Finalizada
Comentem
Cap.1 - O primeiro passo?
Era uma manhã chuvosa quando Hermione olhou pela janela de seu dormitório, mas apesar disso não havia um ar triste. Naquele dia ela sentiu algo estranho que não conseguia definir se era uma sensação boa ou ruim. Algo maior que um frio na barriga e menor que um aperto no coração. Ela decidiu então que depois de tanto tempo enrolando e fugindo abriria o jogo com ele. Era uma sensação tão estranha saber que deveria fazer isso, que acabara de chegar à hora, que não poderia passar de hoje. Não sabia de onde vinha tamanha força, mas ela a empurrava direto a Rony e a fazia fantasiar as milhares maneiras de fazer e disser tudo aquilo que ela guardava. Foi acordada de sua fantasia, pois ouviu um barulho estranho... Era sinal de que seu estômago estava reclamando e que deveria ir tomar café da manhã.
A tensão aumentava a cada vez que Hermione imaginava a situação. Quando chegou para tomar café encontrou apenas Harry sentado no meio da longa mesa da grifinória e encaminhou-se até ele.
-Onde está Ron? – perguntou ela curiosa, querendo não mostrar seu tamanho interesse.
-Não sei, mas quando sai do dormitório ele estava se arrumando pra descer.
-Mas porque você não o esperou? – continuou
-Ele disse pra eu vir na frente e nem adianta perguntar por quê, eu também não sei! – disse sorrindo
Hermione retribuiu o sorriso sentou-se a mesa e disse:
-Estranho não?
Harry apenas confirmou com a cabeça, pois sua boca estava cheia.
O café da manhã acabara e nenhum sinal de Rony. Onde ele poderia estar? Perguntou-se Mione até o ver correndo na sua direção. Harry curiosamente havia parado de repente para conversar com Neville que parecia até um pouco assustado.
- Harry e Neville, vamos senão perderemos a aula de Herbologia! Sei que você não quer isso Neville! – disse Mione sorrindo.
Neville sorriu, mas quando abriu a boca para começar a falar, foi interrompido.
- Não, podem ir à frente! – disse Harry rapidamente – Preciso conversar com Neville!- E levou o garoto para longe de Mione e Rony que agora estavam sozinhos.
-Nossa as pessoas hoje estão tão estranhas! – disse para Rony, espantada. Ron sorriu.
Rony e Hermione começaram a andar pelos corredores. Um extenso silêncio se fez em metade do caminho por ambos, que evitavam até se olhar. Hermione não sabia dizer a quanto tempo esse silêncio acontecia, parecia até que havia se tornado normal... Mas ela queria mudar isso e então resolveu perguntar:
-Eu não te vi no café da manhã hoje Ron, você não estava com fome, que estranho! – dando uma risada meio sem-graça
-É também não sei o que aconteceu! – acompanhando a "risada sem-graça" de Hermione
E mais uma vez o silêncio voltara. Passados alguns segundos assim com um impulso ela falou:
-Ah, Rony eu preciso falar com você... - sentiu como voltasse a respirar depois de muito tempo
-Ah é sobre aquela pesquisa que eu te pedi?- perguntou esperançoso, lembrando da enorme pesquisa de Dcat
-Você sabe que eu não vou fazer pra você não é? Eu já te disse isso! Mas não é sobre essa pesquisa é sobre outra coisa... – E um frio começou a dominar sua barriga.
-Então o que é? – perguntou Rony meio intrigado.
-É uma coisa que eu quero te falar a algum tempo... – Ela sentiu o frio de sua barriga aumentar e se propagar pelo seu corpo. –É que eu...
-Gente!!! – falou Harry andando rápido na direção de Ron e Hermione.
Hermione sentiu um estranho alívio, como se esperasse desesperadamente que alguém fosse interromper.
-Como vocês andam rápido! – parando ao lado dos amigos, estava ligeiramente cansado.
-Ué, mas você não falou que era para irmos na frente? – perguntou Ron que estava confuso.
Antes que Harry pudesse se justificar, Hermione foi falando:
-Nossa lembrei que tenho que ir a biblioteca! – disse, se apressando em sair de perto antes que Harry perguntasse sobre o que estavam conversando.
-Mas e a aula? – perguntou Ron intrigado.
-Não vai dar pra eu ir tenho que acabar um trabalho agora! – sorriu e foi saindo. Embora soubesse que os dois dificilmente acreditariam que era somente isso, que eles com certeza estranhariam já que ela nunca havia feito isso na sua vida inteira, não podia fazer nada visto que foi a única coisa em que conseguiu pensar.
Ron e Harry de queixos caídos se despediram de Hermione e começaram a subir as escadas.
Hermione se lembrou de repente do que tinha de fazer e gritou para Ron:
-Depois da aula você pode me encontrar na sala comunal da Grifinória para acabarmos aquela pesquisa?
-Mas você não disse que...
-É eu mudei de idéia!
-Então está bem! – disse Ron com um tom meio desconfiado, mas deu um sorriso.
Harry também sorriu, porque talvez ele soubesse o que realmente Hermione fosse fazer. Ela percebeu e isso até certo ponto a preocupou, mas resolveu deixar pra lá. Agora tinha que “inventar” um trabalho pra fazer...
Cap.2
Já na biblioteca, percebeu que não tinha mais como voltar atrás, agora que já tinha marcado de encontrar Ron na sala comunal. Como contaria pra ele que não iria fazer pesquisa alguma pra ele e sim contar e mostrar todo o amor que ela guardava? E como estava ansiosa pra fazer isso. O jeito agora era esperar até que chegasse a hora, que parecia demorar a passar, mais do que o normal. Os livros a sua frente a chamavam, mas ela resistia porque estava muito ligada aos seus pensamentos, pra estudar qualquer coisa e agora não era isso que queria.
