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Grimmauld Place • Exibir tópico - Se eu não te amasse tanto assim...

Se eu não te amasse tanto assim...

Publiquem suas fics aqui para os outros opinarem.
Não se esqueçam de também postarem no Floreioseborroes.net.

Moderadores: O Ministério, Equipe - Godric's Hollow

Se eu não te amasse tanto assim...

Mensagempor Regina McGonagall » 04/05/05, 14:19

Pessoal, a fic a seguir é com o Snape e uma personagem nova...
Algumas pessoas já tiveram acesso aos capítulos iniciais (eu precisava saber se tava boa o suficiente pra editar aqui procês :oops: )

Os personagens originais podem até ter sido inspirados em pessoas que conheço, assim como alguns locais descritos, mas as situações são completamente fictícias.

EDITADO:
Um pequeno detalhe:
1ª parte da fic: a ação começa na semana santa-2005/férias de verão pós OdF e avança alguns meses.
2ª parte: começa em julho2005, após o lançamento de HP6 em inglês e vai até julho2006/final da saga. Por isso, serão citados fatos ainda não ocorridos: o lançamento do HP6, HP7 e dos filmes 4 e 5.

EDITADO EM 30/07/09:
Estou alterando o nome da P.O. e reescrevendo alguns trechos em alguns capítulos. A história em si não sofrerá danos, apenas ficará mais de acordo com a classificação da fic. Agradeço pela compreensão dos novos leitores que se depararem com capítulos ainda não editados, que podem ficar meio confusos.


Vamo lá, e que Merlim me favoreça com sua proteção!


================================
Cap. 1 – Viagem inesperada

- Tem certeza de que não quer vir comigo?
Sarah olhou para sua mãe. Podia ver um fio de esperança em seu rosto e, por um segundo, quase se deixou convencer. Quase.
- Se der, eu vou depois, mãe. Mais perto do aniversário dele, tá bom?
A mãe suspirou. Há meses tentava reunir os filhos, em vão. Sarah ainda estava sentida com a cunhada, essa era a verdade. Não aquela viagem com as amigas, que ela dizia ter ajudado a planejar e, por isso, não poderia faltar. Sabia que a filha mentia descaradamente, e a filha sabia disso.
- E como é que você vai levar esta caixa? – Marta apontou para a caixa que chegara no dia anterior.
Sarah olhou a caixa por um instante. Resistira à tentação de abri-la desde que chegara para almoçar com a mãe, como forma de despedida antes da viagem de praticamente um mês que ela estava por fazer. Sua encomenda, feita a uma amiga que estava em Londres, finalmente chegara. Mas ela resistiria, pelo menos até o final da tarde.
- O malão... a senhora o está usando?
- Claro que não! – a mãe fez um gesto de repulsa – Aquela coisa horrorosa?
Mas a filha já o retirava de cima do armário na área de serviço. Uma grande mala antiga, com proteção metálica nas pontas e alças esculpidas, que ela mandara colocar rodinhas e uma alça retrátil. A caixa coube perfeitamente e ainda sobrou espaço.
- Perfeito! – ela sorriu, ignorando o trejeito de desgosto da mãe – E ainda vai caber minha mochila e meu notebook ai dentro. Assim, carrego um volume só, além da bolsa, quando for pra casa.

Mas teve que reconhecer, mais tarde, que fora bem difícil colocá-lo dentro do ônibus. Ainda bem que o ponto era em frente à casa de sua mãe, e chegando ao destino, era só atravessar a rua e já estava no trabalho. Devia ter pensado nisso antes e ido trabalhar de carro, pensou. Mas a luta por uma vaga andava tão difícil, que ela desistira.
Na verdade, poderia ter ido direto para casa, pois a quarta-feira, normalmente sem movimento, desta vez seria parada mesmo. Véspera de feriado prolongado, a maioria de seus colegas se valera da folga de meio período de seus chefes naquele dia. Mas Bill estava lá, terminando a instalação de novos programas em seu notebook. Feliz, percebeu que poderia finalmente assistir seus filmes favoritos sem contrariar as colegas de apartamento. Embora, lembrou, neste feriadão fosse ficar com o aparelho de dvd só para si, pois as colegas viajariam para suas casas no interior e ela estaria sozinha.

Mas a tarde passou voando. Pelo menos, ela nem notou o tempo passando, entretida em conferir o último capítulo editado por Nina Snape em sua fanfic. A amiga lhe mandara um email, avisando. Aquela era a fanfic mais louca que já lera: uma trouxa em Hogwarts... só a Nina mesmo, para escrever algo assim. Se bem que, reconheceu, gostaria de estar no lugar daquela trouxa, se o Snape “de verdade” fosse pelo menos metade do que era o Alan Rickman. Sorriu consigo mesma, e balançou a cabeça como quem diz: sossega!
No msn, uma garota do fórum, de doze anos, perguntava se ela estava “no trampo”. Respondeu que sim, ao mesmo tempo que fechava a fic, divertida com o desfecho dramático do capítulo. A garota perguntou em que trabalhava. “Você não viu no meu perfil?” – brincou – “sou recepcionista do Quartel dos Aurores”. Ivan, que estivera sentado à sua frente, rindo de suas histórias, foi para seu setor, e ela ficou sozinha.
Logo, para seu espanto, o dia já terminava. O último de seus colegas se despediu às cinco da tarde, uma hora mais cedo que o normal. No corredor, apenas Telma, a faxineira e Igor, o garçon. Na seção próxima, apenas a telefonista, que ficava até às sete da noite, e uns poucos retardatários que já se despediam, felizes.
Então, abriu o malão para guardar suas coisas. Já trocara o uniforme por “roupas à paisana” uma saia longa, rodada tipo cigana, e uma camiseta lilás. Guardara o sapato social e colocara uma sandália sem salto. Guardou a mochila com o uniforme e as roupas da caminhada matinal, a pasta do notebook no fundo, a caixa do dvd duplo de “PdA” e... não resistiu: abriu a caixa que chegara de Londres.
Junto com os cinco livros da saga Harry Potter, originais em inglês, havia as figurinhas dos personagens, no formato das famosas figurinhas dos sapos de chocolate, e ainda uma linda, lindíssima, autêntica capa negra, modelo professor, com o emblema de Hogwarts no peito. Não resistiu à vontade de vesti-la e, por um momento, imaginou o frisson que causaria se fosse se encontrar, nesse instante, com as filhas adolescentes de seus amigos. Já podia ver a Sarinha lhe pedindo a capa emprestada, seus grandes olhos brilhando de excitação.
Ainda sorrindo, fechou o malão, desligou o computador e apagou as luzes. No corredor, Ivan, que também deixava o trabalho, elogiou a capa e perguntou em tom brincalhão se ela estava indo visitar o Harry Potter.
- Claro! Só falta lembrar como aparatar!
- O que é isso? – ele indagou e ela riu, nem um pouco disposta a explicar.
Mas percebeu um brilho azul vindo da sala de reuniões, que se esquecera de trancar. Será que tinha se esquecido de desligar os aparelhos de datashow? Abrindo um pouco mais a porta, verificou as luzes, e notou que tudo estava desligado e em ordem. Mas ouviu vozes, vindas de trás da porta, e espiou, cautelosa, pois eles falavam em inglês:
- Onde estamos? Decididamente, não é a casa dele...
- Calma! Eu peguei a chave errada, só isso. A certa é esta aqui... Pronta? Um... dois...

- Ei! – Sarah estendeu o braço, tocando o ombro de alguém abaixado à sua frente.
- Três!

