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Grimmauld Place • Exibir tópico - [Short-Fic] Mármore Vermelho

[Short-Fic] Mármore Vermelho

Publiquem suas fics aqui para os outros opinarem.
Não se esqueçam de também postarem no Floreioseborroes.net.

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[Short-Fic] Mármore Vermelho

Mensagempor danona23 » 14/02/11, 12:26

Do mesmo jeito que fiz em Tigres e Dragões farei um prólogo para que não adentrem aqui direto na história.

Ship: Nenhum
Gênero: Drama/Tragédia
Classificação: 16 anos, acredito. :roll:
Tipo: Universo Alternativo

Sinopse

Farei tudo por você.

OBS: Essa fanfic foi enviada para concorrer ao Challenge de Clichês do Grimmauld Place, ficando em segundo lugar. Vou postá-la aqui aos poucos para quem não pode ler enquanto ela concorria ^^'

OBS²: Vocês notaram que eu fiz questão de colocar que era UNIVERSO ALTERNATIVO, certo? Porque ele é. A família Malfoy aqui retratada é trouxa. Isso não significa que não é no mundo de Harry Potter. Eu só mudei esse fato para dar coerência a minha idéia. Outros fatores também mudaram e vocês irão descobrir durante o percurso da fanfic. Boa leitura!

OBS³: No Challenge em questão utilizei...

Tema: (in)felicidade | Linha: Love of my Life, de Queen | Clichê Principal: Fic angst com (um desses ou mais): prisão; fim da família; mentiras; reencontro depois de anos; morte de um dos personagens principais; tortura. | Personagem + Clichê: Hermione - Chorona.

Links para os capítulos postados

Prólogo
Capítulo 01 - Um Dia Comum
Capítulo 02 - Ouvindo Atrás das Portas
Editado pela última vez por danona23 em 06/05/11, 16:32, em um total de 1 vez.
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Re: [Short-Fic] Mármore Vermelho

Mensagempor danona23 » 14/02/11, 12:29

Prólogo


Talvez possa parecer irreal, pura ficção, mas não há como negar que não tenha sido uma história triste...

Tudo começou com a simples descoberta de uma gravidez...

— O QUÊ!? GRÁVIDA DE 6 MESES, EVELYN!? – um homem gritava de dentro de uma enorme mansão escocesa.

Aquela não era uma simples mansão de uma família rica. Era a mansão dos Malfoy, a família mais respeitada na região, com séculos de tradição e bom nome. Controlavam a maior parte das terras da região, com casas de veraneio em vários lugares do Reino Unido. Tinham os melhores negócios, mas sempre mantendo a imagem sóbria e respeitável. E isso, às vezes, requer certa rigidez com os filhos...

— Mas, pai! Eu o amo, por que é tão difícil de entender!?! – falava a voz fina de uma jovem de seus 21 anos. Falava alto, mas não estava berrando.

— Por que é tão difícil de entender que deve seguir as tradições da família? – ele retrucava na mesma altura, caminhando de um lado para o outro do amplo espaço do Hall de Entrada, passando a mão freneticamente pelos cabelos. Falava com sua filha como se um de seus funcionários houvesse feito algo terrivelmente errado e agora estava se decidindo se seria demitido ou não e como solucionar o problema, que por sinal, era muito grave.

Ao redor, formando um semi-círculo, vários membros da família estavam reunidos, apenas observando a cena.

— Isso requer medidas drásticas. – o pai declarou após um tempo, enquanto seu peito subia e descia freneticamente – Você vai abortar essa criança, Evelyn, vai abortar. – o pai já estava completamente descabelado, de tanto que ele mexia neles, pensando como poderia abafar os boatos que percorriam pelo vilarejo próximo. Seria um escândalo! Toda a imagem da família iria ser manchada por um ato imprudente e rebelde!

— NÃO! – a jovem parecia horrorizada, o que não ocorria com o resto da família, que tinha um olhar de repugnância quanto a ela.

— Ou isso, ou sairá de casa, sem nunca mais voltar! – disse, firmemente.

Momento de completo silêncio.

A cena havia quase paralisado.

Na parte central do meio círculo produzido pelos membros da família encontrava-se em pé a jovem acusada. Seu corpo magro e diminuto de pele muito branca tremia minimamente pela recente ameaça de seu pai. Os cabelos loiros e lisos caíam por seus ombros e emolduravam seu rosto que mantinha expressões incrédulas. Os olhos castanhos-escuros transpareciam toda a perplexidade ao encarar o pai que parara logo em frente à ela com uma fúria jamais vista.

A íris metálica perfurava a filha insolente que tivera a ousadia de desobedecer suas claras ordens. O queixo afinalado mantinha-se levemente erguido, para tornar sua aura aristocrática mais altiva. Percebia-se por trás do terno que normalmente usava os músculos tensos e seus punhos fechados. Os cabelos loiros do pai estavam despenteados, conseqüência do uso constante do gel e, até poucos segundos antes, não parar de bagunça-los com as mãos.

Dentre os membros familiares também se encontrava a mãe, praticamente na primeira “fila”, assistindo ao episódio onde sua própria filha estava envolvida, numa postura desdenhosa, de braços cruzados, apenas parecendo aborrecida pela demora com que aquele episódio estava demorando. Seus cabelos também loiros emolduravam as calmas expressões de indiferença, expressadas com mais intensidade pelos olhos azulados.

