O Paciente Inglês [Fic Nova da Regina] TERMINADA!!!

Publiquem suas fics aqui para os outros opinarem.
Não se esqueçam de também postarem no Floreioseborroes.net.

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Morpheus-O-
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Post by Morpheus-O- »

Olha!
Nunca pensei que uma Fic posse me prender assim...
Risos...
Ainda mais com o Seboso...
Q nunca foi meu personagem preferido....

Mal posso esperar pra ver onde tudo isso vai levar...
Eu estou com mais perguntas do que o heheheh "John"....
Quem fez isso com ele...
Como el foi parar no brasil?
Entre outras...

VC está de parabens!!!!
Estou adorando de verdade!
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e a nova:
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sem mais,
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Kimberly Desiree
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Post by Kimberly Desiree »

realmente, muitíssimo boa *-* acho que um ou dosi pronomes demonstrativos (será esse o nome...?) foram usados incorretamente, mas está muito bem construída e eu quero ver no que isso vai dar *-* nossa, nossa, nossa... MUITO bom! x)~ gostei mesmo. continuarei acompanhando x)~

adoro fic que pego no começo xP~ hehehe
Belzinha
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Post by Belzinha »

Demorou, mas eu cheguei!
Vou postar rapidinho antes que a conexão caia (aqui no "job" ela não está fácil): FANTÁSTICO! (e olha que não é domingo! Hehehe!). A gente sabe quem é, mas ainda assim fica ansioso a cada novo elemento, se diverte com cada cena desta "busca" ao passado do desmemoriado paciente inglês!
Regina, eu posso ler e reler os seus capítulos, que eu nunca me canso. Mais uma vez, parabéns!
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Jaja Weasley
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Post by Jaja Weasley »

Lá vai a Regina querer superar o insuperável! (Se eu não te amasse tanto assim).

E ainda disputando firme com Belzinha (disputa super saudável, pois ambas estão escrevendo cada vez melhor...)

Continua firme, Rê...

Tá ficando maravilhosaaaaaa!!!!!!!!!!!!
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Regina McGonagall
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Post by Regina McGonagall »

Gente, obrigada pelo carinho com esta fic que pintou meio sem noção... estou tentando fazer dela uma coisa divertida, sem muita pressão. :D

se vocês estão gostando, é porque devo estar conseguindo... :lol:

ah, e claro, uns errinhos de concordância me escapam de vez em quando.
se acharem algo muito cabuloso, por favor, me avisem!!!
Regina McGonagall
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Regina McGonagall
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Post by Regina McGonagall »

Hehe... a Belzinha editou o título. Estava achando que ninguém estava lendo por não saber que a fic era minha e não dela... :?

Que bobagem, as fics dela são bárbaras!

Eu só estou brincando de escrever... :lol:

Bem, mas deixa de lerolero, e vamu lá: Capítulo novo, com mais novidades para nosso desmemoriado amigo...
=======================================
Cap 5

Sexta-feira. Duas da tarde. Depois de uma sessão de burocracia que pareceu interminável, John Smith, o paciente inglês misterioso que nunca seria esquecido, deixou a enfermaria “E” e caminhou pelos jardins do hospital até a rua, acompanhando Sarah. Vestia uma camisa azul e calça jeans, calçava um par de tênis novos, que a Assistente Social lhe trouxera naquela manhã. Os cabelos negros, que geralmente caíam-lhe até os ombros, estavam presos na nuca por um elástico negro. Acatara a sugestão de um médico jovem, que fazia o mesmo, porque o calor estava insuportável. Mas a barba fechada estava aparada bem curta, não lhe parecia usual mas resolvera conservar por mais algum tempo. A frase “é um bom disfarce” não deixava de dançar em sua mente.

Acompanhou a mulher, com passos seguros. Dissera estar sempre pronto, e estava. Não era homem de se intimidar com pouca ou muita coisa, disso tinha certeza.
Enquanto a seguia pela rua, não se preocupava muito em prestar atenção a tudo aquilo. Ela lhe informara em tom ameno que residia a apenas algumas quadras de distância, e a tarde estava fresca, o verão ainda não chegara, e por isso seria bom ir caminhando.
Fresca? Ele tentara entender este conceito. Para ele, estava quente como jamais vira... ou será que vira? Não. Tinha certeza de que nunca estivera numa terra tão quente em pleno dezembro. Isso também o confundia. Tinha que se lembrar o tempo todo de que estava no hemisfério sul. Ainda não assimilara totalmente a inversão das estações, talvez pelo fato de estar com amnésia. Não registrara conscientemente a mudança, acordara dentro dela.
- Chegamos. – Ela apontou para um prédio de poucos andares, uma construção antiga, segundo ela, algo de que ele também discordou.
- Pra mim, construções antigas têm torres e pontes, um lago e uma floresta ao fundo, talvez.
- E carruagens e cavalos mágicos – ela brincou, sem ver a expressão de seu rosto, enquanto abria o portão eletrônico com sua chave e o convidava a entrar.