Uma súbita sensação de ser arrancada do chão, seguida por uma pressão horrível no umbigo, pior que qualquer cólica que já tivera na vida foram as únicas coisas que percebeu em seguida, enquanto se sentia como que envolvida por um furacão. Depois, o baque de seu malão, ainda firmemente seguro por sua mão, caindo no chão, suas próprias pernas batendo nas laterais, e duas ou três exclamações de assombro.
- Não está acontecendo... – murmurou, com medo de abrir os olhos.
- Ei, você. – uma voz desconhecida a abordava – o que faz aqui? Por que nos seguiu?
Sentiu um cutucão nas costelas ainda doloridas e se forçou a abrir os olhos, enquanto uma voz desagradável perguntava, furiosa, provavelmente de trás de uma porta:
- Harry! O que está acontecendo? Você não está fazendo aquilo... está?
- Não, tio! Foram só uns livros que caíram de cima do armário... Desculpe!
Sarah não podia acreditar. Fitou o rapaz à sua frente, tentando não piscar. Aparentava dezesseis a dezessete anos, tinha o cabelo meio espetado, e olhos verdes por trás dos óculos. Além, é claro, de uma cicatriz em forma de raio...
- Harry Potter! – ela exclamou. Olhou para os lados, para os outros dois jovens que também lhe apontavam varinhas, em atitude ameaçadora, embora o garoto, ruivo até não poder mais, tivesse uma expressão mais curiosa do que qualquer outra coisa.
- Rony... e Hermione – ela constatou.
- Como sabe quem somos? – Harry ergueu a varinha mais um pouquinho.
- Quem não sabe? – foi a única resposta que conseguiu dar.
Gemendo, pela dor nas pernas que haviam batido no malão de Harry, não no seu próprio, ela se levantou e os encarou. Instantaneamente, lembrou-se da fanfic que estivera lendo durante a tarde, da vontade que tivera de estar no lugar da heroína criada por sua amiga, e riu. Só ao ver o espanto deles aumentando, foi que notou que gargalhara, sentando-se no malão e segurando a barriga, que ainda doía.
- Eu não acredito!
Os jovens estavam a ponto de estuporá-la, se ela não dissesse algo satisfatório logo. Mas precisava primeiro, se “localizar” melhor, mesmo que fosse apenas um sonho. Apesar de não se lembrar de ter chegado em casa pra se deitar ou dormir. Se é que o dia inteiro não fora um sonho. Lembrava-se vagamente de ter visto alguém vestido como um bruxo pela manhã, enquanto fazia sua caminhada na praça. Entre os seus companheiros habituais, velhos sorridentes, senhoras simpáticas e cães serelepes, vira um rapaz usando uma capa preta, caminhando entre os canteiros, meio perdido. Mas ele sumira de vista antes que ela se desse conta. Será que pensara ter se levantado para trabalhar, como todos os dias, e ao invés disso, continuava dormindo?
Se beliscou, mesmo sabendo que isso era bobagem. Mas os garotos acabaram de notar suas vestes, e a olhavam agora com mais curiosidade ainda.
- Você é... professora de Hogwarts? Então, o que fazia naquele lugar? – Hermione perguntava.
- Não, não sou professora, apesar dessas vestes. Uma amiga que está em Londres me mandou de presente. Tinha acabado de recebê-la e vesti para experimentar. Até me esqueci de tirar, antes de ir pra casa... É o que estava fazendo, quando encontrei vocês. Mas bem que gostaria de ir a Hogwarts... E aquele lugar, é onde trabalho. Eu o chamo de “Quartel dos Aurores”, no meu nick.
- Do que você está falando? – Rony se adiantou, e Sarah suspirou. Como ia falar de Internet pra eles? Pior, como ia explicar que participava de um fórum, em que eles eram o assunto principal? Não pôde deixar de pensar que as reações descritas por Nina em sua fic seriam as únicas possíveis, caso ela dissesse a verdade. Portanto, resolveu inventar uma. Isso estava começando a ficar fácil, ultimamente. Não postara no fórum, há poucos dias, que vira hipogrifos verdes e causara o maior reboliço? Fora, no mínimo, chamada de louca pelos usuários mais jovens...
- Desculpem. Acho que não notaram que foram parar em outro país, com aquela chave. Eu sou... uma bruxa, mas estou temporariamente privada dos meus poderes, devido a um processo disciplinar... mas prefiro não falar sobre isso.
- Mas isso é muito grave! – Hermione exclamou
- E tão injusto quanto uma detenção com a Umbridge – ela retrucou, como se fosse sem querer, o que causou mais espanto aos meninos.
- Você... conhece a Umbridge? – Harry indagou, mais cauteloso, mas lhe dando a certeza de que já estava além do quinto ano.
- Não pessoalmente... Mas sua fama é maior que ela, se é que isso é possível. – Sarah piscou – Mas eu não vou conseguir voltar sozinha...Estou, inclusive, sem varinha. Não tive a mesma esperteza que o Hagrid, afinal. Não a consegui de volta, mesmo em pedaços.
Harry a olhou, ainda mais espantado. Como ela podia saber disso? Resolveu testá-la e ver o que mais sabia.
- E o que o Hagrid faz, agora? – perguntou
- Depende... em que ano da escola vocês estão? Sexto ou sétimo?
- Sexto. A partir de setembro. Ainda estamos no verão. – Rony respondeu, antes que Hermione pudesse cutucá-lo.
- Então – Sarah concluiu com um sorriso – Ele deve estar às voltas com Grope, na floresta, tentando acalmar os centauros e fazê-los aceitar Firenze de volta, e talvez criando mais um animal estranho para apresentar aos alunos de Trato das Criaturas Mágicas no próximo ano letivo.
Os três se entreolharam. Se essa mulher sabia até mesmo sobre Grope, ou era uma aliada ainda desconhecida, ou uma inimiga poderosa.
- Se fizer vocês se sentirem melhor – ela olhou para um lado e percebeu a bela coruja das neves, avaliando-a como toda ave faz, em silêncio – mandem uma mensagem para Dumbledore, e digam que Sarah McGonagall está de volta. Embora acredite que ele não vá se lembrar de uma prima distante de sua professora de Transfiguração – ela imprimiu uma nota triste, o mais convincente possível – Há muito tempo que estou afastada da família, nem minha tia deve se lembrar que existo, se é que um dia soube da minha existência infeliz. Sabem, eu parti daqui ainda pequena, para um país totalmente estranho. Vocês devem perceber, pelo meu sotaque, que há muito não falo inglês...E, atualmente, vivo sozinha, embora vigiada pelas autoridades bruxas, só porque usei magia perto de trouxas, ainda na adolescência. Não tive quem me defendesse com tanto empenho quanto Dumbledore te defendeu, Harry. Por isso, vivo como se fosse trouxa há mais tempo do que gostaria, apesar de trabalhar junto dos bruxos, no quartel dos aurores. Uma “liberdade vigiada”. Imagino que agora já saibam que “fugi” e, se tiverem conseguido “rastrear” a sua chave de portal, ou vão aparatar aqui a qualquer momento, ou vão se comunicar com o Ministro da Magia, ou com Hogwarts, por causa da Tia Minerva.
Os garotos a fitavam, expressões curiosas. Pareciam tentados a acreditar nela, mas Hermione ainda não se dera por convencida, Sarah pôde perceber claramente. Então, lançou mão de sua última cartada:
- Se preferirem, podem mandar uma mensagem para o Prof. Snape, pedindo-lhe uma dose de veritaserum. Ele já deve ter tido tempo de preparar mais e normalizar seu estoque de poções. Verão, então, que estou sendo sincera. Por que não estaria? Sozinha, e sem varinha, o que eu faria contra vocês três?
Antes que eles pudessem se decidir, um sinal luminoso foi visto da janela. Rony exclamou:
- Estão chegando para nos buscar. E nem deu tempo de juntar suas coisas!
- E com meus tios em casa! Eles ficaram loucos? – Harry retrucou, nervoso, indo até a janela. Na rua subitamente às escuras, algo acabara de parar junto à calçada: o Noitibus Andante.
Sarah fez de tudo pra refrear a curiosidade. Não podia demonstrar que estava cada vez mais admirada por estar ali. E que, se fosse sonho, ainda não tinha motivos para acordar.
- Quem veio? – ela se viu perguntando, ansiosa – O trio de sempre? – e ante o espanto deles – Lupin, Tonks e Moody?
- Você sabe demais para alguém que estava isolada entre os trouxas... – Hermione argumentou. – e ainda por cima no estrangeiro...
- Eu trabalhava com os aurores, esqueceu? E um dos meus chefes mantem contato direto com ... a Ordem.
Mas, sob os protestos irritados de Walter Dursley, os três bruxos adultos já entravam no quarto. O único que não estava inteiramente curioso era Moody. Decerto, seu olho mágico já a “vira” lá de baixo. Ela não deixou de se emocionar ao fitar Lupin, logo ali à sua frente. Lembrou-se de sua amiga portuguesa, apaixonada por ele, e pensou que não poderia deixar de contar a ela todo aquele sonho louco! E Tonks, com seus infalíveis cabelos coloridos, hoje de verde. Já Moody, era a figura mais estranha que já vira na vida. Sem nenhuma imagem dele como referência, constatou que sua imaginação não tinha sido pródiga o suficiente com relação a ele.
Estava tão absorta na avaliação que fazia dos três bruxos, que nem notou que Harry e Hermione já haviam repetido sua história para eles, que a observavam também, com curiosidade e apreensão. Moody, claro, era o que avaliava com mais atenção, mas Sarah sabia que ele não era um legilimente, e que os poderes do seu olho não chegavam a tanto. Portanto, encarou-o com a expressão mais tranqüila que conseguiu, embora sentisse o coração na garganta.
- Temos duas opções – ele disse, em sua voz seca – Ou a levamos conosco, ou lhe aplicamos um obliviate e a deixamos aqui.
- Com os Dursley? Nem pensar! – ela e Harry exclamaram ao mesmo tempo. Os dois se fitaram, surpreendidos e divertidos.
Lupin a olhava de um jeito curioso e comentou:
- É melhor levá-la conosco. Se a chave de portal que vocês usaram já apresentou “defeito”, é perigoso tentar usá-la novamente. O feitiço pode ter sofrido alguma interferência externa. É melhor deixarmos isso com Dumbledore.
Sarah quase pulou no seu pescoço, de tão agradecida pelo voto de confiança que sabia que ele estava lhe dando. Mas se conteve, encabulada. Não queria lhes causar nenhuma impressão errada. Ainda mais a ele, que sempre admirara tanto... Por isso, limitou-se a lhe sorrir, sem perceber o quanto pareceu sedutora nesse instante.
- O que tem nessa mala? – Tonks perguntara, e automaticamente Moody a examinara com seu olho mágico, enquanto Sarah explicava apenas por educação, já que o exame dele seria minucioso.
- Cinco livros, figurinhas, um mochila com roupas e alguns aparelhos de trouxas...
- Que aparelhos? – Rony perguntou, curioso, embora Sarah tivesse certeza de que ele não saberia do que falava
- O dvd de um filme, um notebook, além do telefone celular na minha bolsa, - ela apontou a bolsa que deixara cair do ombro. Mas não me peça pra explicar o que são essas coisas, pelo menos não agora... Mas tenho certeza de que Hermione conhece, ou pelo menos já ouviu falar – ela não tinha exatamente certeza de que ano estavam, pois a autora da saga não era muito clara quanto a isso, mas não ia perguntar diretamente. Já se arriscara muito.
- E por que posso ler o nome de Harry Potter em praticamente... todos esses objetos? – Moody perguntou em um tom perigoso.
- Porque... – ela se obrigava a pensar rápido, pois não podia simplesmente dizer que a história dele fora escrita por uma trouxa e para os trouxas – Bem... acho melhor deixar para explicar isso diretamente ao Prof. Dumbledore, se não se importa. Não é seguro dizer isso aqui. E nossa prioridade é a segurança do Harry.
Eles foram obrigados a concordar, embora mais desconfiados ainda. Rapidamente, Tonks acabou de guardar as coisas de Harry e, com um feitiço de locomoção, transportou seu malão para fora. Ao ver que Sarah puxava o dela, estranhou.
- É que estou sem varinha... Mas ele tem rodinhas, não se preocupe.
Mas a outra não se fez de rogada, enfeitiçando também sua mala. E, enquanto os Dursley os observavam sair, sem ao menos disfarçar a irritação, Sarah acompanhou-os até embarcar no estranho ônibus roxo, ainda mais extravagante do que sua versão cinematográfica. A viagem transcorreu tranqüila, se é que se pode considerar tranqüila uma viagem como aquela, em que ela tentava o tempo todo agir com naturalidade, ciente do olho mágico de Moody sobre si. Harry, em dado instante, a fitou com um brilho de entendimento, e ela meneou a cabeça, agradecida. Sabia que o garoto estava se lembrando do quanto já se incomodara com aquilo no passado, e também imaginando como estava em uma situação difícil.
- Mais difícil do que você imagina – ela pensou, baixando os olhos e evitando olhá-lo de frente mais uma vez. Não sabia o quanto ele já teria progredido na tal legilimência, mesmo sem as aulas de Snape.
Um calafrio lhe percorreu o corpo, alheio à sua vontade. Lupin lhe perguntou se estava com frio, e ela negou, subitamente envergonhada e imaginando que todos poderiam imaginar porque ficara vermelha, tão a descoberto se sentia! Mas relaxou, ao ver seu sorriso tranqüilizador. Lembrou-se mais uma vez de sua amiga Maria, do quanto ela não daria para estar ali, em seu lugar, e comprometeu-se a permanecer leal à sua amizade, evitando muita proximidade com seu “Lobo”.
E se permitiu voltar a pensar no causador de seu estremecimento involuntário. Será que Nina captara em sua fic a personalidade real de um dos mais controvertidos personagens potterianos? E se ela se apaixonasse de verdade por ele, como as personagens que tanto haviam lhe cativado? Lembrou-se de que, tanto na ocasião que escrevera sua própria fic sobre ele, quanto ao ler a de Nina, se envolvera e sentira como se fosse ela mesma a “partilhar a intimidade” do professor mais mal humorado de Hogwarts. Subitamente, lembrou-se de outras fics que o colocavam com Tonks, ou até Gina... E se uma delas fosse verdadeira? Não queria nem pensar nisso. Se ele tivesse pelo menos um pouco do charme misterioso que seu intérprete nas telas passava, ela estaria perdida. Porque sempre se sentira atraída por ele, apesar de um certo carinho por Sirius. Ele lembrava muito alguém de sua juventude...

Quase adormeceu, apesar da série de solavancos e guinadas repentinas do Noitibus, mas seus pensamentos estavam se tornando tão confusos que ela fechara os olhos, por um momento. Mas despertou, assustada, olhando à sua volta, conferindo aflita onde e com quem estava.
- Não se preocupe. – Moody dissera em tom estranho – Não vamos te deixar perdida em uma esquina de Londres... sem nem saber quem é. Claro, supondo-se que neste instante, você saiba quem é, realmente. – ele provocou.
- Na verdade, não tenho muita certeza se estou na minha cama dormindo, e isso tudo é um sonho louco... A vida corria perfeitamente “normal” pela manhã. E eu, absolutamente, não tinha nenhuma intenção de viajar hoje. – ela tentou ser divertida, mas viu que não teve muito sucesso. Então permaneceu calada, imaginando para onde estaria indo.
Editado pela última vez por Regina McGonagall em 25/05/06, 09:43, em um total de 14 vezes.
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Mensagempor Regina McGonagall » 05/05/05, 08:31

Cap. 2 – A toca

Estava tudo lá. O maravilhoso relógio Weasley com um ponteiro para cada membro da família, a inquieta mas calorosa Sra Weasley, uma ruiva gordinha de sorriso simpático, o Sr Weasley com seu jeito curioso de gostar dos trouxas, os gêmeos... teve que concordar que os gêmeos Felps capturavam quase 100% da essência marota daqueles dois. Gina, que se desenvolvera bastante, a fitava de um jeito estranho. Mas Sarah se pegou pensando que, realmente, ela fazia um par perfeito com Harry. Será que ele nunca notaria? Sorriu para a garota, e deu uma piscadinha na direção do Harry. Gina ficou vermelha como seus cabelos, e Sarah teve certeza de que ela ainda gostava dele, embora não “desse mais bandeira”.

Após o jantar, os três visitantes se despediram. Haviam conversado com Arthur, que não vira mal algum em hospedá-la até que tivessem a opinião de Dumbledore a respeito do que deveria ser feito.
Assim, rodeada por curiosas cabeças vermelhas, que ela não se cansava de admirar – e fizera quase toda a família corar, quando dissera que nunca vira tantos ruivos juntos e tão lindos – com Harry e Hermione ao seu lado, atentos a qualquer sinal suspeito, visto que conheciam mais dos artefatos trouxas do que os outros, ela abriu sua mala e sua bolsa, achando mais seguro lhes mostrar primeiro o celular. Explicou-lhes que era uma versão móvel de um telefone, usado para falar com os outros à distância.
- O meu até que é dos mais antigos, atualmente existem alguns menorzinhos, que fazem uma porção de coisas, além de ligarem para outros telefones. Mas, infelizmente, não vai dar sinal... Se eu conseguisse, podia tentar falar com minha amiga, que mora em Londres...
O celular passou de mão em mão, ela havia lhes mostrado algumas funções rotineiras, e os gêmeos, lógico, se interessaram logo pelos joguinhos. Mas ela não permitiu que eles jogassem muito tempo. Afinal, não sabia quando teria acesso a energia elétrica para recarregar sua bateria, embora ele fosse praticamente inútil ali.
- Eu não sei o nível de proteção mágica da “Toca”, mas imagino que é menos do que Hogwarts. Então, acho que vale a pena tentarmos abrir o notebook. É um computador, sabem, só que menor, portátil – ela viu o leve levantar de sobrancelha de Arthur – Também tem uma bateria, mas para servir também como meio de comunicação, preciso de uma linha telefônica para a conexão. Mas acho que dá para ter, Sr Weasley, pelo menos uma idéia de como funciona.
Ele sorriu, aproximando-se mais, sob a observação desconfiada da esposa.
- É inofensivo, Sra Weasley, eu garanto...
Mas deixou escapar um gritinho de susto, quando a tela abriu totalmente. Esquecera-se de seu papel de parede... uma cena de PdA.
- O que é isso? – Rony apontara, chegando o mais próximo possível. É uma espécie de foto?
- Sim, e você já sabe que fotos trouxas não se movem.
- Mas isso é... – Hermione parecia ter até medo de dizer o que pensara...
- Um vôo de um hipogrifo, sobre Hogwarts e o lago... – ela confirmou. Deu graças a Deus por não ser possível perceber que era “Harry” quem o montava.
- Por Merlim! – Arthur exclamara – Como conseguiu isso?
- Minha amiga de Londres...Sr Weasley, sei que se interessa por tecnologia trouxa – chamando o patriarca da família para perto, atraiu sua atenção para o notebook e mudou de assunto.
Ela passou a lhe explicar o funcionamento de tudo, teclado, tela, o “mouse”, os tipos de “programas”, os arquivos.
- O Word é o programa que usamos como se fosse um pergaminho. Para escrever nossas correspondências, histórias, jornais...- ela correu os olhos pelas pastas, tentando achar uma que fosse segura. Haviam muito termos e nomes que poderiam soar familiares para eles. Estava tão tensa, preocupada em examinar rapidamente os títulos, que não percebeu que Harry acompanhava os nomes com sua acuidade de apanhador.
- Eu vi o nome de Snape, ali. Você o conhece? – ele indagou, perplexo.
- Bem... Não exatamente. Só o que – ela não poderia dizer “só o que está nos livros” – Só o que se ouve falar. Uma amiga me escreveu, falando dele, foi sua aluna em Hogwarts,e “salvei”, quer dizer, guardei a carta dela, usando o nome do professor como referência – não poderia dizer que era uma história que ela mesma escrevera -Mas o admiro muito sim, se você quer saber. Embora não tenha nada a ver com os problemas entre você e ele, me atrevo a dizer que gostaria de vê-los... se entendendo melhor.
Ela corou violentamente e fitou cada um dos presentes, mudos e espantados.
- Desculpem... eu não devo me intrometer na vida de ninguém. Muito menos na sua, Harry. A minha presença aqui já é algo estranho o suficiente, não posso me arriscar a mudar as coisas...
Ela não percebeu que Gina correra os dedos pelo “mouse” curiosa, abrindo a pasta de imagens. Só quando a primeira foto invadiu toda a tela, é que ela se deu conta do motivo do burburinho à sua volta. Era uma montagem que um colega lhe fizera, colocando-a entre Snape e Sirius. Embora eles não fossem exatamente iguais aos filmes, tinha certeza, pelos que encontrara até agora, que seria impossível serem diferentes a ponto de não serem reconhecidos neste instante. Sarah conseguiu ficar mais vermelha que o cabelo de Gina, ao seu lado, agora. Fechou o notebook com um gesto brusco. Devia ter deletado aquela imagem, ela lhe provocara muito mais do que aborrecimento... Mas ela pelo menos não os deixara ver que aquela pasta continha praticamente apenas fotos do Snape, que ela copiara da pasta da Viviane.
- Nós conhecemos aqueles dois bruxos, com certeza! – Hermione exclamara – São...
- Sim, eu sei que são. Foi uma brincadeira que um amigo fez comigo...Fez uma montagem com as fotos... desses dois, me desafiando a escolher um deles, foi isso. Uma brincadeira de mal gosto no dia dos Namorados. Quase o matei...
- Então, este seu amigo é bruxo, também?
- Como? – ela quase se esqueceu de que estava “sob disfarce”, mas falou o primeiro nome que lhe veio à mente – O Igor? Sim, é bruxo também. E é assinante do Profeta Diário, acredito que foi assim que conseguiu as fotos. Não foi nada agradável, garanto. Minhas amigas pegando no meu pé, o dia todo...Não que eu... bom... – ela olhou desconsolada para Molly Weasley, antes de fitar Hermione, e então se lembrou:
- Você deve imaginar, Hermione, como é. Dizerem que você tem alguma coisa com alguém, sem realmente ter, e ainda te colocarem como se estivesse balançando entre duas... pessoas diferentes. Mesmo eu não convivendo com nenhum dos dois “de verdade”, quero dizer... Mesmo não os conhecendo pessoalmente, foi bastante embaraçoso... E se um deles tomasse conhecimento disso, como iria interpretar?
- Pelo que eu conhecia de Sirius – Arthur ousou comentar – ele ia achar pelo menos divertido...
- Creio que não, Sr. Weasley. Esses dois sempre se odiaram... – ela respondeu baixinho, já não se importando mais que eles perguntassem como ela podia saber disso também. Ainda não acreditava sinceramente que Sirius estivesse morto. Era uma das fãs que mais esperavam por uma saída daquele véu. – E, até onde eu sei, o Prof. Snape não aprecia essas... brincadeiras.
Mas não podia se expor mais, ou acabaria dizendo mais do que devia. Se é que já não o tinha feito.
- Com certeza, minha cara! – a voz que surpreendeu a todos viera da lareira. Sarah não se espantou com a figura do homem velho que tinha diante de si. Dumbledore era tudo e mais um pouco do que imaginara ou vira nos filmes. E, por cima dos oclinhos de meia lua, os olhos azuis estavam serenos, mas penetrantes e interrogativos.
Como ninguém imaginasse o que ela estava pensando, todos deduziram que ele se referia ao seu comentário sobre Snape e Sirius. Mas Sarah sabia que não era disso que ele falava, por isso se desculpou.
- Eu realmente me excedi, Prof. Dumbledore, me perdoe. Mas tudo isso sempre me fascinou tanto que... Ah, meu Deus, lá vou eu de novo! É melhor o senhor me colocar um feitiço de silêncio!
- Não será preciso... – com um gesto amigo e sem demonstrar segundas intenções, ele tocou em cada um como se simplesmente os cumprimentasse com mais amabilidade.
Mas Sarah percebeu que, de alguma forma, eles se esqueceriam a partir daquele instante, de qualquer indiscrição sua, a partir da foto do hipogrifo. Realmente, Arthur comentou com o diretor de Hogwarts sobre a maravilha que era aquela máquina trouxa, capaz de guardar centenas de pergaminhos dentro de si. Os meninos comentavam sobre os joguinhos, Rony lhe perguntava sobre o xadrez, se era possível jogar na tela, e ela lhe explicava com um sorriso aliviado que tinha sim, um arquivo semelhante ao xadrez de bruxo. Contou-lhe também que tinha uma versão da “Copa Mundial de Quadribol”, em que ele podia até escalar sua seleção.
Molly fez valer sua autoridade de mãe, encaminhando todos para seus quartos, enquanto Sarah guardava novamente suas coisas, e Arthur trocava idéias com Dumbledore, à mesa da cozinha.
Então, ela esperou. Teve certeza do que Dumbledore fizera, quando Molly lhe perguntou, em tom gentil, como se tentasse não ser intrometida:
- Você tem alguém? Quero dizer... é casada, tem um namorado?
- Não... – isso parecia tão distante agora – Há muito tempo que estou sozinha. Perdi ...meu noivo em um acidente e... depois disso, não consegui me envolver seriamente com ninguém de novo.
- Entendo... – a mulher tocou sua mão, num gesto de consolo – Mas, quem sabe não tem outro alguém esperando por você? Sou feliz por ter encontrado o Arthur e por termos nossa família.
- É verdade. E vocês têm uma linda família, apesar de todos os ... problemas. E confesso: eu a invejo muito, por isso.
Molly a fitou com curiosidade, mas não pareceu ver nada de mais em seu comentário, e agradeceu o elogio, modestamente.