Como o tempo demorava a passar, fantasiou todos os tipos de reações possíveis que ele poderia ter, nunca ficara tão inquieta. Tudo o que ela queria, estava tão perto que ela podia sentir seu desejo a envolvendo por inteiro.
Ela criou cada parte da cena que julgava perfeita em sua cabeça. Era incrível como podia ver tudo com clareza, via o rosto de Ron perto do seu, seus olhos olhando-a profundamente e até quase podia sentir o gosto de seu beijo. Imaginava todas as palavras que sairiam pela sua boca e depois que ele tivesse dito que também a amava, ela o abraçaria e beijaria, sentiria finalmente seus lábios, sentiria finalmente que sua vida começara.
Depois de um tempo (que para Hermione pareceu uma eternidade), depois que sua imaginação não pode criar mais cenas devido a tamanho nervosismo, ela percebeu que a hora finalmente chegara e que devia ir agora. Mas alguma coisa a prendia na cadeira da biblioteca, tanto que não conseguia se mover. Ela olhou involuntariamente para os lados, como se procurasse ajuda, mas procurar coragem era algo que devia fazer sozinha. Pousou então suas mãos trêmulas na mesa, e com dificuldade se levantou meio tonta e saiu em direção a sala comunal da Grifinória dando passos largos e rápidos.
Sentia sua garganta apertar e olhou para suas mão que tremiam levemente. Provavelmente Rony já se encaminhava pra lá. Será que ele também estava nervoso?Perguntou-se Hermione, agora mais inquieta e nervosa do que antes. Tinha que se acalmar, não podia demonstrar isso, pelo menos não antes de contar aquilo tudo que estava engasgado por tanto tempo. E se na hora de falar eu me enrolar? Nunca ficara tão feliz em saber que agora tinha tempo vago.
Ela parou de repente.E se ele rir de mim e disser que é tudo uma grande besteira, que não temos nada a ver? Era a primeira vez que ela havia pensado nessa hipótese, mas parecia mais forte de que todas as outras.E se todo esse tempo eu estiver alimentando falsos pensamentos, me iludindo? E se estiver fazendo isso a toa? As perguntas começaram a brotar cada vez mais rápido em sua mente. Mas ela não podia desistir, já sabia disso. Esse era um risco que precisava e que queria correr. Mas os pensamentos negativos pareciam consumi-la, cada vez que ousava pensar em qualquer coisa.
Ainda meio receosa continuou seu caminho em direção a sua resposta. Tais pensamentos não a deixaram em paz, parecia algo que não podia evitar. Fruto de seu nervosismo, surgiu a vontade de chorar. Seus olhos encheram de lágrimas, mas Mione rapidamente respirou fundo, evitando o choro.
Querendo acabar logo com essa situação, apertou mais seus passos. Estava quase correndo agora.
Passou por Neville e por Luna que a chamou, mas Mione não respondeu, não podia parar pra falar agora, ela apenas olhou e acenou rapidamente. Os dois olhavam para ela como se estivessem vendo algo que nunca haviam visto antes.
Será que meu nervosismo está tão a mostra assim?Pensou ela, sentindo o ritmo do seu coração aumentar.
Subindo as escadas sentiu seu estômago congelando e a cada degrau, esse “gelo” aumentava, se sentia praticamente igual a outra vez em que pretendia fazer a mesma coisa. Pensando nas reações de Rony, ainda andava de braços dados com o negativismo, ela chegou a entrada da porta onde estava a Mulher Gorda.
Hermione parou subitamente como se tivesse sido atingida por Petrificus totalis. Ela simplesmente não conseguia dar mais nenhum passo, suas mãos estavam frias e suadas. Enxugou suas mãos nas vestes e se ajeitou seu cabelo em um ato de puro nervosismo.
Ainda parada, começou a se perguntar se estaria fazendo a coisa certa, mais uma vez pensou em voltar a trás, porém quando virou de costas, a Mulher Gorda percebeu sua presença e disse:
-Senha, por favor!
Ela se virou para o quadro e agora a Mulher Gorda olhava fixamente para ela esperando que dissesse algo.
Embora estivesse movimentando a boca, embora quisesse falar não simplesmente não conseguiu emitir nenhum som que dirá uma palavra, apenas encarou o retrato.
-É... Eu... –tentava dizer.
-Eu não tenho seu tempo não minha jovem! Tenho que treinar minhas técnicas vocais – disse a mulher no quadro parecendo ao mesmo tempo assustada pela cara de Hermione e irritada pela sua demora. Depois de uma pausa relativamente grande o quadro perguntou – Err está tudo bem?
Quando mais uma vez abriu a boca em reação, ela ouviu alguém falando alguma coisa, e a princípio não conseguiu identificar quem e nem o que. Virou a cabeça e viu Simas sorrindo.
-Está tudo bem com você Hermione? Esqueceu a senha é?- perguntou Simas intrigado.
-È... È... – disse Hermione que não conseguiu pensar em nada melhor pra dizer – Obrig... ada.- gaguejando um pouco. Deu um breve sorriso e entrou.
Mediante a cara que o garoto fazia, pensou que seu rosto realmente devia estar horrível, e pensando bem não havia outro motivo pras pessoas perguntarem se estava bem. Tentou respirar profundamente, mas sentiu como se o ar faltasse. Fechou os olhos por um instante e veio o medo de não o encontrar lá. Engoliu várias vezes em seco, enxugou suas mãos e abriu os olhos. Pensou em dar meia volta. Desistiu. Vai dar tudo certo! E parecia que finalmente seu negativismo tinha se esvaído. Já até conseguia ver o lindo rosto de Ron esperando por ela. Chegara a hora pela qual esperara tentas vezes.
Até que alguém passou e Hermione sentiu um esbarrão. Levou um leve susto, como se estivesse sido acordada e involuntariamente olhou para ver quem era.