Ele a seguiu em silêncio pelo corredor até a escada, da qual subiram dois lances. Ela residia no segundo andar. Ao abrir a porta, Sarah sorriu e se desculpou antecipadamente pelas acomodações modestas.
A sala espaçosa era decorada com móveis de bambu e almofadas em tons de verde, aconchegante e serena. Na infalível estante os aparelhos que já aprendera a reconhecer. Televisão, telefone, um outro que ela informou ser um “dvd”, um aparelho “de som” e “cd’s”.
Quadros na parede retratavam figuras da cultura indiana, segundo a própria Sarah explicou.
- Não se movem? – ele apontou as figuras
- Claro que não! É apenas uma pintura.
Ainda achando isso estranho, mesmo sem entender o motivo, ele a seguiu enquanto Sarah lhe mostrava o banheiro, a cozinha, e finalmente, os quartos.
- Este é o meu – ela mostrou rapidamente o quarto que acompanhava o estilo da sala e já abria a porta do cômodo seguinte – E este é o seu. Meus irmãos o usaram, quando fizeram faculdade. André só mudou-se daqui há seis meses. Mas quase não tem muita coisa deles, não se preocupe. Aproveitei pra juntar um monte de coisas que eles deixaram pra trás, com a desculpa de que teria um hóspede. Você não vai acreditar na quantidade de tralhas que ainda estava por aqui... Vou levar pra casa da mamãe amanhã, vamos pra lá no fim de semana, você se importa?
- Não, claro que não. – ele respondeu, sem emoção.
Ela ria, enquanto puxava as cortinas de um azul suave e abria as janelas, deixando o ar fresco entrar. O quarto tinha duas camas, uma de cada lado da janela. Um armário embutido de madeira clara como todos os móveis, que incluíam também uma mesa com um computador ao centro, alguns livros e porta-objetos com lápis, canetas e outras miudezas.
- Vou te dar um cursinho básico de computação. Assim, poderemos trabalhar juntos na busca. Não se preocupe, não vou precisar te incomodar, tem outro no meu quarto.
- Não estou preocupado.
- Bem. Vou deixar você se ambientar um pouco, enquanto ajeito algumas coisas. Mas vamos sair pra comprar o que você vai precisar. Ah, isso me lembra...
Ela saiu, foi ao outro quarto e voltou. Ele estava à janela, olhando o movimento lá fora, quando ela voltou carregando uma pequena caixa de papelão.
- Eu quase me esqueci de que essas coisas estavam comigo. Busquei no Pronto Socorro, o pessoal tinha esquecido isso lá, quando transferiram você, e eu trouxe pra cá, há alguns dias, quando fui de carro para o trabalho.
Ela pôs a caixa sobre a mesa.
- Espero que não faça sujeira, está esfarelando um pouco onde ficou chamuscado.
Ela abria a caixa e tirava de dentro um saco plástico, que continha roupas negras, as roupas dele, rasgadas em alguns pontos, queimadas em outros, e muito sujas. Muitas manchas, John constatou, eram de sangue.
Ele as pegou com cuidado, erguendo-as e examinando-as coma tenção.
- Elas lhe dizem alguma coisa? – Sarah perguntou, contendo a custo a própria ansiedade.
- Talvez... mas com certeza, as reconheço como minhas – ele disse simplesmente – O negro me parece familiar e... confortável.
- Mais alguma coisa?
- Não.
No fundo da caixa, outro saco plástico continha um estranho objeto. Os socorristas haviam dito em seu relatório que ele o segurava com firmeza, e que dera trabalho tirá-lo de sua mão. Sarah comentou isso com ele.
Ele tirou do plástico o objeto comprido de madeira, como uma baqueta de bateria, o cabo entalhado, com duas letras “S” na base.
- Será que Smith foi mais que um tiro no escuro? – Sarah comentou – Podem ser suas iniciais.
- Acho que sim, ...embora Smith continue não sendo minha melhor escolha, acho que não combina comigo, prefiro continuar sendo apenas “John”, mas enfim... – ele a empunhou, e sentiu uma estranha energia, como se a vara de madeira vibrasse ao seu toque. Mas alguma coisa lhe disse que não devia experimentar nada na frente de Sarah, que isso representava perigo. Mais uma vez, calou-se.
Sarah percebeu por sua expressão que aquilo lhe trouxera alguma lembrança. Ele franzira o cenho, parecera tentar se decidir sobre algo importante, e novamente seu semblante estava neutro como sempre, mas não tão vazio de expressão como ela se acostumara a ver. Ele lembrara-se de algo, mas não estava preparado pra dizer, disso ela tinha certeza.
Ele a fitou, por um instante. Então disse:
- Realmente. Não posso dizer nada, por enquanto. Não sei como, mas parece perigoso... pra você.
Era o máximo que ele podia dizer, já que percebera com ainda mais facilidade os pensamentos dela, e vira que ela sabia que mais alguma coisa aflorava em sua memória.

Sarah ficou um pouco apreensiva. Ele pareceu um pouco mais estranho, mais misterioso, por alguns instantes. E todos os temores voltaram por um segundo. Os ecos das preocupações da equipe do hospital, as perguntas que sua mãe lhe fizera. E a resposta que dera a ela também, na noite anterior, por telefone:

- Você sabe como eu sou, mãe. Achei mais um garoto perdido pra adotar...
- Mas pelo que você disse, deve ter quase uns 40 anos!
- Sim, eu sei, ele não é nenhum garoto e ainda vou me dar mal com isso um dia, mas por enquanto é o que sinto que devo fazer, não me pergunte porque”.
- Então vou pedir a Deus que você esteja certa em sua intuição sobre este moço.
- Estou, mãe. Tenho certeza.


Sarah se perdera em suas lembranças por alguns segundos, sem saber que John as acompanhara, e se surpreendera mais uma vez com a confiança que ela demonstrava em alguém que nem sabia quem era.
Será que ela era mesmo assim tão imprudente? Levando um completo desconhecido, desmemoriado, para dentro de casa, apenas por intuição? E se ele fosse um criminoso, realmente? John sentiu algo dentro de si se contorcer e revirar. Ele tinha algo terrível trancado em sua mente, a certeza disso era cada vez maior.
Ele fingiu não ter percebido nada, quando ela pareceu cair em si e disse que era melhor se apressar ou não daria tempo de ir com ele ao “shopping”.
Enquanto ele tentava imaginar do que ela estaria falando, Sarah já tinha ido para o próprio quarto, voltando em pouco mais de dez minutos.
- Vamos? A gente aproveita e lancha por lá, antes de voltar... espero que você não se incomode muito com o barulho... estamos perto do Natal. O movimento deve estar terrível, mas como ainda é cedo, acredito que não teremos problemas.

Ela já estava com bolsa e chaves na mão, e ele nem tivera tempo de pensar a respeito. Mas observou-a com atenção, pois estava diferente do que se acostumara a ver todos os dias. Ao invés do terninho claro bem comportado, sua habitual “roupa de trabalho” sob o jaleco branco, ela vestia uma calça jeans, bordada na barra, uma blusa leve e sem mangas, que explicou ser “uma batinha” quando ele perguntou que tipo de roupa era aquela, e uma porção de coisas extras: no pescoço, nos pulsos, nas orelhas. Brincos e pulseiras combinando com a cor da tal batinha, o cabelo longo preso num rabo de cavalo alto, óculos escuros pendurados no decote da blusa.
- Mas você tem certeza de que vai sair assim?
- Claro. Qual o problema? – ela examinou a si mesma com olhar crítico e não encontrou nada em desacordo. Olhou para ele e desatou a rir.
Sua cara de espanto e assombro era digna de uma foto.
- Esqueci que você é um velho professor inglês empoeirado até os ossos... – ao ver a expressão dele, atalhou – Desculpe, brincadeirinha... não resisti.
John não sabia o que pensar. A ele parecia que faltava uma capa, talvez, por cima de tudo aquilo, mas lembrou-se do calor que ele mesmo experimentava, e de que não estava na Inglaterra, afinal.
Enquanto pensava a respeito, ela já o puxava pela mão, falando sem parar enquanto desciam as escadas em direção à garagem.
O que será que dera naquela mulher? Uma agitação febril parecia ter, de repente, tomado conta dela.

Mas, assim que ela ligou o carro, John silencioso e apreensivo ao seu lado, pela primeira vez - com certeza - às voltas com cinto de segurança, trava de porta, janela, etc, sua postura mudou.
Atenta e concentrada, após ligar uma música em volume baixo, ela dirigiu sem conversar muito, apenas se preocupando em ir identificando para ele algumas referências pelos lugares que passavam, até que chegaram ao shopping center. Realmente, o movimento era grande, mas o horário – apenas quatro da tarde – fora vantajoso.
Estacionaram sem dificuldade e ela esperou que John chegasse até ela. Então, em um novo gesto espontâneo que o surpreendeu como sempre, ela pegou seu braço, pousou a mão sobre ele, entrelaçou seu próprio braço, e assim o fez caminhar para dentro.
Ao encará-la, ela apenas lhe sorriu, dando de ombros. Ele teve que aceitar isso como explicação, evitando sondar novamente seus pensamentos, esse era um hábito que não podia adquirir. Tinha que respeitar sua privacidade, afinal.
Depois de caminhar alguns metros, ele entendeu. Se não estivesse colado a ela, ia se perder naquela multidão, ou então ficar maluco, embora ela comentasse que estava até vazio.
- Então não me traga aqui quando estiver cheio – foi seu único comentário, que ela respondeu com uma gargalhada.