Logo, os homens deram por terminada sua conversa, e Dumbledore se aproximou de Sarah. Explicou-lhe gentilmente que era melhor que partissem imediatamente para Hogwarts, para segurança dela própria e de todos. No que ela concordou, inteiramente.
- Já viajou pela Rede Flu, Srta McGonagall?
Sarah, desta vez, respondeu sem receio algum, porque não estaria mentindo, mas evitando deliberadamente o olhar de Dumbledore:
- Não há muitas lareiras no Brasil...
– Olhe, não importa o que aconteça. Quero que conte sempre conosco, está bem? E pode me chamar de Molly, certo? – a Sra Weasley pegou sua mão.
- Se você me chamar de Sarah, tudo bem.
As duas se abraçaram, comovidas. Então, ela acompanhou Dumbledore até a lareira. Ele enviou primeiro sua mala e bolsa, depois instruiu-a sobre a melhor maneira de “viajar”, aconselhando-a a manter a capa bem fechada e o capuz sobre o rosto o máximo possível. Ela repetiu em voz alta a expressão “escritório de Dumbledore” concentrando-se o máximo que conseguiu e lembrando-se de manter os braços grudados em volta do corpo para não bater em nada. Tentou manter os olhos fechados, mas a curiosidade foi mais forte. O que viu foi um turbilhão de imagens que giravam, deixando-a tonta e confusa. Tentava inutilmente se concentrar no que estava fazendo, em para onde estava indo, mas não conseguia. Aonde ia, mesmo? Escritório do diretor... qual diretor? Diretor da casa... Meu Deus, que casa? Certamente, não a Sonserina... Diretor da Sonserina? Quem? Snape...

Pronto. Tudo parou de rodar. Ela chegou... mas onde? Quase bateu a cabeça na beirada da lareira, ao sair, tossindo levemente com as cinzas que voavam. Havia chegado... Mas onde?
Editado pela última vez por Regina McGonagall em 25/05/06, 09:47, em um total de 2 vezes.
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Mensagempor Éowyn & Tonks » 05/05/05, 08:34

Opa!!!
Resolveu colocar a fic mais louca e mais linda no fórum! Parabéns! :palmas
Ah, e adorei o gif do Snape na assinatura! ;)
Continue publicando. ;)
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Mensagempor Regina McGonagall » 05/05/05, 13:51

Brigada, Mary, você é um doce, mesmo.
Vamos lá, 3º capítulo e uma certa trouxa em seu primeiro encontro com ele... quem? quem?

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Capítulo 3 – O escritório do diretor

Certamente, aquele não era o escritório de Dumbledore, por mais que os livros e filmes pudessem estar errados. Estava às escuras, um sinal de que visitantes não eram esperados. Retirou a capa, que pelo menos a protegera da fuligem e, segurando-a junto ao corpo, tentou encontrar sinais que lhe possibilitassem identificar onde estava, na quase total escuridão. Uma escrivaninha, cadeiras, armários cheios de vidros e recipientes fechados, de todos os tamanhos e formas. Alguns conteúdos pareciam... vivos.
- Não acredito! –disse em voz alta. Esta frase estava começando a ficar automática.
- Eu também não! – uma voz dura e fria soou às suas costas, e ela se virou. A ponta de sua capa bateu em alguma coisa que caiu e se espatifou. Ela gritou de susto.
- Reparo! – o homem apontou a varinha, e o tinteiro voltou, inteiro, para a mesa.
Com um gesto brusco, ele fez os archotes se acenderem, e Sarah pôde constatar o que acontecera: estava no escritório do professor de poções, um homem magro, vestido de negro, de expressão dura e olhos astutos que a fitava de cenho carregado.
- Desculpe, eu... errei o caminho. Fiquei um pouco tonta, na lareira.
- Sei.
Ela o olhou, desesperada. Seria possível que os livros não haviam exagerado? Seria possível que ele era até pior, pessoalmente? Bom, pensou, pelo menos fisicamente, ela precisava concordar que a autora fora injusta, mas que Alan Rickman capturara “mais que o espírito” do professor. Ele não era bonito, mas tinha um charme estranho, uma aura que misturava poder e mistério, além de um tom de arrogância, como se não ligasse a mínima para o que pensassem ou sentissem à sua volta.
- Então?
- Ham? – Sarah o olhou, confusa.
- Já terminou de me examinar? Satisfeita com o que viu? Ou quer mais um pouco?
Assustada, ela recuou. Ele parecia ter interpretado sua análise de forma errada... Tem certeza? Perguntou para si mesma. Ai, me acorda! – ela gritou mentalmente, ao esquivar-se e correr para a porta que ele se esquecera de fechar.
- Aonde você pensa que vai?
- Ao meu escritório, que é onde deveria ter chegado há uns cinco minutos. – Dumbledore chegara à porta sem que se dessem conta.
- Dumbledore! – Snape pareceu surpreso e... contrafeito?
- Vejo que encontrou nossa visitante. Obrigado, Severus. Pensei que teria de procurar em cada lareira de Hogwarts até encontrá-la e vinha justamente pedir sua ajuda para isso.
Começando a considerar que precisava parar de corar como uma “mocinha”, Sarah engoliu em seco e se explicou em voz baixa:
- Perdoe-me Prof. Dumbledore. Eu... me distrai, na lareira. Esqueci-me dos efeitos que poderia trazer, abri os olhos sem querer e... perdi minha concentração. Só lembrava de que tinha de chegar ao escritório do diretor... mas me confundi quanto a qual diretor...
- Compreendo... – ele sorriu de modo estranho. O que ele ouvira ou vira exatamente, na casa dos Weasley?
- Vamos, então? – e virando-se para Snape – Severus, me acompanhe também. Por favor. Já mandei chamar Minerva. Vocês dois precisam estar presentes em minha conversa com... a Srta Sarah.
Os três caminharam em silêncio pelos corredores, Sarah observando tudo, atenta a cada detalhe que pudesse perceber. Se pudesse se conectar com o fórum! Contar para a Larissa, para a Maria, a Gina! Suas amigas virtuais achariam que ela havia pirado de vez! Os hipogrifos verdes haviam sido apenas um sinal. Um sinal perigoso... - mas como ajudar alguém que só se conhece por um nick na net? - Sentiu o olhar de Snape sobre si e levantou os olhos, mas não sustentou seu olhar. Sabia que teria de contar a verdade, e não queria nem pensar no que faria, se a reação dele fosse 10% semelhante ao Severus da fanfic de Nina, que lera à tarde. Nossa! Parecia que estivera há séculos, em frente ao seu computador, acessando o “Floreios e Borrões”.