- Ah, me desculpe! – falou a menina de cabelos ruivos. – Ah, oi Hermione! – disse Ginny sorrindo. - O que aconteceu? Que cara é essa?
- Qu... Que cara? – Hermione olhava preocupadamente para ela.
- Essa aí de quem esta caminhando pra morte! – disse rindo.
Mione deu um breve sorriso e falou:
-Err, não é nada não, só estou preocupada com umas coisas, bobagens! – sorriu
-Sei... – disse Ginny desconfiada.
-Você viu o Rony por aqui? – perguntou Mione curiosa pra saber se ele já havia chegado.
-Acho que ele está aqui sim – respondeu sorrindo - Bom deixa e ir, tenho aula agora, depois a gente conversa tá?
Hermione concordou com a cabeça e quando seu rosto virava de volta pra sala comunal, ouviu Ginny dizendo:
- E vê se melhora essa cara hein! Ouviu os risos dela, mas nada conseguiu responder.
Mergulhara de novo em seus pensamentos. Seu nervosismo estava de volta muito mais forte que antes, foi até o vidro da janela. O sol tentava aparecer entre as nuvens. Vendo sua imagem refletida, reconheceu que estava estranha e passou suas mãos trêmulas no rosto para ver se melhorava.
Foi caminhando pela sala, percorrendo-a rapidamente com os olhos procurando Ron. Havia poucas pessoas no lugar. Encaminhou-se pro final da sala de onde ouviu vozes, era uma parte separada por uma parede. O que achou fez com que estremecesse dos pés a cabeça e com que sua garganta apertasse.
Cap.3 - Pedra no Caminho
Rony estava sentado no sofá ao lado de Lilá Brown. Hermione não conseguiu acreditar no que via. Não é possível que depois de tanto tempo ele voltasse com Lilá. Lembrou quando Ron disse que não agüentava mais ela. Ela não entendeu nada e só sentiu seu sangue começando a ferver. Olhou fulminantemente para os dois e pigarreou forte. Ron e Lilá olharam ao mesmo tempo assustados para a direção de Hermione. Lilá deu um sorriso inocente.
-Bom eu já vou indo, tenho um trabalho enorme de Poções pra fazer – disse Lilá levantando-se e se encaminhando para a porta onde Mione estava parada com a cara emburrada – Depois a gente se fala Ron! – se dirigiu a Rony dando um largo sorriso e acenando brevemente – Até mais Hermione! – disse passando por ela que parecia estar pronta pra atacar Lilá a qualquer momento que simplesmente ignorou-a.
-Eu não acredito! – disse Hermione baixinho. Tentava imaginar alguma coisa que fizesse sentido e que explicasse a cena que acabara de ver. Agora seu sangue borbulhava e se sentia como uma chaminé soltando fumaça.
-Que? – indagou Rony
-Nada não, só estava pensando alto!
-Ah sim – falou Rony desconfiado.
Hermione cerrou os olhos e furiosa se encaminhou para onde Ron estava sentado, com passos fortes.
-Está tudo bem? – perguntou Ron estranhando a amiga.
-Está sim – respondeu Hermione respirando fundo.
Agora estava sentada. Ela sabia que não iria conseguir ficar calma. Mas e agora? Ela devia ignorar aquela cena e falar ou desistir de tudo? Será que Ron se esqueceu o quanto Lilá era chata e voltou pra ela? O pior disso é que se fosse verdade, isso significava que Rony não sentia absolutamente nada por ela.
-Bom e o trabalho? Você já fez? – indagou Ron.
-Eu já falei que não vou fazer trabalho algum pra você Ron! – disse Hermione que se levantou explodindo.
-O que há de errado com você? Hoje quando estávamos com Harry você me disse que iria fazer! – falou indignado.
-É, mas eu NÃO vou fazer! – falou sem paciência alguma.
-Então porque você me fez vir pra cá e ficar te esperando?
-Você tem algo melhor pra fazer? – e Hermione continuou antes que Rony tivesse tempo de pensar. –Ah já sei, você tem que ir atrás da Lilá não é? Por isso você não foi tomar café da manhã, você estava com ela não estava?
Ron incrédulo do que tinha acabado de ouvir respondeu:
-Eu estava com ela sim, mas porque isso te importa tanto?- disse quando viu que Hermione estava de queixo caído.
-Essa é a questão, eu não me importo nem um pouco, tá ouvindo? Hã? – disse Hermione despejando toda sua raiva.
-Porque você esta agindo assim Hermione? – disse Ron, que a cada minuto achava Hermione ainda mais estranha.
-Porque você é um garoto bobo e idiota e isso está ME IRRITANDO! – disse furiosamente.
Percebeu que tinha atraído à atenção das pessoas que ali se encontravam e que agora olhavam curiosas para saber o que estava acontecendo.
Ron deu um sorriso sem-graça, levantou-se e aproximou de Hermione. Mas antes que ele pudesse falar qualquer coisa ela disse raivosamente:
-Eu não quero mais falar com você!
-Mas o que eu fiz? – Ron pensou que havia perdido parte da conversa.
-Ah! Você não sabe? Tenta descobrir com a Lilá! – depois de falar isso deu às costas pra ele, com os olhos cheios d’água se dirigiu às pessoas ali presentes e disse:
-E vocês, tratem de arrumar o que fazer!
Ela saiu correndo da sala rumo aos corredores do colégio. Precisava encontrar Harry e sentir o apoio do amigo.
As lágrimas começaram a correr pelo seu rosto. Tomava consciência que seus pensamentos negativos estavam mais que certos. Não havia dado certo. Queria que fosse apenas sonho, mas a dor que sentia era real demais. Sentia imensa raiva, só conseguia pensar porque aquilo estava acontecendo com ela, porque o Rony preferia a Lilá, aquela garota que ele dizia não suportar.