E aquele silêncio durou por um longo tempo... os parentes logo atrás, dentre eles, primos, mãe, irmãos, tios e avós, apenas observavam a cena. Alguns, principalmente os mais velhos, olhavam com desprezo para a garota, julgando-a sem piedade, como se fosse uma empregada que tivesse lavado mal um talher de prata. Merecia estar ali, em frente à porta. Uma indigna. As crianças estavam confusas e não sabiam por que toda aquela reunião ali, nem porque de toda aquela tensão.

Por fim, a acusada decidiu se pronunciar e quebrar o silêncio instalado em cada parede e fresta.

— Deixe-me pensar. – foi tudo o que pediu, numa voz trêmula, mas não o suficiente para gaguejar.

— Até amanhã, Evelyn. Ou abortar, ou ir para fora de casa. – seu olhar era carregado, enquanto a encarava, dando uma pequena pausa significativa antes de continuar – E nunca mais fazer parte desta família. – o pai parecia irredutível, enquanto simplesmente passava por ela, caminhando para dentro de casa, batendo as portas em seu caminho.

Em poucos segundos todos já se dispersavam, pois o espetáculo havia terminado. Assim que Evelyn achou-se abandonada, quando os passos desapareceram na distância, deixou-se cair sentada de pernas dobradas sobre o frio e branco mármore do piso. De seus olhos, cortando sua face ainda paralisada pelo ultimato do pai, percorria lágrimas causadas ainda pelo choque da situação humilhante.

As gotas quentes caiam sobre a palma de suas mãos que encontrava-se a centímetros de seu rosto paralisado. O chão não existia. Sentia-se completamente desamparada.

Ouviu alguns passos ao seu lado, assustando-a, virando rapidamente para encarar a pessoa que ainda sobrara para ver os pedaços que restara de si mesma. A mãe aproximava-se com um olhar inexpressivo, beirando um pouco ao desprezo. Quando achou-se próxima o suficiente, desviara o olhar com certo desgosto enquanto murmurava, para que só ela ouvisse.

— Eu avisei, Evelyn, mas você fez o que bem quis. O que você acha que aquele gringo moribundo pode fazer por você agora, carregando uma criança imunda, se pouco e mal consegue se sustentar? Ainda prefere o seu “grande” amor, ou a família que vai ampará-la?

Logo depois, sem adquirir qualquer resposta, afastou-se, deixando-a finalmente só.

Chorou por mais alguns minutos, quando arranjou forças suficientes para levantar-se do chão, começando a caminhar cambaleante pelos corredores longos da mansão, sem olhar para nada. Seus passos iam automaticamente para o seu quarto, sem que ela precisasse pensar, pois sua mente estava muito ocupada. “Ainda prefere o seu “grande” amor, ou a família que vai ampará-la?”, repetia a voz de sua mãe em sua mente, com aquele tom frio. Uma das mãos estava sobre o ventre, este já mais avantajado, enquanto a outra se apoiava na parede e nos móveis que se encontravam no meio do longo corredor, escorando-se e ajudando-a a caminhar até o seu destino. Tudo não passava de um borrão de cores sem sentido, como nas pinturas impressionistas do século XIX.

O quarto branco, o leito branco... embaçado, parecia que era tudo a mesma coisa, enquanto ela tateava a procura deles. Por sorte, o dossel de sua cama era feito de mogno escuro e deu para distingui-lo de toda a brancura. E assim que se deitou na cama, colocou-se a chorar com tanta vontade quanto podia, suas mãos procurando algo onde segurar, achando o travesseiro, que abraçou o mais fortemente possível, enterrando seu rosto no tecido fofo e imparcial. E ficou trancada em seu próprio quarto durante horas, em um choro interminável.

Mas, finalmente, acalmou-se e suas lágrimas cessaram de cair.

Não podia perder tempo chorando quando a vida de seu filho corria perigo e sabia que seu pai era muito rigoroso. Se havia prometido que deveria ter a resposta no dia seguinte, assim ela teria de ter. Mas nenhuma das opções era a que desejava.

Não queria que morresse, sem nem mesmo ter tido a chance de viver. Era o sonho da sua vida com a pessoa que amava, mas tinha que pensar racionalmente que seu amado, por maior que fosse seu bom coração, não poderia dar tudo para ambos. Talvez até piorasse a já precária vida que ele levava por sua causa. Seria muito injusto.

Nascer na rua, parecia tão improvável sua sobrevivência quanto a um aborto. Sabia que se escolhesse isso, seu pai a botaria para fora de casa sem nunca mais olhar para trás, o que ocasionaria ter de fazer o parto em condições extremamente precárias com altíssimas chances de morrer no ato de conceber seu filho. Sozinho, que chances teria? Sabia perfeitamente que o mundo não era tão cor de rosa.

Por fim, percebeu que ela não queria escolher entre seu amado e a família... ela queria escolher aquela que tivesse mais chance de seu filho sobreviver. Ter uma chance de viver, conhecer a vida. Queria, apenas, que seu filho nascesse e crescesse.