Mas já chegavam às gárgulas que marcavam a entrada do escritório do diretor da escola. Sentindo-se como uma estudante flagrada em falta grave, acompanhou os dois homens até o alto da escada. A sala era realmente maravilhosa! Todos aqueles objetos delicados, os quadros (muitos fingindo dormir, ela logo notou), o poleiro da fênix! Maravilhada, Sarah se aproximou da ave, que já se desenvolvera bem.
- Fawkes realmente se recuperou! – ela não pôde esconder a alegria e admiração – Fiquei tão preocupada quando... depois do que aconteceu no Ministério!...
- Certamente. Até hoje, também me surpreendo com seu ressurgimento a cada vez.
A voz de Dumbledore refletia um certo divertimento, apesar de demonstrar curiosidade pela maneira como ela soubera que Fawkes se recuperava de uma “morte” recente”.
A fisionomia de Snape, entretanto, estava impassível. Sarah evitou mais uma vez fitá-lo, ao sentar-se na cadeira que o velho professor lhe oferecia. Snape fez o mesmo e, mantendo os braços cruzados sobre o peito, aguardou em silêncio. Dali a pouco, Miverva chegou, sentando-se também, olhando curiosa para a mulher ao lado.
Sarah não pode deixar de admirá-la. Seu coque impecável, sua postura irrepreensível, seus olhos vivos e atentos. Lembrou-se nitidamente da descrição no primeiro capítulo da Pedra Filosofal e sorriu. Sua “tia” era com certeza uma bruxa formidável. Gostaria de vê-la se transformar em um gato, mas não ousou expressar seu desejo, embora o ar de riso de Dumbledore a fizesse concluir que, mais uma vez, ele percebia claramente seu pensamento. O que teria de fazer? Adotar o hábito cigano de uma moeda na testa? Riu de sua ingenuidade. Estava sentada à frente do maior bruxo de todos os tempos, e pensava em colocar uma moeda na testa? Nunca se sentira tão infantil... Já era uma mulher adulta, que droga!
- Quantos anos tem, senhorita? – o ar de riso ainda estava lá.
- Quarenta, senhor. Ou melhor, faço 40 no próximo mês de abril, o que será daqui a alguns dias, no “meu tempo”.
- Porque diz isso? – ele pareceu mais curioso
- Porque tenho quase certeza de que a chave de portal que me trouxe aqui era também algum tipo de vira-tempo. Em que ano estamos?
- 1996.
Ela arregalou os olhos. Então, era isso mesmo. Refez a conta, rapidamente.
- Então, me alegro em dizer que ainda tenho trinta e um. E espero sinceramente, que meu corpo corresponda a isso! – ela completou em tom de troça, e Dumbledore deu uma gargalhada, enquanto murmurava um discreto “certamente!”
Mas os dois bruxos ao lado pareciam feitos de pedra, apesar de Sarah notar rapidamente algumas sobrancelhas erguidas de espanto.
Dumbledore parou de rir, enquanto ela observava o retrato que identificou como sendo do antepassado de Sirius. Como fora bonito, concluiu. Pelo jeito, o retrato guardara “o melhor” dele.Mas, pior que isso, se parecia mais ainda com...
- Bem, minha cara Sarah... Posso te chamar pelo primeiro nome, não? – a voz de Dumbledore a arrancou de suas divagações dolorosas.
- Claro, professor. Por favor...
- Então, continuemos. Minerva, Severus, apresento-lhes Sarah, que, como já puderam concluir parece que veio do futuro para nos visitar, em circunstâncias ainda obscuras. Tudo indica que uma chave de portal conjurada por Rony Weasley não funcionou como devia...Mas isso não vem ao caso agora. – ele observou, quando ela fez um movimento de defender o novo amigo.
- O importante, agora, é identificarmos corretamente nossa visitante, para sabermos que providências tomar.
- Como assim? – Snape indagou com sarcasmo – Ela nem ao menos sabe quem é?
- Digamos que ... “quem ela é” não é exatamente o mesmo do que “quem ela diz ser”. Mas vamos aos fatos.
Ele a fitou longamente, depois se voltou para Minerva:
- Você tem algum conhecimento, Minerva, de algum parente seu radicado na América do Sul? Mais precisamente, no Brasil?
- Não que eu saiba, Alvo.
- Foi o que pensei... – ele voltou a olhar para Sarah, que estremeceu. – Então, minha cara, sou obrigado a concluir que Sarah McGonagall não seja seu nome verdadeiro...
O espanto dos dois bruxos, agora, foi visível. Minerva quase pulara da cadeira, e Snape a fitara como se quisesse virá-la do lado avesso.
Sentindo o queixo tremer, como sempre acontecia quando ficava em situações de pressão, ela o olhou por um minuto, odiando que seus olhos já estivessem rasos dágua. Respirou fundo, antes de tentar explicar com clareza:
- No “meu mundo”, este é meu nome, de certa forma. É meu nick nos fóruns da Internet sobre... bruxos. – ela evitou dizer Harry Potter.
- E o que vem a ser isso? – Snape perguntou com rispidez
- É uma forma de comunicação entre os trouxas em meu mundo, através de aparelhos eletrônicos conhecidos como computadores, ligados a uma rede de dados. – ela suspirou – Da mesma forma que a Rede Flu liga as lareiras, só que apenas a voz, ou as informações, circulam. Se você tiver uma câmara, pode até funcionar igual às conversas pela lareira, mas de forma mais prática. Muitas pessoas podem, assim, conversar entre si, ao mesmo tempo. Os fóruns são grupos que se formam com um interesse em comum.
- E usam nomes que não são os seus verdadeiros? – Minerva indagou, curiosa e preocupada. Afinal, se estavam usando seu nome, precisava entender como e porque.
- Sim, e não. Na verdade, nesses fóruns, adotamos os nomes daqueles que admiramos ou... sentimos mais afinidade... carinho... atração – não conseguiu evitar de se ruborizar – São como apelidos, codinomes.
- Interessante... E porque, exatamente, escolheu McGonagall? – Dumbledore parecia realmente curioso e divertido, imaginando onde aquela história terminaria.
- Porque sempre admirei muito a Profa. McGonagall. Apesar da capa de rigidez e severidade, ela sempre me pareceu uma perfeita dama, uma mulher de coragem verdadeira e de inteira confiança, e retratou alguns de meus... ideais. – ela sorriu timidamente para a mulher que a fitava admirada.
- E quais outros nomes são escolhidos, e por que?
- Bom... se meu computador funcionasse aqui, eu poderia lhes mostrar, porque tenho a lista de meus principais “companheiros de fórum” gravada. Mas receio que a carga de magia sobre Hogwarts seja grande demais para isso... – ela olhou rapidamente para Snape e tomou coragem pra continuar.
- A maioria dos “usuários”, é como chamamos aos que participam desses fóruns, é de adolescentes e jovens. No que participo mais frequentemente, a média costuma ser de 25 anos... Não precisa ser exato, não é?
- Não, nós entendemos – Dumbledore sorriu, condescendente.
- Nós nos dividimos entre as quatro casas, como aqui, embora a grande maioria prefira ir para Grifinória. Afinal, é a casa do Harry. Praticamente, todos os nomes próprios, e até alguns nomes de feitiços, são usados. Os... meninos, geralmente usam “Potter”, “Black”, e “Malfoy”.”Longbottom” e “Diggory”, ou “Creevey” também aparecem. Há alguns que assinam “Lobo Lupin” ou “Lupin”ou “Sirius” ou um dos apelidos dos marotos. Dumbledore é pouco comum, só os mais corajosos se aventuram a tentar igualar o senhor, assim como alguns usam Ridle e até Voldemort, acredite! “Snape”... – ela olhou o professor de poções com o canto dos olhos – aparece, porém é mais comuns entre... as meninas. A “Família Snape” é formada, em sua maioria, por mulheres.
Desta vez, foi Snape quem quase deu um pulo, mas Sarah se recusou a olhar para ele, fitando um dos quadros, enquanto continuava.
- É claro que a maioria das meninas quer ser uma “Granger” porque acham a Hermione demais, ou “Weasley”, ou “Potter”, de acordo com o garoto por quem têm... predileção. Algumas têm, desculpe, um gosto mais duvidoso e escolhem o sobrenome “Malfoy”, acham o loirinho bonitinho...As fãs dos Marotos são muitas, uma de minhas amigas é Gina Black, outra é Mary Lupin, mas há também Babi Snape, Nina Snape...e por aí a fora.
- O que... quer dizer isso, exatamente?
- É... eu não sei como dizer... – ela olhou para Snape mais uma vez, mas o olhar de Dumbledore a encorajou a continuar.
- Algumas meninas se inscrevem na Sonserina, não pelo ideal da casa, entende? Mas pelo que alguém já chamou de.,. “síndrome do bad boy”, quer dizer, acham um charme esta pose de malvados que eles têm... principalmente o Professor Snape.
- Você é a única McGonagall? – a mulher estava curiosa, mas também parecia divertida com a cara cada vez mais perplexa do seu colega.
- Não, embora não seja realmente muito comum. Há uma menina com o codinome Minerva, lembro que li uma mensagem dela, ontem mesmo. A senhora entende como são as adolescentes... e suas paixonites...
- Bem esclarecedor. – Dumbledore ria
- Há até alguns que usam o nome de um certo ex-diretor sonserino... – ela piscou para o retrato, que já não disfarçava a curiosidade.
Snape estava branco, Sarah não sabia se de ódio, surpresa ou outro sentimento indefinido. Mas o fitou surpreendida, quando ele perguntou com todo o sarcasmo que podia.
- Imagino que nem todas essas minhas fãs sejam menininhas tolas...
- Claro que não! Nina Snape, por exemplo, é casada, com filhos. E escreve histórias bem... audaciosas sobre o senhor – ela se divertiu em vê-lo corar – A Gina tem a minha idade, mas, claro, o preferido dela é o Sirius Black. E ela é moderadora, uma espécie de monitora, na Lufa-Lufa.
Mas o troco veio em seguida, deixando-a momentaneamente sem ar.
- Mas a srta, claro, preferiu se esconder segura debaixo das saias da McGonagall! Por que? Não teve coragem para assumir sua “paixonite adolescente”
Ela piscou, olhando pra ele. Depois para McGonagall, depois para Dumbledore. Os retratos, agora, estavam abertamente acompanhando a conversa, e gracejando entre si. Ela voltou a fitar Dumbledore, que lhe acenou quase imperceptivelmente. Então, reuniu toda a coragem que tinha, para responder:
- Confesso que fiz isso, sim, mas não por medo. – ela tentou falar o mais despreocupada possível, como se isso fosse completamente irrelevante – Na verdade, não conseguia me decidir.
Ele ergueu uma sobrancelha. Ela tomou ar e continuou, sorrindo o mais docemente que conseguiu:
- Claro que nenhum dos garotos me chamaria atenção, com exceção talvez para aquele búlgaro...Acho um charme morenos de sobrancelhas largas, mas é muito novo, embora isso não seja impedimento pra nada, claro... – ela tentava manter um nível seguro, mas estava quase impossível não apelar com ele. Em respeito a Dumbledore e Minerva, manteve o controle – Mas o elenco mais... maduro, é bem mais interessante...o senhor há de concordar comigo... Bem, das opções dos tidos como solteiros, pois afinal talvez não saibamos todos os detalhes, os que chamam mais atenção, claro, são exatamente Sirius, Lupin e Snape... – ela tentava falar como se “ele” não estivesse ali - E, francamente, na época em que escolhi o nome, não conseguia me decidir. Cada um dos três tem uma coisa especial, diferente, que atrai uma parte de mim... Mas não estaria sendo honesta ou leal com os outros se escolhesse apenas um, entende? Hoje, porém, já penso diferente: por causa da minha amiga Mary, Lupin está fora de cogitação.
- E suas... outras opções? Foi algo a respeito que chamou a atenção dos garotos, na casa dos Weasley, não? – Dumbledore bem que poderia não ter se lembrado disso, ela pensou, mas respondeu corajosamente:
- Um amigo meu fez uma brincadeira de mal gosto, como o senhor me ouviu dizer. Fez uma montagem dos dois personagens, comigo entre eles e me desafiou a escolher entre “meu querido Sirius” e “meu amado Snape”, como eu os definira em uma de nossas “conversas”. Eu acho o Sirius o máximo, de verdade, mas ele me lembra alguém que... não é muito fácil falar disso, desculpe – ela respirou fundo, antes de continuar, sem olhar para Snape – Por tudo que admiro nele, por mais incrível que pareça, - ela o observou com o canto do olho, rapidamente, antes de continuar - poderia ter escolhido o “grande Severus Snape”, mas não me senti à altura...
- É a primeira vez que me vejo obrigado a concordar com o que diz. Ainda bem que reconhece que lhe faltam... algumas qualidades. – Snape não poderia ser mais sarcástico, mas Sarah apenas sorriu, admirada de ter conseguido dizer uma coisa dessas. A única explicação era o pânico que sentia. Mas sabia que só poderia escutar algo assim, vindo dele, e deu de ombros, como se não fizesse diferença alguma.
Minerva McGonagall foi a primeira a recuperar a sobriedade, embora olhasse feio para o casal a seu lado. Dirigiu-se a Dumbledore, que olhava de um para o outro, sorrindo.
- Alvo, creio que necessitamos voltar ao que realmente interessa. Os comentários dessa... jovem, só me fizeram ver que ela, e outros, conhecem muito mais do que imaginamos sobre nosso mundo...
- Sim... sim... – ele se aprumou na cadeira – Sarah, por favor. Quando ouviu falar de... Harry Potter pela primeira vez?
- Não posso dizer exatamente, porque, quando “as notícias” chegaram ao meu país, inicialmente não dei importância. Só depois de ver os filmes, me interessei pelos livros, que vi nas mãos de filhos de meus amigos. Então busquei a leitura e... me apaixonei por Hogwarts e tudo que diz respeito... ao universo de Harry Potter. Mas acredito que isso pertence a uma dimensão diferente, a realidades diferentes, que só numa casualidade muito remota se tocam...
- Mas o que vem a ser esses filmes, e de que livros está falando?
Ela se levantou e foi até seu malão, ao lado da lareira. Puxou-o até a cadeira e abriu-o, colocando sobre a mesa quase todo o seu conteúdo.
- Este é meu computador portátil, posso até tentar abri-lo, poderia lhes mostrar as fotos e uma parte do último filme, o Prisioneiro de Azkaban – ela lhes mostrou a caixa do dvd duplo, cujas fotos de divulgação já davam uma idéia.
Tirou as figurinhas, explicando que eram as correspondentes que tinham às dos sapos de chocolate, só que apenas com os personagens dos filmes...
- Ah! Aqui está a sua, Snape. Este – ela apontou a foto – é Alan Rickman, o ator que interpreta seu papel no cinema. O que achou dele?
Esperou que eles se refizessem da surpresa, para retirar o que ainda estava na embalagem que sua amiga fizera.
- Apresento-lhes, senhores a saga de Harry Potter: Livro 1, Harry Potter e a Pedra Filosofal; livro 2, Harry Potter e a Câmara Secreta; livro 3, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban; livro 4, Harry Potter e o Cálice de Fogo; livro 5, Harry Potter e a Ordem da Fênix. E estamos aguardando para breve Harry Potter e o Príncipe Mestiço. Mas a saga só termina com o 7º, Harry Potter e alguma coisa que ainda não sabemos, mas todos acreditam que trará a batalha final entre ele e Voldemort.
Sem se animar a conferir a reação deles, sentou-se novamente. Como em todas as situações de tensão extrema, sua voz tremia tanto que já quase chorava.
Os três bruxos folheavam os livros. Dumbledore, que se detivera no primeiro, achou algo interessante e resolveu ler em voz alta:
- Veja, Minerva, você está bem no comecinho deste. – e leu em voz alta a parte em que Dursley pensava ter visto um “gato lendo um mapa”.
- É uma das minhas partes favoritas – Sarah riu – A cara do Dursley! Ainda mais que eu já tinha visto o filme, que infelizmente pulou isso. O filme começa da parte em que o senhor aparece com o apagueiro. Mas adorei o diálogo de vocês dois! E o Hagrid? Perfeito, engraçadíssimo!
Snape tinha nas mãos “A Ordem da Fênix”, e ela logo percebeu o que procurava:
- Tem, sim – ela respondeu, sem se conter – E acho que você gostaria de saber que todos concordamos que Harry não devia ter feito aquilo. Não tinha o direito de espiar suas lembranças sem sua permissão, mesmo que a intenção fosse louvável: descobrir o que você tinha contra o pai dele...
Todos prenderam a respiração, esperando o desastre iminente. Mas Snape se controlou. Era um especialista nisso ou não?
Limitou-se a fitá-la intensamente, como se prometesse que não a deixaria escapar ilesa por muito tempo. Sarah enfrentou seu olhar, mas sabia que tocara num ponto sensível. Por que não dissera apenas: sim, aí tem sobre as aulas de oclumência? Não! Tinha que cutucar a onça com vara curta. Ou o dragão, no caso.
Ele franziu a testa. Ai, esqueci de novo, ela pensou. Vou ter que aprender oclumência rapidinho, se quiser sobreviver aqui mais que vinte e quatro horas...Mas tinha certeza de que deveria escolher outro professor.