O nó de sua garganta aumentara junto com a vontade de chorar quando percebeu que Harry estava alguns passos a frente. Correu em direção ao amigo e o abraçou forte e Harry percebendo que Mione chorava disse:
-Hey, calma Hermione! O que aconteceu? Por que você está chorando? . Harry não lembrava de já ter visto Hermione chorando daquele jeito.
-É o idiota do Rony! – disse magoada, com lágrimas caindo.
-Mas o que ele fez?
-Ele voltou com a Lilá! – disse ela chorando mais.
Harry então, mais que confirmou suas suspeitas que tinha fazia algum tempo, mas ficou assustado porque não lembrava de Ron ter lhe contado isso.
-Nossa! Que estranho, Ron não me disse nada!
Então como se lembrasse de um caldeirão esquecido no fogo, Hermione afastou-se de Harry, enxugou rapidamente as lágrimas e ajeitou o cabelo.
-Você não ouviu nada do que eu disse ok? –disse Hermione, corando.
-Mas... O que?
-Você não viu nada! – disse Mione alterando um pouco mais a voz.
-É... Hã... Tá bom! – disse Harry assustado, mas deu um pequeno sorriso.- Mas você está melhor?
-É claro que não né?- agora com a voz claramente alterada.
Hermione saiu de perto dele e ao se distanciar não quis olhar pra trás, porque já sabia que encontraria Harry com cara de quem não havia entendido nada.
Viu a cena cortar sua mente outra vez. Não agüentou e as lágrimas novamente começaram a descer. Fazendo o trajeto de volta a sala comunal da Grifinória, a única coisa que queria agora era ficar em seu dormitório. Percebeu que tinha errado ao sair da sala comunal, pois agora teria que passar lá novamente e ela não queria encontrá-lo, queria apenas esquecê-lo. Subiu as escadas da torre desejando profundamente que ele não estivesse no sofá com aquela cara de idiota.
Chegando ao retrato da Mulher Gorda, esta disse:
-Aprendeu a senha?
-Ah! Não enche! – disse Hermione que quando percebeu acara de espanto e desaprovação do retrato tratou logo em dizer a senha.
Pensava agora como havia mudado desde que começou a gostar de Ron. O ruim era saber que havia mudado pra pior.
Quando entrou para seu desgosto, ele estava lá sentado e quando a viu, olhou como se nunca tivesse visto e Hermione virou a cara.
-Espera, vamos conversar! – disse Rony
-Acho que é tarde demais pra isso! – disse irritada e saiu andando em direção ao seu dormitório.
-Não, Hermione espera! – Ron tentou segurá-la, mas ela se desvencilhou de sua mão. Ele simplesmente não entendia essa atitude de Hermione.
-AII, NÃO ENCOSTA EM MIM! – Hermione explodiu mais uma vez.
Ron a largou e ficou olhando embasbacado para ela que agora estava indo pro dormitório.
Como ele poderia ter feito isso?Toda aquela gentileza, todas aquelas indiretas, bom pelo menos era o que Hermione achava... Pra nada? Agora ela só conseguia e como gostava de imaginar suas mãos no pescoço de Ron e principalmente no de Lilá. À medida que pensava em Rony beijando Lilá ao invés dela, sua raiva só aumentava.
Os dois são patéticos! Se merecem mesmo! Que fiquem juntos então! Pensava consigo mesmo. As lágrimas não paravam de descer dos seus olhos que começavam a ficar inchados. Queria levantar, ir atrás dele, beijá-lo. Mas não podia mais, talvez tivesse demorado demais a vencer um estúpido orgulho e agora como conseqüência ficara sem Rony. Quanto a Lilá, faria todos os azaramentos que conhecesse. Porém agora ela não tinha forças pra nada, conseguiu apenas adormecer.
Cap.4 - Lutando contra si
Algumas semanas passaram e Hermione ainda abalada fazia de tudo pra evitar Rony. Quando ela o via nos corredores da escola mudava seu caminho. Na sala comunal ela sempre olhava em volta pra ver se ele não estava por perto. Entretanto, essa fuga não mudava o fato de que só de por os olhos nele sua respiração ficava ofegante e seu coração disparava.
Várias foram às vezes que Ron tentou falar com ela, mas Hermione sempre arrumou um jeito de escapar. O difícil era escapar do que muitas vezes via: Ron com Lilá. Como eles pareciam estar se divertindo... E como todas as vezes, seu sangue fervia.
Já sei! Quem sabe se eu usar a poção Polisuco e me transformar na Lilá?... Eca! Não! Deve haver algo melhor... Outra poção? Huum, não. Talvez se eu tentasse algum feitiço como... Esquece! Isso é ridículo...
É o que a menina pensava nas vezes em que os encontrava juntos. Porém, no fundo o que ela realmente queria era estar ali onde Lilá estava, do lado dele, tão perto que dava até pra beijar. Como ela queria sentir seu beijo, acariciar suas madeixas ruivas, tocá-lo e ver seu sorriso se abrindo aos poucos. Seu sorriso. Uma das partes que ela mais amava de Rony.
Ela não podia. Lilá já estava fazendo isso por ela, tudo o que ela mais desejava estava nas mãos de outra pessoa. E o pior é que praticamente não havia nada a ser feito. Mione chegou a considerar, algumas vezes, o fato de que poderia ir lá e roubá-lo de volta, mas, com o passar dos dias, sua falta de coragem e a profunda aproximação dos dois a fez perceber que o melhor era deixar isso tudo pra lá.
Não vale a pena sofrer por isso. Ele não está nem aí – pensava meio furiosa – Afinal, há coisas muito mais importantes com que me preocupar.
Mione achou mais uma vez nos estudos, um aliado. Ela se aproximou mais ainda dos livros (fato que deixara Harry um pouco irritado.) pra se afastar de Ron. O que lhe matava era saber que demoraria esquecê-lo,talvez até mais do que desejava.