Adormeceu, apenas rezando para que algum milagre caísse do céu.





No dia seguinte, o pai e a mãe foram ao quarto dela, saber finalmente a decisão que ela havia tomado. Ela estava deitada na cama encarando o teto, desamparada, voltando os olhos para os recentes invasores de seu quarto. Sentou-se na cama, sua barriga ficando mais a vista, o pai adquirindo uma expressão de repulsa ao observá-la.

— Então, o que escolheu? – perguntou logo o pai, com seu normal tom duro, mas agora acentuado pela raiva de saber que a filha estava desobedecendo-o quando a proibiu de ver o estrangeiro.

— Eu queria pedir que deixassem meu filho viver. – ela falou com uma voz baixa e minimamente trêmula, com a cabeça abaixando levemente, desviando os olhos de seu pai. Ela sabia que aquele pedido não ia sair de graça... ia ter condições. Condições severas.

— Então, quer sair de casa? – ele falou de modo agressivo, sua voz saindo levemente tremida, como se controlando para não gritar.

— Não... exatamente. Apenas quero que deixem meu filho viver. Ter abrigo e comida. Não me importo de viver na rua, mas deixem meu filho aqui. – ela então ergueu os olhos na direção do pai, novamente, lembrando-se o real porquê de estar pedindo aquilo, seu olhar parecia realmente decidido. Ela sabia que poderia ser um pedido jogado ao léu.

— O quê? Criar essa vergonha que você carrega na barriga? Você está pedindo isso, Evelyn? – ele falou com o lábio inferior trêmulo, com nojo, como se ela estivesse pedindo para ele se atirar num mar de lixo.

— Sim. Por favor, pai... eu imploro, dê abrigo e comida para o meu filho. – ela implorava, levantando-se e já indo se aproximar do pai.

Mas este a rejeitou, como se fosse uma pessoa com uma doença contagiosa e sem cura. Ela paralisou, sentindo-se partir em pedaços com a rejeição tão abrupta do pai. Deu alguns passos para trás. Tudo que tinha sobrado de família agora carregava em sua barriga.

— Então... prefere perder o nome Malfoy, a matar essa coisa vergonhosa que carrega? – ele falou com desprezo, olhando-a, as narinas alargadas, os músculos do ombro tensos.

— Qualquer coisa, para deixar meu filho viver. – ela falou com convicção, quase como se para afirmar a sua posição de renegada.

O sr Malfoy olhou para sua esposa, assim que ela tocou-lhe levemente o braço, para chamar-lhe a atenção. Estava de cabeça baixa, os olhos fechados. Tinha uma expressão de pena, como se tivesse que acatar a teimosia de um filho rebelde para que este aprendesse que aquele era o caminho errado a seguir. Ela fez uma leve pressão no braço do marido, indicando para saírem do quarto. Ao saírem, a mãe fechou a porta, encarando o marido com um olhar estranho, provavelmente queria falar alguma coisa, mas sem que a filha soubesse.

— Vamos fazer o último desejo dela. – ela disse com simplicidade.

— O quê? – ele exclamou, confuso e indignado, mas, ao mesmo tempo, baixo.

— Vamos criar essa criança. Mas vamos impor algumas regras... provavelmente apenas assim Evelyn vai acatá-las. Talvez ela possa até começar a seguir as tradições da família. – ela disse de um modo seco e frio. Ela não se importava com a criança e sim com a filha e a reputação da família.

— Pode ser um bom modo para fazê-la entrar na linha... mas como vamos esconder essa criança? Se descobrirem que ela não foi abortada? Que ela vive sob o nosso teto? – o pai parecia preocupado ainda com a aparência da família.

— Vamos trancá-la dentro da mansão... podemos deixá-la em algum lugar... algum quarto, porão, sótão... quando vier visitas, nós a trancamos nele até que vão embora. Mas nunca deixá-la sair da mansão. – sibilava, com indiferença, como se aquilo fosse uma conseqüência óbvia.

— Hum... você tem certeza disso? Não que seja uma má-ideia... mas tem uma certa possibilidade de descobrirem essa vergonha. – comentou o pai, pensativo.

— Não se preocupe, eu mesma cuidarei para que isso não aconteça. – ela disse, com uma expressão, que não se definia ao certo, entre um ar maroto ou maldoso e sorrindo, mostrando os dentes brancos e vazios. – Vou falar com ela. Começarei a cuidar disso desde agora. – ela então adentrou novamente o quarto da filha, antes do marido falar alguma coisa e fechando a porta.

Evelyn estava já deitada, com um ar entristecido ainda, enquanto olhava para a parede. A mãe foi até a cama, sentando-se, encarando a filha que lentamente focou seu olhar na mãe sentada logo a sua frente.

— Nós conversamos sobre isso, Evelyn. – ela começou calmamente. A filha continuou em silêncio, encarando-a impassível. Havia marcas em seu rosto do choro interminável do dia anterior. Do sofrimento. Olheiras, denunciando a noite mal-dormida. – E decidimos que você pode deixar seu filho aqui.

— Obrigada. – ela disse baixo, mas continuou a olhá-la. Sabia que ela não ia fazer isso simplesmente sem levar nada em troca.