Os três bruxos examinaram os livros por algum tempo, enquanto Sarah, repentinamente tímida, apenas comentava algo aqui ou ali. Snape queria entender como podiam considerar aquilo como literatura infantil
- Bem... na verdade, a maioria das crianças que se interessam pelos livros são de oito anos ou dez anos em diante. E vão amadurecendo junto com a linguagem dos livros, que vão inclusive, aumentando de tamanho. Não sei se notou, mas o último chegou a setecentas páginas... Mas, além dos adolescentos, os adultos também começaram a se interessar pela história, pela dose de aventura e suspense que traz. Quanto às crueldades narradas, acredito que forma muito mais suave do que realmente aconteceram algumas vezes, infelizmente, as crianças de meu mundo andam muito acostumadas com isso. Nas tv’s do mundo inteiro, não se vê apenas flores e animaizinhos gentis no horário dedicado às crianças. E a violência é quase considerada “normal”. Às vezes, eu preferiria viver aqui, sujeita a feitiços, poções e monstros, do que entre os meus, que parecem querer se transformar em monstros mais terríveis do que os da chamada “ficção”. Pelo menos, aqui, temos certeza de que os bons e poderosos agem para evitar essas situações, enquanto que lá...
Ela suspirou. Sabia que estava exagerando, mas não se importou. Estava mentalmente exausta.
- E a senhorita acha que poderia viver entre nós? – Snape perguntou em voz baixa e sibilante.
- Claro que não conseguiria fazer feitiços de transfiguração ou até um simples lumus, mesmo com uma varinha.- ela suspirou, tristemente - Mas acredito que, se for obrigada a permanecer aqui por algum tempo, sendo necessário e possível um feitiço desilusório ou uma poção para me dar a aparência de uma “aluna normal”, me daria bem em matérias como História da Magia, Herbologia, Trato das criaturas mágicas, Runas antigas, aritimancia, estudo dos trouxas, claro, e até adivinhação. Sem esquecer, é óbvio, de Poções, minha matéria favorita. Apesar de não me dar às maravilhas com panelas e caldeirões, sei muito bem que.... raiz de asfódelo adicionada a uma infusão de losna produz a chamada “poção do morto-vivo”, que bezoar é uma pedra tirada do estômago da cobra que é antídoto para a maioria dos venenos, e também que, seguindo corretamente suas instruções aprenderia facilmente a engarrafar a fama ou cozinhar glória, pois sou perfeitamente capaz de entender “a beleza de um caldeirão cozinhando em fogo lento, com a fumaça a tremeluzir, o delicado poder dos líquidos que fluem pelas veias humanas e enfeitiçam a mente, confundem os sentidos...”Snape a fitou com um olhar tão gelado que até um urso polar sucumbiria, mas Sarah agüentou firme, enquanto tinha consciência de que Dumbledore estava lendo exatamente as mesmas palavras no livro que tinha nas mãos e a observava, divertido.
- Acho que ela tem razão, Severus. Nós poderíamos apenas, dizer a todos que contratamos uma assistente para você, o que acha? Acredito que iriam se dar bem, afinal.
A sugestão, dita em um tom sério, surpreendeu tanto Snape quanto Sarah. Mas Dumbledore continuava.
- Mas creio que não será preciso. Acredito que conseguiremos mandá-la de volta antes do início das aulas.
- Eu ficaria muito feliz com isso, professor. – ela respondeu, aliviada de verdade – Além do mais, permanecer aqui após 1º de setembro poderia causar alterações na história, que já está escrita.
- Como assim?
- O livro 6: Harry Potter e o Príncipe Mestiço. Será lançado em junho de 2005. E não estou na história, com certeza. Ficar em Hogwarts no período das férias não causará danos, acredito, porque a autora acompanha os acontecimentos pela visão do Harry.
- Entendo... Temos que descobrir como esta história foi parar no “seu mundo” e se isto representa um risco pra nós, para “nosso mundo”.
- É provável que não, ou já teria ocorrido, já que, para nós, isso – ela fez um gesto, abrangendo tudo à sua volta – é passado. Já aconteceu, a guerra já acabou, a autora já conhece seu final. Acredito, embora física não seja minha matéria favorita, que faço parte de uma anomalia temporária. Que será sanada, se eu conseguir voltar exatamente para o mesmo instante de onde parti.
- Anomalia é um bom nome para tudo isso! – a ironia de Snape já estava lhe dando nos nervos...
- Prof. Dumbledore... – ela hesitou, mas tomou coragem ao ver seu olhar tranqüilo – Já que é óbvio que não partirei de volta imediatamente, creio que terei de abusar de sua hospitalidade por um tempo...
- Claro, mas não será abuso nenhum! Este castelo é grande o suficiente para aceitar mais uma hóspede. Não se preocupe. Seu quarto já está sendo providenciado na ala dos professores. Acredito que ficará segura entre eles, pois não sei se poderei protegê-la o tempo todo, caso seja necessário.

=====================

Editei até aqui em 30/07/09.
Aos poucos vou arrumando...
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Mensagempor Éowyn & Tonks » 05/05/05, 16:07

Eheh! :mrgreen: Como é bom reler tudo de novo... Se bem que tenho tudo salvo numa diskette... :P
(Estou louca para saber o final! ;) )
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Mensagempor Regina McGonagall » 05/05/05, 16:36

E eu tô o dia todo enrolando... mas já consegui terminar o capitulo 23...

Não se esqueça de devolver logo o 21 com as "inclusões", hehe
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Mensagempor Éowyn & Tonks » 05/05/05, 16:57

Já devolvi, Regina. Vá ver seu e-mail! ;)
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Mensagempor Regina McGonagall » 06/05/05, 13:54

Hehe, se vocês não falarem, não vou saber que estão gostando... principalmente porque, se acharem um nome que me agrade mais eu acato a sugestão na hora (este aí é por causa da song fic que estou tentando fazer pra eles)

Então, lá vai o 4º capítulo, que é o "quarto". desculpem... eu juro que foi sem querer querendo... mas não tem nc-17, fiquem tranquilos, mas passou raspando e nem bateu na trave


==================================
Cap. 4 – O quarto

Sarah foi praticamente escoltada pelos três bruxos até a porta do quarto que lhe destinaram, quando um elfo, mais precisamente o inesquecível Dobby, veio ao encontro deles para dizer que já estava pronto e os guiou até lá. Convencidos de que tinham muito em que pensar, até tomar uma decisão definitiva sobre a visitante, os três bruxos se despediram dela com um breve aceno de boa noite e a deixaram só.
Encostada na porta, Sarah não podia acreditar que isso estivesse acontecendo com ela. Justamente com ela... Por que não a Mary, que não teria tantos problemas pra se aproximar do Lupin? Ele era mais sensível, provavelmente teria uma atitude mais acolhedora...Apesar do motivo mais do que válido para manter uma garota afastada. Mas Mary com certeza conseguiria convencê-lo a ignorar este “impedimento”.
Olhou à sua volta. O quarto de mobília antiga e simples, cama de dossel, exatamente como as do dormitório de Harry, e o melhor, uma janela de caixilhos, que lhe permitia ver o lago e uma parte da floresta proibida. Tudo que sempre sonhara...
Nunca vira cama tão macia! Limitada que estava em seus pertences, sem sequer pensar que poderia ter algo adequado no armário, vestiu a camiseta branca que trazia na mochila, usada na caminhada da manhã, e deitou-se. Pensou que fosse dormir assim que pousasse a cabeça no travesseiro de penas, mas não conseguia pregar o olho, tão agitada estava. Um pequeno abajur, aceso por mágica, iluminava palidamente o quarto. Forçando-se a tentar dormir, pois olhou no relógio e constatou que já eram quase duas horas da manhã, respirou calmamente, tentou se acalmar e fechou os olhos.
Mas abriu-os em seguida. Um ruído estranho... alguém abrira a porta? Permaneceu imóvel, fechando os olhos novamente e continuando a respirar o mais normal possível. Talvez fosse o elfo que lhe trazia alguma coisa que faltava... talvez Minerva viesse conferir se dormia bem... Mas, e se não fosse nem uma coisa nem outra?
Percebeu passos muito leves, mas não se atreveu a abrir os olhos. Se tivesse fechado o cortinado... Mas não tinha este hábito, nem pensara nisso. E se fosse alguém que viera para atacá-la, ou seqüestrá-la? Em Hogwarts, impossível. Tem certeza? Uma vozinha lhe cutucava, lá no fundo. Sirius não entrara duas vezes? Mas ele era um animago...
- Pode parar de fingir. Precisamos conversar. Agora! – a voz baixa e enérgica fez seu sangue gelar. Abriu os olhos e fitou o homem parado ao lado da cama, braços cruzados em atitude arrogante: Snape.
- O que faz aqui? – ela perguntou, sentando-se instantaneamente.
- Já disse. Precisamos conversar.
- Eu já disse tudo que podia e sabia para o Prof. Dumbledore. O senhor também ouviu, estava lá.
- Não precisa me tratar com tanta formalidade, se no seu mundo fala de mim com tanta... intimidade. – aquela notinha irônica estava lá, de novo.
- Mas não estamos no meu mundo...- ela retrucou, se arrependendo em segundos.
- Exatamente! – ele respondeu, fazendo-a ter um sobressalto e se afastar instintivamente até encostar na cabeceira da cama e não ter mais pra onde ir, e sorriu.
- Não se preocupe. Não estou com disposição nenhuma para essas tolices... Vamos, levante-se! Não vou... conversar, nesta posição ridícula.
Ela obedeceu, automaticamente. Sentindo-se mais vulnerável ainda, caminhou descalça até o pequeno sofá e apanhou a veste negra, vestindo-a por cima da camiseta, sem se importar com seu olhar irônico.
- Pois não, professor. – tentou brincar – Vai me dar uma detenção? – ela se lembrou de uma fic: “101 maneiras de irritar o Prof. Snape” e quase sorriu. Não tinha coragem de tentar provocá-lo nem com a mais simples das opções de que se lembrava.
- Bem que estou com vontade... mas não pensei em uma adequada o suficiente. Aluna nenhuma nunca chegou ao desplante de... Bem, e você não é uma aluna, embora esteja com algum tipo de perturbação capaz de fazer uma mulher adulta agir como uma adolescente. Ou foi “plantada” aqui por alguém...
- Lord Voldemort?
- Você fala o nome do Lord das Trevas com muita facilidade. Ele não é só um personagem de livros, como uma madrasta malvada das histórias de trouxas. – ele se aproximou ficando a um palmo de distância. Tanto que ela lhe sentia o hálito sobre o rosto, mesmo ele sendo mais alto que ela.
- Desculpe se meu tom lhe parece leviano. É que não vejo motivos para ter medo de dizer seu nome, apesar de saber que ele tem poder suficiente para ser temido. E não venha me dizer que é porque eu não vi as coisas que ele fez e pode fazer, porque já vi coisas piores, tenha certeza! Homens iguais a quaisquer outros homens, causando mais dor aos seus irmãos do que uma maldição imperdoável pode causar. E sem poder mágico nenhum para isso, acredite. Isso é muito pior. Já vi crianças em estado de penúria extrema, doentes e abandonadas, mulheres violentadas, espancadas, massacradas, velhos largados ao léu...filhos matando pais por causa de uns trocados, para comprar droga ali na esquina... Tudo isso, sem feitiço nenhum para explicar, ou para sanar estes efeitos. Nem nada tão poderoso quanto um “obliviate” para fazê-los esquecer a dor. E você quer que eu tenha medo de um bruxo? Só se ele estivesse aqui, agora, me ameaçando. E não é ele que está aqui, é você. Se quer que eu tenha medo de você, muito bem. Nem precisava dizer, porque eu já tenho.
- Fico feliz em saber, porque posso resolver ser perigoso e, como Dumbledore lhe disse há pouco, ele não poderá defendê-la o tempo todo.
- Pode deixar.- ela sentia a garganta arder, estava de novo quase gritando. – não vou fazer a bobagem de confiar em você, Severus Snape. Nem que minha vida dependa disso, agora que eu... te conheci “pessoalmente”.
- Lamento ter acabado com suas ilusões – ele sorria, sarcástico, e ela teve ímpetos de bater nele.
Mas se controlou. Baixou os olhos, deixando os braços caídos ao longo do corpo, respirou profundamente e disse:
- O senhor poderia, por favor sair do meu quarto? Se veio aqui com a intenção de vasculhar minha mente com sua legilimência ou me fazer beber uma dose de veritaserum, para descobrir se sou uma espiã, sinto informá-lo que o que ouvir ou ver não vai acrescentar nada ao que eu já disse antes.
- Pelo menos, posso descobrir porque escolheu a mim para provocar com suas piadas de gosto duvidoso. – ele estava chegando mais perto, e realmente tinha a varinha na mão. Será que pretendia realmente lhe lançar um feitiço? Ou já o fizera e ela nem se dera conta?
- Eu não o escolhi... – ela olhou dentro dos olhos negros, os seus já cheios d’água mais uma vez, constatou, odiando a si mesma por ser capaz de se colocar em situações assim com tanta facilidade.
- Então, por que? Já disse que, na brincadeira entre suas amigas, cada uma escolheu um “cavaleiro solitário” a quem se dedicar, e eu fui o que “tocou” pra você. Só por falta de opção. Isso não é muito lisonjeiro... – ele franziu a testa, fitando-a profundamente, enquanto a puxava mais para perto, quase a abraçando. Guardara a varinha sem ela ao menos notar seu gesto rápido. E, para um homem magro, era muito forte, pois parecia capaz de quebrá-la ao meio.
- Eu tenho mesmo que responder a isso? – ela perguntou, com voz trêmula, apoiando as mãos em seu peito como se fosse possível afastá-lo de si.
- Sim... do jeito fácil, ou do difícil...Qual você prefere?
- Não tenho certeza se existe um jeito fácil, não pra mim – Sarah baixou o rosto, mas ele segurou seu queixo e a forçou a fitá-lo novamente.
- Então, vamos ao difícil...pra você, é claro! Porque estou começando a gostar das possibilidades... – e a beijou, sem aviso, sem reservas.
Sarah não resistiu ao beijo, como podia? Esperara por isso, tinha que confessar a si mesma. Mas era um terreno perigoso demais, pelo qual ela não podia se deixar enveredar. Sentia o corpo junto ao seu, como se já o conhecesse e tivesse ficado distante por muito tempo. Este sentimento, mais do que qualquer coisa, a assustou, e ela tentou sair do seu abraço. Mas Snape não queria, não ia soltá-la. Até que achasse que fora suficiente, que descobrira o que queria.
Lágrimas escorreram pelo seu rosto e chegaram à sua boca. Snape sentiu o repentino gosto salgado e afastou o rosto, olhando-a de forma indefinível.
- Como pode escrever algo como “amado Snape” e depois me repelir? É um pouco contraditório...
- Eu... não o repeli – ela deixou escapar, e mordeu o lábio, tensa.
- Então, posso continuar... Você parece gostar desse tipo de “jogo”!
- Não! Vá embora, por favor! – ela fez um esforço para se afastar, mas tropeçou na beirada da veste e perdeu o equilíbrio, caindo e puxando-o junto. Inesperadamente, estavam deitados no chão, ele pressionando seu corpo. Foi como se uma corrente elétrica os percorresse, e Sarah teve medo. E Snape viu o medo em seus olhos.
- Está bem. – ele parecia confuso ao soltá-la e erguer-se, passando as mãos pelos cabelos que lhe caíam na testa, num gesto nervoso – Nunca precisei forçar uma mulher antes, nem quando andava com os comensais e achava que era o tal. A menos que quisesse aterrorizar mesmo alguém, mas estou cansado pra isso agora...mesmo sabendo que nem seria preciso, e não tem ninguém pra me aplaudir depois– a ironia tinha voltado - Você tem sorte! Mas fique longe de mim, para seu bem.
Sem dizer mais nada, ele saiu, fechando a porta com estrépito. Sarah ainda ficou sentada, no mesmo lugar, por muito tempo, até conseguir ter forças para ir se deitar novamente e esperar o dia clarear. Chorou por um bom tempo, em silêncio, até dormir, exausta.
No horizonte, uma linha colorida já anunciava o dia nascendo.

