Close to you - Sonho de um Maroto

Publiquem suas fics aqui para os outros opinarem.
Não se esqueçam de também postarem no Floreioseborroes.net.

Moderators: O Ministério, Equipe - Godric's Hollow

Post Reply
User avatar
Regina McGonagall
Ministra da Magia
Ministra da Magia
Posts: 1023
Joined: 05/01/05, 15:56
Sexo: Feminino
Estado: MG
Location: Ministério da Magia, claro!

Post by Regina McGonagall »

Galera, mais um capítulo (ia postar antes do Natal, mas alguns probleminhas ocorreram...)
editado em 04/05/07: gente, foi preciso fazer uma pequena alteração no final do capítulo, ok? mas não é nada de grave :lol:


**********************************
Damas Convocadas

Aquela parecia uma estranha reunião de mulheres... Ana, Tonks, Gina, Hermione, Molly, Minerva e, completando o grupo de sete, Serenna.
Reunidas em torno da mesa da sala de jantar da casa dos Lupin, elas se entreolharam, curiosas. Lupin convocara aquela reunião, sem dar nenhum detalhe. E, além dele próprio, o único homem presente, e pelo visto a contragosto de ambos, era Snape.
Lupin o olhava de vez em quando, desconfortável. Snape respondia seu olhar com uma sombra da antiga animosidade. Serenna olhava de um para outro e depois para suas companheiras, apreensiva, pois tinha certeza de que o assunto seria um só: Sirius Black.

Lupin raspou a garganta, chamando a atenção de todas sobre si, antes que a conversa inicial se transformasse em algum assunto interminável sobre crianças ou qualquer outra coisa comum quando tantas mulheres estavam juntas em um lugar tão pequeno.
Elas emudeceram, prestando-lhe atenção, com expressões em que variavam os graus de curiosidade e expectativa, que se acentuou ao verem que ele abria nada mais nada menos que o Livro de Fausto sobre a mesa.
- Pedi que vocês estivessem aqui, porque tenho um pedido a fazer. – Lupin começou – Preciso da ajuda de todas vocês... ou melhor, preciso pedir a vocês que realizem um ritual deste livro.
- Mas este livro só contém rituais de sangue e de morte! – Minerva exclamou, aturdida. Você mais do que ninguém sabe o quanto são perigosos.
Antes que as outras também começassem a expressar sua perplexidade, Lupin continuou firme:
- Sim, você tem razão, todos são rituais de sangue, mas nem todos são de morte. Um deles foi responsável pelo ressurgimento de Lord Voldemort, contando com o sangue de Harry, se todos se lembram. – ante o movimento afirmativo de que todos sabiam do que ele falava, Lupin continuou. – Era um ritual em que o sangue do inimigo era exigido à força, para compor um novo corpo. Este, entretanto, é diferente. Pede o sangue de amigos e inimigos – e ele olhou para Snape – mas dados de bom grado para fazer retornar alguém que passou pelo véu da morte e, contudo, continua vivo.
- Você quer dizer... Sirius Black? – Ana perguntou, espantada – Isso é mesmo possível?
- Sim. Eu consegui traduzir os versos confusos e descobri que precisamos basicamente de doze gotas de sangue para executar o feitiço de retorno.
- Mas somos apenas nove aqui... – Minerva retrucou – E porque você só chamou a nós? Harry e Rony, por exemplo, assim como outros membros da Ordem, se alegrariam em poder ajudar, com certeza.
- É um feitiço muito especial, Minerva. Será preciso inclusive a ajuda de Hagrid, porque uma gota de sangue em especial talvez apenas ele possa recolher.
- Não estou entendendo... envolve novamente animais... como os testrálios? – só de recordar os relatos de Rony e Harry sobre o sangue encontrado no arco do véu já causou mal estar a Ana, já no final de sua gravidez.
- De um animal sim, mas não um testrálio. – Lupin sorriu – É um ritual de vida, lembre-se, os testrálios são ligados à morte, não à vida.
Os murmúrios entre elas recomeçaram, mas um gesto decidido de Snape as silenciou como se fossem uma turma de primeiranistas.
- Senhoras, se vocês não deixarem que Lupin explique, nunca saberemos o que tem que ser feito.
Um aceno e um breve sorriso foi o único sinal de agradecimento que Lupin emitiu para Snape, antes de retomar a palavra com maior segurança.
- Para este ritual, é necessário que amigo e inimigo se unam para chamar o ausente. No caso, eu e Snape... já que é o único ... inimigo de Sirius que conhecemos.
- Parece que tenho a honra de ostentar tal título... – Snape não conseguiu evitar o sarcasmo, e Serenna o fitou de cenho franzido, mas ele lhe sorriu tranqüilizador.
- “Sangue de inimigo e amigo se misturam para que a harmonia seja estabelecida” seria a tradução mais simples desse trecho do ritual. – Lupin elevou a voz – A amizade sem barreiras de dois animais e o respeito de um servo... Aí, temos uma dificuldade.
- Qual? – todas perguntaram praticamente em coro.
- Monstro, o elfo da família Black, talvez fosse o único servo possível... e mesmo que estivesse vivo, duvido que contribuiria de bom grado.
- Dobby não atenderia? É um elfo liberto, mas trabalha para Harry, que é afilhado de Sirius. De certa forma, é da família. – o raciocínio rápido de Hermione renovou a esperança do grupo que já se mostrava desanimado.
- Claro! Ele atenderá com prazer a qualquer pedido que possa significar a felicidade de Harry – Gina completou – Quer que eu o chame e pergunte a respeito?
- Sim, por favor.

Atendendo ao chamado imediato da Sra Potter, o elfo surgiu entre eles, sorrindo e perguntando em que poderia ser útil. Lupin explicou a situação e, como esperado, o elfo se prontificou, feliz por ajudar.
- Amigo, inimigo, servo. Já temos três. Você disse: dois animais? – Hermione perguntou.
- Sim. Animais que tiveram algum convívio com ele e possam reconhecê-lo como amigo. Pensei em Bicuço e – ele olhou para Hermione – Bichento. Ele ajudou muito a Sirius no período que ficou escondido em Hogwarts procurando por Rabicho.
- Eu me lembro desse fato. Você tem razão. Aquele gato era amigo dele. – Snape informou.
- Para isso você precisará do Hagrid, com certeza. Já não é fácil tirar uma pena de um hipogrifo, quanto mais uma gota de seu sangue. – Tonks observou.
- Com eles temos cinco gotas. Para doze faltam... – Gina começou, mas Lupin já concluiu rapidamente.
- Sete. Sete bruxas, para ser exato, e é aí que vocês entram. Ligadas por laços familiares, de amizade e admiração, vocês são as bruxas escolhidas pelos vínculos de afeto.
- Entendo que nós todas - Molly abrangeu as quatro mulheres mais próximas com um gesto amplo – temos nossa ligação com Sirius Black. Tonks é prima, as meninas o conheciam e podem se considerar amigas. Minerva foi sua professora Eu tinha pequenas diferenças com ele, mas eram dias difíceis aqueles... Mas, Ana e Serenna não o conheceram. Como poderão ajudar? Que vínculo têm com ele?
- Eu ficaria muito feliz em ajudar Sirius Black, sem sombra de dúvida! – Ana exclamou – Um dos meus pesares é não ter chegado aqui a tempo de conhecê-lo, podem acreditar!
- Mas... e a Serenna? – Gina olhou para a irmã de Snape, com curiosidade – Por que está aqui? Que motivos teria para ajudar Sirius?
- Ah, o maior de todos! – Lupin disse, sorrindo, fazendo com que Serenna corasse intensamente e o fuzilasse com o olhar. Mas ele não se deu por vencido, e explicou – Serenna tem poderes especiais que, somados aos de Ana e Gina, e com a contribuição de todas vocês, permitirão que ela entre no véu e encontre Sirius.
- Entrar no véu? Você não me contou esta parte! – agora era Snape quem retrucava com fúria, vindo até onde Lupin, que ergueu-se para encará-lo.
Todas olharam dele pra Lupin e depois para Serenna. Ela Fora até o irmão e segurava seu braço, pálida ao extremo, mas quando falou, tinha a voz firme:
- Severo, eu sei que sou eu quem tem que fazê-lo e porque. E você também sabe. Estou assustada com tudo isso, mas confio no poder de todos vocês pra me socorrerem se algo der errado...
- Se algo der errado? – ele continuava completamente transtornado, fato completamente novo pra a maioria delas. - Estamos falando do véu da morte, que bruxo nenhum da atualidade sabe como funciona!
- Severo, eu vou fazer isso. Eu preciso fazer, ou os pesadelos nunca vão me abandonar. – Serenna o encarou,
- Pesadelos? Do que você está falando? – Hermione perguntou, confusa com tudo aquilo.
Depois de alguns segundos de silêncio, Serenna explicou em voz baixa, como se conversasse consigo mesma:
- Tenho pesadelos freqüentes com Sirius Black... sempre os tive. Até meu bicho papão tem a sua forma... Ele me chama constantemente, pedindo ajuda para sair. Por isso, sou a indicada para essa tarefa.
- Como assim, sempre teve? – Molly Weasley manifestou a pergunta que todas tinham em mente.
- Eu sonho com ele... desde criança... – ela baixou os olhos, corando levemente como se fosse uma adolescente confessando um delito pra mãe.
Ana lembrou-se da conversa com Lupin e Harry há muitos meses atrás... em que ele contava um estranho sonho de Sirius.
- A moça de vestido verde... que depois se transformava no Snape! Claro! A irmã do Snape!
- Do que você está falando? – Gina perguntou, tão curiosa quanto as outras.
- Ah... o Remus nos contou sobre um sonho de Sirius, certa vez. Quando Harry quis saber se o padrinho tinha alguma namorada. E Remus nos contou que ele vivia suspirando pela “garota dos seus sonhos”...
A explicação foi uma surpresa para todos, mais ainda para Serenna. Saber que Sirius também sonhava com ela foi um choque.
Snape correu para ampará-la numa tontura momentânea.
- Estou bem... não se preocupe. Só foi inesperado. – e virando-se para Lupin – É verdade, Remus? Sirius... sonhava comigo?
- Acredito que sim. A descrição que você fez dos seus sonhos bate com as dele, nos tempos de escola.
- Por que você não me contou? – ela perguntou num sussurro.
- Bem... porque pra mim também foi um choque saber disso... Somando-se ao seu bicho papão... eu não quis impressioná-la.
- Entendo...

Depois de alguns minutos de silêncio, em que todos absorviam com cuidado aquelas informações totalmente novas, Minerva McGonagall fez valer seu velho lado pragmático. Era preciso saber exatamente o que deveria ser feito e quando. Os planos foram traçados em uma longa e exaustiva conversa, em que a velha bruxa se surpreendeu ainda mais pela coragem daquela jovem desconhecida em enfrentar um ritual como aquele. Por um momento, desejou questionar se ela sabia exatamente quais as consequências de sua concordância em selar o ritual completo... mas um olhar para o rosto sério e concentrado foi o bastante para perceber que Serenna não recuaria, mesmo que lhe dissessem que tal ato lhe custaria a vida. A mulher repetia em voz baixa cada palavra do feitiço a ser declamado, decorando-o. As outras faziam o mesmo, sem saber exatamente em que tipo de ritual estavam participando, ela tinha certeza. Aquela era uma arte muito antiga...
Severus Snape percebeu a preocupação da bruxa mais velha e, por um momento, eles se fitaram, tensos. Minerva suspirou, como se finalmente tivesse compreendido que as coisas estavam como deveriam estar e voltou ao debate que seguia acalorado entre Remus, Ana e Hermione.
Todos comeeçaram a questionar qual dia seria mais apropriado, inutilmente, pois a data era clara e só poderia ser uma: a noite do Dia das Bruxas, o dia em que os dois planos da Vida se aproximariam um pouco mais...

*******
Last edited by Regina McGonagall on 04/05/07, 10:25, edited 2 times in total.
Regina McGonagall
Ministra da Magia


Image
***
Clique aqui para me mandar uma coruja

RPG
Narração
Fala
Pensamento
Outros personagens


Image
Belzinha
Conhecendo A Toca
Conhecendo A Toca
Posts: 226
Joined: 29/10/05, 11:12
Sexo: Feminino
Estado: SC
Casa: Lufa-lufa
Micro Blog: Belzinha2
Location: Hogwarts
Contact:

Post by Belzinha »

E a trama avança!!!

Que presentaço de fim de ano Regina! :palmas Espero que eles consigam. Adoraria ver o Sirius de volta e... Hehehe, tem tantas coisas implicadas nisso, inclusive saber o que esses sonhos da Serenna podem significar...
Image
User avatar
Tina Granger
Com a Pedra Filosofal
Com a Pedra Filosofal
Posts: 94
Joined: 28/05/05, 00:15
Sexo: Feminino
Estado: SC
Casa: Sonserina
Location: tentando ser escritora d "Hogwarts, uma história"

Post by Tina Granger »

Merlin... para o mundo!!!!!
quero continuar lendo essa estoria!!!
Image Image

Duas mulheres - A um passo - A irmã da Serpente

mais fics? olhe no fanfiction.net...

Image
User avatar
Regina McGonagall
Ministra da Magia
Ministra da Magia
Posts: 1023
Joined: 05/01/05, 15:56
Sexo: Feminino
Estado: MG
Location: Ministério da Magia, claro!

Post by Regina McGonagall »

Gente, talvez tenha passado um errinho ou dois... mas resovi postar sem uma segunda revisão, porque estou saindo de férias...

calma, vou tentar postar mais um na sexta que vem...

vamos lá, que todas estamos ansiosas pra saber se o tal feitiço deu certo...

====================================
Cap 7
Entrando no Véu da Morte


Num minuto, estava na sala circular, olhando para aquele véu misterioso e apavorante, rodeada pelas seis bruxas que repetiam o encantamento, enquanto a taça contendo os doze sangues necessários para a realização do ritual era derramada em torno do arco. No segundo seguinte, já o atravessava, sem nem mais ouvir as palavras murmuradas em uníssono pelas outras. Não via mais as outras, nem seus companheiros, nem seu irmão.E estava só, dentro do véu da morte.