— Mas... tem algumas condições. – a mãe começou, logo se ajeitando para melhor ver a filha. – A primeira é que você vai morar em uma casa de veraneio, longe daqui. – ela esperou a filha concordar, o que não demorou demais. Apenas o tempo de passar o pequeno choque. – A segunda é que ele não será parte da família, então, será apenas como parte do patrimônio Malfoy. – finalizou, com um olhar gélido e calmo repousado sobre o ventre da filha.

— Patrimônio... Malfoy... – a filha disse num sussurro. O que fariam com ele? Lentamente começava a temer pelo futuro de seu filho naquela mansão, mas ela ainda tinha o consolo de que ele teria um futuro.

E ela não iria conseguir saber, simplesmente porque estaria sendo obrigada a morar numa casa de veraneio.

— Isso. Quando a criança nascer, você irá logo em seguida para a casa de veraneio. Então, diga o nome que deseja, caso for homem e caso for mulher. – havia um ar tão displicente em sua voz, como se estivesse decidindo que toalha colocar na mesa na próxima janta e não decidindo o futuro de uma criança e de sua própria filha. Ela também se levantava já, como se o caso já estivesse para ser encerrado e mais nada seria dito depois.

— O... o... quê!? – Evelyn estava agora perplexa... não deixariam nem que vissem uma única vez seu filho. – Mas...

— Você não disse que faria qualquer coisa por essa criança? – a mãe falou, num tom duro, observando-a de cima para baixo, seus olhos pareciam aço. Completamente inflexível.

A íris castanha ficou completamente visível, enquanto arregalava os olhos a essa declaração, sentindo suas pálpebras umedecerem rapidamente.

— S-sim, mas quero pegar meu filho nos braços ao menos uma vez! – ela disse completamente sem chão. Seus lábios tremiam levemente, o coração em um ritmo alucinante. Sua mente não queria aceitar que nunca teria nem mesmo uma chance de ver ou tocar em seu próprio filho.

— Ou você vai fazer isso, ou seu filho vai nascer na rua ou nascer morto. – havia um tom de descaso em sua voz, afinal, já havia colocado todas as suas condições. A escolha disso dependia da própria filha. Era uma questão de aceitar a terceira escolha que estava lhe oferecendo.

No entanto, para Evelyn, era uma frieza tão implacável, tão cruel... e o seu coração, já ferido pelo dia anterior, feriu-se ainda mais profundamente e, novamente, as lágrimas começaram a rolar por seu rosto.

E ainda soluçando minimamente, contendo-se o melhor possível, respondeu com uma voz tremida:

— Sebastian... se for menino. Hermione... se for menina. Granger, o sobrenome do pai. – havia omitido o nome Malfoy... e fora premeditado. Seu filho não pertencia àquela família. Era ainda um pouco da sua rebeldia. E, se a situação não fosse tão crítica, ela ficaria feliz de que ele realmente não fosse um membro.

— Muito bem. – ela disse, dando as costas à filha, caminhando em direção à porta, saindo do quarto.

E talvez se ela não estivesse determinada a deixar seu filho nascer, ela não teria agüentado aqueles três meses de pura exclusão, onde seu único consolo era conversar com a pequena vida que crescia dentro de si. Recebia a comida no quarto, através das empregadas e apenas uma delas ficava dentro dele, caso ela tivesse algum desejo. Mas o único desejo mais ardente que ela tinha era de que o filho nascesse.

No dia das contrações, um carro já a esperava na porta da mansão. As mulheres fizeram o parto completamente caseiro, sem muitos recursos, mas o suficiente para que a nova criança que nascia pudesse sobreviver e a mãe também. E, como a mãe havia insinuado naquele dia, Evelyn não tivera a chance de ver seu próprio filho, que foi retirado da sala rapidamente. Foi levada de maca para o carro que estava estacionado, sendo finalmente separada do filho. Talvez eternamente...
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Re: [Short-Fic] Mármore Vermelho

Mensagempor Severus A. » 14/03/11, 16:21

Eu achei essa fanfic totalmente inovadora, sério.

Tem clichê mas nem e visto COMO clichê.

FODA.FODA.FODA.

A trama nos envolve, sintimos pena da mione e temos raiva dos malfoy. Ficamos felizes com o final , eu fiquei ao menos.

Menos com uma morte. e tal.

Sinceramente, achei a Hermione beeeeeeem canon os malfoys também.

É uma história que eu iria favoritar , comentar e e e e amar para sempre ( então poste no FF.net! -run)
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Re: [Short-Fic] Mármore Vermelho

Mensagempor danona23 » 06/05/11, 16:17

01 – Um Dia Comum


— Granger!

O grito de alguém chamava repentinamente, fazendo uma pequena menina sair correndo, acabando por tropeçar nas próprias vestes e cair no chão, antes de chegar de frente com a pessoa que pronunciara seu sobrenome. Ralara de novo as mãos, como sempre. Levantou-se rapidamente.

— Estou aqui, senhor. – ela falou tentando controlar o arfar de sua voz, mas sem muito sucesso.

— Por que não arrumou meu quarto ainda? – o rapaz que falava tinha uma voz autoritária e a olhava de cima abaixo, com desprezo.