Para todos os lados, gente andando, falando, rindo. Músicas diferentes saindo de cada loja, e uma outra tentando se sobrepor nos alto falantes. Enfeites de Natal e luzes coloridas para todos os lados.
Sarah parava de vez em quando, mostrando-lhe algo e comentando. E ele percebia o quanto ela estava à vontade e tranqüila, como se passeasse com seu melhor amigo e não tivessem nenhum problema na vida...
Sem precisar observar muito, John constatou que ambos chamavam atenção, mas não entendeu muito bem o motivo. Não era por ostentarem algo impróprio, pois logo percebeu que estavam dentro de um padrão descontraído e simples comum por ali, embora de bom gosto e qualidade. Mesmo achando que se sentiria melhor naquelas vestes negras que haviam ficado dentro da caixa, ele concluiu que ali estaria completamente fora de lugar com elas.
Prestando atenção na mulher ao seu lado, pela primeira vez, John reconheceu que ela era bonita. Os cabelos negros desciam escorridos pelas costas, a pele era suave e bem tratada e tinha um tom bronzeado que lhe emprestava mais juventude, embora John tivesse certeza de que ela já teria mais de 30, e percebeu que nunca perguntara isso a ela. Presumiu que talvez até fossem da mesma idade, mas, droga, ele nem sabia ao certo a própria idade... Seu corpo era esguio, mas não magro demais, tinha curvas bem distribuídas e um jeito diferente de andar. Pelo que vira até agora, para o padrão do lugar, ela até seria considerada magra. Mesmo assim, chamava a atenção, e já por várias vezes percebera por seus olhares e expressões que alguns homens o invejavam por estar com ela.

Mas ela caminhava pelo shopping, indiferente a isso. Ou, pelo menos, não demonstrava vaidade em momento algum. Apenas uma vez, murmurara algo como querer ser a “Serena de verdade”... Ele percebeu que o motivo fora um jovem que sussurrara alguma coisa perto de seu ouvido ao passar, obviamente completamente despreocupado dela estar acompanhada de outro homem. Será que os brasileiros eram tão atrevidos assim? Não temiam a morte ou um...
De novo, a palavra fugiu, e ele praguejou baixinho.
- O que foi? – ela perguntou.
- Nada demais – ele respondeu seco, enquanto entravam em uma loja maior.
Ela deu de ombros num gesto que ele aprendera a reconhecer, e o conduziu até a seção masculina.

John não se sentia bem em saber que ela lhe pagaria as compras, mas Sarah lhe sussurrou um “não seja machão” e partiu para a escolha dos artigos.
Ela logo percebeu, divertida, que se deixasse por conta dele, só comprariam peças de uma única cor: preto. Mas foi trocando uma e outra, e outra, até “clarear” um pouco suas escolhas. Provar as peças já foi complicado, pois ela não poderia entrar no provador masculino, mas queria ter certeza do caimento das peças.
Acabou por ficar na porta, pedindo a ele que lhe mostrasse as peças que ficasse em dúvida.
- Mas, “pelamordedeus”! Não venha aqui fora só com a camisa ou só com a calça, ouviu? Não queremos matar nenhuma cliente de susto.
Ele a fitara furioso – será que pensava que ele era um completo idiota? - mas notou seu ar de riso e lhe fez uma mesura engraçada.
Funcionários e clientes próximos ficaram curiosos com o casal, ainda mais que conversavam em inglês praticamente o tempo todo.
Mas quando saíram, Sarah estava satisfeita. Sacolas e mais sacolas com camisas, calças de modelo social e jeans, cuecas, meias e pijamas, além de um elegante blazer preto, e agora só faltavam sapatos.
Foi a próxima parada. Sapatos e cintos escolhidos, John já estava louco para ficar em algum lugar onde não visse mais nenhuma caixa, nem vendedores ou qualquer outro tipo de pessoa barulhenta.

Mas, de novo, Sarah o arrastava para dentro de outro daqueles cubículos que chamara de loja...
Desta vez, porém, ele sentiu-se em alerta assim que ultrapassou a soleira de vidro. Não soube dizer se era pela atmosfera do lugar, meio em penumbra e decorado em tons diferentes de lilás, ou pela mistura de aromas e essências que chegava às suas narinas sensíveis.
Da conversa entre Sarah e a balconista, uma mulher clara e esguia, de olhos atentos escondidos por trás de óculos de armação um pouco exagerada para seu rosto magro, toda sorrisos enquanto ouvia a mulher e o examinava com olhar profissional. Apenas a palavra “cabelos” lhe foi perceptível, enquanto permanecia estático, sentindo-se um pouco zonzo com a descoberta de que aquelas prateleiras cheias de frascos e vidros não lhe eram de todo estranhas. Apenas tinha a impressão de não estar acostumado a odores tão agradáveis, embora muito diversos e misturados. Uma rápida visão de caldeirões fumegando em fogo brando passou por sua mente, mas Sarah tocou seu braço, e a visão se foi.
- John, não me ouviu? Adalgisa precisa examinar seu cabelo, para definir qual o melhor produto... Você poderia vir até aqui?
Ele aquiesceu e a seguiu até uma cadeira próxima, onde sentou-se e esperou, armando-se da máxima paciência, para suportar os toques nos cabelos e comentários bem-humorados das duas. Segundo a tal Adalgisa, ele era quase um caso perdido, mas ela tinha a solução, com certeza.
A mulher pediu licença e foi para os fundos da loja, onde sumiu por uma porta que John nem notara antes. Voltou minutos depois com alguns frascos coloridos.
- Escolhi uma fragrância amadeirada, mas suave. Encontrei uma que combina com este ar de mistério dele...Essa cara esfíngica de “decifra-me ou devoro-te”!
John ergueu as sobrancelhas, observando-a intrigado, mas a mulher já mudava de assunto, perguntando a Sarah se não levaria nada para si desta vez.
Enquanto ela respondia que não e se encarregava de pagar as compras, John experimentava uma sensação nova, uma leve desconfiança de que aquela mulher não fosse o que parecia.
Desconfiança que se transformaria em preocupação, se ele tivesse ouvido seus murmúrios, assim que Sarah o puxou para fora e os dois seguiram pelo corredor.
- Não pode ser... como teria vindo parar tão longe? – ela os observava se distanciando – Talvez eu deva contar para alguém... de lá – ela entrou de novo para o balcão, procurando algo, meio aflita – Deixe-me ver, onde deixei? Ah, sim! – ela encontrou um cartão em seu arquivo - Aqui está! Vou enviar uma mensagem pra Ana agora mesmo, ela precisa saber disso...

