Algumas pessoas já tiveram acesso aos capítulos iniciais (eu precisava saber se tava boa o suficiente pra editar aqui procês
Os personagens originais podem até ter sido inspirados em pessoas que conheço, assim como alguns locais descritos, mas as situações são completamente fictícias.
EDITADO:
Um pequeno detalhe:
1ª parte da fic: a ação começa na semana santa-2005/férias de verão pós OdF e avança alguns meses.
2ª parte: começa em julho2005, após o lançamento de HP6 em inglês e vai até julho2006/final da saga. Por isso, serão citados fatos ainda não ocorridos: o lançamento do HP6, HP7 e dos filmes 4 e 5.
EDITADO EM 30/07/09:
Estou alterando o nome da P.O. e reescrevendo alguns trechos em alguns capítulos. A história em si não sofrerá danos, apenas ficará mais de acordo com a classificação da fic. Agradeço pela compreensão dos novos leitores que se depararem com capítulos ainda não editados, que podem ficar meio confusos.
Vamo lá, e que Merlim me favoreça com sua proteção!
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Cap. 1 – Viagem inesperada
- Tem certeza de que não quer vir comigo?
Sarah olhou para sua mãe. Podia ver um fio de esperança em seu rosto e, por um segundo, quase se deixou convencer. Quase.
- Se der, eu vou depois, mãe. Mais perto do aniversário dele, tá bom?
A mãe suspirou. Há meses tentava reunir os filhos, em vão. Sarah ainda estava sentida com a cunhada, essa era a verdade. Não aquela viagem com as amigas, que ela dizia ter ajudado a planejar e, por isso, não poderia faltar. Sabia que a filha mentia descaradamente, e a filha sabia disso.
- E como é que você vai levar esta caixa? – Marta apontou para a caixa que chegara no dia anterior.
Sarah olhou a caixa por um instante. Resistira à tentação de abri-la desde que chegara para almoçar com a mãe, como forma de despedida antes da viagem de praticamente um mês que ela estava por fazer. Sua encomenda, feita a uma amiga que estava em Londres, finalmente chegara. Mas ela resistiria, pelo menos até o final da tarde.
- O malão... a senhora o está usando?
- Claro que não! – a mãe fez um gesto de repulsa – Aquela coisa horrorosa?
Mas a filha já o retirava de cima do armário na área de serviço. Uma grande mala antiga, com proteção metálica nas pontas e alças esculpidas, que ela mandara colocar rodinhas e uma alça retrátil. A caixa coube perfeitamente e ainda sobrou espaço.
- Perfeito! – ela sorriu, ignorando o trejeito de desgosto da mãe – E ainda vai caber minha mochila e meu notebook ai dentro. Assim, carrego um volume só, além da bolsa, quando for pra casa.
Mas teve que reconhecer, mais tarde, que fora bem difícil colocá-lo dentro do ônibus. Ainda bem que o ponto era em frente à casa de sua mãe, e chegando ao destino, era só atravessar a rua e já estava no trabalho. Devia ter pensado nisso antes e ido trabalhar de carro, pensou. Mas a luta por uma vaga andava tão difícil, que ela desistira.
Na verdade, poderia ter ido direto para casa, pois a quarta-feira, normalmente sem movimento, desta vez seria parada mesmo. Véspera de feriado prolongado, a maioria de seus colegas se valera da folga de meio período de seus chefes naquele dia. Mas Bill estava lá, terminando a instalação de novos programas em seu notebook. Feliz, percebeu que poderia finalmente assistir seus filmes favoritos sem contrariar as colegas de apartamento. Embora, lembrou, neste feriadão fosse ficar com o aparelho de dvd só para si, pois as colegas viajariam para suas casas no interior e ela estaria sozinha.
Mas a tarde passou voando. Pelo menos, ela nem notou o tempo passando, entretida em conferir o último capítulo editado por Nina Snape em sua fanfic. A amiga lhe mandara um email, avisando. Aquela era a fanfic mais louca que já lera: uma trouxa em Hogwarts... só a Nina mesmo, para escrever algo assim. Se bem que, reconheceu, gostaria de estar no lugar daquela trouxa, se o Snape “de verdade” fosse pelo menos metade do que era o Alan Rickman. Sorriu consigo mesma, e balançou a cabeça como quem diz: sossega!
No msn, uma garota do fórum, de doze anos, perguntava se ela estava “no trampo”. Respondeu que sim, ao mesmo tempo que fechava a fic, divertida com o desfecho dramático do capítulo. A garota perguntou em que trabalhava. “Você não viu no meu perfil?” – brincou – “sou recepcionista do Quartel dos Aurores”. Ivan, que estivera sentado à sua frente, rindo de suas histórias, foi para seu setor, e ela ficou sozinha.