==============

editado até aqui em 10/08/09
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Mensagempor Éowyn & Tonks » 06/05/05, 14:13

Ai, que lindo!!! Com o título daquela música maravilhosa!! :palmas
Parabéns, você se supera a cada passo. ;)
Sinceramente, adorei o título e não preciso dizer que estou amando a fic.
(E estou louca para ler a song ;) )

E olha eu ali!!!
Por que não a Mary, que não teria tantos problemas pra se aproximar do Lupin? Ele era mais sensível, provavelmente teria uma atitude mais acolhedora...Apesar do motivo mais do que válido para manter uma garota afastada. Mas Mary com certeza conseguiria convencê-lo a ignorar este “impedimento”.

Infelizmente, do jeito que eu sou doentiamente tímida, não conseguiria me aproximar tão fácil... :cry:
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Mensagempor Regina McGonagall » 06/05/05, 15:05

Infelizmente, do jeito que eu sou doentiamente tímida, não conseguiria me aproximar tão fácil...


calma... já estamos corrigindo isso no capítulo 21, lembra?

Mudando de assunto, acho que o pessoal tá começando a ler, desistindo de acabar, e deixando pra lá... sem dizer nada, mas vou editar ela toda, mesmo que seja só pra nós duas...
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Mensagempor Éowyn & Tonks » 06/05/05, 15:13

Lembro, sim... Oh, timidez!! :oops: :mrgreen:

Ah, mas eu não acho que o pessoal não esteja lendo. Não pode ser! Eu só acho que não estão comentando... do mesmo jeito que pouca gente comenta as minhas (por isso perdi a vontade de escrever)

Mas espero que você a edite toda, sim, aqui e no Floreios e Borrões. Perdi os capítulos 13 a 15, por isso vou querer ler tudo de novo!
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Mensagempor Zoé Magnus » 07/05/05, 17:21

Epa, epa q negocio é esse de só nos duas? Assim eu fico cum ciumes!!!! :mrgreen: Tá muito boa essa tua fic, já imaginou c agente pudesse i pra Hogwarts? Nossa eu pirava. Tá certo q tinha uma época q eu desejava ardentemente i pa lá, mas q ia se bom ia. Sabe q eu moro perto (nem tantu) dos trilhos e as vezes a noite passa o trem (tchuca, tchuca, tchu, piuí) e eu fico ouvindu ele no escuro, ate parece q eu to no Expresso, aiai.... Mas voltandu a fic muito bom esse Snape achu q 'num ia da certo eu aluna dele, ia sai cada briga q o Dumbledore ia me expulsa, lembrando q eu iria em uma caixinha de fosforo já q o Snape teria me explodido huahua como eu faço mau juizo dele!!!! Credo q texto!!! Parabens e Bjux
:palmas :palmas :palmas
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Mensagempor Éowyn & Tonks » 07/05/05, 18:14

Viu, regina, viu? Não somos só nós duas!
Você arrumou mais uma fã! :)
(Mas eu continuo sendo sua fã nº1 :mrgreen: )
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Mensagempor Zoé Magnus » 07/05/05, 18:33

Ah Mary naum vale! Entaum eu só a fã nº 1 e meio! huahua :mrgreen: É issu ai posto, eu li, adorei e agora aguenta!!!!! :lol:
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Mensagempor Éowyn & Tonks » 07/05/05, 18:47

Pronto, Zoé, tudo bem, vamos fundar o fã-clube da Regina as duas juntas, tá bom assim? :mrgreen: eheheh!
Essa fic é TUDO!!!
(E você ainda não viu nada! :mrgreen: )
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Mensagempor Zoé Magnus » 07/05/05, 18:57

E você ainda não viu nada!

Ai Mary se a tua intensão era de me deixa cum ciumes ja conseguiu tá! :mrgreen: Vo espera ansiosa a continuação! Quanto ao Fã clube sabe q é uma boa ideia! Bah é melhor eu i antes q minha mae me arranque daqui pela orelha. Ela disse q que usa o "teletone"!!! Huahua Bjux
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Mensagempor Éowyn & Tonks » 07/05/05, 19:24

Ai Mary se a tua intensão era de me deixa cum ciumes ja conseguiu tá!

Não! Não! Claro que não! A minha intenção foi só abrir o seu apetite para continuar lendo essa fic.
(E deixa eu ir embora também, senão a Regina vai matar a gente, quando vir o tópico dela congestionado! eheh :mrgreen: )
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Mensagempor Regina McGonagall » 09/05/05, 09:44

Meninas, que bom! Fiquei muito feliz, mas não exagerem...
O pessoal que gosta de "mais ação" não vai gostar muito da nossa fic, ainda mais que estou sofrendo de sangalite aguda!

Então, vamos deixar de conversa e vamos ao 5º capítulo (aquele em que a Mary quase morreu ao ler pela primeira vez):

==========================================

Cap 5 – O primeiro café em Hogwarts

Regina acordou com alguém chamando-a brandamente. Virou-se e deu de cara com dois grandes, imensos olhos verdes, escondidos no meio de uma infindável coleção de gorros e cachecóis: Dobby.
- Prof. Dumbledore manda avisar à Senhorita que a aguarda para o café da manhã no Salão Principal. Dobby espera a senhorita do lado de fora.
- Muito obrigada, Dobby. Você é um elfo muito gentil. E eu gosto de você – ela sorriu
- Dobby fica contente, senhorita.
Ele saiu, depois de uma mesura exagerada.
Regina tomou um banho rápido e se vestiu com a calça de tnt e a camiseta roxa, já que vestir a branca de novo era impraticável, estava amassadíssima, calçou os tênis e só então, colocou as vestes que achou prontas para ela sobre uma cadeira, ao invés da capa do dia anterior. Sentiu-se estranha, trajando, agora sim, vestes bruxas de verdade. Depois de pentear e prender os cabelos numa trança, saiu do quarto e encontrou Dobby esperando-a como prometera. Acompanhou-o em silêncio, emocionada por estar indo para o Salão Principal, embora estivesse apreensiva. O que Dumbledore dissera aos outros professores e funcionários?

O Salão era tudo e mais um pouco. O teto encantado mostrava o céu muito azul, lá fora. As mesas das casas, compridas e solenes, estavam vazias. Na mesa dos professores, entretanto, praticamente só havia um lugar vago. Dobby a fez entrar e fechou as portas, deixando-a sozinha para atravessar o salão até lá, onde alguns já levantavam a cabeça para ver quem era o retardatário. Snape a fitou, impassível, desafiador, e ela lhe sorriu o mais docemente que conseguiu. Não sabia exatamente o que esperar, mas ia agir o mais natural possível e ignorá-lo. Já fizera isso antes, já fora capaz de dissimular o que sentia, por anos, por que não conseguiria agora? Porque o estava tentando contra um bruxo que sabia ler mentes, uma vozinha respondeu, mas ela ignorou-a. Dirigiu-se direto para o Prof. Dumbledore, que percebeu sua chegada e ergueu-se para recebê-la. Sorriu de forma encorajadora ao segurar seu braço e conduzi-la para a cadeira entre McGonagall e Snape, infelizmente. A mulher se ergueu, sorrindo para ela e lhe dando um abraço discreto. Então, antes que Dumbledore falasse, ela já entendera sua intenção. Mas correspondeu o abraço com emoção sincera. Era uma honra poder estar ao lado daquela mulher. E sentou-se ao seu lado, realmente feliz.
- Meus amigos, esta é a senhorita Regina McGonagall, que veio nos fazer uma breve visita e rever sua tia. Ela está passando por... dificuldades, foi privada de seus poderes temporariamente devido a um grave acidente, mas peço-lhes que não a importunem com perguntas, pois seu tratamento está numa fase delicada. Esperamos que sua estada conosco possa contribuir para sua recuperação, e não para a piora do seu quadro – ele olhou para Snape por cima dos óculos, antes de continuar – Como Minerva está assoberbada com o despacho das notas dos NOM´s e a convocação dos novos alunos, parte do dia nossa hóspede a auxiliará. Depois, se for conveniente, ela fará pequenos “estágios” em outras funções, para vermos se suas faculdades “despertam” com a familiaridade.
A explicação pareceu satisfazer a todos, embora alguns a observassem, curiosos, e Regina não entendesse inteiramente o que Dumbledore pretendia. Hagrid, tão grande quanto ela imaginara, piscava seus olhos de besouro, sorrindo-lhe de modo franco. Snape manteve uma expressão irônica, sem ao menos olhar para seu lado, mas ela não ligou. Não tinha mais quinze anos, não se intimidaria por tão pouco. Quanto aos outros, tentaria falar o menos possível, para não se enrolar em nenhuma explicação confusa. Mas gostaria de pedir algo a Dumbledore, e só viu oportunidade quando a maioria já se retirara. Menos, é claro, Snape e Minerva. Respirou fundo, tomando coragem, e falou:
- Prof. Dumbledore, eu gostaria de lhe fazer um pedido... se não for abusar, é claro!
- Pode falar, minha filha. O que é?
- É que... eu tenho o hábito de caminhar pela manhã... ordens médicas. Tive, recentemente, alguns problemas de saúde, e isso faz parte do tratamento. Eu poderia caminhar, na parte plana à beira do lago? – ela consultou o relógio – este horário, todos os dias, seria ótimo... Poderia?
- Claro, minha querida. Vejo, inclusive, que já se preparou... – ele notara suas roupas esportivas por baixo das vestes.
- Força do hábito! – ela sorriu.
- Notei, também, que comeu pouco... – ele sorriu ao continuar – Não é daquelas mulheres trouxas, fanáticas por dietas, é? Seria lamentável pois, desculpe se pareço atrevido, já tem o corpo perfeito.
Regina sorriu, encabulada, e baixou os olhos por um momento, para evitar ficar vermelha. Mas se forçou a responder em um tom brincalhão.
- Não sou, não. Pode ficar tranquilo. é só... o peso da novidade.
- Pode ir fazer sua caminhada, não tem problema algum. Só lhe peço que não se afaste do castelo, nem se aproxime da Floresta Proibida.
- Claro. Pode ficar tranqüilo, e obrigada. – sem se conter, aproximou-se dele e lhe beijou o rosto. Depois despediu-se discretamente e deixou o salão.
Não viu o ar maroto de Dumbledore para um Snape aturdido. O velho indagou, em tom zombeteiro:
- Com ciúmes, Severus?
- Francamente, não! – ele quase pulou da cadeira – Por que estaria?
- Claro, eu não represento perigo algum – Dumbledore retrucou.
- Não foi isso que eu quis dizer! – Snape largou o guardanapo que segurava com rispidez e se levantou, saindo sem dizer mais nada, a capa voando às suas costas.
- O que deu em você, Alvo? Para provocar o Snape desta forma? Essa situação já é delicada!
Dumbledore limitou-se a sorrir, e terminou o seu desjejum.

Deixando o salão, Regina encontrou facilmente a porta de entrada e a abriu, não sem alguma dificuldade. Lá fora, após os degraus da entrada, o gramado se estendia até a beira do lago. Tirou sua veste, colocou os óculos escuros que guardara no bolso da calça, consultou o relógio, marcando a hora, e buscou a sombra de uma árvore para fazer seus exercícios de alongamento. Depois de consultar o relógio novamente, iniciou sua caminhada, calculando rapidamente o percurso que deveria fazer para imitar o trajeto da praça a que estava acostumada e quantas “voltas” daria, indo até a cabana de Hagrid e retornando até a árvore em que se apoiara.
Já estava no terceiro trajeto de volta, quando viu que um homem a observava, encostado à árvore. Era Remus Lupin. Sorriu, satisfeita por ver um rosto mais simpático do que se vira forçada nas últimas doze horas, e caminhou até ele, cumprimentando-o com sua alegria habitual já recuperada.
Há muito tempo que deixara de se manter carrancuda, pois descobrira que se mantinha mais segura, quando alegre e brincalhona, pois não ficavam a toda hora perguntando se ela estava bem, se já se recuperara do choque que sofrera. Recusara-se a pensar no passado e a deixar as pessoas invadirem seu espaço, e agora a alegria e descontração já eram automáticas.
- E então, srta McGonagall? O que achou de Hogwarts? – ele perguntou, sorrindo.
- Bom dia, Professor Lupin. Por favor, me chame de Regina.
- E pode me chamar de Lupin, ou Remus, o que preferir. Pra mim, não faz diferença, mas não sou mais professor. Já está parando? Não vai caminhar mais?
- Não, já foi suficiente. – ela refez os alongamentos, enquanto ele a observava, curioso.
- Você faz isso todos os dias? – indagou, curioso
- Claro, é muito agradável, e ajuda a pensar.
A conversa com Lupin corria agradável, sem que ela receasse dizer qualquer bobagem. Num dado momento, tomou coragem e perguntou-lhe gentilmente se ele se importaria de falar sobre os tempos da escola.
Ele deixou o olhar vagar pela superfície do lago por um tempo, uma sombra toldando seu rosto.
Ela tocou seu braço, já se desculpando por ter invadido um terreno delicado, já que fazia pouco tempo que Sirius partira.
Ele sorriu, respondendo que não tinha problema, que era até bom falar dos amigos, e lhe contou alguns casos pitorescos, que a divertiram muito. Mas notou suas reticências em alguns pontos, em episódios que desistiu de contar, então lhe disse baixinho:
- Eu sei, Lupin.
- O que? – ele a fitou, apreensivo.
- O seu... problema. Eu sei, “Sr. Aluado”. Mas não me pergunte como eu sei, ou quem me contou. Talvez, Dumbledore encontre uma explicação razoável para tudo que está acontecendo comigo, ao descobrir como me mandar de volta pra casa...
- E você não se importa? Não tem medo?
- Por que deveria? – ela sorriu, esta era sua chance de falar sobre Mary – Sabe, existem muitas pessoas que te admiram muito. Inclusive, uma certa garota que gostaria muito de estar no meu lugar, agora. Ela vai me matar, quando descobrir... – ela balançou a cabeça, imaginando-se frente a frente com Mary.
- O que você quer dizer com isso? – ele a olhava, ainda mais desconfiado.
- Ora! – ela o fitou, séria – desculpe, mas é verdade. Tenho uma amiga, Maria, lá em Portugal. Ela é apaixonada por você. Tanto, que assina simplesmente “Mary Lupin”. Mesmo acreditando que você é apenas um "personagem de ficção".
Ele riu, meio sem jeito, mas Regina continuou:
- E ela se preocupa com uma forma de ajudá-lo. Aliás... você tem tomado a poção regularmente, não? Acreditamos que os efeitos serão mais fortes, se você tomá-la regularmente.
- Claro... – ele piscou, confuso – mas, ultimamente, isso não tem importado muito.
- Você sente muita falta dele, não?
- Era o único amigo que me restou... Depois de tanto tempo, estávamos juntos de novo, quase como nos velhos tempos. Agora... – ele suspirou, caminhando para mais perto do lago e fitando o horizonte.
- E os novos amigos, não valem nada? – ela se aproximou, tocando seu ombro – E Harry, e os companheiros da Ordem? Eles gostam de você, e precisam de você. De seu equilíbrio, de sua segurança. Não faça como eu... Não desista! Eu levei quase dez anos pra viver de novo...
Lupin a olhou, agora com curiosidade. Notara em sua voz uma amargura que conhecia bem, pois era igual à que sentira nos longos anos que passara, achando que perdera todos os seus amigos e nada lhe restava. Mas Regina disfarçou, consultando o relógio e exclamando:
- Nossa! Me desculpe, preciso entrar. Prometi ajudar minha tia com o resultado dos NOM’s. Até mais tarde.
Ela sorriu tristemente e se afastou, pegando a capa e jogando-a de qualquer jeito sobre o ombro, enquanto subia o caminho até a porta sem olhar para trás, para que ele não visse suas lágrimas.