Hermione se encontrava agora no salão comunal, muito concentrada estudando para Aritmancia. Algumas semanas haviam passado, e apesar das cenas constantes de Lilá e Rony que vistas pelo corredor lhe causavam profundo enjôo, tudo parecia andar perfeitamente. Ela quase não pensava mais nele. Pelo menos assim achava. Mas quase não era suficiente, seu desejo era arrancar todas as lembranças de sua cabeça. Começar do zero.
Foi quando Ron rompeu na porta. Ele parecia incrivelmente mais encantador do que o normal. Hermione desesperada começou a travar uma luta interior e tentou apenas ignorá-lo, ele, porém sentou ao seu lado e ficou olhando-a fixadamente. Hermione podia sentir cada movimento de seu olhar sobre ela e embora não demonstrasse estava ficando cada minuto mais nervosa e começara a suar frio, a sentir o famoso frio na barriga. Tinha a sensação de que se Ron ficasse mais um pouco ali, apenas olhando, ela o agarraria mesmo que a força.
Não agüentou. Levantou-se de um impulso, catando seu material e os dois livros que estavam na mesa. Ron levantou-se também e notando o desprezo de Mione disse:
-Hermione, escuta!
Mas a menina pouco fez de suas palavras. Irritado, ele pegou os livros que estavam na mão da menina e os apoiou em cima da mesa.
-Hei! O que você pensa que está fazendo? – disse ela indignada.
Ele nada respondeu. Então quando ela esticou os braços para pegar os livros, ele a segurou.
Quando Mione sentiu as mãos de Ron segurando as suas, ela estremeceu.
Ai meu Deus, eu não vou agüentar! – disse mentalmente se sentindo fraca com o toque do ruivo.
Não! Eu tenho que lutar! Tenho que lutar contra isso!
-Rony o que é isso? – disse numa tentativa de escapar daquilo, mas faziam graus negativos em sua barriga e frase quase não saiu.
Ele se aproximou e encostou vagarosamente seus lábios no de Mione cujos olhos na mesma hora se encheram d’água. Ela não conseguia acreditar que depois de tanto tempo isso estava acontecendo, porém nada disso importava. Nem Lilá nem ninguém era mais importante do que aquele momento.
Finalmente podia sentir os lábios dele encostados no seu. Resolveu se entregar inteiramente àquele momento, ela estava nas mãos de Ron. Hermione se sentia tão mais leve e tão feliz agora que finalmente estavam se beijando, ela se sentia como...
Ela levantou com um pulo. Havia amanhecido. Hermione sentou-se na cama, sua respiração estava acelerada e seu rosto se entristeceu ao perceber o que realmente havia acontecido: um sonho.
Desnorteada, olhou para os lados e viu o dormitório vazio. Levou alguns segundos para ela perceber que estava atrasada pela primeira vez na vida. Arrumou suas coisas o mais rápido que pode e saiu correndo em direção à sala, não havia tempo para o café da manhã. Todo seu corpo estava voltado para as cenas e em seu caminho, alguma parte de Hermione jura que a sentiu esbarrando em algo.
Para sua sorte, quando chegou à sala viu que o professor também havia se atrasado. Mione caminhou até sua carteira e sentando-se, foi processando a idéia de que aquele momento mágico, não havia passado de um simples e maravilhoso sonho. Pensando bem estava bom demais para ser verdade!
Nessa mesma hora, o professor rompeu pela sala, se desculpando pela demora causada por um esbarrão de uma aluna que fez com que seus livros caíssem.
A aula passava e além de ignorar alguns olhares que lhe foram lançados, Hermione só conseguia absorver metade das coisas que eram ditas.
“Não, não foi um bom sonho” foi o que ela repetiu várias vezes mentalmente todo tempo. Mas sempre que pensava na cena, vinha a vontade de revivê-la. Será que eu nunca vou esquecê-lo?
A aula passou e o dia também, e já no finalzinho deste Hermione encontrou Ron. Como sempre, ela quis ir até lá para falar com ele, apesar de não conseguir apresentar motivos bons o suficiente para seu orgulho. Nesse momento, porém, o ruivo estava conversando com Harry. Surgiu um que de preocupação da parte de Mione, ela desejou profundamente transformar-se numa mosca para poder saber sobre o que eles estavam conversando.
Assim que Harry a viu, pôs a caminhar em sua direção, Rony tentou vir atrás, mas Harry o impediu de continuar. Harry, apesar de esboçar um pequeno sorriso, tinha sua expressão facial marcada pela seriedade.
-Hermione a gente precisa conversar! – disse ele chegando perto da amiga que logo retrucou:
-Se for pra falar sobre o Rony eu não quero nem saber!- Mal acabando de completar a frase, virou as costas ao amigo. Hermione já havia imaginado que uma hora ou outra Harry tentaria dizer algo.
-Espera Hermione! É sério! – falou, andando rápido para alcançar a amiga que estava quase correndo. Ele entrou na sua frente, obrigando-a a parar.
-Não posso, eu tenho um monte de trabalho pra fazer. – disse ela tirando o amigo da frente.
-Não vai demorar, prometo! - parando-a novamente
-Que foi? Seu amiginho Rony te pediu pra você me falar alguma coisa? – disse começando a se irritar.
-Não, ele não disse nada, vim falar com você porque eu quero! – disse ele fechando um pouco a cara, mas continuou – Acho que você deveria falar com ele...
-É o que? Você ta brincando né? – disse ela boquiaberta.
-Eu acho que não parece que estou brincando – disse olhando seriamente para ela que ficou um pouco espantada com Harry.
-E porque eu deveria fazer isso?
-Por que sim!
-Belo motivo Harry! Tente um melhor da próxima vez!