Logo, para seu espanto, o dia já terminava. O último de seus colegas se despediu às cinco da tarde, uma hora mais cedo que o normal. No corredor, apenas Telma, a faxineira e Igor, o garçon. Na seção próxima, apenas a telefonista, que ficava até às sete da noite, e uns poucos retardatários que já se despediam, felizes.
Então, abriu o malão para guardar suas coisas. Já trocara o uniforme por “roupas à paisana” uma saia longa, rodada tipo cigana, e uma camiseta lilás. Guardara o sapato social e colocara uma sandália sem salto. Guardou a mochila com o uniforme e as roupas da caminhada matinal, a pasta do notebook no fundo, a caixa do dvd duplo de “PdA” e... não resistiu: abriu a caixa que chegara de Londres.
Junto com os cinco livros da saga Harry Potter, originais em inglês, havia as figurinhas dos personagens, no formato das famosas figurinhas dos sapos de chocolate, e ainda uma linda, lindíssima, autêntica capa negra, modelo professor, com o emblema de Hogwarts no peito. Não resistiu à vontade de vesti-la e, por um momento, imaginou o frisson que causaria se fosse se encontrar, nesse instante, com as filhas adolescentes de seus amigos. Já podia ver a Sarinha lhe pedindo a capa emprestada, seus grandes olhos brilhando de excitação.
Ainda sorrindo, fechou o malão, desligou o computador e apagou as luzes. No corredor, Ivan, que também deixava o trabalho, elogiou a capa e perguntou em tom brincalhão se ela estava indo visitar o Harry Potter.
- Claro! Só falta lembrar como aparatar!
- O que é isso? – ele indagou e ela riu, nem um pouco disposta a explicar.
Mas percebeu um brilho azul vindo da sala de reuniões, que se esquecera de trancar. Será que tinha se esquecido de desligar os aparelhos de datashow? Abrindo um pouco mais a porta, verificou as luzes, e notou que tudo estava desligado e em ordem. Mas ouviu vozes, vindas de trás da porta, e espiou, cautelosa, pois eles falavam em inglês:
- Onde estamos? Decididamente, não é a casa dele...
- Calma! Eu peguei a chave errada, só isso. A certa é esta aqui... Pronta? Um... dois...
- Ei! – Sarah estendeu o braço, tocando o ombro de alguém abaixado à sua frente.
- Três!
Uma súbita sensação de ser arrancada do chão, seguida por uma pressão horrível no umbigo, pior que qualquer cólica que já tivera na vida foram as únicas coisas que percebeu em seguida, enquanto se sentia como que envolvida por um furacão. Depois, o baque de seu malão, ainda firmemente seguro por sua mão, caindo no chão, suas próprias pernas batendo nas laterais, e duas ou três exclamações de assombro.
- Não está acontecendo... – murmurou, com medo de abrir os olhos.
- Ei, você. – uma voz desconhecida a abordava – o que faz aqui? Por que nos seguiu?
Sentiu um cutucão nas costelas ainda doloridas e se forçou a abrir os olhos, enquanto uma voz desagradável perguntava, furiosa, provavelmente de trás de uma porta:
- Harry! O que está acontecendo? Você não está fazendo aquilo... está?
- Não, tio! Foram só uns livros que caíram de cima do armário... Desculpe!
Sarah não podia acreditar. Fitou o rapaz à sua frente, tentando não piscar. Aparentava dezesseis a dezessete anos, tinha o cabelo meio espetado, e olhos verdes por trás dos óculos. Além, é claro, de uma cicatriz em forma de raio...
- Harry Potter! – ela exclamou. Olhou para os lados, para os outros dois jovens que também lhe apontavam varinhas, em atitude ameaçadora, embora o garoto, ruivo até não poder mais, tivesse uma expressão mais curiosa do que qualquer outra coisa.
- Rony... e Hermione – ela constatou.
- Como sabe quem somos? – Harry ergueu a varinha mais um pouquinho.
- Quem não sabe? – foi a única resposta que conseguiu dar.
Gemendo, pela dor nas pernas que haviam batido no malão de Harry, não no seu próprio, ela se levantou e os encarou. Instantaneamente, lembrou-se da fanfic que estivera lendo durante a tarde, da vontade que tivera de estar no lugar da heroína criada por sua amiga, e riu. Só ao ver o espanto deles aumentando, foi que notou que gargalhara, sentando-se no malão e segurando a barriga, que ainda doía.