Sem saber o que haviam provocado à vendedora de perfumes, Sarah olhou o relógio e se assustou com a hora. Sugeriu então que fossem comer alguma coisa.
- Será que existe a possibilidade de ser em um local quieto, silencioso, sem confusão?
- Claro, mas não aqui no shopping. Vamos. Sei de um lugar que é a sua cara.
Depois de atravessar novamente os corredores para chegar ao estacionamento, John sentiu um grande alívio no interior do veículo, embora os sons lá de fora não estivessem totalmente abafados pelo isolamento dos vidros.
Sarah riu de sua expressão, mas depois comentou, solidária:
- Eu, sei que não é fácil. Desculpe-me por fazê-lo passar por isso sem nem ao menos ter se acostumado ainda com a cidade, o jeito das coisas aqui. Mas Londres é uma metrópole bem maior, e talvez não exista tanta diferença assim...
- Mas eu não vivia em Londres... Só ia até lá em caso de...
De novo, aquele branco incômodo. Ele praguejou de novo, baixinho.
- Pelo menos você se lembra de como xingar à moda inglesa – ela riu – Mas olha só, já veio mais uma coisa, não é? De alguma forma, você sabe que não vivia na cidade. Isso é importante.
Ele ficou calado, pensando nisso. Realmente, não conseguia se imaginar circulando entre tantos carros e pessoas. Tudo aquilo ainda lhe parecia... antinatural. Como se existisse forma melhor de se locomover.

O restaurante fora, realmente, uma surpresa para ele. Um lugar sossegado, com música suave e luzes fracas, sugestivamente romântico, ele notou, mas Sarah parecia não se dar conta disso. Atendera ao seu pedido de um lugar quieto, apenas isso. Ao fundo, um piano suave dava ainda mais intimidade ao ambiente.
O garçom os atendeu, solícito. Pelo menos, falava inglês, John percebeu logo e se sentiu mais à vontade para fazer perguntas até se decidir pelo que gostaria de comer. Pediu também um vinho, mas Sarah se limitou a um refrigerante com limão. Ante sua muda interrogação, respondera simplesmente que era a motorista da noite.
Comeram em silêncio, saindo sem muita demora, o que pareceu ter frustrado o garçom, que pensara ser um casal enamorado que ficaria ali por longo tempo consumindo o melhor vinho da casa...
O caminho até o prédio de Sarah foi tranqüilo, mas ela realmente não conversava enquanto dirigia, John percebeu e agradeceu mentalmente por isso. Seu ouvido ainda zumbia do barulho do shopping...

Ao entrarem, ele a ajudou a levar as sacolas para o quarto, e Sarah comentou, com um suspiro cansado.
- Se você quiser tomar um banho, fique à vontade, pode ir primeiro. Sei que maltratei você hoje... Amanhã, vamos deixar pra viajar depois do almoço, assim de manhã podemos aproveitar pra pesquisar um pouco na net.
Ela foi para o próprio quarto e John resolveu aceitar sua sugestão. Encontrou naquela imensidão de coisas o pijama e o robe que haviam comprado, ainda estranhando o fato de ser curto para “seus padrões”, e foi para o banheiro. Depois, voltou ao quarto, fechou a porta silenciosamente, e se deitou, embora não sentisse sono algum. Ficou ouvindo Sarah se mover pelos cômodos: ir para o banho, sair, ir ao quarto, voltar até a cozinha... A intimidade daquilo lhe soava estranho, como se não estivesse acostumado a dividir algum espaço com alguém. Não assim, tão próximo, concluiu. A impressão nítida que lhe vinha é de que família era algo que não existia em sua “vida anterior”. Que era um homem só. Disso já tinha certeza absoluta. Tampouco teria muitos amigos, pensou, mas com resignação. A ausência de tristeza nesta constatação não lhe passou despercebida. Isso já era questão fechada pra ele. Há muito tempo.

===================================

desculpem, esqueci:
FIM DA 1ª PARTE :D
Last edited by Regina McGonagall on 20/04/06, 16:31, edited 1 time in total.
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Post by Lillith »

:palmas :palmas

Snape fazendo compras! Que lindo! XDD
Eu amo essa fic de paixão, sabia? Muito boa! Dificil gostar de fics com personagens novos, mas a Sarah é legal, bem construída, não é Mary-sue nem de longe, e também é a primeira fic passada no Brasil que eu gosto... Muito, muito boa, continue! :D
Ajude a Lillith a arranjar uma assinatura!
Belzinha
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Post by Belzinha »

Não é que não tivesse ninguém lendo (mais de duzentos views, com só 5 capítulos postados não é mole, não...) É lógico que está agradando, Regina! É que eu tenho certeza que o pessoal que é seu fã quer ser avisado quando vc posta fic nova (eu me coloquei no lugar deles, pois tb sou sua fã de carteirinha!).

Agora:

Regina McGonagall wrote:- Pra mim, construções antigas têm torres e pontes, um lago e uma floresta ao fundo, talvez.
- E carruagens e cavalos mágicos – ela brincou, sem ver a expressão de seu rosto, enquanto abria o portão eletrônico com sua chave e o convidava a entrar.


Pode apostar nisso!!! :lol:

Grande apoteose para a pegunta: "Não se movem?" Hehehe!

A Sarah é o máximo! Gosto cada vez mais dela. :D

"Achei mais um garoto para adotar"... "Mas ele deve ter uns 40 anos!" Hahahahaha! Demais!

Todo estes "primeiros contatos" com nosso universo trouxa... Estão me garantindo umas boas gargalhadas, além de uns momentos de lágrimas (sim, sou manteiga derretida).

Capítulo maravilhoso (como sempre). Sem exageros, com muito tato e sensibilidade e ainda assim, diz tudo! Amei!
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Excelente!

Post by Sally Owens »

Nossa, Regina! :D
A Belzinha me fala de vc a um tempão e das suas fics também. Reconheço que não consegui ainda entender bem a forma de funcionamento do Grim :? , mas hj consegui ler sua fic e ma cadastrei só para poder comentar.
Por Mérlin, mulher, vc escreve super bem, eu estou adorando. Olha que não sou das fãs adorosas do Snape, mas ele é, sem dúvida um dos personagens mais interessantes de todo o universo HP e vc trabalhando com esse estranhamento todo me fez rir muito. :lol:
Parabéns e um beijão!
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Post by Morpheus-O- »

To me surpeendendo...
To ficando com do do Seboso!
Coitadinho...
Já não é hora de ele lembrar mais não?
Até eu to ficando ancioso!!!!
Imagina o coitado!!!!
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Re: Excelente!