Ainda sentia sua cintura fortemente envolvida pela corda de prata que Gina conjurara, que seria puxada para trás a qualquer sinal de que algo dera errado ou, quando ela conseguisse alcançar seu objetivo.
Uma névoa espessa e fria a envolveu, como a tudo naquele lugar. Serenna não via nada à sua volta, não importando para onde olhasse. Instintivamente, segurou seu medalhão, e seu gesto provocou um jorro de luz que, partindo dele, se irradiou por metros à frente.
Aos poucos, começou a ouvir sons indistintos, que logo se tornaram vozes, vozes reconhecíveis. Pensando que estava ficando louca, Serenna chorava silenciosamente. Mas uma voz carinhosa lhe disse:
- Não chore, filha. Viemos ver você.
- Sim. Nos contaram que havia outro “fantasma” entre nós.
Serenna ainda não acreditava. Assim como seus ouvidos, seus olhos lhe pregavam uma peça: via seus pais, bem à sua frente, estendendo os braços para um abraço repleto de saudade. No instante seguinte, jogando às favas qualquer prevenção ou receio, Serenna atirou-se nos braços de Martinho e Beatriz, chorando abraçada a eles por um tempo que lhe pareceu infinito.
- Ora, ora – Martinho ralhou com ela – O que é isso? Pra que desperdiçar este momento bendito com lágrimas? Conte-nos como vão as coisas. Seus irmãos e irmãs? Soube que você achou sua família biológica...
- O senhor soube? – ela se espantou, fitando-o com os olhos ainda rasos d’água.
- Sim, aqui nós acompanhamos de certa forma o que acontece. Não o tempo todo. Mas somos informados de como andam aqueles que amamos. Por isso, soubemos que você estava entrando por aquele véu.
- Mas... vocês não estavam muito longe pra isso?
- Aqui não existe distância ou tempo como você entende, minha filha. É... um pouco... diferente. Então, digamos que já esperávamos você. – Beatriz sorriu.
- Sim... e eles também. – Martinho apontou para um casal que se aproximava.
Eram jovens ainda, não aparentavam mais de 20 anos, talvez. A mulher era ruiva, profundos olhos verdes, e o homem... Serenna reconheceu num segundo, afinal, o filho dele estava lá, do outro lado do véu, aflito, esperando que ela tivesse sucesso em sua missão. E era uma cópia fiel do homem à sua frente, exceto pelos olhos...
- James? James Potter?
O homem balançou a cabeça, afirmativamente. Lílian sorriu para ela.
- Nós temos tentado protegê-lo, esse tempo todo, mas ele se julga enlouquecido e de volta a Azkaban... Não pudemos fazer muito...
Serenna pareceu confusa, por um minuto. De quem estavam falando? A visão de seus pais parecia nublar-lhe os pensamentos, a saudade que sempre mantivera seu coração apertado se transformara numa alegria incomensurável. E ela quase se esquecera de porque estava ali... aquilo parecia apenas um sonho. Um sonho maravilhoso.
- Não, filha, não é um sonho. É uma missão. Um resgate. Lembra-se?
Ela olhou para seu pai, depois para o casal que parecia aflito com sua hesitação. Então, se lembrou de tudo. Das bruxas reunidas na sala do Departamento dos Mistérios, juntamente com Harry, Snape e Lupin, além de pelo menos metade dos homens da família Weasley. E de porque elas haviam feito aquilo. E de porque ela havia sido indicada para ser quem entraria naquele lugar misterioso. Ela, somente ela, poderia alcançar Sirius Black.
- Onde ele está? – Ela perguntou, a voz já firme, novamente.
- Vamos. – James acenou para frente.

Era estranho poder andar, pois não havia propriamente chão, mas uma camada pegajosa e estranha em que, entretanto, seus pés não afundavam. Aqui e ali, vultos solitários ou pequenos grupos, em situações de sofrimento que não conseguiria descrever, chamavam sua atenção, mas James a alertava para não se desviar por nada. Alguns corriam ao se aproximarem, e Serenna percebeu, muda de espanto, que fugiam por medo... dela!
Outros pareciam loucos delirantes, juntando lama de encontro ao peito como se fosse um tesouro inestimável.
- Nem todos atravessam o véu da morte em paz consigo mesmos e colhemos o que plantamos, lembra-se? – Em voz baixa, seu pai recordava as conversas que tinham há muitos anos. – Eles permanecem infelizes e loucos por longo tempo...
Sem lhes dar tempo para mais considerações, James apontou para uma pequena elevação no “terreno”.
- Ali está ele. Está mais aflito, acho que pressentiu sua presença.
Serenna olhou na direção indicada, pensando ver um homem, mas ao invés disso, viu um enorme cão, como em seus pesadelos e recuou, assustada. O animal rosnou ameaçador, à sua aproximação.
- Por favor – Lílian pediu-lhe – resista à sensação de medo. Sabemos que ele tem assombrado seus sonhos. Quando ele sonha, também, ele a vê. E tenta alcançá-la. Deixe que ele a reconheça, então, vai reagir e voltar ao normal.
- Ele... está assim o tempo todo?
- No começo, sim. Atravessou o véu muito ferido, o feitiço de Bellatrix quase o matou realmente. Só não o fez porque algo que ele trazia, acho que era nosso velho espelho, amorteceu o impacto. Havia estilhaços em sua roupa. Porém, ele estava muito fraco, e associou a névoa e o frio com os dementadores. Febril, passou a delirar e acreditar estar de volta àquele inferno. Por isso, assumiu a forma de cão por muito tempo. Nós conseguimos que ele retorne à forma humana, quando se acalma, mas ele não se mantém assim por muito tempo, pois acredita que enlouqueceu de vez e por isso está nos ouvindo.
Serenna o fitou, comovida e penalizada. Chegava a ser doloroso vê-lo daquela forma. Como sentir medo de alguém em situação de tamanha penúria? Com um gesto determinado, balançou a cabeça, como se com isso espantasse para longe as lembranças terríveis de seus pesadelos de uma vez por todas.
Procurou ver, além da forma animalesca e ameaçadora, o homem sofrido, que passara metade da vida preso em locais terríveis, afastado de todos os amigos, impedido de viver a vida como deveria. Procurou imaginá-lo livre de tudo aquilo, conversando alegre com Harry, Lupin e Tonks, como se a distância de todos aqueles anos não existisse.
Assim, corajosamente, fitando-lhe os olhos claros, aproximou-se lentamente. Ele já não rosnava, embora não desviasse o olhar canino.
- Então, Almofadinhas? – Ela falou baixinho, docemente como a uma criança – Pronto para voltar pra casa?
Ele ainda a olhava, desconfiado, mas não mais como se estivesse acuado. Ela caminhou um pouco mais, estudando cada gesto, atenta a toda reação dele. Seus pais e também o casal Potter se mantinham à distância, como se montassem guarda.
Já a menos de dois passos de distância, ela estendeu a mão. Ele rosnou, em sinal de alerta, mas Serenna não recuou mais. Não tinha mais medo. E o levaria de volta, nem que demorasse um século para arredá-lo dali.
- Sirius – ela o chamou com voz doce, mas firme – volte à forma humana, vamos. Precisamos conversar, preciso te levar de volta.
- Você não vai me levar pra lá! – Ele era um homem novamente, porém ainda mais agressivo que o cão. – Escute aqui, Bella...
Entendendo rapidamente o que ocorrrera, ela retrucou:
- Sirius, olhe bem! Não sou Bellatrix Lestrange! Preste atenção!
Mas ele a fitava, transtornado. Via os longos cabelos negros, via uma bruxa com um medalhão de Slyterin no pescoço. Em seu desvario, imaginava ser Bellatrix, a buscá-lo para Azkaban, ou algo pior. E, como não tinha varinha, tentou atacá-la com as mãos. Mas James agiu a tempo, pulando à sua frente. Isso só piorou seu estado.
- Estou louco! Estou vendo fantasmas que me atormentam dia e noite! O que digo? Já nem sei se é dia ou noite, aqui é tudo sempre igual!
Serenna afastou James com um gesto suave. Cuidaria daquilo, ele podia ficar tranqüilo.
- Sirius, me escute. Sou... amiga de Remus, e de Harry. Eles, e mais alguns amigos, estão esperando por nós, por você. Estão com saudades suas, precisam de você ao lado deles... Harry quer que conheça seus filhos. Ouviu? Ele e Gina se casaram, e têm dois lindos filhinhos. Nasceram há poucos meses. Venha. Venha conhecê-los.
Sirius a olhou, aturdido.
- Harry... é só um garoto. Como pode já ter filhos?
Serenna suspirou. Isso seria difícil.
- Ele... não é mais um menino... Já faz algum tempo... que você veio pra cá. A guerra acabou. Harry venceu e... a única coisa que deseja agora é poder mostrar os filhos ao padrinho. Se ele pudesse, estaria aqui, no meu lugar. Mas só eu podia vir, por isso, ele me pediu. Você quer que eu volte e diga a ele que você preferiu ficar aqui? – Ela fez um gesto à sua volta. Viu os pais a lhe sorrir, viu o casal Potter... e pensou que talvez ele preferisse mesmo ficar com os amigos. Isso foi doloroso, e ela não entendeu bem porque. Imaginou que era por desejar poder fazer o mesmo... Ficar ao lado dos pais.
Mas afastou para longe o pensamento, e insistiu:
- Sirius. Por favor, acredite em mim. Eu posso tirá-lo daqui, devolvê-lo ao mundo dos vivos. Atravessar de volta aquele véu... Só não posso.. voltar no tempo com você. Os anos que você perdeu... – ela se entristeceu, mas continuou – Eu sei bem o que é isso, me tiraram oito anos também, e uma vida inteira com isso... mas houve compensações – ela sorriu para os pais, que lhe sorriram de volta, compreensivos.
- Você quer dizer... que estou aqui há anos? Quantos?
- Quase doze anos. – ela respondeu, depois de curto silêncio.
Sirius soltou uma risada rouca, que ela constatou parecer mesmo um latido, como lera nos livros. E sentou-se no chão, os cotovelos apoiados nos joelhos, segurando a cabeça, expressão atônita e infeliz.
Sarah hesitou. O que mais precisaria dizer para fazê-lo entender? Foi quando uma voz soou em sua mente:
- Serenna, você tem pouco tempo. Já está quase amanhecendo, e o feitiço perderá seu poder. Faça-o se lembrar de você.
- Como? – Ela sussurrou. A voz da Mestra dos Sonhos vinha de tão longe e ao mesmo tempo de tão perto... mas ela ainda se sentia perdida.
Seus pais se aproximaram e a abraçaram em despedida.
- Temos que ir, agora. Mas fique certa de que estaremos sempre ao seu lado. Dê um abraço em todos os seus irmãos por nós. E também nos nossos netos queridos, todos eles. Ah, claro, não esqueça do Prof. Smith! – Seu pai lhe deu uma piscadinha.
Sem dizer nada, ela deixou-se abraçar e os olhou se afastarem, até que a névoa os envolvesse e... desapareceram. James e Lílian também pareciam prestes a partir, mas Sirius permanecia alheio a tudo isso. James se aproximou do amigo, dizendo com firmeza:
- Sirius, lembra-se de quando corríamos pela floresta? Do fantasma que você teimava em perseguir?
Enquanto Serenna o fitava, surpresa pela revelação que adivinhava naquelas palavras, Sirius olhou para James, e depois para ela. Percebeu que as vestes da bruxa se transfiguravam, transformando-se em um vestido de baile, um vestido verde, suave e diáfano como as vestes de uma ninfa das lendas. A própria Serenna se admirou da mudança em sua aparência, contemplando o vestido de baile de seus sonhos.
Ele olhou para ela, tentando compreender o que acontecia. Era mesmo ela? A mulher que via em seus sonhos? A mesma garota que pensava encontrar correndo e se escondendo na floresta? Ela estava ali, à sua frente? Finalmente ao alcance dos seus braços? Então, pensou que a reconhecia, embora estivesse diferente, mais velha, ainda vestia aquele vestido verde.
- Sim, estou aqui. Por muito tempo, não entendi o que você fazia em meus sonhos... ou pesadelos. Mas descobri a tempo, para vir buscar você. Daqui para frente, estarei sempre perto de você.
- Sim, agora me lembro! – ele se virou para o velho amigo - Vocês teimavam em dizer que eu estava sonhando acordado. Mas ela estava lá... ainda está. Ainda sonho com ela, quando consigo dormir... mas ela foge de mim, tem medo de mim.
- Não. – Serenna disse, aproximando-se mais um pouco e ajoelhando-se à sua frente – Não fugirei mais. Não tenho mais medo.
- Então, você existe! Não era alucinação ou fantasia... e todos zombando de mim daquele jeito! – ele fitou James novamente – Pontas, você me deve alguns galeões por isso!
A risada dos dois amigos pareceu dissipar qualquer apreensão que ainda persistisse. Lílian se aproximou de Serenna e disse suavemente:
- Nós teríamos sido boas amigas, se tudo tivesse acontecido diferente... mas estou feliz que você esteja aqui, agora. Diga à filha de Elizabeth... que estou feliz por ela também. E diga ao nosso filho... que continuamos ao lado dele. Sempre.
Serenna assentiu, depois, decidida, tomou as mãos de Sirius entre as suas e fitou-o nos olhos.
- É agora, temos que ir. – ela murmurou, tentando dominar a sensação de choque elétrico que a invadira ao tocá-lo.
- E o que devo fazer? – Sirius indagou, já completamente indiferente a tudo à sua volta, até mesmo ao sorriso e às lágrimas de seus amigos, que já se afastavam dentro da névoa. Seus olhos estavam presos nos olhos negros de Serenna, e ele podia até dizer que ouvia seu coração descompassado.
- Eu preciso repetir o feitiço que me permitiu entrar aqui, precisamos completar o voto dos doze sangues e...
- O que você disse? É um feitiço com sangue? Eles são muito perigosos e... inquebrantáveis!
- Sim, eu sei disso. – ela tentava parecer segura, mas sua voz tremeu por um instante.
Sirius observou calado e pensativo, enquanto ela tirava de algum bolso escondido um pequeno objeto: uma faquinha de prata em forma de meia-lua.
- Você é uma sacerdotisa de Avalon? – ele gracejou – Morgana das Fadas?
- Deixe de ser bobo! – ela ralhou com ele, mas sorria, e seu sorriso lhe pareceu a coisa mais doce que já vira. – Pronto?
Ele balançou a cabeça, e ela tomou sua mão, fazendo um pequeno corte na palma, enquanto recitava o feitiço e fazia o mesmo em sua própria palma, deixando as gotas de sangue caírem juntas e se misturarem no solo. Depois, fitou-o intensamente, dizendo num sussurro:
- Agora, você... precisa me beijar. Pra selar o ritual...
- Mas isso... Você sabe o que significa?
- Sei que é o que tem que ser feito pra levá-lo de volta comigo.
O gesto de agradável surpresa do bruxo não lhe passou despercebido, assim como seu comentário de que não era um “belo adormecido”... mas recusou-se a ficar ressentida com isso. Não era hora pra isso. Tinha algo mais urgente a fazer.