- Eu não acredito!
Os jovens estavam a ponto de estuporá-la, se ela não dissesse algo satisfatório logo. Mas precisava primeiro, se “localizar” melhor, mesmo que fosse apenas um sonho. Apesar de não se lembrar de ter chegado em casa pra se deitar ou dormir. Se é que o dia inteiro não fora um sonho. Lembrava-se vagamente de ter visto alguém vestido como um bruxo pela manhã, enquanto fazia sua caminhada na praça. Entre os seus companheiros habituais, velhos sorridentes, senhoras simpáticas e cães serelepes, vira um rapaz usando uma capa preta, caminhando entre os canteiros, meio perdido. Mas ele sumira de vista antes que ela se desse conta. Será que pensara ter se levantado para trabalhar, como todos os dias, e ao invés disso, continuava dormindo?
Se beliscou, mesmo sabendo que isso era bobagem. Mas os garotos acabaram de notar suas vestes, e a olhavam agora com mais curiosidade ainda.
- Você é... professora de Hogwarts? Então, o que fazia naquele lugar? – Hermione perguntava.
- Não, não sou professora, apesar dessas vestes. Uma amiga que está em Londres me mandou de presente. Tinha acabado de recebê-la e vesti para experimentar. Até me esqueci de tirar, antes de ir pra casa... É o que estava fazendo, quando encontrei vocês. Mas bem que gostaria de ir a Hogwarts... E aquele lugar, é onde trabalho. Eu o chamo de “Quartel dos Aurores”, no meu nick.
- Do que você está falando? – Rony se adiantou, e Sarah suspirou. Como ia falar de Internet pra eles? Pior, como ia explicar que participava de um fórum, em que eles eram o assunto principal? Não pôde deixar de pensar que as reações descritas por Nina em sua fic seriam as únicas possíveis, caso ela dissesse a verdade. Portanto, resolveu inventar uma. Isso estava começando a ficar fácil, ultimamente. Não postara no fórum, há poucos dias, que vira hipogrifos verdes e causara o maior reboliço? Fora, no mínimo, chamada de louca pelos usuários mais jovens...
- Desculpem. Acho que não notaram que foram parar em outro país, com aquela chave. Eu sou... uma bruxa, mas estou temporariamente privada dos meus poderes, devido a um processo disciplinar... mas prefiro não falar sobre isso.
- Mas isso é muito grave! – Hermione exclamou
- E tão injusto quanto uma detenção com a Umbridge – ela retrucou, como se fosse sem querer, o que causou mais espanto aos meninos.
- Você... conhece a Umbridge? – Harry indagou, mais cauteloso, mas lhe dando a certeza de que já estava além do quinto ano.
- Não pessoalmente... Mas sua fama é maior que ela, se é que isso é possível. – Sarah piscou – Mas eu não vou conseguir voltar sozinha...Estou, inclusive, sem varinha. Não tive a mesma esperteza que o Hagrid, afinal. Não a consegui de volta, mesmo em pedaços.
Harry a olhou, ainda mais espantado. Como ela podia saber disso? Resolveu testá-la e ver o que mais sabia.
- E o que o Hagrid faz, agora? – perguntou
- Depende... em que ano da escola vocês estão? Sexto ou sétimo?
- Sexto. A partir de setembro. Ainda estamos no verão. – Rony respondeu, antes que Hermione pudesse cutucá-lo.
- Então – Sarah concluiu com um sorriso – Ele deve estar às voltas com Grope, na floresta, tentando acalmar os centauros e fazê-los aceitar Firenze de volta, e talvez criando mais um animal estranho para apresentar aos alunos de Trato das Criaturas Mágicas no próximo ano letivo.
Os três se entreolharam. Se essa mulher sabia até mesmo sobre Grope, ou era uma aliada ainda desconhecida, ou uma inimiga poderosa.
- Se fizer vocês se sentirem melhor – ela olhou para um lado e percebeu a bela coruja das neves, avaliando-a como toda ave faz, em silêncio – mandem uma mensagem para Dumbledore, e digam que Sarah McGonagall está de volta. Embora acredite que ele não vá se lembrar de uma prima distante de sua professora de Transfiguração – ela imprimiu uma nota triste, o mais convincente possível – Há muito tempo que estou afastada da família, nem minha tia deve se lembrar que existo, se é que um dia soube da minha existência infeliz. Sabem, eu parti daqui ainda pequena, para um país totalmente estranho. Vocês devem perceber, pelo meu sotaque, que há muito não falo inglês...E, atualmente, vivo sozinha, embora vigiada pelas autoridades bruxas, só porque usei magia perto de trouxas, ainda na adolescência. Não tive quem me defendesse com tanto empenho quanto Dumbledore te defendeu, Harry. Por isso, vivo como se fosse trouxa há mais tempo do que gostaria, apesar de trabalhar junto dos bruxos, no quartel dos aurores. Uma “liberdade vigiada”. Imagino que agora já saibam que “fugi” e, se tiverem conseguido “rastrear” a sua chave de portal, ou vão aparatar aqui a qualquer momento, ou vão se comunicar com o Ministro da Magia, ou com Hogwarts, por causa da Tia Minerva.