Post by Regina McGonagall »

Sally Owens wrote:Nossa, Regina! :D
A Belzinha me fala de vc a um tempão e das suas fics também. Reconheço que não consegui ainda entender bem a forma de funcionamento do Grim :? , mas hj consegui ler sua fic e ma cadastrei só para poder comentar.


hehe... não fique só nisso. Poste sua fic ! Eu não comentei lá no Floreios, mas ela está ótima! :palmas
(até porque vai ficar mais fácil pros fãs da Belzinha entenderem as referências que ela faz :roll: )

e como eu não sou boba, mandei a fic pra Belzinha primeiro... e já que ela gostou... me arrisquei a mostrar pra vocês essa "coisa de doido" :oops:
ainda bem que vocês também estão gostando, embora ela não tenha grandes batalhas nem shippers apaixonantes... :wink:
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Post by Regina McGonagall »

Pra não misturar capítulo e bate papo, aqui estamos de novo.

Ah, editei o post. Era o último capítulo... da Parte I.
(hehe assustei vocês, hein? 8)

Vamos lá:
================================
Parte II – Um estranho no ninho

Cap 6

John dormiu um sono agitado, sonhos povoados por sombras estranhas, e acordou, sobressaltado. Os sons da rua, à noite, apesar de mais leves que os das imediações do hospital, ainda lhe perturbavam. Ele tinha consigo a impressão de sempre ter dormido em um lugar a salvo de tudo aquilo. Mas, além disso, uma campainha de telefone tocou, bem próximo.
Ouvidos atentos, logo viu que Sarah se levantara para atender. E pode acompanhar a conversa, mesmo a mulher tentando falar baixo.

- Meu querido... você sabe quantas horas são aqui? Esqueceu do fuso horário?
E após uma pausa pequena:
- Tudo bem, tudo bem, eu estava acordada mesmo... Sim, sim, eu também vi. Mas não é ele. Não, ele não tem essa bendita tatuagem...e não parece estar perdido há oito anos inteiros... Mas já que você está aí, se tiver mais algum tempinho...
John se levantou, sem fazer ruído, e foi até a porta.
De novo ela pareceu escutar a outra pessoa, depois respondeu:
- Ah, mamãe não vai gostar disso! Você não volta pro Natal? Mas é daqui a duas semanas... desculpe, mas não sou eu quem vai contar pra ela. Não quero ter que ficar com ela chorando no meu ombro o fim de semana inteiro... tá bom... eu aviso o Felipe... o “pití” vai ser maior ainda... pressão vai subir, aquelas coisas... tá, querido. Um beijo grande pra você também. E boa noite! Hehe, se eu conseguir pegar no sono... já é de madrugada... beijo. Um beijo na Susan, também. Tchau.

Ela desligou, e se deixou cair no sofá. Pegou o controle remoto da tv e a ligou. Desistira de dormir, mesmo.
John se decidiu a sair do quarto. Também não ia dormir mais, e ficara curioso. Aparentemente, alguém em Londres estava tentando conseguir informações para ela, o irmão, talvez.
Ela sorriu pra ele, pedindo desculpas se o tinha acordado.
- Não, não me acordou. Também estou acordado faz algum tempo.
- Bem, então... já que somos dois “perdidos na noite”... vai começar agora um filme velho pra caramba, mas divertido... “Duro de Matar”, com o Bruce Willis.
Ele fez um sinal de quem não sabia do que se tratava, e foi sentar-se ao seu lado no sofá.
- Vou acionar a tecla “sap”, assim ouvimos o som original. É inglês de americano, claro, mas pelo menos você vai acompanhar melhor.

Ele agradeceu a gentileza, meio em dúvida ainda se isso era bom ou ruim.
A trama do filme até que era interessante, concluiu. Mas americanos... francamente! Megalomaníacos mesmo!
Em dado instante, Sarah comentou, rindo:
- Agora é que percebi... o Alan Rickman, aquele ali, está vendo? O Hans. – ela apontou para o sujeito na tela, o bandido da história.
- Sim... – ele a princípio não entendeu.
- Você assim, de barba, até que se parece com ele... E olha que este filme é velho, final dos anos 80, atualmente ele está com os cabelos grisalhos e, acredite, nem tão esbelto... – ao ver a expressão que ele fez, emendou – Bom, ele é um cara super charmoso, mas é um coroa de 60 anos, ora! Ah, ele é inglês.
John concordou, ignorando o comentário sobre a aparência atual do ator... Pois o que via na tela lembrava sim, a imagem que enxergava diariamente no espelho, repetindo perguntas como: “quem é você?” “De onde veio?”

Já estavam praticamente no final do filme, quando aconteceu.
O tal homem caía, algo explodindo abaixo dele, e Sarah deu um grito assustado.
- O que foi? – ele pensava que já estivesse acostumado com filmes, que eram imagens móveis porém inofensivas, mas se assustou com a reação dela, pensando se não estaria enganado... Algo diferente acontecera, ela estava pálida, encolhera-se até abraçar os joelhos.

Os minutos correram, o filme terminou, ela desligou a tv. Só então, olhou pra ele.
- É que... aquela cena... me lembrou uma coisa.
Ela explicou em um sussurro quase inaudível.
John foi à cozinha, conseguiu descobrir onde conseguir água fresca e trouxe para ela, que sorveu o conteúdo do copo em pequenos goles, recuperando-se devagar.
- Já te contei que estive em Londres há mais ou menos oito anos? Não?
Ele negou com a cabeça, ela não revelara muito de sua própria vida até então.
- Eu estava em excursão, com a turma da faculdade – ela suspirou – Uma noite, fomos a uma festa, mas eu não me senti bem e resolvi voltar sozinha para o hotel. Era perto, voltei caminhando e... – ela parou.
- Continue. Estou aqui – ele pousou sua mão sobre as dela, instintivamente.
Isso pareceu causar um efeito tranqüilizador. Ela continuou com a voz mais firme:
- De repente, eu me distraí e entrei por uma rua que não conhecia. E como se fosse do nada, um homem quase caiu sobre mim. Ao pular para o lado, no susto, torci o tornozelo e caí no chão. Vi que ele saíra de uma espécie de pousada vitoriana ou bar... Outros saíram atrás dele, tinham todos alguma espécie de arma, e discutiam. Tive a impressão de serem membros de gangues rivais ou algo parecido, pois usavam roupas muito esquisitas. Um deles me viu e tentou me atacar, o que quase caíra sobre mim se ergueu, ficando na minha frente e gritando algo estranho, apontando também sua arma para o outro. Então...
- Sim?
- Não sei direito, eu gritei por socorro, instintivamente, estendi o braço e... houve aquela explosão de luzes multicores e... desmaiei. Quando voltei a mim, estava sozinha, caída no chão, na porta de uma livraria.
- Você viu o rosto de algum deles? – John ficou mais curioso. Aquilo lhe parecia... familiar?
- Não... pareciam usar uma capa com capuz... menos um, que percebi usar óculos, por causa de um reflexo nas lentes.
John soltou suas mãos e sentou-se ao seu lado, mas estava inquieto e confuso.
- Por que o filme lhe lembrou isso? – perguntou, apreensivo.
- Não sei... acho que... a explosão, o personagem do Rickman caindo, gritando daquele jeito... muito parecido com aquela explosão forte... sei lá, tudo aconteceu muito rápido e ao mesmo tempo. Mas você – ela o fitou – parece abalado. O que foi?
- É que... seu relato me pareceu familiar... parece que já vi algo semelhante acontecendo...
- Se eu tivesse visto você, há oito anos atrás, em Londres, o reconheceria. Sou boa nisso.
Ele a fitou intensamente. Mas Sarah percebeu sua intenção e se esquivou. Sentia-se invadida, com ele fazendo isso sem querer, o que sentiria se ele forçasse?
- Olha, estamos cansados, foi um dia difícil, e já são... Quatro da manhã! Nossa, se eu não dormir um pouco, não vamos poder pegar estrada. Como eu vou dirigir?
E se encaminhando rápido para seu quarto, murmurou um “boa noite” e fechou a porta, suave mas decididamente.