— Perdoe-me, irei limpá-lo imediatamente! – ela disse um pouco assustada.

Tentou ir além do garoto, mas acabou por ser impedida. Ele não a deixava passar, fazendo-a cair ao chão, ao empurrá-la para trás.

Era pequenina, só tinha oito anos de idade. Os cabelos, castanhos e desgrenhados, encobriram-lhe os olhos, obrigando-a a retirá-los com as mãos. Eram um pouco encaracolados e naquele momento, completamente descuidados. Quando seus olhos encararam novamente o rapaz, assustada, estavam mais abertos do que o normal, mostrando bem a cor deles: castanho escuro. Seu mirrado corpo, magrelo, possuía uma pele muito clara, provavelmente uma conseqüência provocada por não sentir o sol com muita freqüência. Encolhia as pernas para perto de si, contrastando ainda mais o quanto as roupas que usava eram surradas e largas; restos de roupas de outros guarda-roupas.

— Por favor, senhor, deixe que eu limpe seu quarto agora. – ela suplicou, toda encolhida, já tendo uma pequena idéia do que aconteceria.

— É a segunda vez que falei isso, deveria ter aprendido na primeira! – ele disse se aproximando e fazendo-a encolher mais.

Antes que ela pudesse falar alguma coisa levara um murro com as costas da mão, bem do lado de sua face, fazendo-a cair para o lado e bater na parede, encolhendo-se no mesmo lugar que caíra logo após isso.

— Se caso eu tenha de falar isso uma terceira vez, eu vou fazer pior, Granger, isso é apenas um aviso. Então é melhor fazer o seu trabalho direito! – ele disse com desprezo, virando-se para seguir pelo corredor, deixando-a ali.

Lentamente ela levou a mão ao seu rosto, sentindo alguma coisa escorrer por seu nariz. Por seus dedos, que limparam um pouco abaixo dele, escorria sangue. Era comum aquilo aparecer e sujá-la depois de uma surra. Levantou-se, caminhando para o quarto de Draco, para arrumá-lo. Precisava sempre lembrar que de manhã a prioridade era limpar o quarto de Draco e ficar quieta sobre o que encontrava lá dentro.

Já era bem ruim levar surras sem motivos, só porque queriam. Quando havia os motivos, ficava bem pior... Por sorte, Draco estava em um bom dia, então dera apenas um aviso, mas não sabia se da próxima ela poderia ter tanta sorte assim.

Enquanto ela arrumava o quarto de Draco, olhava constantemente para a janela. Quando encontrara tempo após todo serviço feito, um pouco às pressas, finalmente foi até esta, observando o extenso jardim da casa, onde várias crianças brincavam de bola, rindo, gritando e se divertindo.

De uns tempos para lá, lentamente começou a se perguntar: porque era proibida de fazer aquilo?

Com essa nova mania que seu serviço andou atrasando, já que esquecia-se completamente do mundo, enquanto admirava a felicidade das outras crianças, perdida em sonhos. Mas, naquele dia, a dor em sua face fez com que acordasse rapidamente dos seus devaneios. Lembrava-se, com arrepios, a primeira vez que colocou reparo naquilo. Perdeu completamente o tempo e tinha ficado trancada no sótão uma semana por ter se atrasado em servir o almoço, a janta e o serviço.

Pegou os lençóis sujos de Draco e corrido até a lavanderia, colocando-os no balde de roupa suja o mais rápido possível, para recuperar o tempo perdido. Já fazia alguns meses que ela vivia ralando as mãos, de tanto que ela corria de um lado para o outro sem parar. Às vezes chegava ao cúmulo de se ralar tanto que formava feridas, obrigando-a a enfaixá-las com alguns trapos de roupas velhas para que, mesmo que caísse, ao menos não machucasse ainda mais.

Precisava correr para a Sala de Jantar para servir o almoço! Ela já estava se atrasando, pelo grande relógio que havia no Hall de Entrada, onde sempre vivia passando para não perder o horário. Correu, chegando bem em tempo, quando as empregadas já estavam colocando a comida nas bandejas.

— Granger, vá lavar esse rosto rápido, enquanto arrumamos as bandejas para você levar. – as empregadas disseram rapidamente, observando que ela já devia ter levado uma surra naquele dia, pelo resquício de sangue que havia ainda embaixo do seu nariz. Ela estava suando, o que queria dizer que o serviço dela estava atrasado.

— Sim, senhora. – ela disse, abaixando a cabeça rapidamente e correndo para a pia, subindo em cima de uma cadeira, para conseguir alcançar onde abria a torneira, lavando o rosto rapidamente.

Ela colocou a cadeira no lugar, indo começar a colocar as bandejas na mesa. Ninguém ainda estava lá e ela ficou aliviada. Não havia pior pesadelo do que cruzar com as pessoas. Talvez o único momento que era obrigatório era no horário das refeições, quando algum dos jovens fazia questão de humilhá-la na frente do restante das pessoas.

E claro, aquela ocasião não seria diferente...