Mas, de cabeça baixa, acabou dando um encontrão em alguém que passava pelo saguão a caminho das masmorras: Snape. Ele a segurou e, reparando nas lágrimas, indagou, intrigado:
- Ei, o que houve, pra sair correndo como uma louca? – olhou para fora e viu Lupin, que permanecia à beira do lago, absorto em suas próprias lembranças, e retrucou, maldoso: Tentou a sorte com o “Lobo Lupin” e ele rosnou pra você?
- Você é o único que rosna, por aqui – ela respondeu, com raiva dele por entender errado, com raiva de si mesma por deixá-lo ver que chorava – Me larga!
Com um safanão, soltou-se das mãos dele, correndo para seu quarto, torcendo para não errar o caminho. Ficou algum tempo encostada à porta, enxugando o rosto com as costas da mão.
Depois de alguns minutos, conseguiu se controlar. Tomou um bom banho só para tentar relaxar e trocou de roupa, colocando as vestes bruxas que encontrou no armário e indo ao encontro de McGonagall, torcendo para encontrar alguém que não fosse Snape para lhe dizer o caminho.

Infelizmente, só encontrou Pirraça pela frente. Quase gritou de susto, ao vê-lo se balançando no lustre do corredor. Mas se acalmou, distraindo sua mente com a constatação de que podia vê-lo, coisa que jamais imaginara possível. Ainda não se encontrara, pelo menos acreditava, com nenhum dos fantasmas.
- Olá! – ela disse, se recompondo, e riu ao ver que o surpreendera – Você que é o famoso Pirraça?
- Eu? Famoso?
- Claro! Todos conhecem Pirraça, o poltergeist de Hogwarts.
- Mas você não é famosa... – ele retrucou com ironia
- Não. – ela se fez de triste
- Eu nem sei seu nome...
- Eu me chamo Regina. Regina McGonagall. A Profª é minha tia.
- Não é o que os retratos e os fantasmas dizem...
- E o que eles dizem, exatamente? – ela já imaginava
- Que você é uma impostora, uma trouxa, que está aqui para descobrir os segredos de Hogwarts e contar para os outros trouxas.
- E o que o Prof. Dumbledore diz disso?
- Não sei, eu não perguntei... – ele deu de ombros, fingindo que não ligava, mas Regina se lembrou a tempo:
- E o Barão Sangrento? Não liga que você ande por aí repetindo os mexericos dos retratos?
- Por que você está falando do Barão?
- Porque vi um fantasma passando ali, agorinha. Ainda não nos apresentaram formalmente, mas acho que era ele, sim!
Foi o que bastou. O poltergeist sumiu de vista, fazendo o lustre tilintar.
- Muito bem! – a voz de Snape a assustou, fazendo desaparecer seu sorriso. Será que ele a estava seguindo, ou vigiando? – Venha. Vou levá-la à sala de sua... tia.
Ela o seguiu em silêncio, preocupada em memorizar o caminho e nem um pouco disposta a iniciar uma discussão com ele.
- Prontinho. Sã e salva! – retrucou, irônico como sempre.
Antes que ela pudesse ao menos agradecer a “gentileza”, ele se afastou, o rosto impenetrável como sempre.

Regina bateu à porta, que se abriu prontamente. McGonagall a recebeu visivelmente satisfeita. Tinham muito trabalho pela frente.
E, pelo resto do dia, parando apenas para um rápido almoço, estiveram às voltas com pergaminhos, listas e corujas.

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Daqui a pouquinho, eu posto o capítulo 6...
Editado pela última vez por Regina McGonagall em 03/04/07, 09:37, em um total de 1 vez.
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Mensagempor debbie granger » 09/05/05, 22:26

Noooooossa Regina, que talento !!! :emo133:
Demorei a postar pois além de só ter conhecido sua fic hoje, ainda tive que ir buscar meu queixo lá na garagem ( E olha que moro no 8º andar :emo155: )
Adorei, digo, estou adorando sua história. Vc escreve muito bem (é um alívio ler uma fic sem erros de português) E tem muita, mas muita imaginação. Apesar de não ser grande fã de fics fora do usual, ou seja: com personagens originais e/ou fora de Hogwarts ou em outra linha temporal, a sua é tão boa que conseguiu burlar meu preconceito :lol:
Só tenho a lhe pedir o óbvio: Continuação, é claro :wink:
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Mensagempor Regina McGonagall » 10/05/05, 08:30

Brigadão, Debbie. Eu tento o máximo interferir o menos possível com a própria narrativa da JKR (embora em "Uma Prece por Snape" a Sarah tenha sido professora no sexto ano de Harry - eu só postei ela no Floreios). Quanto ao português, eu tento fazer o melhor possível e ainda bem que o word me "salva" em algumas concordâncias. E tento não repetir muito certas palavras...

Bem, chega de papo e lá vai o sexto (começando a ficar mais maluquinho). Espero que você e os outros continuem gostando. Se não gostar de alguma coisa, me digam também (apesar de a esta altura não dar pra mudar muito, pois já estou no penúltimo capítulo, hehe, o nº 25)

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Cap. 6 – Testrálios e poções

Nos dias que se seguiram, a rotina de Regina permaneceria a mesma. Após o café, fazia sua caminhada pelo jardim, depois ia direto para a sala de McGonagall, ajudá-la com as cartas para os novos alunos. Conheceu o corujal, e experimentou a difícil tarefa de enviar uma carta sem ser arranhada ou bicada a todo instante.
Ao final da tarde, depois do jantar, ia para seu quarto, e lia um livro que pegara mais cedo na biblioteca, com a permissão do Prof. Dumbledore para tal, até que o sono chegasse. Madame Pince, a princípio, a olhara desconfiada. Depois, ao ver que ela era cuidadosa e tratava os livros com verdadeira reverência, se sentiu mais confiante em deixar que os levasse para o quarto. E ela os devolvia no dia seguinte, com um sorriso satisfeito.
Snape não aparecera mais para interrogá-la, mas estava constantemente a vigiá-la, como fazia questão de deixá-la perceber. Se por conta própria ou cumprindo ordens de Dumbledore, ela não sabia.

Nesta manhã, distraiu-se um pouco mais na caminhada, e logo se viu mais perto da orla da floresta do que já fora. Então, os viu. Os olhos prateados, a aparência horripilante, esqueléticos, as asas negras: os testrálios. Assustadores e ao mesmo tempo magníficos, eles estavam ali, uma meia dúzia, quase ao alcance de sua mão.
- Não se mova, senhorita, temos alguns animais por perto – a voz apreensiva de Hagrid a despertou de seu devaneio.
- Já os vi, Hagrid, obrigada. São mais lindos do que imaginava... sei que você entende o que eu quero dizer. São uma visão terrível, mas linda.
O meio-gigante sorriu, orgulhoso. Não era todo dia que alguém elogiava seus “bichinhos”.
- Qual é o Treva?
- Aquele – ele apontou o animal que se aproximou lentamente, atraído pelo som do próprio nome.
O coração de Regina quase parou. Virou-se para Hagrid, indagando ansiosa se podia tocá-lo. Ele assentiu, sorrindo, e ela estendeu a mão, vacilante, e tocou o pescoço do animal, surpreendentemente macio e suave ao toque.
- Os hipogrifos podem ser imponentes, mas estes aqui impressionam bastante! – ela sorriu para Hagrid, agradecendo a oportunidade de ver tais animais de perto.
- A Srta quer ver o Bicuço? Já o trouxeram de volta. – Hagrid perguntou, parecendo um menino que quer mostrar o brinquedo favorito a alguém.
- Claro, eu gostaria muito. Se você parar de me chamar de “srta”. Me chame só de Regina, está bem?
Ele sorriu, piscou os grandes olhos, alisando a barba com um jeito acanhado, e lhe indicou o caminho para o cercado dos hipogrifos. Depois de se certificar que ela sabia o que fazer, mostrou-lhe qual era Bicuço.
Ela se aproximou, emocionada. Fez uma reverência lenta e silenciosa, fitando o bicho com lágrimas nos olhos. Após alguns segundos em que a analisara com seus olhinhos vivos, o animal respondeu sua reverência.
- Bravo! – Hagrid sussurrou.
Ela se aproximou, lentamente. Tocou-lhe o pescoço de águia, admirando seu porte majestoso.
- Você é realmente muito lindo, meu amigo. E então, voou muito com o Sirius por aí? Sente saudades do nosso Almofadinhas? – ela falava baixo e suavemente, como falaria a um bebê. – Como eu gostaria de voar por aí, também!
- Bom... acho que podemos dar um jeito! – Hagrid a ouvira e, sem esperar, a ergueu como se pesasse tanto quanto uma pluma, e a colocou sobre o animal – Segure-se, mas sem puxar as penas. Isso, abrace o seu pescoço. Ele não vai deixá-la cair. – e ordenou ao animal – Vamos lá, garoto! Uma volta sobre o lago e sobre o castelo. Só uma volta!
O animal tomou impulso, Regina gritou, lutando contra a vontade de fechar os olhos, e lá se foram.

Nada em sua vida a havia preparado para uma emoção como aquela. Voar de avião não era nada parecido com aquilo! E a cena de Harry em PdA passara uma pálida idéia do que ela sentia agora.
Viu o castelo, o lago, a vila próxima, o cemitério ao longe, cuja existência era motivo de tanto rebuliço nos fórus. Sobrevoaram uma faixa da floresta, mas Hagrid assobiou fortemente, chamado que Bicuço logo atendeu.
Quando pousaram, ela tinha as faces coradas e a trança desfeita pelo vento, mas estava feliz como há muito não se sentia. Esquecera-se até mesmo de seus problemas de saúde, mas, por Deus, aquilo só poderia lhe fazer bem! Mas o sorriso morreu em seu rosto, ao se deparar com alguém que a esperava, ao lado do cercado.
Mais carrancudo do que o de costume, Snape parecia se controlar ao extremo para não ralhar com ela como se fosse uma aluna do primeiro ano. Mas ela não se intimidou.
Agradeceu a Hagrid mais uma vez, profundamente comovida, despediu-se dele com o seu sorriso mais doce, e caminhou de volta para o castelo, saudando Snape displicentemente ao passar por ele.
Mas não ficou por isso mesmo, ele não deixaria passar de liso. Alcançou-a em dois tempos e a fez se voltar, puxando-a com violência pelo braço:
- Você ficou louca? Se arriscar desta forma, com um animal tão instável? Será possível que se contaminou com a irresponsabilidade do Potter só em ler suas histórias?
- Prof. Snape, está me machucando! – ela reclamou.
- Não tanto quanto gostaria, sua... sua...
- O que? –ela o encarou – Vamos, me insulte! Parece que acha divertido fazer isso com as pessoas!
Ele a fitou, os olhos negros brilhando perigosamente. Ela sustentou seu olhar, sem ligar se ele pudesse assim ler seus pensamentos ou não. Estava cansada de ficar na defensiva, sempre que estava perto dele, só para não deixá-lo perceber o que sentia de verdade.
Em silêncio, os dois pareciam medir forças. Hagrid os observara de longe por um tempo, pronto a ir em seu socorro, mas acabou decidindo que ela poderia se virar sozinha. E que era disso que o Snape estava precisando, provavelmente. Alguém que o enfrentasse abertamente, de vez em quando. Assim, foi cuidar de seus animais, enquanto os dois permaneciam parados, ao lado de sua cabana.

De repente, Snape a empurrou, até que ela se encostasse na parede, quase machucando-lhe as costas, mantendo-a imóvel contra a pedra fria ao segurar seus ombros.
- Você não entende mesmo, ou se faz de burra? Aquele animal é instável, poderia se irritar e deixá-la cair lá de cima! E Dumbledore não quer que você se machuque, em hipótese alguma.
- E você foi escalado para ser minha babá, certo? – ela já quase gritava, a voz tremia e os olhos lacrimejavam – Mas preferiria me afogar no lago de uma vez, não é mesmo? Ainda me acha perigosa, capaz de lhes fazer algum mal.
- Acho não. Tenho certeza. Você não está aqui, de graça. E a estaria vigiando, mesmo que Dumbledore não tivesse me pedido para fazê-lo. Porque ele se preocupa com sua segurança, apesar de você ser imprudente como uma criança. Voar num hipogrifo! Francamente!
- Teria voado no testrálio, se ele não fosse tão assustador! – ela retrucou, provocando-lhe espanto.
- Você... os vê? – ele parecia incrédulo.
- Claro que sim. Já vi ... – ela respirou fundo – mais mortes do que gostaria... Não vejo qual o motivo do espanto...
- É que – ele parecia ainda mais perturbado – Mesmo que tenham visto a morte de perto, trouxas não vêem testrálios. Só bruxos. – ele observou seu rosto detidamente, pareceu penetrar sua mente, para ver o impacto de sua informação.
Mas ela estava mais perturbada do que ele. Balançou a cabeça. Não tinha cabimento! Lembrou-se do livro, da chegada ao Ministério da Magia. Nenhum dos garotos parecera preocupado de que os testrálios pudessem ser vistos por algum trouxa... mas não fora falado em lugar nenhum que trouxas não os vissem... Ou fora?
Confusa, ela olhou para Snape. Ela não era uma bruxa. Nem trouxa. Era uma pessoa normal, vinda de outro mundo, outra dimensão, onde essas coisas nem sequer existiam fora dos livros... Por isso era capaz de vê-las, porque ela os conhecia ali e aceitava como naturais, pois se acreditava “dentro de um livro”. Era a única explicação...
- Vamos ver se Dumbledore pensa do mesmo jeito! – ele, como sempre, não fizera cerimônias para ler seus pensamentos - Venha comigo.
Sem esperar uma resposta sua, ele praticamente a arrastou até a sala de Dumbledore.