John permaneceu sentado na sala, por mais algum tempo. Queria sim, ter conseguido penetrar a mente dela e, quem sabe? Talvez pudesse “ver” as lembranças dela...
Sentia que suas lembranças estavam gritando para sair... mas ainda faltava alguma coisa, uma chave...

Voltou para o quarto, pegou o objeto de madeira que guardara cuidadosamente, e começou a examiná-lo. Então, num gesto impaciente, sacudiu-o. Faíscas brotaram da ponta, num lampejo inesperado. Intrigado, ele o guardou novamente.
E não comentaria aquilo com Sarah, não por enquanto.

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Pois é, o que o coitado do Alan Rickman tem a ver com isso? :shock:
hihi...

Espero que vocês se divirtam até segunda, porque não entro nos próximos 3 dias.
:lol:
Regina McGonagall
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Post by Sally Owens »

Sexto capítulo, genial!! :palmas Simplesmente amo o Alan Rickman, desde o Xerife de Nottinghan naquele filme do Robin Hood. :D É impossível pensar no Snape sem a cara dele, não é? Valeu pela resposta, Regina! Fico super feliz que vc tenha gostado da fic. :D Quem sabe logo que eu me movimentar melhor pelo Grim eu comeca a postar aqui tb. :wink:
Um beijão
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AndromedaBlack
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Post by AndromedaBlack »

ai. o que foi aquela adalgisa (foi ela, não?) com o telefonema misterioso? isso me preocupa seriamente :shock:
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noiva purpurinada da Dri Snape <3
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Post by Belzinha »

Yes! Capítulo novo!

Idéia genial de por o "desmemoriado" frente a frente com o "gêmeo" dele, o Rickman. Condordo com a Sally: eu simplesmente não consigo imaginar o Snape sem pensar nele. Snape / Rickman estão eternamente associados para mim.

E tem ação no seu capítulo sim! Por exemplo, todo esse mistério com explosões... É de deixar o coração acelerado e os nervos à flor da pele!

Nem preciso te dizer que ficou o máximo, né?

Ah! Adorei a alteração, ficou perfeito!
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Jaja Weasley
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Post by Jaja Weasley »

Só a Rê pra fazer a galera gostar do Morcegão...

Tá cada vez melhor Rê...
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Zoé Magnus
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Post by Zoé Magnus »

Grande Regina! Ai fiquei tão feliz quando vi que tinha uma fic sua! Tava com saudadi :mrgreen: ! Ah mais uma vez arrasando, amei esse “novo” Jonh Smith! Você gosta de me deixar curiosa naum é? To doida pelo próximo capitulo!
:palmas :palmas :palmas
Bjux
“Da mesma forma que tudo é mortal na natureza, pode dizer-se também que todos que amam estão mortalmente atacados de loucura”

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Regina McGonagall
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Post by Regina McGonagall »

Zoé, que legal você passar por aqui! Também estava com saudades!

Será que estou dando tempo pra vocês respirarem?
hihi... não aguento ficar segurando...
Lá vai mais um pedacinho :lol:

Só uma explicaçãozinha básica pra quem não é fluente em francês (hihi, que nem eu :? ) : "Laurent" se pronuncia "lorrãn", ok? O pai de Sarah descende de imigrantes da Guiana Francesa.

Ah, quase me esquecia... neste capítulo, alguém que vocês "conhecem" será citado. Quem´será capaz de descobrir? 8)
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Cap 7

Ao contrário do que imaginara, Sarah dormiu bem o resto da madrugada e acordou no meio da manhã.
O apartamento estava tão silencioso, que quase se esqueceu de que tinha um hóspede. Ele estava sentado à mesa, lendo um dos livros que pegara na estante do quarto.
Sarah murmurou um bom dia, foi para o banheiro e tomou um longo banho. Vestiu-se e rumou para a cozinha. Viu que ele já tinha se virado por lá, tomando leite frio e comendo biscoitos. Resolveu preparar um café decente e levou para a mesa.
Ele parecia concentrado na leitura, mas se ergueu assim que ela se aproximou da mesa.
- Não acredito que você esteja satisfeito com o que achou na cozinha. Fiz um café de gente grande!
E lhe estendeu o prato com torradas, ovos mexidos, serviu-lhe uma xícara fumegante de café e ainda trazia uma jarra de suco de laranja, uma de leite e copos.
- Sei que pelo menos assim fica mais parecido com um autêntico café inglês.
- Obrigado. – ele disse, sem erguer os olhos do livro, mas depois de alguns minutos, deixou-o de lado e começou a comer.
Comeram em silêncio, cada um concentrado em seus próprios pensamentos. Sarah terminou primeiro, já foi ajeitando as coisas e limpando tudo, enquanto John terminava.
Quando ele lhe entregou as coisas que haviam ficado na mesa, ela agradeceu e, inexplicavelmente, começou a rir.
- O que foi? – ele perguntou, intrigado.
- É que... parece que fazemos isso há anos... você não acha? Pareceu tão... família!
- Mas eu não tenho família. – a informação saiu, rápida demais pra ele se conter.
- Tem certeza? – ela perguntou – Você é ainda jovem, garanto que não tem nem 40 anos, e... é bem atraente.
Ele a fitou, curioso. Ela ficou sem jeito.
- Ora, não me diga que não notou a turminha que vivia jogando charme pro seu lado no hospital! Você chama atenção, ainda mais com essa amnésia. Te dá um ar misterioso, e isso é um charme, pra algumas mulheres. Pra outras, você parece desamparado, desperta o “instinto maternal” delas.
Ele recordou a conversa dela com a mãe, e indagou:
- E em você? Também desperto seus instintos maternais?
Ela o fitou, piscando, meio confusa, antes de responder:
- Sim... e não. Seu caso mexeu com meu orgulho profissional, quero resolver isso a qualquer custo, ou não me chamo Sarah Laurent! – ela sorriu, encostando-se na pia e cruzando os braços – Mas esse meu jeito de mãezona, ou de irmã mais velha, não se preocupe, é crônico, mesmo eu sendo quase a caçula... André é o mais novo. E te adotei pra minha “ninhada”, como meus irmãos dizem, com toda certeza.
- Você até parece com a esposa de um conhecido meu... – ele falou quase sem querer.
- Quem? – ela perguntou, tentando não demonstrar sua ansiedade com o novo “insigth” dele.
- Não me lembro... – ele fitava a parede, como se um quadro fosse se formar ali, mas nada – Só consigo pensar em um mar de cabeleiras vermelhas...
- Uma família de ruivos? Que interessante! No Brasil, isso é muito raro. Mas na Inglaterra, é mais comum. Pelo menos, é mais uma pecinha para nosso quebra-cabeça... Bom, vou me trocar e te dar a sua primeira aula de informática, Professor Smith...
- Não é Smith, é... – e o nome fugiu de novo.
Sarah, sorriu, compassiva, batendo-lhe no ombro.
- Não se esforce demais. Dê tempo a si mesmo. Olha quanto já caminhamos em... 3 dias? Você já sabe que era professor, que não morava em Londres,que tem amigos ruivos, que seu nome realmente começa com “S”...
- E que posso ser um criminoso procurado há quase uma década.
- Não se preocupe mais com isso, ok?
- Ok... – ele deixou escapar um suspiro desanimado.
Sentia-se preso àquela situação, numa posição nada agradável, mas uma voz lhe dizia bem no fundo que já estava habituado a situações incertas...