Serenna murmurou novamente as palavras retiradas do Livro de Fausto e a voz das seis bruxas que do lado de fora também repetiam o encantamento se juntou à dela, enquanto a névoa se adensava em torno deles e, sem hesitação, ela envolveu-o num abraço delicado. Quando se calou, Sirius segurou seu rosto e, meio hesitante e achando aquilo tudo muito estranho, a beijou. Uma luz dourada os envolveu. E foi como ser atirado em um furacão...



========================

Gente, duas coisas que me inspiraram este capítulo:

- aquele episódio de "Profissão Perigo" em que McGyver fica entre a vida e a morte e se encontra com os pais no barco de Hórus (ai, é Horus mesmo, esqueci agora...)
- Um dos capítulos finais cujo nome esqueci também (aff...) do livro "No Mundo Maior" de André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier.

ah, e não descrevi o encantamento completo né? é que.. nessas coisas a Sally é que é a especialista!
mas foi preciso fazer uma pequena edição no final... vocês entendem, né? :lol:
:lol:
Last edited by Regina McGonagall on 04/05/07, 10:41, edited 1 time in total.
Regina McGonagall
Ministra da Magia


Image
***
Clique aqui para me mandar uma coruja

RPG
Narração
Fala
Pensamento
Outros personagens


Image
User avatar
Tina Granger
Com a Pedra Filosofal
Com a Pedra Filosofal
Posts: 94
Joined: 28/05/05, 00:15
Sexo: Feminino
Estado: SC
Casa: Sonserina
Location: tentando ser escritora d "Hogwarts, uma história"

Post by Tina Granger »

ai... que lindo!!! se antes eu já babava lendo essa fic...
Agora que teve beijo, vou comprar um lencol para me secar!
Image Image

Duas mulheres - A um passo - A irmã da Serpente

mais fics? olhe no fanfiction.net...

Image
User avatar
Regina McGonagall
Ministra da Magia
Ministra da Magia
Posts: 1023
Joined: 05/01/05, 15:56
Sexo: Feminino
Estado: MG
Location: Ministério da Magia, claro!

Post by Regina McGonagall »

Depois de longas e chuvosas, mas não teneborsas férias, heis que o véu se agita diante dos meus olhos...

Serenna conseguiu?

é o que vamos ver!

============================
Cap 8
O Retorno Enfim


Na estranha sala do Departamento de Mistérios, Harry andava aflito, de um lado para o outro. Lupin, Quim e Snape permaneciam sentados, mas atentos. Moody, sentado numa fileira de bancos acima dos outros, permanecia também parado, seu olho mágico e também seu olho normal fixos no véu. Carlinhos e Rony também estavam inquietos, mas não tanto quanto ele. Já haviam passado horas, desde que o encantamento começara, o dia já estava prestes a nascer, e nada!
Lupin tentou acalmá-lo, em vão. Ele próprio estava ansioso demais para conseguir transmitir alguma tranqüilidade.
Snape permanecia em silêncio, estático, também de olhos fixos no véu. Tentara inutilmente um contato mental com a irmã. Pela primeira vez, desde que se reencontraram, ela estava fora de seu alcance, e isso era o que mais o preocupava.
Indiferentes ao tempo que se passara, as seis mulheres permaneciam firmes, num semicírculo à frente do véu da morte, num transe intenso e constante. Apenas Ana se movimentou, e de longe os homens imaginaram tê-la visto dizendo alguma coisa... De repente, todas voltaram a recitar o encantamento.
- Eles estão saindo. Já consigo vê-los – Moody informou, chamando a atenção dos homens para o círculo logo abaixo.

Sentindo como se voltasse àquele instante terrível no seu quinto ano de escola, Harry viu o véu balançar, como se tocado por leve brisa. Desceu até o tablado onde ele estava colocado, aguardando, respiração suspensa, até que o inusitado aconteceu.
Como se tivesse acabado de entrar pelo outro lado, naquele exato momento e não há quase doze anos atrás, Sirius surgiu do meio do véu, terminando a queda que iniciara quando o feitiço de Bellatrix o atingiu.
Seu corpo foi atirado longe, fora do estrado, batendo ruidosamente no chão. Lupin juntou-se a Harry para acudi-lo e foi rápido em usar feitiços curativos e revitalizantes e, em poucos minutos, Sirius acordava.
O animago abriu os olhos, vagarosamente, acostumando-se com a luz e observando os rostos à sua volta. Reconheceu Lupin, viu os outros... Aqueles ruivos pareciam os filhos de Arthur e... o outro homem... olhos verdes e cicatriz na testa, só poderia ser:
- Harry! – Ele exclamou – Por um instante pensei ainda estar vendo seu pai ao meu lado.
- Meu... pai? – Harry indagou, atônito – Você estava com meu pai?
- Claro! Ele e Lilly estavam lá... Eles e... – ele fitou Lupin e exclamou – Remus, você não vai acreditar. Ela existe! A garota dos meus sonhos... ela é de verdade!
- Eu sei. – Lupin respondeu, com um sorriso.
-Mas... onde está ela? Será que...
A simples idéia de que ela teria ficado para trás ou fosse apenas mais uma visão de sonho o desconcertou. Olhou em volta, confuso, e viu a movimentação do outro lado. Levantou-se, com ajuda de Lupin, e rodeou o estrado.

Um grupo de bruxas ladeava alguém caído no chão, mas ele não podia ver. As mulheres abaixadas tampavam completamente sua visão. Nenhuma delas dizia nada. Ele ouviu uma voz masculina murmurar um feitiço: “Enervate”, e depois gritar em desespero:
- Não! Não posso perder você de novo!
Sirius estacou. Não podia ser. Aquela voz era... Olhou para Lupin, que lhe acenou com a cabeça. Ele subiu ao tablado, aproximou-se e...deparou-se com um quadro jamais imaginado.
À beira do véu, um homem envolvia nos braços, aconchegando ao próprio peito, o corpo de uma mulher desfalecida. Sirius só podia ver sua cabeleira, negra e semi longa, que lhe cobria o rosto transtornado, mas o reconheceu, mesmo não entendendo porque ele estava ali, daquele jeito, sacudido pelo que pareciam soluços de desespero. E a mulher em seus braços... era ela, sua salvadora!
- Snape! Mas o que... – ele se abaixou, tentando ver o rosto da mulher, mas Snape o empurrou para longe.
- Não se aproxime dela! – Snape ordenou, e num instante já empunhava a varinha, apontando-a para o antigo desafeto. – Não me obrigue a tornar vão o esforço dela e...
- Calma, Snape. – uma mulher morena, que Sirius não reconheceu, tocou-o no ombro, e ele aquiesceu. Voltou a abraçar a mulher desacordada.
Sirius não podia acreditar nisso. Snape chorando por uma mulher, e acatando as ordens de outra? O que, afinal de contas, acontecera enquanto estivera naquele lugar?
Olhou para os rostos à sua volta, reconhecendo a maioria, agora.
Moody observou, depois que seu olho mágico vasculhou o véu.
- Ela voltou, Severus. Não está morta.
- Por que não acorda? – Snape indagou, baixinho.
- Porque está muito fraca – Minerva McGonagall se aproximou para examiná-la – ela gastou toda a sua energia. Precisará de tempo para se recuperar.
- Quando ela acionou aquele portal, foi a mesma coisa... – Harry se lembrou – Quando ela te mandou para outro país, outro tempo... Quase a levamos para o St Mungus, mas ela parecia uma trouxa completa, então... esperamos. Levou horas... (1)
- Desta vez, pode levar dias. – a mulher morena retrucou. – Isso aqui é muito mais que um portal de tempo e espaço, gente.
Sirius, que permanecera calado até agora, perguntou:
- Alguém quer, por favor, me explicar o que está acontecendo?
Snape se ergueu, deixando Serenna aos cuidados das bruxas mais velhas, que puderam finalmente agir de modo prático e conjurar uma maca para alojá-la. Andou até Sirius, fazendo Harry, Rony e Hermione se lembrarem do longínquo confronto deles, na Casa dos Gritos.
- O que está acontecendo... é que... – Snape parou. Todos à volta já se preparavam para desarmá-lo, mas ele se voltou e fitou a bruxa desfalecida, como se ouvisse alguma coisa que os outros não ouviam:
- Ela está... pedindo ajuda – ele murmurou, parecendo ainda mais estranho. – Ela sente dor... – ele se voltou novamente para Sirius. – E a culpa é sua, Black! Eu sabia que isso seria perigoso demais para ela... Ela ainda não domina seus poderes. Não consegue reagir à impressão de morte.
- Não é isso, Snape. – Hermione atalhou – Você não leu o final das instruções? O encantamento ainda não foi completado.
- O que? – os dois homens exclamaram ao mesmo tempo.
Todos estavam tão perdidos quanto eles, apenas Lupin parecia entender do que Hermione falava, e percebeu seu constrangimento em explicar. Então, tomou a si este encargo:
- Sirius, é muito simples. Para que Serenna acorde, você tem que repetir o beijo...
- O que? – Desta vez, Snape reagiu com mais ferocidade ainda – Ele não vai beijar minha irmã!
- Sua... irmã? Essa mulher é... sua irmã? – Sirius estava chocado – Fui salvo daquele inferno... pela irmã do Ranhoso? Vocês só podem estar brincando!
Sua risada de incredulidade quase fez Snape esquecer todo autocontrole. Mas Harry interferiu:
- Sirius, não há tempo para explicar agora. Temos pouco tempo.
- Sim – Hermione exclamou aflita – O sol já vai nascer. Se não fizer isso, não sei como poderemos...
- Eu não admito... – Snape começou, mas Moody o interrompeu:
- Você prefere que ela continue desacordada ou... Algo pior? Se ele não o fizer, será como se tivesse sido beijada por um dementador. Ficará vacilando entre as duas dimensões. A primeira parte do ritual já foi feita, você não pode mais impedir, ou causará sua morte!
- Gente, por favor... – Ana pediu.
Aproximou-se de Snape novamente, olhando-o nos olhos por alguns segundos. Ele não precisou usar legilimência para entender o que ela queria dizer, deixando Sirius ainda mais curioso sobre sua identidade, já que demonstrava uma ascendência espantosa sobre o ex-comensal.
- Está bem, está bem. Um encantamento tem que ser realizado até o fim. Por mais ridículo que pareça. Vamos logo com isso! –ele apontava novamente a varinha para Sirius.
- Não me apresse, homem. – Sirius retrucou – Estou sem prática, talvez tenha que tentar de novo...
Desta vez, Snape pulou sobre ele, enfurecido. Numa atitude contraditória, empurrou-o até a maca em que sua irmã repousava, o rosto empalidecido, mas sereno como um lago sem vento.
- Faça isso logo, antes que eu resolva mandá-lo de volta pra lá!
E saiu de perto, como se não quisesse presenciar. Na verdade, temia que não funcionasse, que Hermione e Lupin tivessem errado na interpretação do feitiço.Encantamentos que se quebravam com um beijo eram comuns apenas em histórias para trouxas, os tais “contos de fadas”...

Sirius parecia divertido por ter que beijar uma mulher com uma platéia tão grande, mas Lupin o fitou, muito sério, mais sério do que jamais o vira. Então, esqueceu o comentário irônico que estava prestes a fazer e se aproximou.
Lembrou-se vagamente de contos trouxas que Lílian contava para eles, envolvendo sempre princesas encantadas e príncipes galantes que as salvavam com um beijo. Pensou que não devia estar parecendo exatamente um príncipe, que parecia mais um sapo... E pensou na sensação boa que tivera ao beijá-la, um segundo antes daquele furacão atirá-lo para longe. Fora algo tão suave e ao mesmo tempo tão intenso! Sim, ele queria experimentar novamente aquela sensação.
Procurou imaginar que estava sozinho ao lado dela, esquecer – e isso quase o fez desistir – o irmão dela de costas a poucos metros, pensar que ela era apenas “a garota dos seus sonhos”.
Tocou de leve seu rosto, pensou que a pele estaria fria, mas sentiu-a quente ao seu toque. Aspirou um perfume que não conseguiu identificar, apenas era “o perfume dela”. Respirou fundo, fechou os olhos e, realmente desligado da sala em que estava, das pessoas que aguardavam com ansiedade e receio, beijou-a levemente.
A boca suave se entreabriu e parecia buscar o ar que lhe faltava. Instintivamente, Sirius deixou passar o próprio ar que retinha por pura tensão. Novamente uma luz dourada os envolveu, e todos entenderam com alívio que a segunda fase do ritual se completava.
Alguém murmurou alguma coisa sobre mau hálito, Sirius teve certeza de ouvir, seguido de um “ai” mais sonoro, provocado possivelmente por um cutucão indignado, e quase se afastou. Não tinha pensado nisso, definitivamente.
Mas o toque suave de uma mão no seu rosto o fez se esquecer dessa preocupação tola, e sentiu que os lábios sob a pressão dos seus se abriam num leve sorriso.
- Tudo bem, Sr Black, ainda estou viva – ela murmurou – Mesmo com esse seu bafo...
Ele se ergueu, entre espantado e ofendido, mas Serenna já tentava se levantar, e vários pares de mãos surgiram para ampará-la. Snape, é claro, já a abraçava, afastando-o com o ombro.
- Tudo bem, Serenna?
- Tudo bem, Severus. Eu estou bem, de verdade e... sabe? Eu os vi. Conversei com eles e...
- Sim? – Snape entendeu o que ela não queria dizer. – Pensou em ficar por lá, não é? Por isso, me deu esse susto. Quis me deixar sozinho, mais uma vez... – Snape tinha um ar desamparado, e Serenna sorria docemente, tocando seu rosto.
A intimidade dos irmãos era algo inusitado, e não somente para Sirius. Nenhum dos presentes imaginava-os tão carinhosos um com o outro. Nas situações em que haviam comparecido juntos, mantinham uma postura tranqüila, reservada, como todo e qualquer bom inglês. Nunca haviam demonstrado tanto a afeição que tinham um pelo outro como naquele instante. Se fosse qualquer outro, poderiam entender... mas era o Snape! Completamente inimaginável e – Ana pensou com um sorriso divertido – contra tudo que se lera nos livros de J.K.Rowling! Nenhum fã no mundo inteiro acreditaria se ela contasse!
Alheios ao constrangimento dos que estavam à sua volta, os dois irmãos continuavam a conversar em voz baixa:
- Eles não deixaram. Lembraram minhas “responsabilidades”: um irmão que já foi considerado um caso perdido, dois filhos que precisam de mim, e mais um monte de coisas... além, claro, de ter que voltar, para conseguir trazê-lo de volta. – Ela voltou sua atenção para Sirius, por um segundo, sorriu com expressão de alívio, como se só naquele momento constatasse que cumprira a missão, e voltou a abraçar o irmão.