O diretor se espantou com seu estado, os cabelos e roupas desalinhados, a face corada, o olhar ardendo pelas lágrimas represadas. Snape não parecia estar melhor, e por um minuto, ela pensou que pareciam estar vindo de um encontro... apaixonado. Mas Snape a fitou com severidade e ela desejou, mais uma vez, ter aulas de oclumência. Não podia continuar permitindo que ele compartilhasse de seus pensamentos com tanta facilidade! Sem nem usar uma varinha!
- O que aconteceu? – Dumbledore lhes acenou para se sentarem.
Regina obedeceu, sentia-se a ponto de desfalecer, pois subiram as escadas como num furacão. Mas Snape continuou de pé, como um dragão furioso:
- Esta... mulher... não é quem diz ser! Ela é uma bruxa!
- E o que o faz pensar assim? – Dumbledore os fitava serenamente, por cima de seus oclinhos meia lua.
- Por Merlim! Ela conversa com o poltergeist, vê os testrálios, voa no hipogrifo, recita fórmulas de poções com maior desenvoltura que nossos melhores alunos... É impossível que não seja bruxa!
Dumbledore a examinou por alguns momentos. No rosto afogueado, percebia a surpresa e o terror que as palavras de seu professor causavam a ela.
- E você, minha cara, o que me diz?
- Que é absurdo! – ela tentava se acalmar, mas tremia tanto que parecia febril – Eu sou uma mulher comum, faço parte de uma dimensão diferente, só isso. E nem estaria aqui se... – ela se interrompeu, pois quase dissera em voz alta “se não amasse tanto assim esse insensível!”. Mesmo sabendo que provavelmente Dumbledore percebera a linha de seu pensamento, respirou fundo e tentou falar com calma:
- Não sou uma trouxa como vocês conhecem, então, posso ter... “poderes” que não seriam possíveis aos trouxas daqui, simplesmente porque não sou daqui, não sou como eles.
- Você tem que reconhecer que faz sentido, Severus.
- Ela está nos enganando, o senhor não vê isso?
- Calma, você está emocionalmente envolvido... Não está pensando com a racionalidade de costume.
- Eu... emocionalmente envolvido! – Snape quase explodiu, seus olhos faiscavam perigosamente.
- Claro! – Dumbledore era categórico – Você está tão envolvido em suas tarefas na Ordem, nos tempos difíceis que estamos passando, que começa a ver risco em tudo. Acalme-se... Vamos ver...
Uma súbita idéia pareceu atravessar sua mente.
- Regina, minha cara. Você aceitaria se sujeitar a tomar uma dose de veritaserum?
- Claro! – ela se sobressaltou, apenas por um segundo, mas encarou o diretor com toda a coragem que conseguiu reunir. Se ele pelo menos tinha a bondade de lhe perguntar uma coisa dessas, não deixaria que nada lhe acontecesse.
- Muito bem, então. Snape, vá buscar a poção. E traga Minerva com você. É melhor, e mais seguro pra Regina, ela também presenciar isso. Deixe Papoula de prontidão, caso tenhamos alguma... complicação. Não me lembro de ter usado a poção em trouxas, antes.
Snape obedeceu prontamente. Saiu batendo a porta, a capa voando à sua volta.
Os retratos, silenciosos, observavam a mulher encolhida na cadeira, abraçando os joelhos, a cabeça apoiada neles. Soluços discretos sacudiam seu peito, enquanto Dumbledore a observava, sereno.

Em poucos minutos, Minerva McGonagall entrava na sala, apreensiva e preocupada. Snape lhe dissera coisas incríveis.
- Alvo, o que está acontecendo, afinal?
- É o que iremos descobrir, espero. Sente-se. Já mandei nos trazerem um chá.
Realmente, dali a pouco, um elfo entrava com uma bandeja de chá, quase derrubado por Snape, que voltava noutro furacão, trazendo um frasco transparente: a veritaserum. E Regina tinha certeza de que desta vez não estaria adulterada. Só se fosse pra ficar mais forte!
Depois de dispensar o elfo, Dumbledore serviu, ele mesmo chá para todos. Em uma das xícaras, pingou três gotas do frasco que Snape lhe entregou, e a estendeu para Regina, que a segurou com cuidado, tentando controlar o tremor das mãos, ao levá-la aos lábios.
- Pelo menos, o gosto é bom, pensou, engolindo alguns goles. Não sabia de que era o chá, ou se já era o efeito da poção, mas se sentia bastante calma. Começou a se sentir leve e tranqüila, e olhou os três bruxos como se fosse a primeira vez que os via, já não os reconhecia ou o lugar onde estava.
- Então, pode nos dizer seu nome? – o tom de comando na voz suave do velho era irresistível, e ela deu seu nome completo. Ele lhe perguntou então, porque usava o nome de McGonagall.
- Por que é o nome de uma bruxa de Harry Potter, e um dos meus personagens favoritos. – seus olhos brilhavam como os de uma criança - Ela pode se transformar num gato, sabia?
Minerva sorriu disfarçadamente. Mas Snape estava irrequieto.
- Como você conheceu Harry Potter?
- Primeiro, assisti ao filme, em um vídeo na casa de uns amigos. Eles têm filhos pré-adolescentes, que adoram Harry Potter! Foi um deles, o Beto, que me emprestou os dois primeiros livros.
- Você já tinha visto algo parecido?
- Não exatamente. Bem, já li Brumas de Avalon, e outros livros sobre bruxas e magias, mas eram livros para adultos. Harry Potter é para crianças, mas é muito agradável de ler. E engraçado, às vezes.
- Acho melhor colocar mais umas gotas...
- Quieto, Severus!
- Severus... – Regina repetiu o nome – Severus Snape. É o nome de um bruxo. O temido professor de Poções. Ele foi um comensal, mas é espião de Dumbledore, porque é perito em oclumência e legilimência. Os outros comensais não sabem que é um traidor do Lord, ou o teriam matado.
Snape se sobressaltou.
- O que mais sabe sobre isso? – Dumbledore indagou, cuidadoso.
- Nada. Uma das maiores perguntas é exatamente essa: porque Dumbledore confia em Snape? No fórum, todos discutem isso e as teorias são as mais loucas... Mas a Joana disse apenas que Snape contou sua história, e Dumbledore aceitou. Mas que vamos ter respostas no sexto livro, o “Príncipe Mestiço”. Tem gente que acha que o Snape é o tal príncipe, mas ele é sangue-puro, não é mestiço, pelo menos foi o J.K. disse em uma de suas entrevistas, embora de vez em quando ela mude as coisas que já disse nos livros seguintes.
- Quem é J.K.?
- A autora dos livros. É inglesa.
- Você se interessa muito por Snape, por que? – o próprio Snape perguntou, surpreendendo a Dumbledore.
- Eu... – ela corou um pouco, mas não conseguiu evitar a resposta – Eu gosto dele. Ele dá medo, sempre tão misterioso, tão amargo, mas eu gosto dele. Só meu dei conta disso, depois do terceiro filme. Não é o que as pessoas considerariam bonito, eu sei, mas tem alguma coisa que me atrai...– ela parecia confusa – Ele me beijou, ou sonhei isso também? Foi como se esperasse por isso a vida inteira... Será que o Tiago entenderia? Será que, se ele estivesse aqui, isso não aconteceria? – ela se calou, lágrimas correndo por seu rosto transtornado, sem conseguir represar suas emoções.
Snape estava visivelmente constrangido, e Dumbledore o olhava como quem diz: “você foi buscar lã e acabou tosquiado”, mas ele se recuperou rápido e perguntou, incisivo:
- Quem é Tiago? Você conhece Tiago Potter?
- Não, não! – ela sorriu por um momento - É só coincidência! Mas ele gostaria da comparação, eu acho...Era meu...nós... – ela voltou a chorar, mas esforçou-se em dizer - Desculpem, eu estou chorando de novo. Prometi que não ia chorar mais, que ia ser alegre e feliz de novo, pra ninguém mais chegar perto de mim pra dizer que sentia muito... Ele morreu, e foi horrível!
- Quando foi isso?
- Há vinte anos... – ela soluçou, esforçando-se pra falar com calma , pois as lembranças há muito reprimidas jorravam em sua mente num turbilhão – Estávamos voltando pra casa, um homem apareceu de repente, do nada. Tinha uma capa com capuz, e uma tatuagem horrível no braço... Tiago perdeu o controle da moto, nós caímos. O homem veio para cima de mim, queria me levar pra alguém, mas Tiago tentou impedir, eles lutaram. O homem o chamava de Black, não entendemos porque. Então, o homem fez alguma coisa que atirou o Tiago longe. Um facho de luz verde...Tinha alguma coisa na mão. Uma varinha... não sei. Nunca tinha visto nada parecido, antes. Eu tentei me soltar dele, mas era muito forte. Quando ele tentou me puxar pelo cabelo, agarrei sua mão e tomei aquela coisa dele. Apontei para ele, que riu. Uma gargalhada horrível! Chegou mais perto, me agarrando. Dizendo que “ele” ordenara que não me machucasse, mas que podia se desculpar dizendo qualquer bobagem, que fora inevitável... E dizia que não adiantava, que eu não sabia as palavras certas e tentou me tomar a tal varinha, enquanto falava as tais palavras, como se achasse divertido me dizer como era o feitiço certo, abra, ava... sei lá, nem o ouvia de tão desesperada, mas eu dei um impulso para trás e cai. Ele caiu junto, a varinha entrou na sua barriga, eu vi uma luz verde explodindo dentro dele... Ele morreu, eu o matei! – ela soluçava ainda mais intensamente, enquanto os bruxos se entreolhavam, perplexos – Mas a polícia não achou o corpo dele, quando chegou. Ninguém o tinha visto, acharam que eu estava delirando, porque batera a cabeça no meio-fio. Meu capacete sumira, eles não acreditaram que eu o usava ao cair da moto.
- Você... reconheceria a tatuagem, se a visse de novo? – Snape perguntou, a voz estranhamente calma.
- Sim... – ela olhou para ele, por entre a nuvem de lágrimas – eu me lembro, agora... Tentei esquecer, tinha pesadelos... Por isso, gostei tanto de ler Harry Potter. Me ajudava a não pensar mais naquilo, a não ter mais aqueles sonhos horríveis... Eu imaginava que também era uma bruxa, que poderia fazer todas aquelas coisas... feitiços, poções, e quando descobri os fóruns, na Internet, passei a ficar horas, lendo, trocando opiniões, escrevendo minhas próprias histórias para os personagens. – ela o olhou, profundamente.
Snape, por um minuto, não sabia o que fazer. Mas lembrou-se do que pretendera e, decidido, mostrou-lhe a marca negra em seu braço:
- Era como essa, a tatuagem?
Ela deu um grito, e recuou.
- Já chega, Snape. Não acredito que possamos feri-la mais do que já fizemos.

O efeito da poção parecia estar se dissipando. Ela agora reconhecia os três bruxos à sua frente e tinha consciência de que dissera mais do que gostaria. Sabia que se lembrara da morte de Tiago, mas só agora entendia que o homem que o matara só podia ser um bruxo, um comensal da morte, como Snape. Por que não vira isso, ao ler o Cálice de Fogo? Por que não imaginara que aquela tatuagem era a “marca negra”? Talvez por ser tão improvável, ou por se recusar a lembrar de tudo aquilo há anos.
Olhou para ele, com profunda dor estampada nos olhos castanhos. Agora, mais do que nunca, sabia que eles duvidariam dos motivos para ela estar ali. Afinal, como explicaria ser atacada por um comensal, sem nunca ter visto um bruxo na vida, antes?
- Prof. Dumbledore...
- Sim, minha filha?
- Se vocês usarem a penseira, podem visitar minhas lembranças, não é? Podem ver que a poção fez efeito e eu não menti, não é?
- Sim.
- Vocês teriam... algum problema quanto à linguagem? – ela os fitou, curiosa – Afinal... minhas lembranças estarão em português, acho...
- Não se preocupe – Dumbledore respondeu, tranqüilo – A magia desse objeto é surpreendente e isso não nos trará empecilho algum, tenha certeza. E temos outras maneiras de entender, também.
Aparentemente tranqüilizada por suas palavras, ela tomou o resto do chá, voluntariamente, ante o espanto deles. Novamente começou a se sentir mais leve, e falou, enquanto ainda sabia ser senhora de si:
- Então, o senhor pode vasculhar minhas lembranças. Eu levo vocês até meu mundo. Vocês vão ver que, lá, Harry Potter é só ficção. O cara com a tatuagem devia ser só mais um louco, há muitos por aí. E tatuagens com caveiras são comuns entre motoqueiros e roqueiros. Eu quero mostrar a vocês...
Dumbledore consultou os outros com o olhar. Eles concordaram. Então, retirou a penseira do armário e colocou à frente dela. Usando a própria varinha, primeiro falou mansamente com Regina:
- Eu quero que você se lembre primeiramente, do dia em que veio para cá. E depois, se lembre do que quiser sobre Harry Potter, e também sobre qualquer coisa que tenha acontecido, antes de ler os livros, que possa nos ajudar a entender o que houve com você. Está pronta?
- Sim. Estou – sua voz era vacilante, mas ela os fitou com coragem.
Dumbledore tocou sua fronte com a varinha, e de lá retirou vários cordões prateados, que foi colocando na penseira. Depois, ao ver que os outros estavam preparados, disse a ela:
- Quero que você venha conosco, ou não saberemos do que se trata, está bem?
- Está bem. – ela respondeu em tom obediente.
Eles deram-se as mãos e se aproximaram da penseira, todos de uma vez, com se ela tivesse aumentado incrivelmente de tamanho.
E todos mergulharam em suas lembranças.
Editado pela última vez por Regina McGonagall em 03/04/07, 10:05, em um total de 1 vez.
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