Sempre é tempo para aprender algo novo. Por mais improvável que pareça que vamos conseguir dominar aquilo em pouco tempo. Foi isso que John descobriu dali a pouco.
O computador era de longe a máquina mais louca com que fizera contato até então. Todos aqueles botões e instruções... Mas Sarah era a paciência em pessoa para lhe explicar quantas vezes fosse necessário, e na hora do almoço, ele já tinha feito um bom progresso. Na opinião dela, claro!
Ela mesma preparou a refeição deles, e pouco mais de uma hora depois, estavam saindo para a casa de seus pais.
John não demonstrou, mas estava apreensivo. E se a família dela reagisse com hostilidade à sua presença? O que faria? Não podia simplesmente dar meia volta e partir.
“Você já está acostumado com isso, meu velho. Hostilidade é coisa comum por onde você passe” – uma voz lhe dizia dentro de sua mente.
E ele constatava que só podia ser verdade. Não se achava um homem sociável, não tinha facilidade para jogar conversa fora, para rir das piadas dos outros, para fazer suas próprias, as várias semanas dentro de uma enfermaria com mais meia dúzia de homens lhe mostrou isso claramente. E também parecia incomum passar tanto tempo ao lado de alguém sem ser por motivo de trabalho, como agora com Sarah. Mas – lembrou a tempo – ele era “o trabalho dela”. Isso pareceu confortá-lo e então relaxou, passando a ficar atento à paisagem, a partir dali. Já haviam deixado a capital para trás, mas logo passavam por outras menores, mesclando sempre paisagens mais rurais e rústicas com paisagens urbanas. A estrada era muito movimentada, com carretas e caminhões, mesmo aos sábados, ele constatou, mas Sarah dirigia com segurança e mantinha a concentração.

Por volta das quatro da tarde, chegavam à sua cidade, e ela estacionava em frente a uma grande casa com varanda e um amplo jardim florido.
Já abrindo o porta-malas e entregando a John sua mochila, foi logo entrando, carregando a sua própria.
Uma mulher jovem e negra vinda de um dos cômodos a abraçou efusivamente, ao mesmo tempo que o examinava com curiosidade. Então, exclamou:
- Mas esse é o Alan Rickman!
Sarah olhou para ele como quem dizia “eu não te disse?” e caiu na risada.
- Está é Berenice, minha “gêmea” – ela explicou, ainda rindo.
- Pode me chamar de Berê, como todo mundo. – ela se adiantou, apertando sua mão e lhe dando três beijinhos sem nenhuma cerimônia. – Então, você é o amigo inglês da Sarah? Cara, esta cidade vai virar um fervedouro...
- Menos, Berê, menos! – Sarah ainda ria – Cadê mamãe?
- Na cozinha, onde mais? – Berê riu, um sorriso amplo e quente.
- Vem, John, venha conhecer nossa mãe! – Sarah puxou-o pela mão.
Ele cruzou com ela outros cômodos e um corredor até o que deveria ser a cozinha: um varandão nos fundos da casa com uma ampla mesa, plantas e móveis enfeitados. E um grande fogão, e um forno à parte, de onde uma mulher corpulenta acabava de retirar um grande tabuleiro fumegante.
Ela os viu entrando, quando se virou para a mesa, pousou-o ali e já foi se encaminhando para lado deles, tirando as luvas de cozinha e abraçando Sarah com alegria.
- Minha filha, que saudades! Pensei que ia ficar sem vir aqui até o Natal!
- Que exagero, mãe. – Sarah falou, de dentro do abraço.
- E esse – a mulher já a soltara e se dirigia para John – é o moço que você falou?
- Sim, mamãe. Este é John.
A mulher o examinou detidamente e pareceu se dar por satisfeita depois de alguns segundos.
- Bem-vindo, meu rapaz. Você parece ter a idade do Felipe... Apesar desse ar triste que lhe deixa mais velho. Mas, venha, aposto que vocês só fizeram um daqueles lanchinhos da Sarah. Venha comer direito. Já está na hora do lanche, mesmo!
- Pronto, não escapa mais dela! – Sarah comentou e Berê a acompanhou na risada.
John sentou-se na cadeira indicada pela mãe de Sarah, pensando que realmente efusividade era o ponto forte daquela família. Aquela senhora, que parecia capaz de meter medo em qualquer um se quisesse, o envolvera em uma onda de carinho e atenção, e ele entendeu de quem Sarah assimilara aquele jeito de ser. A Sra Laurent era um modelo perfeito. E que logo o repreendeu por estar sendo formal, e mandou que lhe chamasse apenas de Beatriz, ou de mãe, como todos, se preferisse.
- Isso – Sarah sorriu – Beatriz, aquela que te faz feliz!J
ohn pensou que seria intimidade demais para ele, chamá-la de mãe, e Sarah ria, divertida com sua expressão.
- Alguém aí está fazendo um lanche e não me chamou? – o vozeirão pertencia a um homem negro, alto e forte que entrou na cozinha, vindo de um dos cômodos da casa que John ainda não descobrira.
Abraçou a filha adotiva com imenso carinho e se dirigiu a ele com cordialidade:
- Então, você é o professor inglês? O que conhece Nicolau Flamel?
John olhou para Sarah, indeciso.
- Comentei com papai sobre seu conhecimento de história antiga. É um de seus assuntos favoritos.
- Mas ninguém vai filosofar na minha mesa, por enquanto, “seu” Martinho.
- Claro, querida. Vim aqui atrás do cheiro do bolo de fubá. Acredite, rapaz, você nunca provou nada igual.
- Tenho certeza disso – John comentou.
Logo, todos realmente se deliciavam com o bolo recém-assado e um café saboroso.
Mas foi impossível deixar de “filosofar”, como queria D. Beatriz. Com Martinho à mesa, a conversa acabava girando em algum assunto científico ou filosófico ou algo similar.
E, para surpresa de Sarah, John conversava com seu pai com grande tranqüilidade, demonstrando uma versatilidade de conhecimentos e opiniões que ela desconhecia até então.
Ela acabou concluindo que a conversa descontraída, no clima familiar, estava contribuindo para liberar suas lembranças, pelo menos as “acadêmicas”. E, depois de algum tempo, nem se surpreendeu quando os dois homens foram juntos para a biblioteca do seu pai.
Quanto a ela, tratou de guardar as suas coisas no quarto que ainda dividia com Berenice e levou as coisas dele para o quarto de André, que sua mãe realmente já arrumara para o visitante.