Como se sua fala tivesse despertado os outros do torpor em que estavam, todos dispararam a falar ao mesmo tempo, rodeando Sirius.
A euforia era grande, tanto dele quanto dos outros. Cada um queria falar e perguntar ao mesmo tempo, e Sirius olhava de um para o outro, tonto mas feliz.
O que mais o admirava era como os garotos tinham crescido. Gina e Hermione, inclusive, já eram mães! Aqueles garotos... Garotos não, homens! Aurores, ainda por cima.
Tonks, que agora respondia por Sra Lupin, ria, sem graça a um comentário do primo de que se soubesse de alguma coisa, teria chamado o Aluado às falas bem mais cedo.
Entre todos os presentes, quem mais parecia não acreditar nos próprios olhos, era Ana, a morena desconhecida para ele. Depois de algum tempo, conseguiu se aproximar, aproveitando que Tonks se afastara para falar alguma coisa ao marido.
A Auror tinha o queixo caído, enquanto olhava aturdida para o homem moreno a sua frente, em uma admiração estupefata. Afinal... aquele homem era uma figura polêmica. Sonserino ou Grifinório, bonzinho ou comensal da morte, ninguém, no mundo bruxo ou trouxa, era indiferente ao “Almofadinhas”.
- Meu... Deus! – Murmurou, pela milionésima vez – Sirius Black!
Sirius observava a moça com uma expressão divertida. Ter voltado do mundo dos mortos devia fazer dele uma celebridade ou a garota não olharia para ele daquele jeito estupefato. Ou então, alguém andara espalhando boatos sobre ele, em sua ausência. Fosse o que fosse, descobriria mais tarde. Assim que todos dispersassem afinal, teria uma longa conversa com Remus ou Harry.
- Sim. Esse é meu nome. – declarou, voltando-se para ela, jovial - E você seria...
- Ana. – Piscou várias vezes – Ana Weasley.
- Weasley? – Ele levantou uma sobrancelha, intrigado, mas tão sedutoramente despreocupado que irritou Serenna, que estava perto o suficiente para acompanhar o diálogo dos dois.
Será que nada no mundo faria Sirius Black crescer? Ela o observou disfarçadamente, conversando com Ana, recriminando-se por estar tão irritada com seu jeito de meninão. Pela primeira vez, vislumbrou o quanto ele e seu irmão eram opostos, e isso a incomodou ainda mais, mas não teve medo de pensar nos motivos pra se irritar,e voltou a descansar o rosto no peito do irmão, suspirando de puro cansaço.
– Ora, será que o mundo deu tantas voltas desde que... parti, que os Weasleys andaram produzindo um membro moreno? – E, em um gesto antiquado e galante, Sirius beijou a mão de Ana.
- N-não... – Ana riu, nervosa. O homem era uma lenda. E uma “lenda morta” até poucas horas atrás, inclusive. – Sou esposa do Carlinhos, filho de Molly Weasley.
- Ah... – Ele soltou um teatral suspiro, fingindo decepção. – E ele continua tão grande quanto me lembro, pelo que vi há pouco.
- Sim, senhor... – Ana abafou uma risadinha, enquanto Sirius corria os olhos à sua volta, esperando ver um ruivo ciumento cair em cima dele.
- Que azar o meu... – Ele piscou, maroto.
Ana estava louca para deixar a fã harrypotteriana que tinha dentro de si tomar conta da situação, mas sabia que não poderia fazer isso antes de, com todo o cuidado, alguém contar sobre o pedido que Dumbledore fez a J.K.Rowling para escrever os livros. Merlin! Ele nem mesmo sabia ainda sobre a morte de Dumbledore!
Sentiu-se voltar ao normal e, com toda a calma, comentou:
- Acredito que tenha conhecido minha mãe, senhor Black. – Ana engoliu em seco, mal podendo esperar para falar com alguém que tinha a conhecido nos tempos de colégio. Não podia contar com Snape para isso. – Elizabeth Smith Maximiliam.
- Elizabeth? – Sirius parou de gracejar, ficando genuinamente impressionado. – A Elizabeth da Lufa-Lufa?
- Sim – Ana confirmou, sorrindo timidamente.
- Tentei sair com ela algumas vezes. Era amiga da Lílian, você sabe, então... – ele fez uma careta, porque não se sentia tão velho a ponto de dizer que tentou namorar a mãe de alguém que já tinha idade para estar casada. - Mas, infelizmente – ele fitou Snape, perto dali – Elizabeth tinha uns gostos... “excêntricos”.
Ana seguiu a direção de seu olhar e compreendeu. Snape se inclinava para despedir-se da irmã, que Molly agora abraçava protetoramente. Ele e Minerva estavam de partida para Hogwarts. Era dia de aula, tinham que estar lá no café da manhã. Lupin já lhe prometera que a levaria para casa.
- Incrível, não? Quem poderia imaginar que Snape tinha uma irmã gêmea?
- Irmã gêmea? – Sirius se admirou – Mas como ninguém nunca soube?
- Ele mesmo só soube depois do fim da guerra... Quando os dois se encontraram pela primeira vez, ela o mandou numa viagem meio estranha... Snape levou 8 anos pra voltar. Mas isso é melhor eles contarem pra você depois, não sei os detalhes.
- Não, obrigado. Já sei tudo que preciso saber sobre Snape, obrigado.
- Acho que não... – Ana comentou, deixando Sirius intrigado, mas ela sentiu-se incapaz de falar algo mais. Definitivamente, ela não estava pronta para contar a Sirius Black tudo que acontecera depois que ele atravessara o véu!
Antes, porém que ela dissesse alguma coisa, ou Sirius perguntasse algo, Quim lembrou a todos que era hora de partir, antes que os funcionários do Ministério começassem a chegar. E todos aceitaram o convite de Molly para um café da manhã na Toca. Afinal, era lá que estavam as crianças. Gina e Ana tinham os filhos para amamentar.
=================

gente, primeira parte do capítulo. outros deveres me chamam, daqui a pouco posto o rsto.
ah, claro:
(1) O paciente inglês e O paciente inglês parte II.
Last edited by Regina McGonagall on 04/05/07, 10:56, edited 1 time in total.
Regina McGonagall
Ministra da Magia


Image
***
Clique aqui para me mandar uma coruja

RPG
Narração
Fala
Pensamento
Outros personagens


Image
User avatar
Regina McGonagall
Ministra da Magia
Ministra da Magia
Posts: 1023
Joined: 05/01/05, 15:56
Sexo: Feminino
Estado: MG
Location: Ministério da Magia, claro!

Post by Regina McGonagall »

Desculpem... ontem um tal de Louko Lockhart me deu trabalho extra...

bem, aqui vai a segunda parte, porque faltava um pedaço pra editar:

=================================
(continuação)

À medida que iam saindo da lareira, Molly já mandava todos se assentarem. Precisavam todos de um bom café e de um bom descanso, depois de uma noite como aquela.
Sirius nunca se sentira tão feliz por concordar com a Sra Weasley. Estava cansado. Sentia-se até meio zonzo... E nem sabia ainda de todas as novidades, pensou.
Uma prova de quanto faltava para ter conhecimento foi mais um comentário da esposa de Carlinhos Weasley, que continuava a fitá-lo como se fosse realmente uma celebridade daquelas que apareciam nas edições do Semanário das Bruxas:
- A Mel é que não vai gostar nada dessa notícia... – o ar divertido como que desmentia o efeito negativo de sua afirmação.
- Quem é Mel? – Sirius perguntou.
- Ah, ela é minha sobrinha. Quer dizer, é filha de meu primo. Está no 2º ano em Hogwarts, é da Corvinal.
- Mas porque ela não vai gostar da notícia, Ana? – Rony perguntou – Ela não é outra fã dos...err ... livros, como você?
Antes que Sirius perguntasse de que livros estavam falando, Ana respondeu, rindo:
- Ah! É que o Almofadinhas é um dos ídolos do Hector, não é? Ela vai considerar isso uma péssima influência para alguém que se autodenomina “o último dos marotos”!
Todos caíram na risada, dando razão a ela., mas isso só fez aumentar a curiosidade de Sirius, cada vez mais perdido.
- E quem, afinal de contas, é esse Hector?
- Meu filho. – Lupin falou, sorrindo, sentado ao seu lado – Eu e Tonks o adotamos. Acho que Mel terá mesmo, motivos para se preocupar. Ele já tem mais conselheiros sobre como deixar sua marca em Hogwarts do que gostaríamos... Mas conhecer você vai ser o máximo para ele.
Sirius comentou, meio pensativo:
- E eu vou levar mais tempo do que pensei para me atualizar. Mais do que da última vez...
Lupin sorriu, meio triste, mas respondeu:
- Assim que eu deixar Serenna em casa, volto pra cá e nós conversamos com calma. Harry, você pode ficar?
Harry olhou para Gina, que acenou com a cabeça. Depois, fitou Ana e disse:
- Seria interessante Ana estar presente. Tem coisas que só ela vai saber explicar, melhor do que eu ou você... Mas claro que ela precisa ir para casa, descansar. Talvez fosse melhor nos reunirmos lá em casa, depois do jantar.- ele se voltou para o padrinho - Sirius, você vai conosco. Gostaria que aceitasse ficar hospedado lá em casa por uns dias.
- Serenna deveria participar dessa reunião. Ela também tem informações importantes. – Ana retrucou de forma zombeteira, mas arrependeu-se em seguida pela sua impulsividade, certamente fruto de toda a tensão reprimida.
- Como assim? – foi a pergunta geral
- Ora, ela andou pesquisando bastante nesses dias... Na Internet – a Auror respondeu, tranqüilamente, já que o estrago já estava feito - até entrou na comunidade “BBB”...
- “Se a BBB fosse uma escola de samba, você seria a porta-bandeira!!”
- “Mas não sou eu que estou dando bandeira aqui! Confesse!”
- Ana! – o protesto de Serenna foi veemente, mas ninguém entendeu o motivo já que apenas Carlinhos acompanhara o pequeno diálogo em português.
Ou melhor, Alguma coisa dizia a Harry que aquilo tinha a ver com as informações que Ana tinha a seu respeito e que ele, em mais de uma ocasião, suspeitara ser melhor não saber.(1)

Até aquele instante, Serenna pemanecera em silêncio, agradecida por ter sido esquecida por enquanto. Sentia-se exaurida, teria preferido ir direto para casa, mas Molly insistira que ela precisava de um café da manhã decente, que não ia deixá-la a mercê dos elfos até que ela pudesse ir vê-la. Assim, deixara-se levar para a casa dos Weasley, e estava agora justamente sentada ao lado de Sirius, como se eles formassem um casal. E isso a fazia se sentir ridícula. Aliás, sua situação inteira era ridícula! E Ana ainda vinha dizer que ela estava dando bandeira? Isso fora o seu limite.
Sirius Black! Ela resgatara Sirius Black! O Maroto conhecido por bruxos e trouxas fãs de Harry Potter!
Quis se levantar e ir embora naquele instante, mas todos na cozinha, sem exceção, olhavam para ela, esperando sua explicação. Sirius a fitava interrogativamente, e seu olhar intenso a fez titubear. Como iria dizer que... Bem, como dissera certa vez uma personagem de um dos livros, “o gato já estava solto entre os diabretes”, então respirou fundo e começou a explicar:
- “Bring Black Back”. O movimento a favor da volta do Sr. Sirius Black. Mas não serei eu a entra na net e contar pra “suas fãs” que ele voltou, está vivinho da silva, sentado ao meu lado e tomando seu café como quem não come há séculos! – seu tom sarcástico lembrou a todos que ela era, afinal, irmã do Snape.
- Ei! E não como mesmo! – Sirius respondeu, tentando disfarçar a irritação. Ela era mesmo, irmã do Ranhoso – Não digo há séculos, mas... Quantos anos mesmo, vocês disseram que passei naquele lugar? – encarou-a novamente, perguntando num tom insinuante – E quem são, exatamente, essas “minhas fãs”?
- Não é possível que você seja tão... – Serenna começou a dizer, mas um arranhar forte de garganta a fez parar, e ela olhou para Ana, do outro lado da mesa, que falou:
- O Harry tem razão. Vamos nos reunir depois do jantar e conversamos sobre tudo. Eu preciso ir. E estou exausta também.
Dizendo isso, ela foi saindo da mesa, despedindo-se de todos e puxando Carlinhos, que segurava o bebê adormecido.
Aos poucos, todos fizeram o mesmo. Hermione deixou que Sirius conhecesse seu filho, emocionando-se por saber que o menino tinha seu nome, e partira em companhia de Rony.
Gina subira para ver os gêmeos, cuidados até aquele momento por um incansável Dobby, e Harry a seguiu.
Serenna sentia-se ainda mais cansada. Não sabia porque reagira tão agressivamente à indiscrição da Ana. Talvez fosse o acúmulo de tensão das últimas horas. E também a presença daquele homem irritante. Recusava-se a acreditar que Ana tivesse razão.
Apesar do que relera nos livros não dizer muito dele, além dos constantes conflitos com Snape, começara a achar que um certo conteúdo encontrado na Internet poderia conter mais verdade do que imaginara a princípio: as fanfics – histórias de ficção escritas por fãs da série HP – o descreviam como mulherengo e inconseqüente na época da escola, além de irresponsável e encrenqueiro. Por um momento, tentou imaginar o que ele acharia de alguns textos bem interessantes... e riu, atraindo seu olhar curioso.
Quando Lupin finalmente resolveu partir com ela, através da Rede Flu, ela sentiu um imenso alívio.
Lupin partiu primeiro, para ampará-la na saída da lareira.
Ela, por sua vez, pegou um pouco do pó de Flu e entrou nas chamas. Antes de dizer pra onde ia, correu os olhos pelo aposento, fixando-se em Sirius, que retribuiu seu olhar desafiador com uma expressão levemente divertida.
- Lar de Elizabeth – ela exclamou. E sumiu nas chamas verdes.