-Sabe por que você deveria falar com ele? – Harry estava mais sério do que nunca e havia levantado um pouco a voz.
-Hã? Fala o porque ...-disse Mione irritada e com receio de ouvir o que não queria.
-Pra você resolver essa situação e parar de ficar chorando por ele!
Hermione parou, mas logo retrucou rindo:
-Harry, deixa de ser ridículo! Só você pra me fazer rir mesmo né?
-Deixa de ser ridícula você Hermione! Porque que você está querendo fugir dos problemas? Já passou da hora de deixar esse orgulho besta de lado!
-Você é que está vendo problema Harry! Não há problema algum!
-Ah ta bom! Então você está com os olhos inchado à toa?
-Do que você está falando?
Harry a levou perto de um vidro de uma das salas daquele andar. Hermione já sabia o que iria encontrar. O fruto de todas as lágrimas derramadas ontem. Mas ela não podia admitir isso para Harry e nem queria. Assim, após alguns segundos na frente do vidro ela resolveu mais uma vez fingir que nada estava acontecendo.
-O que tem demais com o meu rosto? Não estou vendo nada de diferente Harry!
Pra sua surpresa, Harry não falara nada. Apenas olhava seriamente para ela. Ele não sabia mais o que falar, mas não podia deixar Hermione desse jeito. Antes, porém que ele pudesse dizer alguma coisa Mione se aproximou tentando não olhar para seus olhos e disse:
-Olha eu agradeço sua preocupação, mas não está acontecendo nada e...
Seus olhos encontraram o rosto de Harry e Hermione não agüentou ver sua cara de desaprovação. Mas continuou, desviando novamente o olhar:
-Eu tenho que ir agora, sabe como é... Eu tenho muitos trabalhos a fazer. Nos vemos mais tarde ok?
E dizendo isso Mione se afastou, sem olhar pro rosto dele que ficara calado.
O resto do dia foi passando e em sua mente apenas ecoavam as palavras de Harry. Hermione sabia que tudo o que ele disse era verdade. Pensava... E a cada vez que isso acontecia, era como se estivessem matando-a aos poucos. Mione lembrava como ele era tão perfeitamente burro, ela sentia saudade das coisas engraçadas que ele dizia e dos simples olhares dados, mas que para ela significavam muita coisa.
Não há mais nada a ser feito. Acabou.
Como ela queria que fosse mentira, que fosse tudo um pesadelo como várias vezes achou que fosse.
Cap.5 -Sem sentido
Naquele dia a menina acordara relativamente bem em comparação aos demais. A lembrança de que hoje veria Ron em uma das aulas que tinham juntos, rompeu em sua mente, porém hoje era diferente. Ela sentia como se pudesse agüentar qualquer coisa. Levantou-se, arrumou suas coisas e após comer um delicioso café da manhã, foi assistir à sua primeira aula.
Felizmente seu poder de concentração parecia estar voltando e Mione voltara a se sentir tão inteligente quanto antes. Essa era uma de suas últimas aulas antes dos exames finais. As férias estavam chegando. De certa forma isso era um alívio para a menina. Com certeza se afastar por um tempo tornaria as coisas mais fáceis.
A aula acabara e com o tempo de um intervalo, a menina resolveu ir à biblioteca com o intuito de se preparar para a próxima aula e também por que com certeza sabia que encontraria Harry por lá terminando o trabalho que deveria ser entregue.
Pôs-se então, a caminho do lugar. Distraidamente, percebeu que era um lindo dia ensolarado e nenhuma nuvem ousava aparecer no céu. O ar estava tão mais leve.
-Não! Para e me ouve com atenção!
Hermione despertou-se com a voz do menino. Nem dois segundos se passaram e Mione logo reconheceu: era a voz de Rony.
Hermione começou a caminhar em direção às vozes, mas parou.
Nossa isso é péssimo!
A menina se preparava para dar meia volta quando ouviu mais uma voz.
-QUE? Como assim? – Dessa vez era a voz enjoada de Lilá.
Er... Está bem! Eu vou! Até porque uma pequena espiadinha não fará mal a ninguém, né?!
Sua curiosidade venceu e a menina se aproximou do local e se escondeu atrás de uma parede onde podia secretamente ver o que estava acontecendo.
Lilá estava de cara amarrada olhando para Ron que pelos gestos com a mão, parecia tentar lhe explicar algo complicado (para ele, claro) como um problema de Aritmancia.
Uma parte sua ainda estava discriminando-a pela sua atitude, mas a menina não queria mais discutir consigo mesma. Não interessava se era certo ou errado agora. Ela devia prestar atenção à conversa e ainda tentar conter a dor que ameaçava romper.
-Olha Lilá, você sabe que eu não queria isso, só que você me procurou e...
-E mais uma vez você não resistiu – Lilá se aproximou para beijar Ron.
Nesse momento, Mione afastou um pouco a cabeça. Ela nunca ia se acostumar a ver essa cena, a não ser se ocorresse com ela. Porque aquela história era dela. Rony apenas tinha se enganado e trocado as personagens. Mas ele segurou delicadamente o rosto de Lilá afastando-a.
-Espera Lilá! Eu estou falando sério! Eu acho que a gente deveria mesmo dar esse tempo.
Lilá que tinha abraçado o ruivo o largou imediatamente e mais uma vez amarrou a cara.
-Não faça essa cara... E olha, você nem vai perceber até porque as férias estão chegando. Íamos nos separar de qualquer jeito.
-Não acredito que você esqueceu!
-De que? – indagou Ron vasculhando sua memória.
-Aquela idéia fantástica que eu tive de passar o Natal com sua família Uon Uon – disse com um enorme sorriso no rosto.
Hermione bufou.
Ron claramente ficou sem palavras e Lilá aproveitou a deixa e disse:
-Tudo bem.
-Tudo bem?! – Ron espantou-se.