No início da noite, quando todos conversavam na sala, Berê se levantou de repente:
- Sarah, lembra-se da Izabel, aquela garota novinha de Santa Catarina que estudou inglês conosco?
- Lembro sim. Aliás, falei com ela há uns quinze dias, acredita? É uma senhora “dotora adevogada” agora! Um casal de Santa Catarina adotou um dos garotos da Fundação, ela que tratou da papelada pra eles.
- Ah, ela nos mandou uma carta, esta semana. Deve ter sido por isso, então, falou com você e se lembrou da gente.
- E o que tem a carta?
- São as cópias das fotos daquela festa de “Dia das Bruxas” que a professora de inglês fez, lembra? A gente nem sabia direito o que era isso.
- Nossa! Nem lembrava desta festa...- Sarah riu.
John ficou atento. “Dia das Bruxas” era algo pra prestar atenção, ele não soube bem porque.
Mas Berê já correra ao quarto, e voltava com um envelope pardo, cujo conteúdo despejou na mesa de centro.
Em praticamente todas as fotos, jovens com vestes pretas e chapéus cônicos, narizes falsos e grandes abóboras com caretas recortadas.
Mas as “irmãs Laurent” eram as diferentes. Berê usava uma esplêndida peruca loura, com um vestido longo em preto e roxo, e estava muito engraçada.
Sarah vestia algo parecido, o vermelho em lugar do roxo, e trazia o cabelo preso de uma forma diferente, ao estilo anos 60.
Em outra foto, elas usavam vestidos “normais” também “anos 60”, contrastando com as colegas ainda mais.
- Nossa! Você ficou ótima de Samantha... – Sarah comentou, rindo – eu nem me lembrava o quanto.
- Ridículo, não? – Berê riu também, mas estendeu a foto para o pai – Olha só, “papi”, não fico ma-ra-vi-lho-sa de loura?
O pai examinou a foto com interesse, mas parecia horrorizado. Passou a foto para John, comentando que aquelas meninas sempre “aprontavam”...
- Mas... – John indagou, confuso – O que vem a ser isso,a final? Por que vocês estão vestidas... desse jeito?
- Ah, nossa professora de inglês resolveu fazer uma típica festa de “Dia das bruxas”. Hoje, já é moda, os cursos de inglês difundiram o costume que virou mania das crianças. Mas na época, não era comum.
- É, e nós resolvemos “encarnar” nossas personagens favoritas.
A um levantar de sobrancelhas, Sarah explicou:
- Nosso seriado de tv favorito era “A Feiticeira”. A história de uma bruxa casada com um mortal. Era muito engraçado. Ele não gostava que ela usasse magia, então sempre tinha confusão, principalmente se alguém da família dela aparecia pra fazer uma visita e se houvesse mais algum mortal presente, principalmente se fosse o Larry, o chefe dele.
- E tinha a prima dela, a Serena, que aprontava todas... era a predileta da Sarah.
- Isso. Por isso, me vesti de Serena. Olha só.
- E eu pus uma peruca loura pra fazer a Samantha. Ficou muito louco... mas acho que não pagava esse mico por nada, hoje em dia.
As duas riam, comentando sobre a festa, enquanto John observava a foto, curioso. A notícia de filmes de tv falando de bruxas e feiticeiras lhe provocou uma sensação estranha....
Mas tentou contornar, indagando:
- Foi a esta Serena que você se referiu, ontem, no shopping?
Encabulada por ele ter percebido seu pequeno desabafo no dia anterior, ela concordou em voz baixa:
- Às vezes, dá vontade de ser como elas... mexer o nariz e transformar algum idiota em sapo...
- Mexer o nariz? – ele indagou, ainda mais surpreso
- É... era o jeito delas fazerem mágica, no filme. Mas não conheço ninguém que consiga mexer o nariz daquele jeito – e ela passou a olhar para a ponta do próprio nariz, obviamente tentando o movimento certo, o que fez sua irmã cair na gargalhada.
- Acho que varinha mágica deve facilitar as coisas – Berê comentou, e as duas continuaram rindo e olhando as fotos.
Mas John permaneceu em silêncio. Algo naquela conversa o incomodara visivelmente, mas apenas o Sr. Martinho percebeu sua expressão de questionamento íntimo.

O dia de domingo amanheceu ensolarado e festivo, e John descobriu o que era um almoço de domingo em família. Pelo menos, em se tratando da família Laurent.
Além de Sarah e Berenice, teve também Helena, a filha mais velha, que foi pra almoçar com o marido e os filhos, dois pré-adolescentes que ficaram olhando meio desconfiados para o amigo da tia. Mas não falaram nada, e Sarah até sentiu alívio por isso. Seus sobrinhos costumavam fazer perguntas constrangedoras, mas pelo jeito algo no hóspede os intimidou. Ela os viu cochichando e apontando pra ele umas duas vezes, mas não se aproximaram.
Ao fim da tarde, quando Sarah se despediu dos pais e das irmãs, John partiu com um sentimento diferente de tudo que pensava ter sentido na vida, pelo que se lembrava. Sentira-se parte daquela família barulhenta e grande.
Martinho Laurent fora uma surpresa. Culto, tranqüilo, conversara com ele de tudo um pouco, sem qualquer esforço. E já tinham assunto programado para o próximo fim de semana, com certeza.
Sarah gostou de ouvi-lo falar do seu pai. Eles pareciam ter realmente se tornado amigos. Isso aqueceu seu coração de uma forma estranha. Queria que ele se sentisse parte de algo, de uma família de verdade. Mas não entendia porque isso era tão importante para si mesma...
Regina McGonagall
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Oba, capítulo novo!

Post by Sally Owens »

Puxa, Regina, vc escreve bem demais e fica tudo tão convincente, hehe, até o Snape se sentindo parte de uma família! :lol:

A parte do atraente eu deixo inteiramente a cargo do Alan Rickman e aos seus olhos, pois o Morcegão nunca me pareceu isso!
:?

Mas adorei o capítulo e esse seu mistério da explosão e do sumiço de 8 anos estão me dando comichões! Espero que vc não demore para postar o próximo! :D

Beijo grande!
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Tina Granger
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Location: tentando ser escritora d "Hogwarts, uma história"

Post by Tina Granger »

uau... Babo, tento escrever um tantinho que seja melhor, nao sai nada... :mrgreen: :mrgreen: :mrgreen: :palmas :palmas :palmas :palmas :palmas :palmas parabens!
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Duas mulheres - A um passo - A irmã da Serpente

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