*********************

(1) cap. 12 de Harry Potter e o Segredo de Corvinal.
Last edited by Regina McGonagall on 19/04/07, 08:33, edited 1 time in total.
Regina McGonagall
Ministra da Magia


Image
***
Clique aqui para me mandar uma coruja

RPG
Narração
Fala
Pensamento
Outros personagens


Image
User avatar
Regina McGonagall
Ministra da Magia
Ministra da Magia
Posts: 1023
Joined: 05/01/05, 15:56
Sexo: Feminino
Estado: MG
Location: Ministério da Magia, claro!

Post by Regina McGonagall »

Meninas... desculpem... tinha ficado um pedaço para trás, porque precisava ser editado... ficou meio estranho, mas... quanto mais mexo mais estranho fica...
só que... tá muito pequeno pra ser um capítulo em separado.

=====================

(continuação)
Sirius passou tanto tempo trancado no banheiro que, quando saiu de lá, sacudindo os cabelos molhados, Harry gracejou que já estava para ir até lá, pensando que o padrinho tinha se afogado.
O dia passou tranqüilo na Toca. Sirius sentia-se como antigamente, quando ia visitar James e Lílian. Mas não disse isso a Harry. Não queria relembrar tempos difíceis. Falar naquele tempo os faria recordar todo o resto... e não queria isso. Não agora. À noite, fariam a tal reunião, onde ficaria a par de tudo que acontecera. Então, seria hora de falar dessas coisas. Num acordo tácito entre ele e o casal, só falaram de suas vidas atuais, das crianças... Sirius notou que alguns nomes não eram citados, e manteve sua curiosidade refreada. Sentia uma sombra no olhar do afilhado. E se preparava para notícias dolorosas.
Na hora marcada, após o jantar, Ana e Carlinhos Weasley chegaram. Logo depois, Tonks e Remus, trazendo com eles Serenna Snape.
Sirius observou-a, curioso, após sair do abraço apertado de Remus e todos se acomodarem. Usando vestes trouxas sob a capa, a irmã de Snape – e ele ainda não se acostumara com esse fato – foi sentar-se no canto oposto ao dele, e em momento algum o encarava diretamente, como se temesse fazê-lo. Parecia uma garotinha de escola, tímida e insegura na presença de estranhos.
Estranhos? Eles não eram estranhos! Partilhavam dos mesmos sonhos, e ela o tirara daquele inferno com um beijo. Como poderia considerá-lo um estranho?
Mas a fala de Harry tirou-o de seu devaneio, e ele se viu forçado a encarar o afilhado.
Serenna, enquanto isso, sentia-se completamente fora de lugar. Não precisava estar ali. Não havia nada que ela soubesse, que Ana também não soubesse. A Auror poderia muito bem falar por ela nessa reunião ridícula...
Harry resumiu como pode os acontecimentos de seu sexto ano de escola, tentando falar rapidamente da morte de Dumbledore, mas Sirius percebeu sua manobra e indagou:
- Como foi que Dumbledore morreu? Pelo jeito que você falou, até parece que contraiu gripe espanhola e pronto!
Todos fizeram silêncio e, instintivamente, olharam para Serenna. Além da dificuldade normal em falar no assunto, ela estava presente, a irmã do assassino. E todos se sentiam pouco à vontade com o fato. Ela olhou para cada um e perguntou:
- Vocês preferem que eu conte? Só sei o que estava naquele maldito livro, afinal! Não tenho os detalhes que só vocês sabem!
- Que livro? – Sirius indagou, fitando-a e sentindo-se feliz porque desta vez ela não fugiu ao seu olhar. Estava intrigado e satisfeito ao mesmo tempo, por notar que ela estava tensa com sua presença, sinal de que não lhe era indiferente, afinal. Ana respondeu, antes que Serenna esboçasse a intenção de fazê-lo:
- Uma escritora inglesa, J.K. Rowling, recebeu a permissão de Dumbledore para revelar ao mundo trouxa a vida de Harry Potter, em forma de livros de ficção para crianças e jovens. Cada livro contava um ano escolar de Harry, até sua vitória final sobre Voldemort.
- Todos aqui os leram? O mundo trouxa e o mundo bruxo estão conectados novamente?
- Não. – Harry respondeu – Aqui nesta sala, apenas Ana e Serenna leram os livros e também viram os filmes que foram feitos depois. Aliás, ela está nos devendo uma sessão de cinema, para conferirmos os filmes, mas precisaremos burlar a vigilância do Ministério pra isso – Harry sorriu para ela, que sorriu em resposta, um pouco mais tranqüila, parecendo até divertida com alguma coisa que Sirius desconhecia.
- Nem vimos o filme 5, que saiu em julho – Ana retrucou, em tom desolado. Harry fitou-a com olhar divertido, e continuou:
- Os nascidos trouxas que tiveram contato com eles, como a sobrinha da Ana, são alertados para não divulgá-los, e sofrem um feitiço inibitório ao ingressarem no mundo bruxo.
- E como vocês ficaram sabendo disso? – ele estava cada vez mais curioso.
- Acho que isso foi por minha causa. – Ana respondeu, com um sorriso, enquanto Carlinhos enlaçava seus ombros, carinhoso – Recebi um livro enfeitiçado... com um título que nunca foi publicado. “Harry Potter e o Segredo de Sonserina”. O livro era uma chave de portal, que me trouxe até aqui. Só que eu voltei ao ponto em que os livros haviam parado, ou seja, o final do sexto ano de Harry, e permaneci quase todo o verão, retornando então para o meu tempo, ou seja, o atual. Apenas há pouco mais de um ano, Carlinhos foi me buscar. Ele teve que esperar eu alcançar a idade em que estava quando viajei com a chave de portal, pois o contato prematuro com bruxos poderia interferir o meu futuro e também o de todos aqui. Foi quando nos casamos e vim pra cá.
- Você precisava ver como ela ficava, quando chegou aqui, há dez anos. Parecia não acreditar que éramos de verdade. – Gina comentou, rindo.
- Sim. Pensou que fossemos atores lhe pregando uma peça. – Harry explicou – Ela caiu bem no meio do quintal da Toca, sobre a barraca armada para o casamento de Fleur e Gui.
- Fleur? A francesa que disputou a Taça Tribruxo com você?
- Ela mesma. – Gina assentiu.
- E você? – ele fitou Serenna – Também veio pra cá por uma chave de portal? Nunca soube de Snape ter uma irmã...
Vendo-se interrogada diretamente, Serenna respirou fundo, antes de explicar sua história:
- Eu fui raptada quando criança, e levada para outro país, em outro tempo, onde fui adotada por uma família trouxa. Uma chave de portal defeituosa mandou Severus para onde eu vivia, só que anos à frente, desmemoriado. Foi assim que o reencontrei, no hospital. Alguma parte de meu inconsciente deve tê-lo reconhecido, pois foi com tranqüilidade que me tornei responsável por ele e o levei para casa comigo.
Enquanto ela fazia uma pausa, como se recordasse aquele tempo, os outros se entreolharam. Somente Ana conhecia aquela história com mais detalhes.
- Quando ele recuperou a memória, - Serenna continuou - chamou por Harry, que foi buscá-lo em nossa casa Ele me aplicara um obliviate antes de partir, eu fiquei distante dele por um ano, lembrando-me apenas de John Smith, um professor de química inglês que se hospedara na casa de meus pais. E continuando a ser simplesmente Sarah Laurent, uma mulher comum, que lera os livros e vira os filmes de HP acompanhando os sobrinhos ao cinema, mas não exatamente uma fã, como a Ana – ela olhou para a Auror, que sorriu fingindo-se constrangida. - No Natal passado, vim a Londres para o casamento de meu irmão caçula, de minha família adotiva, e descobri que ele se casara com uma bruxa. Só então, reencontrei Severus e soube de tudo.
- Imagino que foi um choque descobrir a verdade. – Sirius tentou ser irônico, mas ela não se deu por ofendida.
- Bem. Depois de uma vida inteira vivendo como trouxa, não foi fácil descobrir que era uma bruxa. Ainda não me acostumei com isso, mas todos têm me ajudado muito. Remus, principalmente, é um professor paciente. – ela sorriu para Lupin, e Sirius sentiu inveja do amigo. Ela continuou com ar desafiador – Se você acha que me envergonho de meu irmão, saiba que me orgulho por ele ser o homem que é e com a coragem de fazer o que foi preciso para ajudar Harry a vencer essa guerra. Mesmo tendo que fazer o que fez. Mesmo sofrendo por isso até hoje.
Todos se surpreenderam por ela ter levado seu relato até aquele ponto, mas compreenderam que fora pela emoção forte. A respiração de todos pareceu suspensa, enquanto Sirius indagou em voz baixa, quase num rosnado:
- O que você quer dizer? O que ele fez?
- Ele... – ela o encarou com firmeza, falando sem tremer a voz, apesar de estar tomada pela emoção – Ele matou Dumbledore.

- O que? – o brado de Sirius, alguns segundos depois, foi como uma bomba no meio da sala, tamanho era o silêncio que dominava a todos.
Ele estava em pé, à frente de Serenna, que também se erguera para enfrentá-lo.
Os dois se fitavam furiosamente. De repente, depois de alguns minutos de tensão, Sirius soltou uma gargalhada. Lupin se ergueu, rapidamente. Temia que o amigo tivesse enlouquecido de vez. Harry lembrou-se dos relatos sobre o confronto entre o padrinho e Rabicho, e também observava a cena, preocupado.
Serenna sentiu-se confusa, por um instante e exclamou:
- Você é um louco!
- Melhor que ser um covarde – ele retrucou em um murmúrio rouco.
- Não chame meu irmão de covarde! Você não faz nem idéia do que ele teve que enfrentar esses anos todos... – ela agitou os braços, dando as costas pra ele, antes de continuar – Mas também... que compreensão eu posso esperar de um homem que não sabe nem o que era seu irmão de verdade?
- O que meu irmão tem a ver com isso? – Sirius puxou-a pelo braço.
- Sirius, calma! – Harry interviu, ficando entre os dois. Então, voltou-se para Serenna – Deixa que eu explico tudo, Serenna. Você já fez o mais difícil, obrigado.
A mulher o fitou, sorrindo tristemente:
- Eu sei. Sou impulsiva demais pra conversas desse tipo. Vocês deviam ter me deixado quietinha no meu canto, me recuperando sossegada...Ainda estou esgotada e isso não facilita muito as coisas.
- Perdoe-nos por isso. – ele pediu, sorrindo, mas Sirius retrucou, agressivo.
- Sim, perdoe-nos por não nos prostarmos aos seus pés, adorando-a como a Deusa da Virtude e da Coragem eternas! A irmã do Ranhoso! Era só o que faltava!
- Sirius, contenha-se! – A voz de Lupin nunca soara tão autoritária, e seu amigo olhou para ele, espantado. – Não aja como um idiota!
- Está bem, está bem. Vou me sentar novamente, contar até dez... e vocês me explicam como uma traição como essa pode ter sido um ato heróico do Ranhoso...
Serenna revirou os olhos e suspirou:
- Deus, dai-me forças! Eu devia ter deixado esse miserável no lugar em que estava! Não devia ter deixado você – ela encarou Lupin – e aqueles dois me convencerem de que era o certo a fazer.
- Que dois? – alguém perguntou.
- James e Lílian! – ela respondeu, e só então se lembrou. Olhou para Harry e disse, baixinho – Eles me pediram pra dizer a você que estão sempre ao seu lado, e sempre estarão..
Ele apenas mexeu com a cabeça, emocionado, incapaz de responder qualquer coisa. Ana é quem perguntou:
- Você chegou a conversar com eles? O que mais disseram?
- Ah... apenas falamos sobre esse aí. – Ela apontou pra Sirius com um meneio do queixo. – De quanto eles tentavam falar com ele, inutilmente. E como ele sempre pensava que enlouquecera e tinha alucinações. E como se transformava de novo em um cão e se fechava para eles.
Depois disso, Sirius pareceu mais calmo, pensativo. Lupin resolveu tomar o controle da situação. Mandando que todos se sentassem novamente, começou a relatar os acontecimentos daquele ano e dos anos seguintes. Apenas quando Sirius perguntou novamente sobre seu irmão, é que Harry e Ana voltaram a falar, explicando sobre o horcrux e como descobriram quem era RAB.

Serenna permaneceu em silêncio, escutando tudo com atenção. Muitos daqueles fatos eram desconhecidos também para ela. Snape não lhe fornecera muitos detalhes sobre a guerra, ou sobre sua ação decisiva nela. Como ela supusera, o irmão fora um herói verdadeiro, mas escondera dela muita coisa.
Quando voltou para casa, pela lareira, só o que queria era dormir e esquecer aquele dia, esquecer que entrara naquele véu, esquecer Sirius Black!
Esperança vã. Quando conseguiu fechar os olhos, lá estava ele, sorrindo para ela, com seu ar zombeteiro, intrometendo-se em seus sonhos.

============================
Regina McGonagall
Ministra da Magia


Image
***
Clique aqui para me mandar uma coruja

RPG
Narração
Fala
Pensamento
Outros personagens


Image
Belzinha
Conhecendo A Toca
Conhecendo A Toca
Posts: 226
Joined: 29/10/05, 11:12
Sexo: Feminino
Estado: SC
Casa: Lufa-lufa
Micro Blog: Belzinha2
Location: Hogwarts
Contact:

Post by Belzinha »

Nossa, adorei!
Me supreendi com a maneira como conseguiu sintetizar tudo sem perder o ritmo das cenas! Se bem que eu não deveria esperar menos de vc, não é?
Eu ainda estou sorrindo com estes capítulos (que só consegui ler agora), e estou meio sem palavras para dizer o quanto gostei.
Ai, Merlim, eu quero ler a continuação"! Tá bom demais!!!! :palmas
Image
User avatar
Danna O'Brien
Recebendo a visita de Hagrid
Recebendo a visita de Hagrid
Posts: 30
Joined: 09/05/06, 21:08
Sexo: Feminino
Estado: RJ
Casa: Grifinória

Post by Danna O'Brien »

*pausa para respirar.respira grazy, respira!nao deu...*

AAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH


cara, nao vinha aqui a muito tempo, foi mal reginaaaaaaaaa!!!!
mas agora cheguei e li tudo!!!tah maravilhoso!!!nao tinha como ser melhor!!!a relação sirius e serenna tah divina!!!tudo perfeito!!! :palmas :palmas :palmas

vlw regina!!!!amo sua fic!!!e BBB sempre e realizadoooooo!!!!

nao demore a postar pq agora eu voltei e quero mais!!!!!!!!!!
posta logoooooooooo!!!!!
User avatar
Regina McGonagall
Ministra da Magia
Ministra da Magia
Posts: 1023
Joined: 05/01/05, 15:56
Sexo: Feminino
Estado: MG
Location: Ministério da Magia, claro!

