desceu e, ao vê-lo, veio direto ao seu encontro. Era mais maduro, Regina confirmou aos bruxos que era Paulo, o marido de Vera. Ele era louro e alto.Tinha os olhos azuis, serenos mas perspicazes, e Dumbledore foi o primeiro a perceber a profunda semelhança consigo mesmo, fazendo-o se lembrar de como era quando jovem.
- E então? – ele perguntou ao rapaz – Tudo bem? E Regina?
- Está dormindo, finalmente.
– Paulo fizera uma cara preocupada, ao perceber que os dois haviam dormido sozinhos ali fora, Tiago percebeu e se explicou:
- Calma, não houve nada. Você sabe o que pensamos a respeito. Que decidimos esperar...
- Mas dormir sozinhos numa barraca no jardim não dificulta isso um pouco? - o tom levemente brincalhão não escondia a preocupação, mas Tiago apenas sorriu como quem concorda, e falou, sério:
- Ela está bem, agora, mas teve o pesadelo de novo. E desta vez, ficou pior! Disse que viu um cemitério... procurava por alguém, um nome esquisito, que nunca vi antes...

Dumbledore o observava, concentrado. Estava agora convencido de que não era Sirius Black. Ele não estranharia o nome de Snape, nem deixaria de perceber que o velho poderia ser ele, Dumbledore. Mesmo que fingisse ser outra pessoa.
Mas o diálogo continuava. O homem se sentou no banco, murmurando.
- Eu deveria saber... Nesta época, é que mais acontece...
- Como assim? – Tiago pareceu ainda mais preocupado com a namorada.
- Prometi ao pai dela que ficaria atento. Esses pesadelos sempre se repetem, nesta época do ano.
- Por que? O que tem a ver?
- Quanto tempo falta para o aniversário dela? O próximo aniversário?
- Ora! – Tiago parecia não ter entendido a pergunta – Ela faz aniversário em abril... Nossa! Faltam sete meses! Você acha... que ela está se “lembrando” de algo que aconteceu antes dela nascer? Quando ainda estava dentro da barriga da mãe?
- Antes disso. Talvez a mãe tenha lhe transmitido alguma lembrança traumática. Eu e Silas chegamos a pensar nisso...
- Eu sei que ela teve uma gravidez difícil, ela e mamãe fizeram pré-natal no mesmo hospital. Mas eu é que teimava em querer nascer antes da hora... – Tiago riu ao se lembrar das histórias que a mãe contava – E a Marta conta histórias também, mas...ela não nasceu prematura!
- Não a Marta. Mas... A mãe verdadeira.
Tiago encarou o amigo. Não podia acreditar no que ouvia.
- Sim. Regina foi adotada. Ou, algo parecido.
- Mas ela não sabe disso!


Sua frase ecoou no vazio, enquanto as lembranças de Regina desapareciam. Ela desmaiara.
Last edited by Regina McGonagall on 03/04/07, 10:29, edited 7 times in total.
Regina McGonagall
Ministra da Magia


Image
***
Clique aqui para me mandar uma coruja

RPG
Narração
Fala
Pensamento
Outros personagens


Image
User avatar
Éowyn & Tonks
Conhecendo A Toca
Conhecendo A Toca
Posts: 208
Joined: 08/01/05, 15:07
Location: Entre o Lupin e o Faramir :P
Contact:

Post by Éowyn & Tonks »

Mmmm... não acho que esse capítulo seja o mais louco.Acho que tem piores... Mas você, hein, só colocou um capitulozinho dessa vez! :( Maldade! Eheh!
Eu quero mais, eu quero mais!!! :P
(Eheh! :mrgreen: Adorei que você também colocou na sua assinatura esse gif MA-RA-VI-LHO-SO do Snape e do Lupin lutando por uma barra de chocolate! eheh)
Image
Minha fic: http://www.floreioseborroes.net/menufic.php?id=6555
AKAMARY LUPIN -- A BOA FILHA À CASA TORNA... MIL PERDÕES PELO SUMIÇO
User avatar
Regina McGonagall
Ministra da Magia
Ministra da Magia
Posts: 1023
Joined: 05/01/05, 15:56
Sexo: Feminino
Estado: MG
Location: Ministério da Magia, claro!

Post by Regina McGonagall »

Já que a Mary insiste... e batendo na trave num quase nc-17...

E também editando este capítulo, pelos mesmos motivos do anterior... :lol:


==========================================

Cap. 8 – Dúvidas e mistérios

Os três bruxos a alçaram de volta para o escritório e a acomodaram numa poltrona. Após devolver-lhe cuidadosamente as lembranças, Dumbledore guardou a penseira.
Minerva a reanimava, com carinho maternal. Regina abriu os olhos. Aceitou a xícara de chá que a bruxa lhe oferecia, ciente de que continha apenas isso: chá. Que lhe aqueceu por dentro.
Olhou para os três bruxos. Agora, eles sabiam bastante sobre ela. Até o que escondia de seus melhores amigos, até o que escondiam dela. Chorou silenciosamente, não se importando que a vissem tão fragilizada. Sentia-se leve, tranqüila. O chá ajudara bastante, mesmo.
- Eu... gostaria de... me deitar um pouco.
- Claro, vai fazer você se sentir melhor. Minerva, por favor. Pode acompanhá-la?
A bruxa assentiu com a cabeça e ajudou-a a caminhar até a porta. De lá, Regina acenou-lhes timidamente, sentindo-se como uma criança perdida. Já não sabia nem mesmo quem era com certeza. E sabia que eles só iam lhe dar uma pausa, pois a visita às suas lembranças havia gerado mais perguntas do que respostas.

Depois que ela saiu, Snape e Dumbledore permaneceram algum tempo em silêncio, imersos em suas próprias idéias e teorias a respeito. Tudo que o viram e ouviram era inacreditável, mas por motivos diferentes agora.
Snape não trouxera um veritaserum comum. Estava misturado com uma poção que fazia um efeito semelhante ao da maldição imperius. Mesmo que tentasse burlar os efeitos da poção da verdade, Regina não conseguiria deixar de fazer o que lhe mandassem, não conseguiria forjar lembranças.
Portanto, só podiam pensar em duas possibilidades: ou ela fora cercada por uma série de circunstâncias e fatos que a aproximaram do mundo deles, ou era uma bruxa exilada em um mundo estranho, onde supostamente estaria inacessível. Quem e porque fizera isso, não conseguiam imaginar com certeza, ou temiam descobri-lo.
Em seu quarto, Regina não conseguiu pensar em nada. Estava exausta, mentalmente. McGonagall lhe tirara as vestes, o tênis e a calça que usara na caminhada que parecia ter sido há séculos, e a fez se deitar, cobrindo-a com uma manta leve, cerrando as cortinas para que a claridade não a incomodasse. E saiu, recomendando que não se preocupasse, que tudo se resolveria.
Mas as horas passaram, sem que ela sequer cochilasse. Por mais cansada que estivesse, jamais conseguia dormir de dia. E uma pergunta insistente martelava em sua cabeça: se não era filha de Silas e Marta, de quem era, então?
Lembrou-se da mãe contando que a sua gravidez fora de risco, que sua pressão arterial subira às alturas, mas na época contavam com poucos recursos. Ela nascera em casa, pelas mãos experientes de uma parteira, e sua mãe quase morrera. O pai nunca gostara de falar sobre o assunto e, pela primeira vez, Regina imaginou se ele não estivera escondendo alguma coisa delas. Alguma coisa muito grave, que só revelara ao Paulo, seu melhor amigo, que se transformara num verdadeiro guardião para ela, esses anos todos... Teria que falar com ele, assim que voltasse para casa.
Voltar para casa! Será que poderia continuar a reconhecer o lugar em que vivera sua vida inteira, como sua casa? Qual seria sua verdadeira origem? Porque nem passava pela sua cabeça a idéia que os dois bruxos discutiam, neste exato momento.

- Então? – Snape perguntou – Será que agora entende os meus temores?
- Em parte, meu caro. Em parte. – Dumbledore suspirou, pensativo.
- Teremos que investigar essa história. Descobrir se houve alguma criança recém-nascida que desapareceu em nosso mundo. Descobrir qual comensal foi esse, pois não há dúvidas de que foi um comensal que ela diz ter matado.
- O mais importante é descobrir porque. Por que ele foi até lá? Entendemos que confundiu o rapaz com Sirius Black, tanto quanto nós mesmos, mas estava atrás dela, não dele, se ela se lembra com exatidão do fato...
- O senhor acha que teremos que fazer outra incursão às suas lembranças? – Snape parecia aflito.
- Talvez... mas precisamos deixá-la descansar, primeiro. E não poderemos usar mais uma poção tão forte. Você se arriscou muito, meu amigo.
- Eu reconheço que sim, me desculpe. Mas pensei que seria melhor reforçá-la, talvez não funcionasse com alguém como ela. O senhor mesmo disse que nunca a usou em trouxas...
- Não é a mim que deve pedir desculpas. Ela tinha o direito de saber o que estava tomando. Que ficaria à nossa mercê, não apenas obrigada a nos dizer a verdade.
- Mas ela resistiu à poção e decidiu por si mesma, ainda assim. Visitamos as lembranças que ela escolheu, não porque pedimos.
- Não exatamente. Nem mesmo eu ou você poderíamos resistir a uma poção como essa, você sabe muito bem disso. Ela entendeu a minha “ordem”, não fugiu dela Vimos o que precisávamos, e até além disso. Ela não sabia que não conheceu seus pais verdadeiros. E não inventou aquilo, vi em sua mente.
- Mas isso nos abre uma possibilidade espantosa. E se ela for bruxa, ao contrário do que pensamos? Pode não ter sido por acaso que veio parar aqui.
- Disso eu tenho certeza, seja ela bruxa ou não. Acasos não existem, Severus. Não foi por acaso que aquela garota gritou seu nome, ou me viu em seu sonho...Se é que você notou.
- Notei, sim. – Será que... ela via algum fato futuro? Ainda era jovem, não tinha como se “lembrar” de nós...
- Pensei nesta possibilidade. Isso pode acontecer, o futuro ser revelado em sonhos é mais comum do que se imagina.
Os dois permaneceram mais um tempo em silêncio. Então, Dumbledore falou em um tom suave, quase se desculpando:
- Sei que já lhe devo muito, meu amigo. Que tenho lhe imputado sacrifícios imensos na execução das tarefas que lhe peço. Mas vou lhe pedir mais um favor. Tome conta dela, mas não a assuste, tentando descobrir alguma coisa. Temos pouco tempo, mas descobrirei uma forma de resolver tudo isso e desvendar mais este mistério.
Snape respirou fundo. Mas concordou. Não tinha certeza dos motivos para isso, mas não permitiria que Dumbledore passasse essa tarefa para ninguém mais.
Pediu licença ao diretor e se retirou. Não chegou a notar o olhar estranho que Dumbledore lhe dirigiu.
Incapaz de se controlar ou acalmar, foi direto para sua sala. Lá, andou de um lado para outro, mexeu em seus frascos, reviu anotações, programações para as turmas que chegariam, notas das turmas anteriores, mas nada foi capaz de distraí-lo. Só uma coisa o acalmaria... Mas não faria isso! E entregou-se ao trabalho, como se quisesse esquecer que existia alguma coisa além do seu trabalho.