-É! Eu ia te falar que não iria poder mesmo passar o Natal com sua família, pois a minha está preparando uma coisa especial e eles querem que eu esteja lá. Mas se você quizer ir, a gente pode aproveitar muita coisa...- Lilá foi se aproximando lentamente de Ron. Pôs uma de suas mãos no rosto do menino e continuou -... A festa, você conhece minha família, minha casa, meu quarto...
Ron levantou as sobrancelhas
O queixo de Hermione alcançou seus pés.
Ain eu não acredito! Mas que garotinha...
Seu momento de indignação foi interrompido pela fala de Ron, que agora apesar de um pouco sem graça, sorria:
-Eu iria sim...
Mione, mais uma vez ficou boquiaberta e por um minuto não reconheceu seu amigo.
Só podia ser outra pessoa. Tinha que ser. Ele não tinha nem coragem pra falar com uma menina! Mione lembrou-se rapidamente do episódio ocorrido com Fleur. Porém logo se romperam cenas, mais do que constantes, de amassos dos dois no corredor que justificavam essa atitude. Hermione nem se surpreenderia se... Ela balançou a cabeça para afastar tal pensamento.
-... Mas, você sabe que o Natal com a minha família é importante.
-Está bem! Mas eu não vou me separar de você Uon Uon! E nem pense em fugir, porque eu vou atrás hein! – disse Lilá dando uma risadinha.
Hermione rolou os olhos em reação àquela cena deprimível.
Ron acompanhou a risada da menina, apesar de continuar um pouco sem graça.
-Ora, ora! O que temos aqui?!
Mione levou um grande susto e rapidamente olhou para trás à procura da voz já conhecida.
Parado atrás da menina estava Draco Malfoy que lhe lançava um sorriso malicioso.
-Não sabia que você fazia isso, sangue-ruim!
-E... o que eu estou fazendo? – Ser chamada de sangue-ruim agora era o menor de seus problemas. Mas, antes que Draco pudesse dizer alguma coisa, Mione disparou:
-E seja lá o que eu esteja fazendo, não é da sua conta Malfoy! Porque você não vai procurar sua turma hein?!
-Ficou irritadinha Granger? Vamos ver o que você está observando. – Draco esticou a cabeça e viu Lilá e Rony se beijando. Logo gargalhou e soltou:
-Pode falar que você está morrendo de ciúmes Granger!
Mione olhou para onde os dois se encontravam e viu a cena. Lilá havia ganhado. Voltando seu rosto um pouco abatido para Draco, que havia chegado mais perto, tentou dizer:
-C-Ciúmes disso? Fala sério!Além do que eu não tenho que te dar satisfações alguma. Sai pra lá Malfoy! – disse empurrando o menino que novamente se aproximou.
Draco pôs as mãos na parede cercando Hermione que agora tinha seu rosto a apenas alguns centímetros do dele. A menina imediatamente virou a cabeça e tentou se soltar, mas Malfoy não permitiu. Ele pegou uma mexa do cabelo de Hermione colocando-a atrás da orelha da menina que afastou a cabeça.
-O que você está fazendo seu idiota? – disse totalmente confusa.
Draco agiu como se ela não tivesse falado nada e pressionou seus lábios na orelha da menina que voltou a lutar para se livrar dos braços dele. Mais uma vez nada adiantou. Malfoy desceu sua cabeça e agora seus lábios estavam no pescoço de Hermione. Mas então ele parou e dando uma risadinha sombria ao pé de seu ouvido se afastou e disse alto:
-Cuidado como você fala comigo sangue-ruim! – e saiu andando de onde tinha vindo. Seu olhar era ameaçador e não largou os olhos de Hermione até ele virar em outro corredor mais a frente.
-Vai logo! – sussurou impacientemente, porém ainda balançada com o que acabara de acontecer. Mione entendeu o que aconteceu tanto quanto antes. Mas tinha que se preocupar com outra coisa agora.
Tomara que eles não tenham ouvido nada!
Porém quando Mione voltou seu rosto para tal cenário, foi surpreendida pelos dois que estavam parados um pouco mais atrás dela. Eles tinham visto. Bom, pelo menos aquela atitude estranha de Draco. Rony estava de boca aberta enquanto Lilá lutava contra um enorme sorriso.
Ah Não! – foi a única coisa que deu tempo de pensar.
-Hermione está tudo bem? – perguntou o ruivo.
-Está sim! – disse tentando ser indiferente – Porque não estaria?
Nossa! Será que eu podia ter dito coisa pior?
-É porque a gente viu o Draco e... Espera um pouco! O que você estava fazendo aqui? – indagou Ron.
-Estava nos observando? – disse Lilá com um pequeno sorriso no rosto
-Eu? Não, não! Eu estava passando para ir pra... Nossa olha só! Acho que estou atrasada pra...
-Aula? – interrompeu o ruivo – Mas agora não é...
-Eu sei! – disse um pouco mais alto – Bom, infelizmente não vou poder ficar batendo papo, tenho coisas mais importantes a fazer, como me preparar pra uma aula. Diferente de certas pessoas né?.
Tentando lançar a melhor versão de seu olhar de desprezo, Hermione saiu em direção à biblioteca aliviada por “ter conseguido” contornar a situação. Obviamente não conseguira convencê-los a nada e não olharia para trás, mas pode ouvir o som da risada de Lilá enquanto se afastava.
Ela estava agora pensando, processando o que acabara de acontecer. Lilá mais uma vez conseguiu o que queria, havia recuperado Ron. E o Draco! Porque ele foi aparecer?! E o que foi aquilo? Nada fazia sentido.
Indignou-se. Era obviamente culpa de Malfoy ter sido descoberta.
A menina entrou na biblioteca, e logo avistou Harry sentado. Gina estava ao lado dele, beijando-o. Por um momento Hermione realmente se esqueceu que eles estavam namorando há algum tempo. O menino acenou e Mione caminhou em sua direção.