Post by Regina McGonagall »

Gente, mais um capítulo, para que vocês não fiquem bravos...
o próximo vai demorar um pouco mnais, porque está sendo quase totalmente reformulado... em vista de novas idéias (é o que dá ficarem me cutucando no msn... hihi)

=================================


Recomeçar é sempre difícil

Quando o sol penetrou por uma fresta da cortina mal fechada, o homem que dormia esparramado na cama abriu os olhos. Contudo, permaneceu deitado, sentindo a maciez do colchão sob seu corpo, a temperatura agradável do quarto, a sensação de acordar como qualquer outra pessoa.
A sensação maravilhosa de estar vivo! Saltando da cama, correu à janela, abrindo-a de par em par e respirando profundamente o ar da manhã. Estava vivo. Vivo... e livre! Livre daquele pesadelo sem fim, que julgara durar para sempre.
Os sons dos outros moradores da casa acordando, bebês choramingando, elfos em suas tarefas, seu afilhado se levantando, tudo isso era como música aos seus ouvidos. Aceitara o convite de Harry, ficaria uns tempos na casa dos Potter, como antes...
Recordou mais uma vez os acontecimentos do dia anterior. Tudo que ouvira quase lhe tirara o sono. Ainda não conseguira assimilar tudo que haviam lhe contado. Pensava que levaria anos para se reintegrar à vida normal. Pelo menos, e isso era um alívio, não era mais considerado um criminoso fugitivo, e Azkaban estava fora de cogitação. Agora, era tocar a vida pra frente, embora ainda não tivesse se decidido sobre se apresentar de volta ao mundo bruxo ou não.
E tinha também aquela mulher. Estava em dívida com ela, por menos que gostasse disso. A irmã do Ranhoso! Saíra do véu porque ela fora buscá-lo. A garota dos seus sonhos! Lupin estava certo que ninguém mais, nem mesmo Harry, teria conseguido alcançá-lo, e ele concordava com isso. Ele sempre pensaria ser vítima de novas alucinações, fosse quem fosse que tentasse resgatá-lo. Além do portal que só ela conseguia operar, como Lupin explicou.
Lupin... o amigo também fora uma surpresa. Casado, e com sua prima Tonks! Como não percebera nada, no período em que haviam praticamente vivido juntos na casa do Largo Grimmauld?

Teria que pensar também em algo para se ocupar. Não poderia permanecer inativo, não era sua natureza, nem sua vontade. Já passara tempo demais sem fazer nada, sem viver nada!
Outra coisa era a herança... e a casa. Harry lhe dissera que teriam tempo para conversar a respeito das questões legais e financeiras, mas que ficasse tranqüilo, pois seus recursos não haviam sido tocados.
Mas ele não sabia se queria voltar pra lá, mesmo que tivessem lhe garantido que a casa fora limpa e reformada, e tanto o retrato de sua mãe quanto Monstro não estivessem mais lá (Harry lhe contara que o velho elfo morrera de tristeza, ao pensar que Bellatrix estava morta).

Uma leve batida na porta, e ele balançou a cabeça para espantar as lembranças más que começavam a rodeá-lo.
- Sim?
A porta se abriu e Harry enfiou a cabeça no vão.
- Vamos tomar café? – ele perguntou, sorrindo.
- Claro! Estou com uma fome tremenda! Como disse a <i> Ranhosa</i>, não como há séculos!
- Não a chame assim. – Harry o repreendeu, mas sorria, divertido – Serenna é legal, você vai ver. E fez milagres no Ran... no Snape. Ele é outro homem, acredite.
- Snape? Mudado? Só acredito vendo, mas, sinceramente, não quero saber.
- Então, venha logo, antes que o café esfrie. Gina pode ser pior que a mãe dela, certas horas.
- Ah, isso eu acredito. Vamos!
Rindo com verdadeira alegria, os dois desceram para a sala de jantar.
Logo, estavam sentados à mesa, comendo e fazendo planos para o dia. O primeiro dia de Sirius Black de volta à vida de bruxo!

*****

- Aluado, meu velho! Você vai mesmo ficar aí o dia todo? – A voz rouca que vinha da lareira tirou Lupin de sua concentração, e ele viu o rosto de seu velho amigo projetar-se das chamas.
- Sirius! – Ele sorriu – Eu ainda preciso trabalhar nesses papéis. Onde você está?
- Na sua casa, onde mais? Tem certeza de que é só trabalho que te prende aí, em plena manhã de sábado?
O tom maldoso do antigo maroto deixou Lupin intrigado por um segundo. Depois, entendeu que tinha o dedo de Tonks naquela história... ela estava se fazendo de ciumenta para fazer Sirius ir até lá.
- Porque você não vem aqui e confere? – Lupin o desafiou.
Sabia que o outro ainda tinha reservas sobre o “tal lar de crianças”. Afinal, era a casa do Ranhoso!
Sirius ficou alguns minutos em silêncio, fitando o amigo.

Por um momento, Lupin pensou que ele não ligaria. Mas riu ao perceber que Sirius continuava o mesmo, pois no minuto seguinte, ele estava entrando por inteiro nas chamas, e saindo no escritório de Lupin.
Os dois se abraçaram felizes. Depois, Sirius olhou em volta.
- Nada mal. – Comentou, depois de observar a sala de decoração simples, sentando-se tranqüilamente na cadeira em frente à mesa, enquanto Lupin voltava ao seu lugar e organizava os papéis que estivera estudando, guardando-os em uma pasta obviamente trouxa.
Sirius pareceu achar engraçado. Havia documentos bruxos e trouxas na mesa, assim como canetas comuns ao lado de penas e tinteiros. Além de um aparelho que ele reconheceu como sendo um telefone.
Lupin riu também e comentou:
- Tivemos um trabalho imenso para ajustar tecnologia trouxa a uma casa bruxa, mas está funcionando, ainda bem. O fato de ter primeiramente pertencido a trouxas facilitou o trabalho, a instalação elétrica, por exemplo só precisou ser refeita. Isso facilita o trabalho, quando temos que tratar diretamente com orfanatos e outras instituições trouxas. Você sabe, precisamos usar o mínimo possível de magia com eles, depois de tempos tão conturbados. Eles sofreram muito os reflexos da guerra, e já não são tão desatentos como antes. Além de Harry Potter ter se tornado um nome conhecido entre eles, pelo menos no campo da “ficção”, como você já sabe.
Assim dizendo, ele conduziu o amigo para fora de sua sala. Mostrou-lhe as salas de aula, a biblioteca, a sala de Snape – e Sirius ficou satisfeito em apenas vê-la de longe – e a Secretaria, onde além de telefone havia também um computador, impressora, scanner e tudo o que se poderia imaginar em um escritório trouxa, embora metade daquelas coisas fosse completamente desconhecida pra ele.
- No 3º andar temos os dormitórios das crianças internas, com uma sala comunal, como em Hogwarts, e quartos individuais. Além, é claro, das acomodações pessoais dos membros da família Snape.
Sirius o fitou com cenho franzido, entre curioso e contrariado.
- Ainda não me acostumei com essa historia do Ranhoso ter uma família... filho, irmã, sobrinhos... Você não está enganado quanto a isso?
Lupin soltou uma sonora gargalhada, antes de responder:
- Eu também achei difícil de acreditar, no começo. Mas o cara mudou mesmo... bem, pelo menos em alguns aspectos.
- Sei... – Sirius ainda não se convencera quanto à mudança de Snape..
Era, portando, um Sirius desconfiado e alerta que seguia Lupin agora pelo que era “a casa do Ranhoso”.

Eles desciam a escada de volta para o andar térreo, quando foram ultrapassados por três garotos que carregavam vassouras e outros utensílios de limpeza.
Ao olhar curioso de Sirius, Lupin explicou:
- Os elfos domésticos são elfos livres, têm folga aos fins de semana. Cada garoto é responsável por seu quarto, e uma turma de três pelas áreas comuns. Hoje, são estes que você viu, eles fazem rodízio.
- Sério?
- Sério. E não faça essa cara. Eles seguem as regras direitinho. Ainda não podem usar magia e todos têm menos de onze anos. Os mais velhos já estão em Hogwarts. Claro que alguns enrolam um pouquinho, mas nenhum deles quer levar bronca da “Tia Serenna”. Ela é terrível, quando precisa.
- Imagino... sendo quem é!
Lupin entendeu que Sirius estava na defensiva com Serenna. Na certa, a imaginava como uma versão feminina de Snape, dando ordens em voz ríspida e distribuindo punições a torto e a direito, como nos relatos de Harry na época da escola. Só a encontrara uma única vez, depois do dia de seu retorno. Haviam praticamente trombado um no outro, no átrio do ministério da Magia. Lupin sorriu, imaginando que ele se surpreenderia e muito... mas não ia estragar a própria diversão dizendo isso a ele.
- Está quase na hora do almoço, mas acho que ainda conseguimos uma boa xícara de café. Vamos até a cozinha?
Os dois bruxos seguiram o mesmo caminho dos garotos. Lupin, porém, foi primeiro ao pátio interno, ver o que eles andavam aprontando por lá.
Um grupo de seis meninos se divertia jogando bola no pátio onde o fraco sol de inverno penetrava preguiçosamente, de paredes enfeitiçadas para parecer um grande campo aberto, embora todos soubessem estar rodeado de prédios altos.
- Quer bater uma bolinha com os garotos? – Lupin indagou.
Sirius recusou com um aceno simples. Eles foram então para a cozinha, onde um quadro inusitado se descortinou aos seus olhos assombrados.

A mesa comprida de madeira, ladeada por dois bancos que acompanhavam toda a sua extensão, estava pela metade tomada de utensílios, panelas e legumes e outras coisas.
Sirius conseguiu identificar apenas o que parecia ser metade de uma bela abóbora já cortada em cubinhos, ao lado de cebola e algo que ele chamaria apenas de “cheiros verdes” sobre um canto da mesa.
Perto do fogão, uma mulher de costas, vestindo roupas trouxas – uma calça jeans e camiseta – e tendo os cabelos negros presos num coque alto por um objeto de madeira que parecia ser uma varinha, verificava as panelas, antes de se virar para as três crianças à mesa, um menino e duas meninas:
- Ok, você venceu. Vou fazer batatas fritas para o senhor Leonardo aqui. Isso... me lembra uma música... Bem, não a da batata frita... a outra, claro.
- Ai, não, de novo!... – Aline revirou os olhos para cima, rindo com gosto e sendo acompanhada pelos outros dois, enquanto Serenna, usando uma colher de pau como microfone começou a cantar algo, enquanto as crianças faziam o que parecia um coro desafinado.
- Use um feitiço tradutor, ou não vai entender nada – Lupin disse.
- O que? – Ele olhou-o sem entender.
- Serenna foi criada no Brasil, como a Ana Weasley. Está cantando em “português”. Aliás, muita gente ainda a chama de Sarah ou Srta Laurent, seu nome “trouxa”.
Com um gesto de compreensão, Sirius sacou sua varinha e murmurou o feitiço contra os próprios ouvidos, assim, pode entender o que cantavam:

-<i> “Longe de casa, há mais de uma semana. Milhas e milhas distante do meu amor... Será que ela está me esperando –do... eu fico aqui sonhando, voando alto... perto do céu...”</i>
Ela dançava, enquanto cantava, completamente alheia à entrada dos dois bruxos, e as crianças se divertiam balançando o corpo pra lá e pra cá, batendo palmas e rindo.
Sirius observou:
-. Os garotos da casa estão sob feitiço de tradução também?
- Ah, não! – Lupin sorriu – Eles aprenderam o português, enquanto ela ensinava inglês para os filhos, esses dois à direita – Lupin apontou Leo e Aline - Foi por iniciativa deles, acredita? Não queriam que os dois se sentissem distantes por causa da língua. Todos têm um espírito muito... cooperativo, digamos.
- Coisa de Lufa-Lufa – Sirius comentou.
- Pode ser... Elizabeth era da Lufa-Lufa, acho que a casa tem “seu espírito”.
Sirius riu do comentário. Lembrava-se bem de Elizabeth e ainda não entendera porque a casa tinha seu nome, mas resolveu deixar esse assunto pra depois. Afinal, seria impossível conversar algo sério ouvindo tal “concerto”...

Indiferente à presença dos dois, Serenna continuava cantando:
-<i> “O vento traz uma canção, que me faz lembrar você, eu fico louco de emoção e já não sei o que vou fazer...ê... estou a dois passos do paraíso, não sei se vou voltar, estou a dois passos do paraíso, talvez eu fique, eu fique por lá... estou a dois passos do paraíso, não sei porque eu fui dizer... ê: bye bye...”</i>
- <i>Bye bye, baby bye bye </i>– as meninas cantaram em coro, rindo, mas nesse exato momento, Serenna percebeu os dois homens. Lupin ria, divertido, Sirius tentava se decidir se achava engraçado ou ridículo, mas ela não estava preparada para ter maior platéia que seus filhos e as outras crianças da casa...