Os garotos a fitavam, expressões curiosas. Pareciam tentados a acreditar nela, mas Hermione ainda não se dera por convencida, Sarah pôde perceber claramente. Então, lançou mão de sua última cartada:
- Se preferirem, podem mandar uma mensagem para o Prof. Snape, pedindo-lhe uma dose de veritaserum. Ele já deve ter tido tempo de preparar mais e normalizar seu estoque de poções. Verão, então, que estou sendo sincera. Por que não estaria? Sozinha, e sem varinha, o que eu faria contra vocês três?
Antes que eles pudessem se decidir, um sinal luminoso foi visto da janela. Rony exclamou:
- Estão chegando para nos buscar. E nem deu tempo de juntar suas coisas!
- E com meus tios em casa! Eles ficaram loucos? – Harry retrucou, nervoso, indo até a janela. Na rua subitamente às escuras, algo acabara de parar junto à calçada: o Noitibus Andante.
Sarah fez de tudo pra refrear a curiosidade. Não podia demonstrar que estava cada vez mais admirada por estar ali. E que, se fosse sonho, ainda não tinha motivos para acordar.
- Quem veio? – ela se viu perguntando, ansiosa – O trio de sempre? – e ante o espanto deles – Lupin, Tonks e Moody?
- Você sabe demais para alguém que estava isolada entre os trouxas... – Hermione argumentou. – e ainda por cima no estrangeiro...
- Eu trabalhava com os aurores, esqueceu? E um dos meus chefes mantem contato direto com ... a Ordem.
Mas, sob os protestos irritados de Walter Dursley, os três bruxos adultos já entravam no quarto. O único que não estava inteiramente curioso era Moody. Decerto, seu olho mágico já a “vira” lá de baixo. Ela não deixou de se emocionar ao fitar Lupin, logo ali à sua frente. Lembrou-se de sua amiga portuguesa, apaixonada por ele, e pensou que não poderia deixar de contar a ela todo aquele sonho louco! E Tonks, com seus infalíveis cabelos coloridos, hoje de verde. Já Moody, era a figura mais estranha que já vira na vida. Sem nenhuma imagem dele como referência, constatou que sua imaginação não tinha sido pródiga o suficiente com relação a ele.
Estava tão absorta na avaliação que fazia dos três bruxos, que nem notou que Harry e Hermione já haviam repetido sua história para eles, que a observavam também, com curiosidade e apreensão. Moody, claro, era o que avaliava com mais atenção, mas Sarah sabia que ele não era um legilimente, e que os poderes do seu olho não chegavam a tanto. Portanto, encarou-o com a expressão mais tranqüila que conseguiu, embora sentisse o coração na garganta.
- Temos duas opções – ele disse, em sua voz seca – Ou a levamos conosco, ou lhe aplicamos um obliviate e a deixamos aqui.
- Com os Dursley? Nem pensar! – ela e Harry exclamaram ao mesmo tempo. Os dois se fitaram, surpreendidos e divertidos.
Lupin a olhava de um jeito curioso e comentou:
- É melhor levá-la conosco. Se a chave de portal que vocês usaram já apresentou “defeito”, é perigoso tentar usá-la novamente. O feitiço pode ter sofrido alguma interferência externa. É melhor deixarmos isso com Dumbledore.
Sarah quase pulou no seu pescoço, de tão agradecida pelo voto de confiança que sabia que ele estava lhe dando. Mas se conteve, encabulada. Não queria lhes causar nenhuma impressão errada. Ainda mais a ele, que sempre admirara tanto... Por isso, limitou-se a lhe sorrir, sem perceber o quanto pareceu sedutora nesse instante.
- O que tem nessa mala? – Tonks perguntara, e automaticamente Moody a examinara com seu olho mágico, enquanto Sarah explicava apenas por educação, já que o exame dele seria minucioso.
- Cinco livros, figurinhas, um mochila com roupas e alguns aparelhos de trouxas...