Os dias que se seguiram foram estranhos para Regina. Ela continuou em sua rotina, quase como se nada tivesse acontecido.
No período de uma hora que passara a ficar do lado de fora, parte caminhando, parte sentada à beira do lago, ficava o tempo todo ciente de que Snape a vigiava, sem se aproximar nunca. Sabia que eram ordens de Dumbledore, ainda mais depois de tudo o que haviam descoberto sobre ela.
Quando entrava de volta para o castelo, sempre tinha alguma tarefa, pois os professores continuavam convencidos de que precisava apenas se “ambientar” para recuperar os seus poderes. Foi assim que ajudou Madame Sprout a preparar fertilizantes à base de escremento de dragão e se viu forçada a usar abafadores nos ouvidos para não ficar surda ao cuidar de novos nenéns mandrágoras, auxiliou Madame Pince na atualização dos catálogos da biblioteca, aprendeu com Madame Hoock a fazer a manutenção das vassouras, ajudou o Prof. Flitwick a listar os materiais que precisavam ser substituídos, devido aos feitiços realizados incorretamente pelos alunos inexperientes do primeiro e segundo ano.

Assim, quase completou um mês de sua estada em Hogwarts, sem que se desse conta disso. Tinha um sortimento de roupas e vestes, além de outros artigos de “uso pessoal” que Sprout e McGonagall a ajudaram a adquirir em Hogsmeade (Dumbledore lhe passara uma certa quantia, alegando que estava trabalhando como todos e, portanto, merecia um salário). A visita ao vilarejo fora cercada de cuidados e prevenções, mas divertida. As duas velhas bruxas acabaram por se soltar um pouco, tomando cerveja amanteigada com ela e comprando doces na Dedosdemel como se fossem estudantes. Mas a visita fora breve, conscientes de que não poderiam chamar muito a atenção sobre a visitante, que era sempre apresentada como sobrinha de McGonagall, se fosse necessário. Mas sem detalhes.

Naquela tarde, porém, logo após o jantar, Dumbledore pediu que o acompanhasse até sua sala. Snape também foi, o que a deixou ainda mais apreensiva sobre os motivos da conversa.
Dumbledore não fez rodeios. Foi direto ao assunto, após vê-los acomodados nas cadeiras à sua frente, percebendo claramente que ela não se sentia à vontade.
- Bem, minha cara. Preciso lhe pedir um favor. Só existe uma maneira de descobrir quem foi o comensal que... atacou você, naquela ocasião. E é através de suas lembranças.
Ela o fitou, nervosa, mas não surpresa. Já esperava por isso.
- Veja bem, não será preciso que você tome nenhuma poção. Snape só está aqui, pelos motivos que deve imaginar.
- Claro. – ela respondeu, sem olhar para o professor de poções. Só ele poderia identificar com certeza um dos asseclas de Voldemort.
Dumbledore a examinou por alguns instantes. Uma coisa eles não podiam negar: era uma mulher de coragem. Se tivesse estudado ali, seria com certeza de Grifinória. Comentou isso com ela, que corou violentamente. Mas, em seguida, lhe explicou:
- Fizemos algumas pesquisas, mas que não deram em nada.Como parece haver uma distorção entre o que você chama de “tempo real” e “nosso tempo”, estendemos 5 anos para trás e para frente da data que você nos informou ser a do seu nascimento. Apenas uma criança nascida naqueles anos não veio para cá onze anos depois, ou para qualquer escola bruxa, porque não sobreviveu. O parto foi complicado, ao que parece a família não chegou a tempo no St Mungus. Mãe e filha morreram. O pai pelo que consta, desapareceu, ninguém sabe dele há muitos anos, mas julgamos que também esteja morto. Não há nenhum registro de uma criança desaparecida, ou raptada, ou entregue para adoção. Então, estamos descartando a possibilidade de você ser uma bruxa. Mesmo que fosse mestiça, teríamos algum registro. Mas existem alguns detalhes estranhos. A sua teoria pode ser a correta, mas, ainda assim, a dúvida sobre a morte de seu namorado... e daquele comensal permanece. Teremos que “voltar” lá.
Regina estremeceu. Então, eles haviam realmente pensado que ela poderia ser uma bruxa? Olhou para cada um deles, a descrença visível em seu rosto, claramente perceptível em seus pensamentos, que ambos penetravam sem dificuldade, desta vez com a firme intenção de verificar a verdade. Nem pensara nisso, embora em seus antigos devaneios, essa idéia fosse agradável, tanto quanto a qualquer “pottermaníaco” que conhecia. Ela, uma bruxa... isso era uma piada!
- Está bem – ela disse, após um tempo – O que tenho que fazer?
Dumbledore tirou novamente a penseira do armário. Depois, pediu-lhe que se concentrasse naquele evento. Então, tocou sua têmpora com a varinha, retirou dela um tênue fio prateado e o depositou na penseira. Esperou que a superfície se alterasse e depois normalizasse, para indagar se estava pronta.
Ela fez que sim, incapaz de falar. Eles a seguraram pela mão, um de cada lado. Automaticamente, ela apertou mais a mão de Snape, que estava mais fria que a sua própria, enquanto mergulhavam suavemente de encontro à noite lá embaixo.

Regina viu-se nas imediações da rua em que morava. Eles voltavam de uma visita a um casal de amigos, e estavam felizes e tranqüilos. Já quase chegavam em casa, quando um homem apareceu do nada, bem à frente deles, num forte estalo de luz azul. O rapaz se assustou, a moto virou. Eles caíram. Ele se ergueu, tirando o capacete e encarando o estranho:
- O que pensa que está fazendo? De onde, diabos, você surgiu?
- Quieto, Black. Eu vim aqui por causa dela, não tenho nada a ver com você.
- Do que me chamou? – Tiago parou, surpreso – Está nos confundindo com alguém, amigo!
- Não sou seu amigo, e não estou confundindo ninguém. Não me interessa quem você é. Vim aqui para buscá-la, e ela vai comigo! Aquele velho idiota pensou que a esconderia sendo o fiel do segredo. Mas “ele” descobriu, assim mesmo. Obrigou-o a contar, antes de matá-lo. Nunca me diverti tanto! – ele dava gargalhadas, como um louco.


Os “visitantes” observavam a cena com atenção. Não havia mais ninguém na rua, naquele final de domingo. O bruxo encapuzado se aproximou da jovem, que se levantara, confusa, a roupa rasgada deixando ver a perna ferida. Mas não chegou perto. Tiago se jogou contra ele, e os dois homens rolaram pelo chão, até que o bruxo se desvencilhou e, pondo-se de pé, apontou a varinha e gritou o feitiço fatal. Uma luz verde explodiu no peito de Tiago, que caiu. Regina correu para ele, gritando apavorada, mas o homem agarrou-a pelo braço. A luta que se seguiu foi exatamente como a descrevera, mas rever tudo assim de fora estava sendo doloroso para ela. Sem perceber, apoiou-se em Snape, que se aproximara para tentar ver o rosto do comensal.
Quando ele caiu sobre a jovem, a luz verde estourando em seu corpo, seu rosto se contorceu de surpresa e pavor, antes de morrer. A garota permaneceu sob seu peso, meio inconsciente, mas não chegou a perceber o que ocorreu em seguida: Dois bruxos aparataram, olhando ao redor. Um deles viu o corpo de Tiago e correu até ele.
- Chegamos tarde! – exclamou com tristeza – Está morto... Deus, como parece com o Sirius! O “velho” tinha razão.
Mas o outro caminhara direto para o corpo do comensal. Só ao virá-lo, é que viu Regina caída, e exclamou:
- Por Merlim! – ele viu que a moça ainda segurava a varinha, enterrada no corpo do bruxo – Ela o matou com a própria varinha! – balançou a cabeça, quase sorrindo.
- Vamos, temos que levá-lo. Os trouxas vão chegar logo! – o outro se aproximou, avaliando toda a situação. Com um toque de varinha, fez desaparecer seus capacetes. No chão, criou uma mancha de óleo, demonstrando um certo conhecimento do mundo trouxa.
- Pronto – exclamou – Quem chegar vai achar que ele perdeu o controle por causa do óleo e bateu com a cabeça.
- Temos que alterar a memória dela. Ainda não podemos levá-la. É perigoso demais. Há comensais por toda a parte, agora.
- Acho que não será preciso... – ele a examinou – está desmaiada e vamos levar o corpo conosco. Se contar alguma coisa, vão pensar que está em choque... delirando.
- Mas, e se outros tentarem encontrá-la? – o segundo bruxo estava apreensivo.
O outro revistou os bolsos do comensal morto, enquanto Snape,invisível a eles, examinava seu rosto atentamente, com expressão de reconhecimento, afinal. O bruxo retirou do bolso das vestes o que estivera procurando: a chave de portal, um pequeno camafeu de prata.
- Levaremos conosco. Já sei exatamente onde escondê-lo. Nenhum deles conseguirá chegar até ela de novo.
Concordando com um gesto, eles pegaram o corpo do comensal morto, limparam qualquer vestígio de sua presença, e desaparataram.
A jovem permaneceu caída no chão, gemendo baixinho, até que alguém abriu uma janela, e deu um grito. Logo, a rua se encheu de gente, e uma sirene não tardou a se fazer ouvir. Alguém reconhecera os jovens e correra atrás das famílias, a poucas quadras dali.
- Já é o bastante. Dumbledore disse, e os três saíram da penseira.