-Oi Hermione! – disse a menina sorrindo – Bom tenho que ir pra aula! Tchauzinho! – Gina passou a mão nos cabelos de Harry e deu um beijo na bochecha de Mione.
Hermione ainda sorrindo, sentou-se ao lado de Harry.
-O que faz aqui? – perguntou ao menino. Como se já não soubesse...
-Terminando um trabalho e você?
-Vim esfriar a cabeça.
-Aqui?! Como você consegue?!
-Shif!- fez um garoto que estava sentado perto deles, pedindo silêncio. Sua boca se transformara de tal forma que acabou por desfigurar sua cara transformando esta quase numa carranca.
Os amigos sorriram entre si.
Ficaram em silêncio um minuto e agora Hermione olhava fixadamente para os livros lembrando das cenas.
-E aí?- sussurrou Harry
-E aí o que?- indagou calmamente, não entendendo o que o amigo queria dizer.
-Está tudo bem?
-Está sim por quê?
-Por nada – Harry acenava negativamente com a cabeça.
-Ah de novo não Harry! – sem querer levantou a voz e o menino ali sentado lançou-lhe um olhar zangado.
O tempo havia passado depressa desde a última “conversa” que tiveram e eles não tocavam mais no assunto. Harry havia desistido (pelo menos até agora) de tentar convencer Hermione de que ela devia enfrentar a situação de uma maneira melhor. Situação essa que a menina mentirosamente desconhecia. Entretanto agora, Mione se sentia mais aberta a ter esse tipo de conversa com Harry, por mais que fosse melhor evitar. Ele já sabia de qualquer forma e era bom poder falar com alguém sobre.
- Que foi? Eu não disse nada! - Mione percebeu claramente certo cinismo nas palavras do amigo. Ela fez uma pausa e soltou:
-Quando eu estava vindo para cá, eu encontrei Ron e Lilá.
Harry nada disse, apenas olhou para a amiga esperando que ela continuasse.
E ela assim o fez:
-No início eles estavam meio que discutindo, mas depois a Lilá falou alguma coisa sobre o Ron ir passar o Natal na casa dela e aproveitar para conhecer a família e – Hermione novamente levantou a voz- o quarto dela! Você acredita?! Essa menina é muito...
-Shiiif! – mais uma vez o menino reclamava.
Harry esboçou um pequeno sorriso, mas logo voltou a ficar sério.
-Ele disse que não podia e tal... Acontece que depois o Draco apareceu... - Harry logo arregalou os olhos -... Fez aquele showzinho de sempre e os “pombinhos” – ironizou - me descobriram. Eu consegui sair, mas o fato é que eles ainda estão juntos.
-Isso é estranho porque Rony me disse que ia terminar com Lilá hoje.
Fogos romperam de seu coração. Eram tão altos que era capaz de Harry ouvir. Fez-se uma enorme festa dentro de Hermione.
-O que? – disse ela segurando para não sorrir
-É isso mesmo! – Harry sorriu.
Rapidamente Mione lembrou o final da cena que tinha assistido e retrucou:
-É, mas eu acho que ele desistiu, eles ainda estão juntos.
Os dois ficaram mais uma vez em silêncio.
-Bom acabei o trabalho... Vamos para a sala?
Mione concordou com a cabeça e os dois se levantaram. Nesse momento Harry sem querer deixou cair o livro que carregava e devido a seu tamanho, fez um barulho alto o suficiente para os dois ouvissem mais uma vez a reclamação. Hermione, mediante ao rosto do menino, quase rindo, se desculpou. Harry catou os livros e os dois saíram em direção à sala de aula.
-Hermione você pode me explicar uma coisa sobre isso?! – disse Harry apontando para o livro.
-Tudo bem! Deixe-me ver... Nossa Harry isso é tão fácil! Como você não consegue entender e... É... Ok! – falou em resposta a cara fechada do amigo.
Isso foi o feito durante o pequeno trajeto. Chegaram à sala de aula e a primeira coisa que Hermione percebeu foi que Ron já estava lá. Mione puxou Harry para a única mesa vazia que era atrás do ruivo.
-Oi Harry! Oi Hermione!
Harry respondeu ao amigo, ao contrário da menina que abriu o livro e começou a procurar aleatoriamente algo para ler. Rony um pouco desapontado virou para frente enquanto Harry se segurava pra não rir. Nesse momento o professor rompeu pela sala. Começara a aula. Rony conseguiu alterar sua posição de tal modo que dava para ver o rosto de Hermione.
Assim o fez algumas vezes durante a aula. Mione que percebera tal ação (e estava feliz por ele estar fazendo aquilo) não resistiu ao rosto do ruivo e para um dos olhares lançou ao menino um largo sorriso que foi retribuído do mesmo jeito.
O que eu estou fazendo? Que estúpido!... E ele ainda está com a Lilá! – pensou e logo após fechou de novo a cara.
Assim como a aula, o resto do dia passou tão rápido que Hermione quase não percebeu.
Já a noite foi agitada para a menina. Ela finalmente conseguiu absorver tudo o que havia acontecido. Mas só isso. Porque entender mesmo... Ela não conseguia encontrar uma explicação para a atitude de Malfoy. Hermione levou sua mão à orelha onde Draco a beijara e depois á seu pescoço. Era tão estranho. A menina finalmente desistiu de tentar entender e agora a única coisa que pairava em sua mente eram os olhos de seu ruivo preferido sobre ela. Foi até um pouco engraçado da primeira vez que ela o pegou olhando-a...
Porque Lilá não desistia logo? E porque Ron não conseguia afastá-la? Será que ele ainda sente algo, mesmo ela sendo insuportavelmente insuportável?
Mais perguntas sem respostas.
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