Quando as pessoas começaram a chegar para o almoço, ela ficou de pé no cantinho da sala, como sempre, esperando quando pedissem algo para ela. E seus olhos observavam as crianças que sempre via brincando pela janela abraçando-se com as mulheres. Mas não era simplesmente qualquer mulher... era sempre a mesma. E esta vivia dando beijos, carinho, abraços, palavras ditas tão docemente... as crianças sorriam e falavam com alegria as mesmas palavras, ou correspondiam com um abraço ou beijo.

Queria sentir aquilo. Mas tudo o que ela recebia das pessoas eram apenas ordens rudes e surras, onde nas mais violentas, ela recebia murros e chutes. Água saía por seus olhos, mas todos simplesmente riam, dizendo:

— É isso que dá ter um nome tão esquisito e feio!

E ela só tinha uma coisa a fazer. Levantar-se, morrendo de dor e sair andando, caso conseguisse fazer isso. Mas ela tinha que agüentar dois tipos de dor: a que sentia produzida pelos murros e chutes e uma outra causada por algo que ela não tinha idéia. Era uma dor própria que sentia em seu peito, que aparecia quando riam, quando a humilhavam... e doía por dias, sem cura.

— Granger, venha pegar esse garfo que caiu. Logo. – ela ouviu alguém falar.

Ela saiu correndo para quem a havia chamado. A pessoa que mais temia dentro da casa. Não porque ela a batia, mas sentia pelo seu olhar que ela praticamente a odiava, via através dos olhos azulados. Ajoelhou-se perto da mesa, indo pegar o garfo. Mas assim que o pegou, sentiu-se ir para o lado e cair sobre as pernas da senhora que havia pedido.

— Tenha cuidado, desastrada! – a mulher falou aborrecida, quando ela saía rapidamente da mesa. Ela limpava a própria perna, onde havia caído, como se algo sarnento houvesse encostado nela.

— Perdoe-me, senhora. – ela ouvia vários risinhos baixos pela mesa. Ela não entendia porque quando esbarrava em um dos mais velhos, eles faziam isso. Mas de alguma maneira, pelo olhar que eles faziam, devia ser nojento. Mas ela tinha certeza que lavava direitinho sua roupa. – Vou lavá-lo imediatamente e devolvê-lo. – ela disse, com os olhos abaixados.

Ao menos eles não fizeram uma humilhação maior. Mas eles também tinham o resto do almoço para isso.

— Volte rápido! – eles sempre usavam um tom autoritário com ela, como tratavam aos cachorros que ficavam de guarda. Ela já tinha ouvido algumas vezes, quando estava limpando os quartos.

Correu para a cozinha o mais depressa possível, acabando novamente por tropeçar e lembrar-se para não fazer aquilo na volta, ou teria de fazer o caminho tudo de novo. Subiu na cadeira, abrindo a torneira e lavando o garfo. Secou as mãos e o garfo, deixando-o limpo e voltou, um pouco mais cuidadosa, devolvendo-o.

Voltou ao cantinho da Sala de Jantar, esperando mais algum pedido. Mas não houve mais nenhum durante o resto do almoço. Agora ela tinha que almoçar correndo e voltar ao trabalho, sempre mantendo o cuidado de evitar as pessoas.

Era só isso que fazia. Limpar e arrumar, servir café-da-manhã, almoço e janta. Só havia alguns dias que ela não fazia isso. Alguns desses dias eram fixos, outros eram aleatórios... só sabia que quando, repentinamente, uma das empregadas começava a segui-la, já podia esperar que ao chegar em seu cantinho havia já três pratos de comida pronta e logo que entrava, trancavam-na lá dentro.

E não adiantava gritar. Não importava o quanto esmurrava. Ignoravam-na completamente, assim como faziam os mais velhos.

Quando terminou todo serviço, dirigiu-se até o seu cantinho, subindo as escadas até o sótão.

Era um cubículo onde morava, apenas um fragmento do grande sótão da Mansão. Ali encontrava-se todos os seus escassos pertences. Uma cama, com colchão puído e lençóis ralos. Aos pés, um pequeno baú, onde guardava as roupas que lhe davam e o outro par de sapatos, além dos que usava. Era tudo o que possuía.

Deitou-se, ajeitando o travesseiro quase invisível na cama, de tão achatado, parecendo pertencer ao próprio colchão. Sentiu o estrado em suas costas, mas ignorou, olhando para o pequeno pedaço de céu através da minúscula janelinha que havia ali.

Aquela dor indescritível bem ali no centro de seu peito, incomodando, parecia ter aumentado agora que parava de trabalhar e tinha um tempo livre. Vinha retirar as poucas forças que tinha e os poucos momentos que podia dispor do conforto da paz.

Sentiu sua face sendo lentamente molhada pelas lágrimas que iam desmanchar-se sobre a fronha de seu travesseiro, como andava acontecendo por anos seguidos. Virou-se de lado, abraçando seus joelhos, começando a chorar com mais vontade.