Regina tremia dos pés à cabeça, como se tivesse febre. Mas ainda encontrou forças para perguntar:
- Conseguiu... descobrir quem era ele?
- Sim – Snape respondeu, mas não pareceu satisfeito – Era um dos comensais mais próximos e mais antigos do Lord das Trevas, que fazia o serviço sujo que ele não queria fazer pessoalmente, mas não mandava qualquer um. Julgávamos que tivesse sido morto em um confronto qualquer. Apareceu morto, jogado na Travessa do Tranco. Não era grande coisa, mesmo antes de se tornar um comensal, por isso ninguém fez muitas perguntas a respeito.
- E ... os outros dois?
- Eram os Prewet. Irmãos de Molly Weasley. Eram da Ordem, mas não me lembro de tê-los mandado em alguma missão de resgate – Dumbledore esclareceu – O “velho” a quem se referiram não sou eu.
Então, mais um mistério se apresentava. Os Prewet estavam mortos, e se o velho era o mesmo de que o comensal falara, também estava morto.
- Continuamos na estaca zero – Regina retrucou, cansada.
- Não exatamente. – Dumbledore sorriu estranhamente – Sabemos agora com certeza que a chave de portal que levou até você foi parar na casa de Molly Weasley. Era uma jóia, um camafeu. Seus irmãos podem ter dado a ela de presente, um disfarce quase perfeito. E Rony pode ter pego por engano, com outras intenções – ele piscou – sem saber que era uma chave de portal.
- Mas por que? – ela indagou.
- Voldemort a queria, por algum motivo. – Dumbledore suspirou – Isso ficou muito claro. E pode tentar de novo, agora que retornou. Por isso, teremos que mandá-la de volta em segurança, e tratar de escondê-la com mais cuidado do que foi feito antes. Não interessa mais quem o tenha feito.
- Acho que o senhor tem razão – ela suspirou – Posso ir, agora?
- Você está bem? – Snape perguntou, e ela constatou surpresa, a preocupação em sua voz.
- Estou, obrigada. – ela sorriu o mais tranqüilamente que conseguiu e, pedindo licença, se levantou. Da porta, pareceu se lembrar de algo, e perguntou, hesitante:
- Professor, a menina... que o senhor disse antes, o senhor sabe qual era seu nome?
- Ariadne...
- Nome de constelação... – ela comentou.
- Sim. Era uma Black.
Esta informação caiu como uma bomba sobre ela. Fitou-os sem saber o que pensar. Depois olhou para o retrato de Fineus Nigelus, que agora a fitava sem disfarces, e exclamou num sussurro:
- Que pena que não sou eu, realmente! Gostaria muito de ter ganhado um tataravô. – e saiu, fechando a porta de mansinho.
Os dois bruxos permaneceram em silêncio, e nenhum deles notou que o ocupante do retrato se ausentara.

Depois de trocar mais algumas impressões sobre o que viram, Snape e Dumbledore deram o assunto por encerrado, mais uma vez sem uma decisão clara a respeito.
Snape desceu para seus aposentos, também estava cansado. Mas, no meio do caminho, parou. Não estava inteiramente tranqüilo, sentia-se inquieto. Foi para a sua sala. Lá, reviu as anotações que fizera de tudo que investigara. Mas sabia que não era aquele tipo de dúvida que o incomodava...

Decidido, deixou a sala e rumou direto para o quarto de Regina. Parado à porta, escutou. O silêncio era absoluto. Não... podia ouvir alguma coisa. Seriam soluços? Sem pensar em regras de educação, abriu a porta e entrou. Mas ela pareceu não ouvi-lo. Chorava, sim, a face enterrada nos travesseiros. Estava descoberta, e como vestia apenas um roupão, como se tivesse tomado banho e desistido de se trocar para dormir a meio caminho disso, suas pernas estavam totalmente à mostra. Snape tentou não pensar nisso. Já se sentira abalado demais ao vê-la à vontade em sua casa, ombros e pernas bronzeadas de foraou dançando daquela maneira, na primeira vez que visitara suas lembranças. E, nessa noite, quando ela se apoiara nele, buscando forças para assistir de novo a tudo aquilo, ele quase não conseguira se concentrar no que tinha que fazer. Mas não! Não podia deixar sua mente se perder, imaginando que ela não usava nada além daquele roupão. Não podia se envolver desse jeito! Não, enquanto não tivesse todas as respostas.

Mas se enterneceu ao ver que ela sofria. Aproximou-se devagar, tentando não assustá-la, o que foi inútil. Ao perceber sua presença, ela quase deu um pulo e fitou-o, confusa e amedrontada, o rosto banhado em lágrimas. Ele não pôde deixar de sorrir, embora tristemente.
Mas Regina interpretou mal seu sorriso, fragilizada como estava, e recuou ainda mais, encolhendo-se como uma criança, abraçando os joelhos.
- Você tem mesmo, medo de mim. – era uma constatação.
- Não é o que você queria? – a voz dela era um fiapo quase inaudível.
Ele se sentou na cama, ao seu lado.
- Mas não pareceu, agora há pouco...
Ela estremeceu, involuntariamente. Sabia a que ele se referia. Apoiara-se nele, ao ver Tiago morrendo mais uma vez à sua frente.
- Então, tenho ou não direito de ver os testrálios, agora? – ela tentou brincar, para desviar sua atenção, pois acabava de descobrir que a única coisa que não superara com relação ao ocorrido era a raiva por não entender os motivos. A ferida já cicatrizara, afinal, eram vinte anos! E seu coração reclamava por isso, por ter se forçado a ficar só.
Essa descoberta a incomodou. Queria continuar segura na saudade, ou do contrário só iria sofrer outra vez.
- Por que? – a voz de parecia vir de longe.
- Hein?
- Por que você acha que vai sofrer outra vez? – ele fizera de novo. Aqueles olhos negros haviam penetrado os seus, acessado seus sentimentos com a facilidade de quem lê um livro aberto sobre a mesa.
Regina suspirou. Não adiantava, concluiu. Tinha que reconhecer o que sentia, mesmo que já o tivesse feito abertamente, mas não fora levada a sério. Então, respirou fundo e falou:
- Porque terei que ir embora, agora mais do que nunca. Se tenho alguma importância para Voldemort, não posso ficar aqui e comprometer a todos, a Harry, a você em sua tarefa... E não adianta sonhar em ter alguém por um tempo tão pequeno, se vou ser privada de sua presença para sempre, de novo!
- Quem disse isso?
Ela deu de ombros, baixando os olhos. Será que ele não entendia? Estava no tempo errado. Estava ali numa variação de tempo e espaço que nem Einstein poderia explicar. Ao voltar para seu mundo, a porta teria que ser selada, para sua segurança e de todos ali. E ainda havia a guerra, da qual ainda não sabia o final. E se todos morressem? E se ele morresse? Lembrou-se do velho pesadelo. Uma luz pareceu clarear sua mente.
- O pesadelo... Era uma premonição... o fim da guerra. Voldemort derrotado, mas até lá, muitos terão perdido suas vidas. Talvez até você... Há esse boato nos fóruns, de que você arrisque novamente sua vida para ajudar o Harry a derrotar Voldemort, e não sobreviva...
- E isso... te incomodaria? – ele insistia, como se precisasse ouvir sua voz para confirmar o que já “lera” em sua mente.
Ela o fitou. Seus olhos brilhavam, mais uma vez contendo lágrimas teimosas.
- Você sabe que sim... Eu... amo você. – ela desistiu de tentar lhe negar isso.
Amava intensamente sua teimosia, sua arrogância, via um homem capaz de amar e ser amado atrás daquela máscara de intolerável. E talvez, se não o amasse tanto assim, nem estaria ali, continuaria em seu mundo normal e seguro, longe do seu olhar.