Vermelha como os tomates picados sobre a mesa, ela baixou a colher de pau e murmurou alguma coisa, que Sirius podia jurar que fora um belo xingamento em português. Depois, rapidamente enxugou as mãos no avental florido que provavelmente pertenceria a Molly, antes de se aproximar e cumprimentá-los, sem graça.
- Prof. Lupin, Sr. Black, desculpem o mau jeito, eu...
- Não se preocupe... Serenna – Lupin sorriu. – Sua alegria é sempre boa de se ver... e ouvir. Seria abusar de você pedir-lhe um cafezinho?
- Claro que não! Sentem-se daquele lado, tem menos coisas esparramadas.
Ela indicou o canto oposto às verduras e legumes picados.
Depois que os dois homens se acomodaram, as crianças rapidamente sumiram da cozinha.
- Espertinhos... já acharam que podiam ir brincar... Mas terão tarefas depois do almoço, não perdem por esperar.
- Você não está pegando muito pesado com eles? – Lupin perguntou, rindo de sua cara de brava que mudou para condescendente mais rápido do que seria de se esperar.
- Claro que não! Só vão poder usar magia pra fazer as coisas por aqui depois dos 17, não é? Têm que saber fazer as coisas como todo mundo... normal. E lavar pratos e talheres nunca quebrou a mão de ninguém. Até uma doninha pode fazer isso! – Ela sorriu, lembrando-se de um certo hóspede, enquanto depositava à frente deles duas xícaras fumegantes, sem que os dois entendessem o comentário final.
- Não sei se está do seu agrado, Professor, sabe que ainda faço café ao gosto do meu pai... – um olhar tristonho passou por seu rosto. - Vocês podem ficar à vontade, mas preciso continuar com o almoço. Já são 11 horas. Agora mesmo, teremos uma invasão de crianças famintas, ainda mais que foram todas jogar bola.
Ela voltou para o lado do fogão, onde acendeu o fogo para colocar outra panela. Lupin esboçou sua curiosidade antes que Sirius o fizesse.
- Como se vira com o fogão, quando Molly não está?
- Ah, é elétrico, com acendimento automático! André conseguiu recuperar a fiação da cozinha também. Assim, quando estou aqui, é tudo perfeitamente... trouxa – ela fez uma careta, também não gostava do termo infeliz.
- Você não pretende fazer toda essa abóbora, não é? – Lupin perguntou mais uma vez, com ar divertido. – Os garotos comem tanto assim?
- Hein? – ela olhou dele para a metade de abóbora a um canto da mesa – Ah, não! – sorriu. – Vou fazer um doce depois. Mas não esse doce de abóbora comum que vocês conhecem. Vou fazer uma receita diferente, que aprendi com minha mãe. Aposto que você nunca provou nada igual! – Serenna deu uma piscadinha e voltou a se entreter com as panelas.

Lupin começou então a conversar com Sirius, falar das atividades que desenvolviam, da escola fundamental para filhos de bruxos que não precisavam mais ser educados em casa ou se arriscar em escolas trouxas, enquanto tomava o tal cafezinho, forte e meio amargo.
Mas o velho maroto só prestava meia atenção às suas palavras, atento aos movimentos da mulher, que parecia agora ignorá-los por completo.
Na verdade, ela sentia seu olhar acompanhando cada movimento, mas não se intimidava com tão pouco... precisaria de muito mais do que um velho cão sem dono para desconcertá-la. Rindo do próprio pensamento, ela continuou seu trabalho, não sem antes ir até o aparador e ligar um aparelho de som trouxa, ajustando o volume de forma que não incomodasse os dois homens. Para surpresa de Sirius, os cantores não eram totalmente desconhecidos seus: os <i>Bee Gees</i>.
Ele olhou para Lupin e ambos ficaram um instante em silêncio, o que chamou a atenção de Serenna, que os olhou interrogativamente.
- Era o conjunto favorito da Lily. A mãe do Harry. - Lupin explicou, com a voz levemente triste e saudosa. - Lembra, Sirius daquele verão? Depois de nossa formatura?
- Se lembro! Ela nos fez ir ao cinema trouxa com ela, para ver um filme que tinha as músicas deles... como era mesmo o nome?
-<i> “Os Embalos de Sábado à Noite”</i>, aposto! – Serenna falou.
- Como você sabe? – Sirius a fitou, curioso.
- Ah, eu sei as músicas de cor, desde criança. Felipe, meu irmão mais velho era fã deles. Ele e seus amigos fizeram cover do conjunto um bom tempo, na adolescência... – ela sorriu ao contar – e claro que eu adorava vê-los cantar!...Era apaixonada pelo Barry Gibb... Acho que foi por isso que me apaixonei por... – ela parou de repente – Desculpem.
Levemente desconcertada por ter falado demais, ela voltou sua atenção para o fogão.

Por alguns minutos, só o que se ouviu na cozinha foi a voz melodiosa do trio cantando <i> “More than woman”. </i>

Quebrando o clima constrangedor, Lupin comentou sorridente, que se arriscaria a uma bronca de Tonks, mas ficaria para o almoço, e Serenna riu, agradecendo o elogio e dizendo que ficaria feliz, se não corresse o risco de ser estuporada pela Auror.
Enquanto isso, Sirius observou-a colocar azeite na panela, depois tempero, a cebola, e por fim, a abóbora picada. Viu-a provar o gosto na ponta da colher de pau, depois colocar água e tampar. Observou seus movimentos com outras panelas, o cheiro agradável dos temperos chegando até a mesa.
Sirius, por um instante, desejou que ela o fitasse com a mesma familiaridade e sorrisse pra ele da mesma forma que sorrira há pouco para Lupin, mesmo quando o chamava formalmente de “Professor” mas a mulher continuava mantendo uma postura de reserva com relação a ele. Chegou mesmo a indagar pra Lupin, se eles não prefeririam conversar mais à vontade em sua sala, mas o velho lobisomem ignorou de propósito seu ar de prevenção contra Black, intimamente se divertindo com o duelo implícito do casal... e respondeu:
- Ah, mas aqui está bem mais agradável. Além do cheiro da comida estar muito convidativo, tem um ar aconchegante. Sem dúvida, é o melhor lugar da casa.
Serenna deixou escapar um suspiro, ao comentar:
- Era o que diziam... da cozinha “lá de casa”... Mamãe estava sempre fazendo alguma coisa... Mas não chego nem aos pés dela...
A tristeza súbita de Serenna encabulou os dois homens que, num acordo tácito, decidiram não importuná-la, embora permanecessem ali. Por nada deste mundo, Sirius concordaria em sair da posição privilegiada em que estava agora.
Voltando a observá-la discretamente, incentivou Lupin a continuar falando sobre os processos de adoção que já estavam em andamento, sem se dar conta de que o outro percebera seu interesse nem tão velado assim. Na verdade, era uma bandeira atrás da outra, mas Almofadinhas nunca admitiria nada, nem sob uma <i>“cruciatus”</i>.
Serenna era para Sirius algo completamente novo e intrigante. Suas roupas de trouxa e sua desenvoltura pela cozinha sem usar magia em momento algum eram coisas completamente novas para ele, pois nem mesmo Lílian dispensava o uso da varinha com tanta facilidade.
Como ela podia, sem usar magia alguma, fazer uma comida que cheirava tão bem? Não identificava todos os odores, isso era certo. Mas, com um pouco de atenção, conseguira distinguir o que era aroma vindo do fogão ou da mesa, e o que vinha da mulher que, neste exato momento, estendera o corpo a poucos centímetros dele para os “cheiros verdes” sobre a mesa, completamente distraída do efeito que seu gesto causara. Seu olfato aguçado identificara aniz e outra substância, provavelmente alguma erva exótica...
- Canela. – Lupin disse, de repente, num sussurro ao seu ouvido.
- O que? – Sirius fez-se de desentendido.
- Aniz e canela, são as essências que ela está usando. – o lobisomem piscou, travesso.
- Não sei do que está falando – Sirius tentou desconversar, também murmurando em resposta.
- Eu também sou um homem de faro canino, esqueceu? Mas o meu, pelo visto, está mais... “apurado”! - Lupin piscou, mas mudou de assunto, pois percebeu que Serenna se retesara por um segundo, incomodada por vê-los aos cochichos.
Mas isso custou a ela um alto preço. Um segundo de desvio de sua atenção resultou em uma queimadura, e ela gritou de susto, enquanto corria para colocar a mão sob um jato de água fria na pia.
- O que houve? – Os dois perguntaram em uníssono, já se erguendo para acudi-la.
- Nada. Desculpem. Só me distraí e pus o dedo na frigideira quente.
- Que alívio... Por um minuto, pensei que era a minha prima Tonks... Ela ainda é tão desajeitada como antes, Remo? Lembro que Molly nem a deixava chegar perto das panelas, no Largo Grimmauld...
- Ah, já melhorou um pouquinho... ou eu e Hector já teríamos morrido de fome – o outro riu, e eles se descontraíram novamente.

Serenna pareceu “esquecer-se” da presença deles daí por diante e, em breves minutos, uma típica comida caseira como a que sua mãe costumava fazer em “dias comuns” já estava praticamente pronta: feijão e arroz, o ensopado de abóbora, as saladas postas à mesa, a batata frita que prometera ao garoto, os bifes de frango grelhados. Era sábado, estava na cozinha, então, queria tentar “estar em casa de novo”...
Ela pediu licença aos dois homens para ajeitar rapidamente a mesa, esticando um forro limpo, enquanto as meninas voltavam para a cozinha e já tomavam para si a tarefa de distribuir os pratos limpos.
Logo, dez crianças já estavam em seus lugares, mãos lavadas e rostinhos sorridentes, conversando sobre suas brincadeiras no pátio ou planejando novas estripulias para a tarde.
Aline, franzindo a testa, apontou pros dois adultos:
- Vocês vão almoçar conosco?
- Se sua mãe permitir... – Lupin sorriu.
- Bem... ela deixa sim. Mas vocês não foram lavar as mãos. – A menina concluiu, com um sorriso travesso. – E não vale limpar com a varinha, não é, mamãe?
- Ah, isso mesmo! – Serenna sorriu para a filha e se voltou para os dois adultos, fingindo zanga. – Vão já, lavar essas mãos, com água e sabão, ou nada de almoço!

*******

Ao final do dia, Sirius até que se deu por satisfeito. Fora uma experiência completamente nova provar da “comida caseira” de Serenna. Ou melhor, Srta Snape. Nem a intimidade da cozinha a fizera relaxar do tratamento formal. Ainda era “Sr. Black”...
Ela se juntara a eles na Secretaria, depois de orquestrar a arrumação da cozinha com algumas das crianças. Trocara a camiseta que usava antes por uma bata indiana branca, soltara os cabelos e, claro, tirara o avental. E Sirius conseguira sentir novamente seu perfume, e com um rápido olhar pra Lupin, confirmar sua essência.
Serenna não dera sinal de perceber a muda comunicação entre eles, integrando-se à conversa sobre as ações planejadas para a semana seguinte, quando iriam visitar um orfanato trouxa no interior, onde um recém-nascido havia sido entregue há pouco tempo, um pequeno futuro bruxo “mestiço”. Pelo visto, o pai – desconhecido – era bruxo. A mãe, uma trouxa, entregara o filho no orfanato e desaparecera.
Este fora o motivo que levara Lupin ao Lar Elizabeth em pleno sábado. A conferência de toda a papelada trouxa necessária para apresentar no tal orfanato e possibilitar a transferência imediata do bebê.
- Felizmente, neste caso, já temos um casal de bruxos querendo adotá-lo. Sempre há os que preferem crianças ainda nessa idade.
- Estou acostumada com isso. Nos orfanatos em minha terra, há centenas de crianças crescendo e se tornando adultas, sem nunca conhecer um lar de verdade... porque os casais sempre querem bebês, e brancos, de preferência... Se você é uma criança de pele um pouco mais morena, cabelo “sarará” e mais de dois anos... pode esquecer. E ainda há a dificuldade de colocar em uma mesma família irmãos órfãos de idades diferentes. Por isso, adotei Leo e Aline.
- Adotou? – Sirius se surpreendera mais uma vez – Pensei que... que fossem seus filhos de verdade.
- Não, Sr. Black. Não tenho filhos... biológicos. Eu consegui adotá-los, mesmo sendo uma mulher solteira, depois de muitos malabarismos legais e principalmente por serem multiraciais e estarem já fora da idade de uma provável adoção ideal. Seria muito difícil não separar os dois irmãos.
- Mas... porque você os adotou, afinal de contas?
- Na verdade... – Serenna o fitara fundo nos olhos, como se tentasse imaginar porque diabos aquilo poderia ser da conta dele. Mas, depois de um longo suspiro que teve o poder de lhe serenar o ímpeto de mandá-lo, literalmente, “catar coquinhos”... respondeu com firmeza e emoção. – Porque me apaixonei por eles no momento em que os conheci, postos de lado como trastes que atrapalhavam o caminho e nem serviam pra se conseguir uma pensão polpuda... acompanhei de perto a história familiar deles, e odiava ter que ver o que a louca da mãe deles estava fazendo da própria vida e no que provavelmente transformaria a vida dos filhos. E isso, eu não ia admitir. – Outro longo suspiro - E a melhor forma de evitar, foi adotando os dois.
Serenna irradiava neste momento uma força inacreditável, uma aura de poder e determinação que causou admiração a Sirius, e ele entendeu o que o amigo queria dizer sobre ela ser terrível quando queria.

Mas Serenna não lhe deu tempo de falar mais alguma coisa, já combinava com Lupin a viagem para a segunda-feira, cedo.
- Há um contratempo, infelizmente – Lupin observou, sério. – A diretora da casa só aceita entregar a criança diretamente para os novos pais adotivos, diz que é uma tradição de sua instituição, blá, blá, blá...
- Não é aconselhável apresentarmos os Baddock assim... pra começar, não vão saber se portar como trouxas e vão se atrapalhar - Serenna estava preocupada. – Não podemos nos apresentar como marido e mulher, como fizemos da outra vez?
- Não. Ela já me conhece como “funcionário do serviço Social”... Foi de lá que trouxemos a Melanie e o Peter, pouco antes de você vir pra cá.
Enquanto os dois permaneciam pensativos, Sirius sorriu. Era a sua chance de se aproximar um pouco mais daquela mulher intrigante, que o tirara daquele inferno com palavras de carinho e conforto que jamais julgara ouvir de alguém, e agora o tratava como a um completo estranho.
- Eu serei seu <i> “marido”</i>.
- O que? – Serenna e Lupin indagaram a um só tempo.
- O que vocês ouviram. Vocês precisam de um casal para buscar a criança, não é? Eu vou, e me passo por seu marido. Vocês estão acostumados com a situação, eu sigo as instruções que me derem e está resolvido.
Lupin fitou Serenna, com ar de dúvida. Sabia o que Sirius estava tentando fazer, e ela também, com certeza. Viu a bruxa levantar as sobrancelhas, num gesto muito típico de seu irmão gêmeo, e depois concordar com um sorriso estranho:
- Está bem. Combinado. Mas precisaremos ser muito convincentes, Sr. Black. O senhor terá que se portar como um homem normal, e se vestir como tal.
- E você terá que dispensar essa formalidade toda, acredito. Ou vamos fazer o estilo “casal sério de uma tradicional família da falida nobreza inglesa”?
- Até que não seria má idéia, <i>Sr. “meu marido”... </i>– ela piscou, divertida.
- Bingo! – Sirius murmurou para si mesmo. Talvez tivesse finalmente quebrado o gelo.