- Que aparelhos? – Rony perguntou, curioso, embora Sarah tivesse certeza de que ele não saberia do que falava
- O dvd de um filme, um notebook, além do telefone celular na minha bolsa, - ela apontou a bolsa que deixara cair do ombro. Mas não me peça pra explicar o que são essas coisas, pelo menos não agora... Mas tenho certeza de que Hermione conhece, ou pelo menos já ouviu falar – ela não tinha exatamente certeza de que ano estavam, pois a autora da saga não era muito clara quanto a isso, mas não ia perguntar diretamente. Já se arriscara muito.
- E por que posso ler o nome de Harry Potter em praticamente... todos esses objetos? – Moody perguntou em um tom perigoso.
- Porque... – ela se obrigava a pensar rápido, pois não podia simplesmente dizer que a história dele fora escrita por uma trouxa e para os trouxas – Bem... acho melhor deixar para explicar isso diretamente ao Prof. Dumbledore, se não se importa. Não é seguro dizer isso aqui. E nossa prioridade é a segurança do Harry.
Eles foram obrigados a concordar, embora mais desconfiados ainda. Rapidamente, Tonks acabou de guardar as coisas de Harry e, com um feitiço de locomoção, transportou seu malão para fora. Ao ver que Sarah puxava o dela, estranhou.
- É que estou sem varinha... Mas ele tem rodinhas, não se preocupe.
Mas a outra não se fez de rogada, enfeitiçando também sua mala. E, enquanto os Dursley os observavam sair, sem ao menos disfarçar a irritação, Sarah acompanhou-os até embarcar no estranho ônibus roxo, ainda mais extravagante do que sua versão cinematográfica. A viagem transcorreu tranqüila, se é que se pode considerar tranqüila uma viagem como aquela, em que ela tentava o tempo todo agir com naturalidade, ciente do olho mágico de Moody sobre si. Harry, em dado instante, a fitou com um brilho de entendimento, e ela meneou a cabeça, agradecida. Sabia que o garoto estava se lembrando do quanto já se incomodara com aquilo no passado, e também imaginando como estava em uma situação difícil.
- Mais difícil do que você imagina – ela pensou, baixando os olhos e evitando olhá-lo de frente mais uma vez. Não sabia o quanto ele já teria progredido na tal legilimência, mesmo sem as aulas de Snape.
Um calafrio lhe percorreu o corpo, alheio à sua vontade. Lupin lhe perguntou se estava com frio, e ela negou, subitamente envergonhada e imaginando que todos poderiam imaginar porque ficara vermelha, tão a descoberto se sentia! Mas relaxou, ao ver seu sorriso tranqüilizador. Lembrou-se mais uma vez de sua amiga Maria, do quanto ela não daria para estar ali, em seu lugar, e comprometeu-se a permanecer leal à sua amizade, evitando muita proximidade com seu “Lobo”.
E se permitiu voltar a pensar no causador de seu estremecimento involuntário. Será que Nina captara em sua fic a personalidade real de um dos mais controvertidos personagens potterianos? E se ela se apaixonasse de verdade por ele, como as personagens que tanto haviam lhe cativado? Lembrou-se de que, tanto na ocasião que escrevera sua própria fic sobre ele, quanto ao ler a de Nina, se envolvera e sentira como se fosse ela mesma a “partilhar a intimidade” do professor mais mal humorado de Hogwarts. Subitamente, lembrou-se de outras fics que o colocavam com Tonks, ou até Gina... E se uma delas fosse verdadeira? Não queria nem pensar nisso. Se ele tivesse pelo menos um pouco do charme misterioso que seu intérprete nas telas passava, ela estaria perdida. Porque sempre se sentira atraída por ele, apesar de um certo carinho por Sirius. Ele lembrava muito alguém de sua juventude...
Quase adormeceu, apesar da série de solavancos e guinadas repentinas do Noitibus, mas seus pensamentos estavam se tornando tão confusos que ela fechara os olhos, por um momento. Mas despertou, assustada, olhando à sua volta, conferindo aflita onde e com quem estava.
- Não se preocupe. – Moody dissera em tom estranho – Não vamos te deixar perdida em uma esquina de Londres... sem nem saber quem é. Claro, supondo-se que neste instante, você saiba quem é, realmente. – ele provocou.
- Na verdade, não tenho muita certeza se estou na minha cama dormindo, e isso tudo é um sonho louco... A vida corria perfeitamente “normal” pela manhã. E eu, absolutamente, não tinha nenhuma intenção de viajar hoje. – ela tentou ser divertida, mas viu que não teve muito sucesso. Então permaneceu calada, imaginando para onde estaria indo.








O amor é cego por isso só me convém o escuro!