Ele tocou seu rosto com surpreendente suavidade. Gostaria de poder lhe dizer algo que a convencesse de que não era uma boa coisa amá-lo, mas não conseguiu. Estava só há muito tempo, também.
Por motivos diferentes de Lupin, sempre se negara a se envolver, por ter constantemente uma espada sobre sua cabeça. Já vira homens morrerem, famílias serem dizimadas, sem piedade, por um simples capricho do Lord das Trevas. E sabia que não escaparia dele por muito tempo, por mais que Dumbledore o protegesse. Por isso, não tinha ninguém, não queria ninguém sofrendo por ele.
Porém, os olhos que o fitavam agora, inundados de lágrimas, lhe falavam que ele podia ser um homem como qualquer outro, com sonhos e... desejos.
Tentou convencer a si mesmo que aquela paixão era apenas fruto das circunstâncias que tinham vivido, compartilhando lembranças tão fortes, enquanto segurava seu queixo trêmulo e aproximava o rosto do seu lentamente, e a beijava, a princípio docemente, mas depois com paixão crescente ao ver que ela correspondia, abraçando-o. E, pela primeira vez em décadas, enquanto se inclinava até se deitar sobre seu corpo morno e macio, se permitiu esquecer quem ou o que era, para ser apenas o que queria ser naquele momento: um homem apaixonado pela mulher em seus braços.
Last edited by Regina McGonagall on 03/04/07, 10:47, edited 3 times in total.
Regina McGonagall
Ministra da Magia


Image
***
Clique aqui para me mandar uma coruja

RPG
Narração
Fala
Pensamento
Outros personagens


Image
User avatar
Éowyn & Tonks
Conhecendo A Toca
Conhecendo A Toca
Posts: 208
Joined: 08/01/05, 15:07
Location: Entre o Lupin e o Faramir :P
Contact:

Post by Éowyn & Tonks »

Ainda bem que insisti!
Esse é um dos capítulos mais lindos! Snape apaixonado é lindo!! :palmas
Image
Minha fic: http://www.floreioseborroes.net/menufic.php?id=6555
AKAMARY LUPIN -- A BOA FILHA À CASA TORNA... MIL PERDÕES PELO SUMIÇO
User avatar
Regina McGonagall
Ministra da Magia
Ministra da Magia
Posts: 1023
Joined: 05/01/05, 15:56
Sexo: Feminino
Estado: MG
Location: Ministério da Magia, claro!

Post by Regina McGonagall »

Capítulo 9 – Conversas curiosas

Na manhã seguinte, Regina só tinha certeza de uma coisa: passara uma noite de sonho. Porque o dia se iniciara igual a todos os outros, com as mesmas dúvidas e receios em sua mente. E mais um motivo de inquietação...
Para piorar, encontrou um Snape de rosto impassível à mesa do café. Será que se arrependera do que fizera ou dissera? Não que ele tivesse dito muita coisa, ela pensou, com um sorriso amargo. Apenas... a fizera mergulhar num redemoinho de paixão e desejo. Esperando que não tivesse corado, e que ninguém tivesse notado o tremor com que levou a xícara aos lábios, esforçou-se para ser racional, fingindo não perceber intensamente o homem sentado ao seu lado (seu lugar à mesa continuava a ser entre ele e McGonagall). Nunca fora de demonstrações públicas, mesmo! Somente quando a “tia” a repreendeu gentilmente por já ter se dirigido a ela sem resposta por três vezes, é que percebeu o quanto estivera alheia a tudo.
Desculpou-se em voz baixa e sorriu para a bruxa, a quem tinha tanto para agradecer, ouvindo com atenção o que ela tinha a lhe dizer. Minerva estava agindo com ela como uma verdadeira mãe. Só sentia por não poder abrir-se totalmente com ela, ainda mais agora.
- Estou agindo como adolescente! – pensou, com raiva de si mesma.
- Certamente! – o homem ao seu lado murmurou de repente, mas ninguém mais pareceu ouvir.
- Se eu não achar hoje ainda um manual de oclumência em 5 lições naquela biblioteca, juro que vou ter um troço!
- O que disse, minha filha? – Dumbledore a fitava de um jeito engraçado.
- Meu Deus, ele sabe! – ela baixou os olhos, envergonhada, fingindo examinar as bordas pintadas de seu pires. Ao levantar os olhos, porém, viu compreensão e simpatia em seus olhos, e se viu obrigada a relaxar.
- É que... não me acostumei inteiramente com... algumas coisas. Mas acho que não terei tempo de fazê-lo, mesmo.
- É verdade. Acredito que gostaria de saber que nosso amigo Arthur Weasley me enviou uma coruja, dizendo que o nosso objeto já está em estudo, e que breve teremos respostas satisfatórias, espero. – ele sorriu de modo enigmático.
Ela concordou com um aceno de cabeça, mas não conseguiu comer mais nada. Sabia que Dumbledore se referira à chave de portal que levara os dois jovens até ela.

Dali a pouco, caminhava lentamente, mãos nos bolsos das vestes, olhos no chão à sua frente. Nunca se cansava de admirar a paisagem à sua volta, mas nesta manhã nada a atraía, além do turbilhão em seu coração. Saíra do salão a tempo de ver Dumbledore chamando o professor de poções para uma conversa. Será que eles estariam falando dela, agora?
Ela ficara muito tempo só, evitando se envolver, achando que a saudade de Tiago sempre seria um escudo forte o suficiente para mantê-la a salvo de um sentimento mais forte. E fora assim por muitos anos, mas parecia não funcionar mais. Nunca levara a sério sua “preferência” por Snape, mas se apaixonara, primeiro pelo sonho que, pela impossibilidade de se realizar, parecia seguro e se refugiara nele, depois, inevitavelmente pelo homem real, de forma mais profunda do que imaginara possível ao vê-lo pela primeira vez.

E agora? O que tinha conseguido? Viver uma noite mágica, se entregando de corpo e alma a um homem de quem talvez lhe fosse tirada até a lembrança... Não! Não permitiria que lhe apagassem ou alterassem a memória. Levaria consigo pelo menos isso... mas não seria pior, lembrar? Pelo menos, pensou, poderia escrever a mais louca de todas as fanfics já editadas, e ninguém lhe daria crédito mesmo! Afinal, ele era um personagem de ficção, para todas as pessoas que conhecia, até virtualmente. Não era aquilo tudo também uma espécie de mundo virtual? Uma realidade alternativa? Talvez seus amigos até pensassem que tivesse tomado alguma droga...
A idéia chegou a diverti-la. E imaginou-se sentada à frente do computador, tentando convencer a autora dos livros, por um email, que estivera com os heróis verdadeiros de sua saga... Ou podia convencê-los a deixá-la em Londres, assim, pegaria um trem para Edimburgo e iria falar com Joana, pessoalmente.
- Você não nos disse que ela mora em Edimburgo.
A voz de Snape, bem ao seu lado, a fez pular de susto.
- Você podia parar de fazer isso!
- O que? – ele perguntou com voz sonsa
- Entrar na minha mente o tempo todo! Eu tenho direito a alguma privacidade, ou não? – ela o fuzilou com o olhar.
- Você não está brava por causa disso. – ele afirmou, um sorriso zombeteiro – Você está brava, porque agi como se não tivesse acontecido nada entre nós.
- Ah, você notou, Sr. Perspicácia? Então, aconteceu mesmo alguma coisa, eu não sonhei que a gente estava... – ela conseguiu falar, e recomeçou a caminhar, desta vez mais rápido, mas ele a seguiu.
- Bem típico das mulheres... Não conseguem entender a necessidade de ser discreto em certas situações.
- Sei... – ela piscou, tentando não chorar de raiva e impotência. Sabia que, de certa forma, ele tinha razão – mas podia, pelo menos, ter me acordado antes de sair, sorrateiro como um ladrão, e dizer: olha, é mais seguro a gente fingir que eu continuo não dando a mínima se você está viva ou morta.
Ele deu uma sonora gargalhada que a feriu fundo. Depois a olhou, muito sério. Segurou-a pelo braço, conduziu-a até um tronco onde a fez se sentar e segurou suas mãos.
- Me perdoe. – sua voz não tinha nenhum traço de ironia – Não sei como lidar com isso, tanto quanto você. Mas precisamos ser cautelosos, sim, e não preciso explicar os motivos. Prometo não ser tão...
- Odioso?
- Que seja! – ele sorriu, com certa tristeza – Os outros, até mesmo Minerva, não entenderiam. E eu poderia estar colocando-a em um risco maior do que já vive.
- Ou a si mesmo – ela completou – à sua preciosa reputação!
- Do que afinal, você está falando? Só quero preservar você. O que aconteceu... foi um erro, afinal. Eu devia ter evitado, mas... você não ajudou muito, não é? – ele não conseguiu deixar de ser irônico – e eu não sou de ferro, mulher!
- Está bem, está bem! – ela se sentiu envergonhada, apesar de revoltada por ele querer responsabilizá-la, típico dos homens – Eu pedi isso, não foi? Confessei que amava você, demonstrei o quanto queria ficar com você, nem que fosse uma vez só. Praticamente implorei que você dormisse comigo, não foi? Pode deixar – ela soltou um longo suspiro – Vou me controlar, eu prometo. Se era capaz disso na adolescência, porque não agora?
- Eu não gosto disso. – ele disse, seco.
- Do que?
- De você se lembrando dos... homens de seu passado.
- Severo Snape, ciumento? Eu devia ter imaginado! – ela riu, não conseguindo refrear a vontade de tratá-lo com ironia – Exclusividade total, até nas lembranças... só por isso, você não vai me aplicar um obliviate, quando me levar pra casa!
- Exatamente! – ele a olhou, o rosto novamente marcado pela amargura e frieza costumeiras – Bem, tenho mais o que fazer, não posso ficar aqui discutindo com você como se fôssemos... duas crianças.

Ele se levantou de um salto e começou a fazer o caminho de volta para o castelo. E Regina ficou com a impressão de que ele ia dizer outra coisa. Suspirou, desanimada, observando-o se afastar. Mas não conseguiu deixar de comparar o que vivia agora com o que vivera no passado. Ela e Tiago haviam construído uma camaradagem agradável, antes mesmo de se envolverem mais intimamente. Andavam abraçados com naturalidade, ele sempre assumia uma atitude protetora. Mas seu temperamento era diferente, era expansivo, aberto, franco. E ela se sentia acolhida, segura, e pudera aprender a vencer suas inibições. Ele a incentivara a dançar, ele a estimulara a se vestir como gostava, não importasse o que os outros diriam. Haviam começado a namorar por mera casualidade. Um dia, sem querer, conversando no portão na volta pra casa, ele a fitara de um modo diferente e a beijara...