Um dia alguém iria abraçá-la? Alguém lhe daria um beijo? Alguém lhe falaria palavras carinhosas, para ver seu sorriso? Alguém, um dia, se importaria com ela?
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Cunhado, não jogue na minha cara que eu não faço um maldito clichê como se deve >.< ~acha o cúmulo do absurdo que não consegue fazer a coisa mais simples do mundo como um clichê~ Descobri que colocar quase TODOS os clichês de Angst numa fic só não funciona para fazer algo clichê ._.' ou eu que SEMPRE interpreto errado as coisas -_-' Boa leitura para todos \o
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Agora eu me tornarei um dragão, para ficar ao seu lado." - Trecho retirado do anime Toradora. ~*

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Re: [Short-Fic] Mármore Vermelho

Mensagempor danona23 » 11/06/11, 21:08

02 – Ouvindo Atrás das Portas


Agora as janelas não atrasavam mais a sua vida. O que atrasava era o quanto ficava enrolando para fazer algo e ouvir as conversas das pessoas. Andara sendo surrada com mais freqüência, mas com isso, ela descobrira como saber quando seria “aqueles dias”... ao menos fora o que deduzira, depois que escutara, sem querer, uma estranha conversa.

Foi quando estava arrumando a sala de recepções, em um dos cantos, quando o homem que sempre estava com o cabelo impecavelmente arrumado para trás entrou com a mulher dos olhos azulados, parecendo nem ter notado a presença dela ali. Ela não sabia o nome dos mais velhos, porque eles não queriam que ela pronunciasse o nome deles. Jamais.

— Eles vão vir amanhã! Nunca uma visita veio tão de repente! Ao menos tinha três dias de antecedência! – ele parecia bem preocupado.

— Melhor falar com as empregadas imediatamente. – e ela achou que a mulher fosse chamá-la para dar o recado.

Mas pelo contrário...

— DRACO! – ela havia chamado, colocando a cabeça para fora do aposento.

Draco... servindo-a?

— Sim, o que foi? – ele tinha aparecido depois de alguns segundos, correndo esbaforido. Ela ficou espiando, escondendo-se propositalmente daquela vez.

— Vá avisar uma das empregadas que deve fazer comida a mais... amanhã terá visitas.

Ele fez um sinal afirmativo e saiu correndo. Ela arregalou os olhos... tudo bem que ela não havia dito no mesmo tom que dispensava à ela, mas ainda assim, ela nunca imaginara isso. Não era sempre ela que tinha que ficar dando recados de um lado para o outro da casa? Qualquer coisinha tinham que chamar Granger para fazer... não conseguiam nem levantar-se do sofá para pegar o controle remoto, para quê, se ela estava lá para isso?

Naquele mesmo dia da conversa, estava os três pratos e o sótão trancado.

Visitas significavam Granger trancada no sótão.

Mas, com essa nova mania que estava pegando, ela acabou descobrindo mais do que apenas isso...

Descobrira como eles se preocupavam com ela sempre indo e vindo no Hall de Entrada. De como tinham trabalho com as crianças, quando batiam nela e se sujavam com seu sangue imundo, como tinham de ficar lhe dando banhos, além de colocar as roupas para lavar.

No entanto, nada se comparou quando, um dia, ouvira uma conversa entre a senhora dos olhos azulados o senhor de cabelo sempre arrumado.

— Parece que realmente não foi tão ruim aquele acordo. – ele estava sentado em um sofá, numa ante-sala de um tipo de Salão de Reuniões. Encontrava-se de costas para a porta de onde espiava pela fechadura. Logo a frente dele encontrava-se a mulher dos olhos azulados.

— De alguma coisa precisava ser útil aquela vergonha. – a mulher parecia um tanto aborrecida, olhava para os lados, com um ar desconfortável, como se algo estivesse incomodando-a.

— Por que está tão aborrecida? – ele perguntou, também notando aquele ar desconfortável.

— Por causa daquele estrangeiro interesseiro, me separei da minha única filha e ainda tenho que suportar a herança daquele vagabundo! – ela havia se levantado, começando a andar talvez um metro de um lado para o outro, parecia que aquilo a incomodava muito.

— Fala de Granger? – ele falou, fazendo-a, atrás da porta, prender a respiração, arregalando um pouco os olhos.

— Claro, de quem mais? Aquela garota precisava ser útil para alguma coisa, depois da tragédia que nos trouxe. – ela continuava a andar em círculos na frente do homem.

“Tragédia? Que... tragédia?” ela pensou, enquanto continuou a observar.

— Acalme-se, querida. – o homem é quem havia se levantado, abraçando-a com carinho. Ela acabou por perder de vista a mulher – Um dia Evelyn perceberá o enorme erro... então, podemos colocar a garota na rua, nossa filha voltará para casa e nossos problemas acabarão.

— Espero...

O choque de descobrir que sua vida como conhecia uma hora acabaria por uma mulher chamada Evelyn assombrou-a durante dias. Aquela dor em seu peito retornara e tão aguda, que ela não estava conseguindo suportar. Quando conseguira chegar ao seu sótão, à noite, chorou, encharcando seu travesseiro. Quem seria aquela tal Evelyn que decidiria sua vida? Teria chances de ainda permanecer na casa quando ela aparecesse?

Depois da noite mal-dormida, decidiu. Os membros da casa poderiam lhe dar uma idéia do que ela pensaria dela. Tendo isso em mente, continuou a escutar atentamente cada conversa que podia. Mas, tudo o que ouvia, era como a culpavam por tudo, mesmo ela sem saber por que era culpada.