*****


Serenna olhava para a tela do computador, completamente concentrada no documento que digitava, e não viu o homem que entrou em silêncio e se postou à frente de sua mesa, aguardando.
Ele, por seu turno, pareceu gostar de observá-la sem ser notado, por alguns minutos. Mas, finalmente, resolveu se manifestar:
- Bom dia, Sra. Black... pelo menos por hoje...
- O que? – ela indagou, distraída, erguendo os olhos um segundo, voltando para a tela e, de repente, voltando a observar o homem à sua frente, só então se dando conta de quem era o dono daquela voz rouca.
Trajando um elegante terno risca de giz preto, camisa cor de chumbo e gravata preta, os cabelos semi-longos presos num rabo de cavalo, a barba bem aparada e um chapéu que lhe lembrou os velhos filmes de gangster que seu pai gostava e trazendo o casaco dobrado sobre o braço, Sirius Black lhe pareceu completamente irreconhecível... e irresistivelmente charmoso também. Os óculos escuros haviam escorregado para a ponta do nariz, e ele a fitava por sobre as lentes azuis, fazendo-a se lembrar do personagem de um filme antigo.
Serenna respirou fundo, disfarçando sua ligeira perturbação com movimentos rápidos para fechar as “janelas” e desligar o computador, enquanto ajeitava alguns documentos numa pasta e se erguia, pegando também sua bolsa.
- Bom dia, Sr. Black – ela respondeu por fim, sem encará-lo, e por isso não viu seu sorriso.
Sirius percebeu que não seria tão fácil quanto imaginara... Bem que Remo o prevenira! Mas não ia desistir tão facilmente. E ela ficava incomodada com sua presença, acabara de confirmar. Sinal de que arranhara sua armadura fria.
- Pensei que fôssemos dispensar as formalidades excessivas... – ele disse, enquanto a admirava.
Serenna usava uma saia longa e blazer de veludo verde garrafa sobre uma blusa de gola role, e calçava botas de um tom mais escuro. Sirius teve a impressão de que ela vestira cores sonserinas de propósito, para lembrá-lo de que era uma Snape. Mas esquecera-se do sonho? De como ficava adorável em seu vestido verde? Os cabelos estavam novamente presos num coque igual ao da Prof. McGonagall, mas desta vez, a varinha tinha sido guardada, provavelmente no bolso interno do casaco que ela pegou no aparador, enquanto Lupin entrava na sala para chamar por eles.
- Vamos? – Ele perguntou, olhando de um para o outro, curioso.
Com apenas um leve sorriso, Serenna o acompanhou até a porta, seguida por Sirius, que trazia seu velho sorriso no canto dos lábios. Lupin o fitou significativamente, mas ele apenas deu de ombros.

- Vamos aparatar na rua de trás da instituição. Ainda bem que não está chovendo, assim poderemos usar a desculpa de que o carro está lá, quando sairmos com o garoto.
- Er... Remus... temos um problema... – Serenna murmurou, meio insegura.
Lupin a fitou por um segundo apenas, então se lembrou. Ela ainda não aparatava sozinha. Como na maioria das vezes que saía estava em companhia das crianças, sempre usava a Rede Flu ou transporte trouxa, se não apelava para o Noitibus. Com isso, acabara protelando o treino de aparatação, sempre tendo outras prioridades...
- Ok. Fazemos como antes, você vai comigo... – ele estendeu a mão para ela, mas Sirius interferiu, decidido. Entendera o problema e não perderia uma chance dessas.
- Nada disso, Aluado. Eu faço as honras. Afinal, sou seu marido por um dia, esqueceu? – Ele fitou Serenna com um sorriso ainda mais sedutor, e ela tentou não encarar seus olhos claros e risonhos.
Intimamente, se repreendia por não ter ficado calada. Lupin a teria tomado pelo braço como já fizera antes, e aparataria com ela, depois de dizer a Sirius aonde iam. Mas ela ficara ansiosa... a presença dele a desconcertava... Desde a noite em que o tirara daquele véu, deixara de ter os pesadelos de antes, mas isso não significava que ele deixara de povoar seus sonhos...
-<i> Calma, mulher! Nem parece que tem quarenta e tantos anos... está bem, não tem mesmo, só “viveu” trinta e poucos... mas, que diabos! Você não é uma adolescente “sem noção”!</i>
Foi despertada de seu diálogo íntimo pela voz rouca ao seu lado.
- Pronta? – Ele segurava seu braço com firmeza, já prestes a aparatar. – Lupin já foi.
Ela olhou em volta, repentinamente consciente de que estava só com Sirius Black. Fitou-o nos olhos, finalmente, resoluta e séria, e respondeu.
- Estou pronta.
Dando uma de suas risadas parecidas com um latido, ele a enlaçou e: click. Aparataram.

Serenna ainda não se habituara com aquela sensação horrível, um dos motivos que a fizera adiar seu teste de aparatação. Mas agora, com certeza, tinha um bom motivo para se inscrever no dia seguinte: aparatar acompanhada podia ser... desconcertante.
Uma coisa era ser levada por Snape ou mesmo por Lupin. Outra bem diferente era viajar com Sirius Black! Já haviam chegado ao destino a alguns segundos, mas ele não a soltara. E onde suas mãos tocavam, ela sentia um forte formigamento, resultado da energia mágica remanescente da aparatação... ou algum outro motivo mais inquietante ainda, que ela se recusou a considerar. Indiferente a isso, Sirius continuava abraçado fortemente a ela, fitando-a intensamente, como se tivesse intenção de...
- Vamos, vocês dois. Não precisam fingir tão bem! – Lupin exclamou, jocoso – Ainda não estamos diante da Diretora do Orfanato!
Os dois se separaram como se tivessem levado um choque elétrico com as palavras de Lupin, e Sirius sorriu para o amigo, fingindo-se encabulado. Mas Lupin o conhecia há muito tempo para saber que não estava constrangido por nada, pelo contrário. Preferiu, entretanto, fazer de conta que nada acontecera. Esperou que Serenna chegasse até ele, para só então caminharem até o orfanato.

******

Serenna suspirou, aliviada. O dia fora difícil e longo, mas terminara. Missão cumprida, uma criança entregue aos pais adotivos sem problemas. Uma nova família começava uma jornada que prometia ser feliz. Queria compartilhar este sentimento com alguém, mas Lupin logo se despedia, sua esposa o esperava.
E ela bem que estava merecendo uma...
- Cerveja amanteigada!
- Hein? – ela olhou para o homem ao seu lado. Tinha quase se esquecido dele, mas como alguém pode esquecer-se de Sirius Black?
- É do que você está precisando agora, pela sua cara. – ele sorria, zombeteiro – Podemos ir ao Caldeirão...
- Não, obrigada. Prefiro ir direto para casa... e se não me apressar vou pegar o metrô lotado por causa do rush. Adeus e... obrigada por sua ajuda, hoje.
Ela acenou para ele, afastando-se em seguida, não lhe dando tempo de dizer nada. Estavam em uma rua movimentada, pela qual ela fez questão de seguir até o metrô.
Sirius pensou em segui-la, mas talvez pela primeira vez em sua vida, pensou que já conseguira muito por um dia e decidiu não forçar a sorte. Observou-a por algum tempo, antes de caminhar no sentido oposto até encontrar um lugar seguro para aparatar.
Infelizmente, isso não lhe permitir ver que a mulher olhara por sobre os ombros e parecera levemente decepcionada por não ter sido seguida. Decepção que durou apenas um segundo, porque ela balançou a cabeça energicamente, ralhando consigo mesma em pensamento, antes de entrar na estação.

* * *
Regina McGonagall
Ministra da Magia


Image
***
Clique aqui para me mandar uma coruja

RPG
Narração
Fala
Pensamento
Outros personagens


Image
User avatar
Gina W.Potter
Colaborador Potterish
Colaborador Potterish
Posts: 40
Joined: 16/02/06, 11:26
Location: Em casa esperando o Harry voltar da Guerra
Contact:

Post by Gina W.Potter »

Ns q/ cap. incrível Regina, td de bom.

Esse romance vai ser dos bons, né? O Sirius é um charme só, ele é td de bom, a Serenna tá perdida (no bom sentido, é claro).

E pq será, q/ seja qual for a idade, sempre nos comportamos como adolescentes "sem noção" qdo estamos apaixonadas, isso ñ muda nunca, é impressionante o q/ o amor faz c/ a gente.

Atualiza logo, tá?

Bjs.
Image
Belzinha
Conhecendo A Toca
Conhecendo A Toca
Posts: 226
Joined: 29/10/05, 11:12
Sexo: Feminino
Estado: SC
Casa: Lufa-lufa
Micro Blog: Belzinha2
Location: Hogwarts
Contact:

Post by Belzinha »

Fantástico!!!
Tá tudo de bom este capítulo!!! Ai, ai, o que dizer? Não encontro palavras. Foi muito gostoso ler, posso dizer que aproveitei cada frase, de cada parágrafo... Mas eu acho que já te contei que me sinto assim quando leio as suas fics, né?
Regina, vc é demais!
Estou adorando o Sirius, a Serenna, o Snape... (até ele!). Você está conseguindo conduzir personagens muito carismáticos, mesmo dentro dos defeitos deles e... Uau! Estou louca pelo próximo capítulo (novidade, hehehe).
Beijos!
Image
User avatar
Regina McGonagall
Ministra da Magia
Ministra da Magia
Posts: 1023
Joined: 05/01/05, 15:56
Sexo: Feminino
Estado: MG
Location: Ministério da Magia, claro!

Post by Regina McGonagall »

err... só pra avisar...

graças à habilidosíssima Patty Chang, agora temos capa!
Regina McGonagall
Ministra da Magia


Image
***
Clique aqui para me mandar uma coruja

RPG
Narração
Fala
Pensamento
Outros personagens


Image
User avatar
Lize Lupin
Com a Pedra Filosofal
Com a Pedra Filosofal
Posts: 86
Joined: 01/09/06, 22:24
Location: Lendo fan fics no F&B

Post by Lize Lupin »

Regina,cai diretamente nesse fórum maravilhoso,e o que encontro?Sua maravilhosa fan fic!E eu PRECISO comentar aqui também,claro:

Foi perfeito!Não só o último capítulo,mas todos eles.Parabéns pela sua dedicação e modo gracioso e inteligente de escrever.

Beijos! :wink:
ImageImage

H/G - R/Hr

Image

RAVENCLAW - Do it better,do it with INTELLIGENCE

Família Fic-writers: Porque,para nós,escrever não é apenas diversão,é necessidade!
Filha da Arwen Undómiel Potter -Irmã da Dóris Black
Afilhada da Mia Galvez
E parente de mais um monte de gente.
User avatar
Danna O'Brien
Recebendo a visita de Hagrid
Recebendo a visita de Hagrid
Posts: 30
Joined: 09/05/06, 21:08
Sexo: Feminino
Estado: RJ
Casa: Grifinória

Post by Danna O'Brien »

reginaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!tah perfeito esse cap!!!! :palmas
alias, a fic toda eh perfeita!!! :palmas
adorei o novo casal :lol: ateh q enfin eles estão 'na ativa' hauhauahuahuahah

posta mais reginaaaa!!!eu amo as suas fics, mt msm!!!!
Belzinha
Conhecendo A Toca
Conhecendo A Toca
Posts: 226
Joined: 29/10/05, 11:12
Sexo: Feminino
Estado: SC
Casa: Lufa-lufa
Micro Blog: Belzinha2
Location: Hogwarts
Contact:

Post by Belzinha »

Que capa lindaaaaaaaaaaaaaa! :palmas Parabéns, Regina! Parabéns, Paty!!!
Image
User avatar
grayback
Na Rua dos Alfeneiros nº 4
Na Rua dos Alfeneiros nº 4
Posts: 7
Joined: 30/01/07, 17:05
Location: Rio de Janeiro

Post by grayback »

:D Oieeeeee!!! só queria dizer que além de estar lendo como um louco as fic da Belzinha e da Sally!!! venho lhe informar que adorei essa fic e que estou lendo tudo com mtu afinco!!! u-huuuuuuuuuuuuu Tá D++++


Ps. vou acabar surtando, poís estou lendo:
Harry Potter e o segredo de Corvinal-Belzinha;
Harry Potter e o retorno das trevas-Saaly Owens;
O Paciente Ingles I e II- Regina mcgonagall;
Close to you-Sonhos de um maroto-Regina Mcgonagall; tudo ao mesmo tempo!!! :shock:

fazer o que né :palmas :palmas :palmas :palmas :palmas pra vcs.


Fuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuui!!! 8)
Image
eu adoro essa coruja!!!
User avatar
.mirella
Conhecendo A Toca
Conhecendo A Toca
Posts: 223
Joined: 16/02/07, 15:16
Sexo: Feminino
Estado: PE
Casa: Grifinória
Blog: http://cookiestome.livejournal.com
Photos: http://www.fotolog.com/teddypickeerr
Location: Flutuando na piscina ;D

Post by .mirella »

q fic perfeitaaaaaaaaaaaaahhh!!!! E tem um contanto com a fic da Belzinha e da Sally (fics q eu amooo, e agora a sua táh fazendo parte desse grupo!) Atualiza lgOh!

bju ;*
please don`t wake me
no, don`t shake me
leave me where i am
i`m only sleeping.


Image
by me

http://cookiestome.livejournal.com
graphics
User avatar
Tina Granger
Com a Pedra Filosofal
Com a Pedra Filosofal
Posts: 94
Joined: 28/05/05, 00:15
Sexo: Feminino
Estado: SC
Casa: Sonserina
Location: tentando ser escritora d "Hogwarts, uma história"

Post by Tina Granger »

cada capitulo que passa me apaixono mais pela fic! parabens!
Image Image

Duas mulheres - A um passo - A irmã da Serpente

mais fics? olhe no fanfiction.net...

Image
Post Reply

Return to “FanFics”