Não. Não podia esperar nada disso de uma relação com Snape. Já eram maduros, não podiam agir como crianças impressionadas e impulsivas. Haviam querido aquilo, sentiram-se atraídos, só isso. Uma noite, apenas isso. Ela não poderia querer que ele agisse como um adolescente apaixonado. Ainda mais que não combinava em nada com o comportamento habitual dele, o eterno professor exigente e mal humorado, versão viva do próprio nome. Caminhar de mãos dadas ou trocar bilhetinhos estava fora de cogitação. Ainda mais com alguém como Lord Voldemort em seus calcanhares...

Tão absorta estava em seus pensamentos, que se assustou ao perceber o som de cascos se aproximando. Era Firenze. Ela o tratava sempre com respeito e deferência. Sabia do orgulho da raça, mas não era só por isso. Ele era um ser imponente, sem dúvida alguma.
Embora se julgasse incapaz de uma conversa razoável no momento, ouviu-se perguntando:
- Como vão as coisas, Professor Firenze?
- Como devem ser, senhorita. Como sempre.
Ela suspirou.
- Os centauros conhecem a arte de prever o futuro... O senhor pode prever uma solução par mim? – ela suspirou, desanimada antes mesmo de ouvir a resposta, que provavelmente viria em charadas.
- Tudo já está determinado. Mas a senhorita precisará de sabedoria para reconhecer o que está em suas mãos mudar.
- Eu sei... – ela sorriu – Mas não é fácil.
- Se fosse fácil, seríamos joguetes do destino, apenas.
Ele se afastou, contornando o lago, mantendo ainda distância da floresta.
A conversa não melhorara seu estado de espírito, então, desanimada, Regina se ergueu e voltou para o castelo. Passou a maior parte do dia na biblioteca, mas o tão sonhado manual de oclumência não foi encontrado.

Só saiu de lá pouco antes do jantar, caminhando meio sem destino pelo castelo.
No corredor no segundo andar, deu de cara com a Murta que Geme, flutuando à porta do banheiro das meninas. A menina-fantasma lhe disse, simplesmente:
- Eu vi você por aí. Ouvi histórias. Bem interessantes!
- Eu também ouvi histórias sobre você – Regina sorriu.
As duas caminharam juntas pelo corredor, isto é, Regina caminhou, pois a outra flutuava trinta centímetros acima do chão.
- Por que você permaneceu na escola? Poderia ter ido para outro lugar?
- Poderia, mas gosto daqui – Murta deu de ombros – e não me queriam em “outro lugar”.
Regina sentiu pena, mas sabia o quanto a outra era sensível, por isso comentou, apenas:
- Eu sentiria falta dos meus amigos. Pelo menos de alguns.
- Também sinto, às vezes. Principalmente da Dri. Mas já morreu, eu soube. Só que não virou fantasma, como eu. Ela se parecia um pouco com você...
- É mesmo? Que interessante... Vocês estudaram juntas?
- Não, ela veio pra cá depois. Mas quando descobriu que o meu banheiro estava sempre vazio, passou a se esconder lá, quando queria ficar sozinha para ler ou estudar. Ela gostava de escrever histórias, e as lia pra mim. Era muito romântica! – Murta a olhou pelo canto do olho - Afinal de contas, você é bruxa ou não é? – perguntou de repente, com voz irônica.
- Sinceramente? Nem eu sei mais. Umas coisas, posso fazer, outras não. Estou numa fase confusa, até parece que tenho de novo 15 anos.
- Por que você não estudou aqui?
- Porque vivia em outro país.
- Se você tivesse vindo pra cá, teria estudado com ele. Mas não teria mais chance do que tem agora.
- Do que você está falando?
- Do Professor Snape, claro! Os fantasmas sabem das coisas...
E sem esperar que Regina respondesse a isso, atravessou a parede ao lado e sumiu.
Regina não pôde deixar de rir de si mesma: filosofando com um centauro, proseando com um fantasma... quem acreditaria em tudo isso?

Resignada, se encaminhou para o salão principal.
Snape não estava lá e ela imaginou se não estaria em alguma missão para a Ordem. Lembrou-se do que havia lhe dito na noite anterior e suspirou. Tinha que manter o pensamento longe dele. Forçou-se a prestar atenção na conversa dos professores. Riu das histórias engraçadas de Flitwick, sorriu para todos e, ao final do jantar, recolheu-se ao seu quarto sem que alguém percebesse que estivera mais calada do que o habitual.
Tomou um longo e relaxante banho, agradeceu mentalmente a Tonks por ter lhe mandado a coleção de camisetas, por mais extravagantes que lhe parecessem e trançou os cabelos. Olhando-se no espelho, a camiseta larga indo quase nos joelhos, em forte tom de laranja com a estampa de uma coruja na frente, a longa trança caindo de um lado e os pés escondidos em gordas pantufas de pele que Hagrid lhe fizera, parecia uma garotinha travessa.
- Alice no país do espelho? Ou das maravilhas?Nem tão maravilhosas assim... – ela riu para seu reflexo, depois fez uma careta e foi se deitar.
Apesar de imaginar que não conseguiria, dormiu assim que colocou a cabeça no travesseiro. Não tinha como saber que Madame Pomfrey borrifara por ali um pouco de poção do sono, preocupada por saber que ela “não dormira bem”.
Entretanto, isso não a impediu de acordar, assustada, sentindo um toque em seu rosto.
- Você precisa parar de se assustar assim ao me ver – Snape sorria, mas tinha um ar cansado.
- E você podia para de invadir assim o meu quarto! – ela retrucou no mesmo tom.
- Ah, isso é fácil! É só você se mudar pro meu. Vai me poupar muito trabalho.
- E onde foi parar toda aquela conversa sobre ser discreto e manter as aparências, que os outros não entenderiam?
Ele sacudiu a cabeça, exasperado, e segurou seu rosto com as mãos.
- Estamos perdendo tempo, mulher! E tempo é tudo que não temos! – e começou a beijá-la, indiferente aos seus protestos que, afinal, nem eram tão veementes assim.

Regina acordou, antes do amanhecer, e ele ainda estava ali, dormindo ao seu lado, suas vestes negras caídas ao lado da cama. Seu braço a prendia junto ao seu corpo. Ela olhou para ele, detidamente. Assim, relaxado, dormindo, até que tinha os traços bonitos. Não pôde deixar de pensar na paixão que os dominava quando estavam ali, juntos e sem qualquer barreira entre eles. Mas... e se ele a visse apenas como um objeto de desejo, um corpo de mulher à disposição para satisfazer sua necessidade de sexo, nada mais que isso? O que ela poderia fazer?
- Me atender sem reclamar, como toda escrava decente atende ao seu senhor – a voz zombeteira e rouca a fez tremer, mas de raiva – e é óbvio que não teria motivos, mesmo, porque sei que gosta do que fazemos... e como fazemos! – seu olhar era quente e maldoso – Por falar nisso, vou providenciar algo para marcá-la como tal...
Como ele estava bonito, com aquele ar malicioso e relaxado! Sabia que a estava provocando, mas não ia deixar por menos.
- Como você se atreve... – ela perdeu o fôlego, com um beijo inesperado, mas voltou à carga – Por que você continua fazendo isso?
- Porque você permite, ou quer que eu o faça. Não entendo bem, não me lembro de ter acontecido antes...
- Mas eu, sim - ela não conseguiu evitar de se lembrar.
Com Tiago, sempre acontecia: ela pensava, e ele chagava segundos depois, perguntando “chamou, chamou?” com ar brejeiro, imitando um personagem da tv. Eles nunca precisavam de palavras para se entender... Mas Snape não gostou de vê-la pensando no outro.
Sem ao menos olhar pra ela, levantou-se e começou a se vestir.
- Severo... – ela entendeu – me perdoe! Não tive a intenção...
- De dormir com um homem e acordar pensando em outro? – ele retrucou, entre dentes.
- Você sabe que não é nada disso! – ela escorregou da cama para o chão, abraçando-o pelas costas e sentindo ele se retesar – Por favor! Você sabe que eu amo você, ou nem estaria aqui, pra começar...
Ele se virou, e não pôde deixar de admirá-la de alto a baixo, deixando-a constrangida por perceber que se esquecera de que estava completamente nua.
Isso pareceu diverti-lo e desarmá-lo. Abraçou-a gentilmente, acariciando-lhe as costas. Depois, puxou a manta sobre a cama e a enrolou nela, como se fosse uma criança.
- Ainda está cedo, durma mais um pouco. Tenho coisas a fazer... Só te esperei acordar por que não queria vê-la reclamando como uma esposa encrenqueira... Mas vou lhe mostrar que não quero só o seu corpo, embora seja muito bom ficar aqui com você e esquecer que tem uma guerra me esperando lá fora.
Ela olhou pra ele, sem entender.
- Preciso de sua ajuda, está bem? Vou sair, mas quando voltar, tenho algumas coisas para ajeitar em minha sala. Levantamento de ingredientes e poções, suprimentos para o ano letivo. Vou abusar de seus dotes... como secretária eficiente e ligeira, quero dizer. Tenho ouvido muitos elogios a isso! – ele sorriu, ainda daquele jeito malicioso, beijou-lhe os cabelos e saiu, fechando a porta com cuidado.
Last edited by Regina McGonagall on 03/04/07, 10:59, edited 1 time in total.
Regina McGonagall
Ministra da Magia


Image
***
Clique aqui para me mandar uma coruja

RPG
Narração
Fala
Pensamento
Outros personagens


Image
User avatar
Éowyn & Tonks
Conhecendo A Toca
Conhecendo A Toca
Posts: 208
Joined: 08/01/05, 15:07
Location: Entre o Lupin e o Faramir :P
Contact:

Post by Éowyn & Tonks »

- De onde você tirou isso? – sua voz rouca e baixa, como se ele segurasse para não gritar com ela, a fez se sentir ainda mais tola. Por um momento, misturara às próprias inseguranças todas as fantasias que lera em fics malucas sobre ele.
Ele a olhava, sem entender aquela explosão emocional, mas falou novamente com voz neutra:
- Só quero preservar você. O que aconteceu... foi um erro, afinal. Eu devia ter evitado, mas... você não ajudou muito, não é? – ele não conseguiu deixar de ser irônico – e eu não sou de ferro, mulher!