E, a cada dia, ela via mais longe seu sonho de um dia alguém realmente se importar com ela. Como alguém iria gostar dela, de uma menina que tinha culpa por tudo? E sempre, sozinha em seu sótão, era consumida por aquela dor terrível e sem cura, provocando mais lágrimas que seu travesseiro colecionava, sempre em silêncio e imparcial.

Quando suas esperanças estavam quase se extinguindo, quando já sucumbia aquela insuportável dor, ouviu uma conversa que, algum tempo depois, iria agradecer por reviver seus sonhos.

— Lúcio! Lúcio! – a mulher dos olhos azulados gritava desesperada, enquanto corria de sala em sala, fazendo Granger aguçar os ouvidos e ir seguindo sorrateira a mulher que chamava por alguém.

Finalmente ela parecia ter encontrado quem queria. Era o homem alto e de cabelo impecavelmente arrumado. Ele tinha saído de um aposento correndo, provavelmente por causa da histeria da mulher.

— O que foi, Narcisa? O que foi? – ele perguntava, assim que saiu do aposento. Ele vinha um pouco apressado, a expressão em seu rosto confusa e perdida pela histeria provocada pela mulher.

Esta correu na direção dele, a água que saía de seus olhos ao ser surrada, saía agora dos olhos dela, enquanto batia no peito do senhor Lúcio um pedaço de papel e falava alto.

— Está morrendo, Lúcio! Está morrendo! Precisamos fazer alguma coisa! – ela estava tão histérica. Tinha recostado o rosto sobre o peito dele, enquanto batia com a mão que segurava o papel. Via-se que este estava até um pouco molhado.

O homem parecia completamente perdido, enquanto arrancava o papel da mão dela, abrindo-o. Começou a arregalar os olhos, enquanto ia mexendo-os e seguindo pelo papel. Ele apertou o papel, praticamente amassando-o, apertando-o forte a um ponto de fazê-lo rasgá-lo em algumas partes.

— Não podemos fazer nada, Narcisa. Foi ela quem decidiu... nós demos nossas condições... E ela as aceitou. – ele tinha uma expressão de sofrimento em seu rosto, enquanto deixava as mãos penderem ao lado do corpo. Mas as palavras dele pareciam ter tido o efeito contrário de acalmá-la.

— Não pode deixar nossa filha morrer! Não! NÃO! – ela parecia desesperada, ela tinha os olhos avermelhados – Não por causa de uma filha bastarda! – ela socava o peito do homem fortemente, ou o mais forte possível, enquanto ele a abraçava, mas sem força, apenas recostando, parecendo não estar se importando. Ela fazia aquele mesmo som, de quando ela chorava demais, lentamente seus socos diminuindo de intensidade. O rosto colado ao peito dele, molhando um pouco a blusa que ele usava.

Depois de algum tempo, que a senhora Narcisa chorava descontroladamente, finalmente ela conseguiu se controlar pouco a pouco e ir se acalmando. Ela estava querendo ver o que fariam, mesmo que não entendia muita coisa do que falavam, apenas estava interessada, pois era tão novo ver o que ela fazia em outras pessoas.

— Quero vê-la. – a senhora Narcisa falou simplesmente, um pouco baixo, sem retirar o rosto do peito dele.

— O quê? – o senhor Lúcio disse, meio assustado, ficando até um pouco mais ereto, sua expressão de completa surpresa, as sobrancelhas até um pouco erguidas.

— Quero vê-la... é minha filha, Lúcio! – ela conseguiu falar mais alto do que antes, enquanto se afastava um pouco dele, um olhar determinado, enquanto o fixava nos olhos.

— Por que se importa ainda com ela que nem mesmo deveria pertencer a essa família? Deveria tratá-la como à garota bastarda. – ele respondeu, e havia até um tom rude nas palavras dele. Ele provavelmente não queria aceitar aquele desejo da senhora Narcisa.

— Não! Ela sempre será minha filha. Droga, Lúcio, não entende? Nem que eu tenha que viajar até onde ela está! Ninguém vai me impedir disso! – ela disse, simplesmente virando-se bem para onde ela estava, acabando por descobri-la alguns passos depois, assustando a ambas – Granger?

— Senhora... – ela disse encolhendo-se – Perdoe-me, perdoe-me! – ela disse, fazendo reverências mil, tentando amenizar um pouco a surra que provavelmente levaria.

Mas ela a paralisou pelos ombros, fazendo com que Granger erguesse os olhos na direção dela. Ela estava ajoelhada no chão, agarrando-a pelos braços, olhando diretamente em seus olhos. Não enxergava a frieza e desprezo de sempre. Era algo desesperado e suplicante, como se tivesse enxergado algo óbvio, mas só notado naquele momento.

Em segundos, ela a deixou, correndo para o senhor Lúcio e puxando-o pela mão para entrar em algum aposento. Achou que dali a uns dias seria surrada, mas não aconteceu.

Não entendia o que tinha acontecido. Mas alguma coisa diferente tinha ocorrido.

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Mais um capítulo postado ^^' Ta na metade, gente xD
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Re: [Short-Fic] Mármore Vermelho

Mensagempor Arthur Lovegood » 06/09/11, 23:36

Aaaaaaaaaaaaaaaaaah por que parou? Está muito bom, parabéns!


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