Essa cena, para mim, é uma das partes mais lindas da fic inteira!! :cry:
Image
Minha fic: http://www.floreioseborroes.net/menufic.php?id=6555
AKAMARY LUPIN -- A BOA FILHA À CASA TORNA... MIL PERDÕES PELO SUMIÇO
User avatar
Carol&Oliv
Recebendo a visita de Hagrid
Recebendo a visita de Hagrid
Posts: 25
Joined: 19/02/05, 19:06
Location: Curitiba

Post by Carol&Oliv »

Nossa adorei sua fic
Mto legal....diferente
Pena que eh co Snape (odeio ele hehe) mas mesmo assim!!
Showww
*M.S.H.G.B* / / *M.E.O.P.*
*MARRENTA 4EVAH :emo5: *
User avatar
Regina McGonagall
Ministra da Magia
Ministra da Magia
Posts: 1023
Joined: 05/01/05, 15:56
Sexo: Feminino
Estado: MG
Location: Ministério da Magia, claro!

Post by Regina McGonagall »

Este é o capítulo que mais gosto... pois faço uma homenagem explícita à minha querida Mestra Fátima Carretero (quem for de BH já deve pelo menos ter ouvido falar de Los Del Rocio e do La Taberna). Quem achar que fica mais fácil, pode imaginar que as músicas são do Gypsy Kings, mas as instrumentais como "kaena" e "duende" ou "inspiración"

===========================================
Capítulo 10 – Dança Precisa

Uma nova semana passou tão rápida, que Regina nem acreditou que já estava há cinco dias trabalhando incansavelmente nas masmorras, que lhe pareciam ainda mais sombrias e frias do que imaginara. Mas Snape cumprira o prometido. Realmente, abusou de sua experiência como secretária. Mantendo-se frio e distante quase o tempo todo, e exigente, a ponto dela sentir saudades de alguns chefes terríveis que já tivera. Ele era organizado com potes e frascos, principalmente as substâncias perigosas, mas a tal “burocracia”... Depois de concluir as notas dos NOM´s e NIEM´s, ele não fizera mais nada. Então, havia notas de todas as outras turmas para lançar nas pastas individuais, principalmente dos que passavam agora para o 5º ano. Regina constatou, satisfeita, que as notas de Gina eram excelentes, apesar da “implicância” do professor. Havia também listas de ingredientes a serem repostos, frascos a serem rotulados e, embora sem o recurso da magia ou de um computador e uma impressora – ele pensou nisso com extremo pesar – Regina deu conta de tudo.
E, todas as noites ele a procurara, em atitude completamente diferente da que mantinha durante o dia, às vezes mais cedo, às vezes mais tarde, já quase de manhã. E, dizendo em tom de brincadeira, que não podia desperdiçar seus outros talentos, a carregava mais uma vez para dentro de um vendaval de paixão e desejo.
E as semanas seguintes se passaram no mesmo ritmo. Mesmo com o trabalho concluído, Snape sempre parecia ter um motivo para querê-la em sua sala, gostava de por à prova seu “conhecimento” sobre poções, se admirara ao descobrir que ela andara consultando todos os livros possíveis na biblioteca, ou que aproveitara a convivência com os outros professores para perguntar e se instruir. Mesmo quando se ausentava por um dia ou dois, ao voltar, a procurava em seu quarto. E Regina chegou a se acostumar a acordar à noite, com seu braço sobre ela, possessivamente, a mão descansando entre suas pernas ou sobre seus seios. Aí, invariavelmente, fazia um movimento lento para sair de seu abraço, mas ele acordava, começava a acariciá-la, e ela esquecia qualquer pensamento ou intenção de se afastar, de não se deixar dominar por aquela paixão tão abrasadora.

Agora, só faltava um fim de semana e pronto: um novo ano letivo se iniciaria. Enquanto tomava seu café, na verdade, apenas um copo de suco de abóbora, ultimamente não conseguia ingerir mais do que isso, Regina suspirou, observando o teto enfeitiçado. O dia lá fora estava longe de ser um lindo dia. Uma chuva forte caía, impedindo-a de seu passeio matinal. Em algumas manhãs, ela até que não se importara, usando uma capa que Madame Hooch gentilmente impermeabilizara para ela. Nessas ocasiões, lembrava-se das manhãs em que caminhava praticamente sozinha na praça, pois seus companheiros habituais, em sua maioria idosos, ficavam em casa quando chovia. Mesmo os mais jovens não se aventuravam a se molhar. Então, sua única companhia parecia ser aquele cachorro engraçado, cambota, que ela se divertia chamando de Bichento como o gato da Hermione. E imaginava mil coisas, divertida. Mas, com aquela verdadeira tempestade rugindo, seria impossível.
Estava ainda mais aflita nesta manhã, precisava se exercitar. Snape saíra antes mesmo do dia clarear, e ainda não voltara. Não queria ficar pensando nisso, não podia entrar nesse ritmo. Tinha que ser quase uma... Mortícia Adams! Lembrar-se da bruxa da famosa comédia, dançando com seu marido Gomes, deu-lhe uma idéia. Dirigiu-se, hesitante, a Dumbledore:
- Professor, eu poderia lhe pedir um favor?
- Claro, até imagino o que seja! – ele piscou seus olhos profundamente azuis – Você quer um lugar para se exercitar, não é verdade? Notei que o tempo não está exatamente propício, hoje.
Ela sorriu. Com ele, não se incomodava por ser “como um livro aberto”.
- Pedirei a Dobby que lhe mostre aquela adorável sala do sétimo andar. É o mínimo que podemos fazer pra lhe agradecer por essas últimas semanas.
- Como assim? – ela piscou, sem entender.
- Bem – o velho riu ainda mais ao ver que os outros assentiram com a cabeça, mas olhavam para ela disfarçando a curiosidade, quando terminou de falar – Nosso professor de poções anda um pouco mais... sociável, podemos dizer. Está menos carrancudo, menos intratável, e sabemos que não é só pela ajuda que tem lhe prestado no seu escritório...
Regina quase entrou para debaixo da mesa, ao perceber o olhar dos outros professores, espanto, curiosidade e até um pouco de censura. Então, eles haviam percebido o que acontecia! Mas não era uma adolescente, era uma mulher adulta e responsável por seus atos, dos quais não precisava se envergonhar. Mas não disse isso em voz alta. Só pensou, baixando os olhos.
- Devo dizer, minha cara, que é uma pena que em breve precise partir. E temo que ele fique ainda pior do que era depois disso, o que vai nos fazer sentir muito a sua falta, garanto.
O significado daquelas palavras a atingiu como um raio. Então, ele já sabia como mandá-la de volta! E isso seria em breve! Mas Dumbledore continuou, aparentemente alheio ao seu desespero crescente:
- Estou apenas aguardando Moody... – ele olhou para a porta – Ah, olha ele aí!
O bruxo se aproximou com o toc toc da perna de pau ecoando entre as mesas das casas. Sentou-se ao lado de Dumbledore, e conversou com ele em voz baixa, sem se preocupar em ser educado ou cortês com os outros. Mas ninguém ligou. Todos conheciam Alastor “Olho Tonto” Moody muito bem para se importarem com isso.
Dumbledore se retirou da mesa, antes de dizer a Regina que mandaria chamá-la depois, e foi seguido por Moody. Ela ainda não se recuperara da surpresa, quando viu Dobby à sua frente.
- Prof. Dumbledore pediu a Dobby que mostrasse a sala precisa. Dobby leva senhorita até lá.

Ela o seguiu pelas escadarias em silêncio, enquanto pensava que a tempestade lá fora era bem um exemplo do que lhe ia por dentro. Agora que se aproximava a hora de ir embora, não tinha certeza se era o que queria. Mas sabia que não poderia ficar, que sua presença poderia causar alguma ruptura no tempo e complicar toda a estrutura dos acontecimentos. Os alunos chegavam na semana seguinte, ela tinha só dois dias para ir embora. Provavelmente, a memória de Harry, Hermione, Rony e seus irmãos até já fora alterada para não se lembrarem dela. Os adultos sabiam manter a salvo nomes e segredos muito bem, pelo que já vira no decorrer dos livros.
- A senhorita precisa pensar com força no que quer e passar aqui em frente três vezes.
Regina assentiu, e passou a andar pelo corredor, indo e voltando, murmurando:
- Preciso do salão de dança, preciso do salão de dança... – e tentava recordar cada detalhe de sua “escuela”.
Quando a porta apareceu no meio da parede, ela deixou escapar um grito. Com a mão trêmula, abriu-a. Viu-se transportada para o lugar em que dançara tantas vezes, misto de bar e casa de shows que, durante o dia, era usado como escola de dança flamenca. Os quadros e enfeites nas paredes coloridas, as mesas baixas com velas sobre garrafas, a meia luz, o cheiro forte de madeira e vinho, tudo estava lá. Emocionada, subiu até o tablado de madeira que servia de palco, as cadeiras alinhadas em semi-círculo, onde os bailarinos e músicos se sentavam para acompanhar os números ou aguardar a vez de dançar. Lembrou-se de sua mestra flamenca, das roupas que mais gostava de vê-la usando quando dançava. Então, viu a porta no fundo do palco e foi até lá, entrando para o camarim, onde o vestido vermelho lá estava, com todos os acessórios.
- Obrigada, Dobby. É tudo que eu precisava. – voltou e lhe sorriu, agradecida.
Dobby fez mais uma de suas reverências engraçadas e se retirou, fechando a porta.

Sozinha, Regina respirou fundo, olhando ao redor. Nunca tinha visto aquele lugar completamente vazio, podia ouvir o eco das músicas e das conversas sussurradas, dos gritos de euforia após as apresentações, e isso chegava a lhe dar arrepios. Sacudiu a cabeça, determinada, e começou a se preparar, como se fosse ela a grande estrela da casa. O vestido vermelho caiu-lhe como luva, as anáguas cor de manteiga a farfalharem suavemente sob a saia ampla. O cabelo estava comprido demais, mas conseguiu prendê-lo num coque, com o auxílio de uma redinha e do pente espanhol. Pôs a grande flor vermelha na sua base, colocou os grandes brincos dourados, maquiou-se com esmero. Calçou os sapatos vermelhos, prendeu as castanholas na cintura, macias, leves, feitas de macieira como sempre quisera ter, jogou o longo xale bordado nos ombros e mirou-se no espelho. Depois de tanto tempo, era de novo apenas a bailarina flamenca. E sentia-se capaz de enfrentar o mundo daquela forma, como se a platéia lá fora não existisse. Mas lembrou-se que ninguém a assistiria mesmo, este era um show solitário...
Foi para o palco, e se concentrou. Não havia músicos, então imaginou o equipamento de som funcionando, suprindo essa “falta”. Imediatamente, o som de uma guitarra espanhola invadiu o ar, saindo das caixas de som nas paredes. Olhos fechados, ela foi acompanhando o ritmo da música indolente, sensual, crescendo gradativamente. Jogou em seus movimentos toda a confusão que sentia, deixou fluir para seus gestos toda a dor e incerteza, todo o amor que sentia condenado a ser esquecido, batendo com fúria as castanholas no ritmo de seu coração torturado por uma saudade antecipada.

Não saberia dizer por quanto tempo dançou, pois nem mesmo percebeu que não estava mais só. Um homem entrara, tirara a capa e se sentara em uma mesa a um canto, onde uma taça de vinho parecia esperar por ele. E assistira ao “show” em silêncio, extasiado, apaixonado. Mas quando, ao acorde final da guitarra, coincidindo com sua quase exaustão, ela erguera o braço e finalizara a dança, o rosto virado para o lado, o peito arfando, as palmas ecoaram por todo o salão, fazendo seu coração vir à garganta. Ergueu a cabeça e relanceou o olhar pelas mesas, detendo-se naquela ao fundo, de onde vinha o som das palmas. Adivinhou, antes de ver, quem estava lá. Snape.
Ele se aproximou lentamente, ainda batendo palmas numa cadiência mágica que a fazia fixar seus olhos negros sem conseguir se desviar. Regina permanecia imóvel, altiva, no centro do palco, as mãos unidas num lado da cintura, segurando as pontas do xale. Enfrentava seu olhar, o coração em compasso de espera, mantendo-se firme como se sua aproximação fizesse parte de um número.
Quando estavam apenas a um palmo de distância, ainda se fitando intensamente, ele falou em voz baixa.
- Agora que já dançou pra mim, quero que dance comigo. – e erguendo ligeiramente o rosto, exclamou – Música!
Para espanto de Regina, a música se fez ouvir novamente, desta vez uma melodia ainda mais sugestiva e sensual, perfeita para um “pax-de-deux”, o mais intenso que já dançara na sua vida.
Eles se aproximaram e se afastaram, sempre se fitando, um rodando em volta do outro, ora intensos, ora dolentes, até estarem testa a testa, ela segurando sua nuca, ele a retendo pela cintura. Quase se beijavam...
Mas um facho repentino de luz azul os tirou de seu “transe” e, com agilidade surpreendente, Snape a protegia com o próprio corpo, a varinha já erguida na mão e um feitiço na ponta da língua.
Mas os dois bruxos surgidos no clarão pareceram mais espantados que eles: Lupin e Tonks olharam em volta, aparentemente não reconhecendo o casal e nem onde estavam.
- Que lugar é esse? – Tonks perguntou, vacilante, a varinha também já pronta – Quem... Não! – e soltou uma gargalhada, enquanto Lupin deixava cair o braço, relaxado mas confuso.
Eles não podiam acreditar no que viam. O casal de dançarinos, por sua vez, parecia acordar de um sonho. Snape se recompôs mais rápido, perguntando com voz ríspida e cortante:
- O que fazem aqui?
- Se você me disser onde é aqui... – Lupin respondeu com cuidado, enquanto tentava reconhecer a mulher que se mantinha atrás de Snape, pálida de susto.
- Hogwarts, onde mais? Se quer saber mais precisamente, sétimo andar.
- Ah... – o outro exclamou, enquanto Tonks observava, curiosa, os detalhes da decoração, predominantemente trouxas.
Mas não tiveram tempo para dizer mais nada. A porta se abriu e dois bruxos entraram, também observando tudo com curiosidade: Dumbledore e Moody. A essa altura, Regina estava a ponto de correr para o camarim, mas parou, observando o grupo de longe. Snape já guardava a varinha e ajeitava a sua túnica, que se abrira no calor da dança, descendo do tablado e apanhando a capa sobre a cadeira, visivelmente irritado.
- Que lugar agradável! Meu irmão poderia fazer algo assim, e melhorar o aspecto daquele seu... estabelecimento. – Dumbledore comentou – Poderíamos nos reunir aqui, mais tarde, o que acham? Você conseguiria remontar este lugar, tal como agora, Regina?
Ela saiu da sombra confortável em que se encolhera, quando se vira sozinha no palco, tomando coragem para encarar os outros, que se mostraram ainda mais surpreendidos. Estava profundamente consciente de sua aparência, o vestido vermelho, o cabelo despenteado, o rosto em brasa.
- Sim... – ela disse em voz baixa – sem qualquer problema.
- Ótimo! Um jantar de despedida de nossas... férias!
Snape resmungou qualquer coisa e Dumbledore sorriu divertido. Quando Regina se aproximou, descendo do tablado, ele envolveu seus ombros paternalmente e comentou:
- Espero que não se importe em dançar para todos, após o jantar. O que acha? Será capaz de agüentar uma platéia tão... inusitada e exigente?
Ela o olhou, francamente surpreendida, mas Snape exclamava que estava fora de questão.
- Não seja egoísta, homem! – a intervenção de Moody o fez quase pular de susto. Provavelmente, o seu olho mágico vira mais do que Lupin e Tonks presenciaram.
Lupin levantou uma sobrancelha, curioso. Tonks soltou uma exclamação de entendimento e Regina quis sair voando dali. Mas, quebrando o clima constrangedor, Dumbledore perguntou a Lupin:
- Nós, Alastor e eu, sabíamos que Regina estava aqui, viemos encontrá-la para conversarmos. Eu pedi a Snape para chamá-la, mas ele estava demorando... Mas, e vocês? Como vieram parar justamente aqui?
- Era o que eu estava perguntando, quando o senhor chegou! – Snape replicou, em seu tom mais perigoso.
- Ora! – Tonks respondeu, indiferente ao clima tenso que se formava – Experimentamos a chave de portal, como nos foi pedido. Acionamos a chave, para saber onde nos levaria, e viemos para cá, direto do Ministério, da sala de Arthur. Aliás, isso pertence a...
- Obrigado, Tonks. – Dumbledore não deixou que ela terminasse. Olhou de forma significativa para Snape. Depois, para Regina.
Com um gesto, convidou a todos a sair da sala. Lá fora, pediu a Moody que o acompanhasse ao escritório, e disse a Snape:
- Dê-me alguns minutos para trocar algumas considerações com Moody, diante deste novo fato, e vá com Regina até lá – e tocando as mãos geladas da mulher ao seu lado, disse – Não se preocupe. Já temos algumas respostas.
Eles seguiram para o escritório do diretor, deixando os quatro parados no corredor. Tonks estava para dizer alguma coisa, quando Lupin a puxou, dizendo que precisavam ver McGonagall, e levou-a dali. Regina agradeceu-lhe mentalmente a discrição.
Snape continuava em silêncio, mas, ao ver que todos já haviam sumido, entrou novamente na sala e a puxou com ele. Ao fechar a porta, agarrou-a e beijou-a com sofreguidão, um beijo longo e doído.
Depois, abraçou-a, em silêncio. Ambos pareciam infelizes e cansados, e profundamente frustrados por terem sofrido uma interrupção tão brusca.
Por fim, respirando fortemente, Snape se afastou. Deixou que ela fosse se trocar e, quando ela voltou, puxando-a pela mão, seguiu para o escritório de Dumbledore.
Last edited by Regina McGonagall on 04/08/05, 11:35, edited 2 times in total.
Regina McGonagall
Ministra da Magia


Image
***
Clique aqui para me mandar uma coruja

RPG
Narração
Fala
Pensamento
Outros personagens


Image
User avatar
Éowyn & Tonks
Conhecendo A Toca
Conhecendo A Toca
Posts: 208
Joined: 08/01/05, 15:07
Location: Entre o Lupin e o Faramir :P
Contact:

Post by Éowyn & Tonks »

Também é um dos capítulos que eu mais gosto.
Como eu já te disse, você conseguiu o impossível: me fazer ficar com raiva do Lupin, que interrompeu a cena no melhor da festa!! :mrgreen:
Image
Minha fic: http://www.floreioseborroes.net/menufic.php?id=6555
AKAMARY LUPIN -- A BOA FILHA À CASA TORNA... MIL PERDÕES PELO SUMIÇO
User avatar
Zoé Magnus
Recebendo a visita de Hagrid
Recebendo a visita de Hagrid
Posts: 30
Joined: 05/03/05, 15:52
Location: Soterrada por uma pilha de livros...

Post by Zoé Magnus »

Como eu já te disse, você conseguiu o impossível: me fazer ficar com raiva do Lupin, que interrompeu a cena no melhor da festa!!
Contrariando a Mary eu cai na gargalhada. Desculpe foi impossivel naum rir ao imaginar a cara do Snape e pior a do Lupin, to rindo ate agora. Falando serio achu q o Snape nunca quiz da um fim no Lupin tantu quanto agora né? Muito boa essa fic, to achandu q c é bruxa pq agente começa a le e num consegue parar. Ate to tendo uma simpatia pelo Snape, sempre gostei dele mas achava ele frio demais.
Continu q ta BOM DI MAISSS!!! Bjux
:palmas :palmas :palmas
“Da mesma forma que tudo é mortal na natureza, pode dizer-se também que todos que amam estão mortalmente atacados de loucura”

Image

“Ergue-te o sol resplandecente, e mata a lua invejosa, que já esta fraca e pálida de dor ao ver que tu és muito mais bela do que ela própria”
Image

Image O amor é cego por isso só me convém o escuro!
William Shakespeare
User avatar
Éowyn & Tonks
Conhecendo A Toca
Conhecendo A Toca
Posts: 208
Joined: 08/01/05, 15:07
Location: Entre o Lupin e o Faramir :P
Contact:

Post by Éowyn & Tonks »

Contrariando a Mary eu cai na gargalhada. Desculpe foi impossivel naum rir ao imaginar a cara do Snape e pior a do Lupin, to rindo ate agora. Falando serio achu q o Snape nunca quiz da um fim no Lupin tantu quanto agora né?
Eheh! E nesse caso, com razão, caramba, o cara foi interromper o melhor da festa! Pelo menos, se tocou e ainda arrastou a Tonks dali pra fora! eheheh :lol:
Muito boa essa fic, to achandu q c é bruxa pq agente começa a le e num consegue parar
Eu também acho que ela é bruxa... =; e que a fic é de verdade :mrgreen:
Shhhh, Zoé, o segredo fica só entre nós duas. :emo114: Um dia a gente pega ela! ehehe :twisted:
Ate to tendo uma simpatia pelo Snape, sempre gostei dele mas achava ele frio demais.
Menina, nessa fic quase que eu gosto mais do Snape do que do Lupin, que é certinho demais!!! :mrgreen: (Ai, que agora a Regina vai me mandar um avada poderoso!!! #-o -> Depois eu explico do que eu estou falando exatamente, tá, Regina?)

(Menos, Mary, menos! O Lupin é perfeito e está mais perfeito ainda na fic! ;) Talvez o problema seja esse mesmo... perfeição demais! :lol: )
Image
Minha fic: http://www.floreioseborroes.net/menufic.php?id=6555
AKAMARY LUPIN -- A BOA FILHA À CASA TORNA... MIL PERDÕES PELO SUMIÇO
User avatar
Zoé Magnus
Recebendo a visita de Hagrid
Recebendo a visita de Hagrid
Posts: 30
Joined: 05/03/05, 15:52
Location: Soterrada por uma pilha de livros...

Post by Zoé Magnus »

Voltei, eu achei uma daquelas montagens de filmes com o Snape e queria coloca aqui pra vc vê mas naum sei como faz. Vc sabe? Me avisa pq queria te mostrar. To indu lá salvar no meu pc a fic Uma preçe por Snape. Serio tu é bruxa eu queria te pedir onde ela tava pa eu lê e você posto antes!!!
Ah Mary queria dizer q o Lupin é perfeito (sem mas intensões) mas no filme é horrivel. Credo aonde desencravaram aquele bigodinho?
Bjux
“Da mesma forma que tudo é mortal na natureza, pode dizer-se também que todos que amam estão mortalmente atacados de loucura”

Image

“Ergue-te o sol resplandecente, e mata a lua invejosa, que já esta fraca e pálida de dor ao ver que tu és muito mais bela do que ela própria”
Image

Image O amor é cego por isso só me convém o escuro!
William Shakespeare
User avatar
Éowyn & Tonks
Conhecendo A Toca
Conhecendo A Toca
Posts: 208
Joined: 08/01/05, 15:07
Location: Entre o Lupin e o Faramir :P
Contact:

Post by Éowyn & Tonks »

Ah Mary queria dizer q o Lupin é perfeito (sem mas intensões) mas no filme é horrivel. Credo aonde desencravaram aquele bigodinho?

Acho bem que seja sem intenções! :twisted:
Você está certa! Que bigode era aquele???
Mas eu já vi uma foto do ator com cara de Lupin. Olha só nesse link: http://img.photobucket.com/albums/v209/ ... -remus.jpg
Se você quer ver umas fanarts do Lupin que eu achei e amei porque é exatamente como eu imagino ele, segue esses links: http://img.photobucket.com/albums/v209/ ... eacher.jpg
http://img.photobucket.com/albums/v209/ ... _Night.jpg


Não sei como se faz para colocar as montagens dos filmes... Coloca aqui o link do site pra gente ver, please!!! :)
Image
Minha fic: http://www.floreioseborroes.net/menufic.php?id=6555
AKAMARY LUPIN -- A BOA FILHA À CASA TORNA... MIL PERDÕES PELO SUMIÇO
Jaja Weasley
Com a Pedra Filosofal
Com a Pedra Filosofal
Posts: 50
Joined: 14/05/05, 00:40
Sexo: Masculino
Estado: RJ
Location: No último vagão do Hogwarts Express com vcs, me enchendo de sapos de chocolate e curtindo de montão!

Post by Jaja Weasley »

Pô Mary,

Bem melhor esse Lupin da Art que vc achou e o da Marta ou da Anneth Lagamo.

Esse cara do filme, é bem feinho...

Não fica brava, não chamei o seu Lôbo de feio e sim o ator...

Depois a Regina tenta descrever ele melhor pra gente, afinal ela esteve lá, não???

Aquele abraço...
Fred & George - Agitação eterna!

Image
User avatar
Éowyn & Tonks
Conhecendo A Toca
Conhecendo A Toca
Posts: 208
Joined: 08/01/05, 15:07
Location: Entre o Lupin e o Faramir :P
Contact:

Post by Éowyn & Tonks »

Pô Mary,

Bem melhor esse Lupin da Art que vc achou e o da Marta ou da Anneth Lagamo.
Não consigo encontrar o Lupin nas arts delas :roll:
(Se achei e não me lembro, então é porque não chamou a minha atenção)
Esse cara do filme, é bem feinho...
Não acho, não. Acho que ele fazendo o Lupin está feio, sim, mas primeiro em nenhum lugar dos livros diz que o lupin é bonito e segundo, se você vir a entrevista que o ator (David Thewlis) deu no DVD do Prisioneiro de Azkaban, eu achei que ele aí estava muito interessante, nada feio e muito charmoso. Minha mãe quase não acreditava que ele era o Lupin e a minha prima de 14 anos achou ele lindo, ficou babando com os olhos azuis do cara :mrgreen:!!!
Depois a Regina tenta descrever ele melhor pra gente, afinal ela esteve lá, não???
Pode ter certeza que vai ter descrição! :mrgreen:

E vamos parar de monopolizar o tópico dela, senão ela mata a gente! Eheh ;)
Image
Minha fic: http://www.floreioseborroes.net/menufic.php?id=6555
AKAMARY LUPIN -- A BOA FILHA À CASA TORNA... MIL PERDÕES PELO SUMIÇO
User avatar
Zoé Magnus
Recebendo a visita de Hagrid
Recebendo a visita de Hagrid
Posts: 30
Joined: 05/03/05, 15:52
Location: Soterrada por uma pilha de livros...

Post by Zoé Magnus »

Ta vo monopoliza mais um pouquinho, mas a Regina vai gostar. A foto ta no http://www.giverius.com/nuyear/planetsnapes.htm. Mas naum adianta clicar que pra vvariar eu naum sei fazer os atalhos :oops: ë issu Bjux
“Da mesma forma que tudo é mortal na natureza, pode dizer-se também que todos que amam estão mortalmente atacados de loucura”

Image

“Ergue-te o sol resplandecente, e mata a lua invejosa, que já esta fraca e pálida de dor ao ver que tu és muito mais bela do que ela própria”
Image

Image O amor é cego por isso só me convém o escuro!
William Shakespeare
Jaja Weasley
Com a Pedra Filosofal
Com a Pedra Filosofal
Posts: 50
Joined: 14/05/05, 00:40
Sexo: Masculino
Estado: RJ
Location: No último vagão do Hogwarts Express com vcs, me enchendo de sapos de chocolate e curtindo de montão!

Post by Jaja Weasley »

Querida Mary,

O que você me pede rindo que eu não faço gargalhando. Meu negócio é lhe fazer feliz.
Aí estão alguns atalhos dos 2 sites com arts do Lupin. Divirta-se...


http://www.edgeworlds.com/sb/hp_harry_remus.html

http://www.edgeworlds.com/sb/hp_sirius_remus.html

http://www.artdungeon.net/doodles/templ ... emus_train

http://www.artdungeon.net/doodles/templ ... pinoffice0

http://www.artdungeon.net/general/template.php?p=mwpp1 (com os Marotos)

http://www.artdungeon.net/general/template.php?p=mwpp (com os Marotos)

http://www.artdungeon.net/doodles/templ ... itingremus (com os Marotos)


Aquele abraço... e não conte pro Lupin se não ele me pega... :lol: :lol: :lol:
Fred & George - Agitação eterna!

Image
Post Reply