Fala
Pensamento
Outro personagem
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No Noitibus Andante, Polkis estava quase adormecendo quando finalmente chegou a sua parada: Hogwarts. Teria que explicar seu sumiço para Lana, e estava recordando todos os fatos decorridos em sua pequena aventura. Aquela mulher tinha um dom incrível para detectar mentiras, era melhor não as fazer.
Quando Polkis Winfy descobriu sobre o roubo dos artefatos que protegem Hogwarts ele tratou logo de pesquisar o livro de funcionários antigos. Tinha certa paixão pelos livros de detetives, tanto trouxas como bruxos, e pela descrição do caso o ladrão deveria ao menos já ter estado lá por um longo tempo. Se fosse para analisar cada aluno que já passou por lá ia dar muito trabalho, então Polkis se preocupou com os funcionários mais recentes. O livro de funcionários tinha muitos nomes conhecidos, mas um chamou a atenção de Polkis. Samuela Princeton, ex-curandeira de Hogwarts.
Lembrava-se perfeitamente quando estava se enchendo de bebidas por causa de Lana Hawkins no Cabeça de Javali quando uma mulher entrou e teve uma conversa com um ser oculto por uma capa. Na época, mesmo bêbado, Polkis gostava de estar atento aos papos alheios, como uma verdadeira abelha enxerida.
- Princeton você está com sérios problemas, você sabe disso. – dizia o ser encapuzado, como Polkis estava se lembrando.
- Estou conhecendo Hogwarts ainda, meu salário mal dá para pagar as dívidas com o que eu preciso. Mas andei pesquisando, sabe... Existem coisas que valem bastante naquela escola. Ninguém vai sentir falta. – sussurrava Princeton.
Na mesma noite em que consultava o livro de funcionários, Polkis aparatou até Londres onde sabia que morava Samuela Princeton. Invadiu sua habitação que mais parecia um jardim de pombas de tão sujo. Samuela estava em frente à um enorme caldeirão, preparando uma poção de aspecto gosmento e amaldiçoado. Ela olhou para Polkis, provavelmente perguntando-se da onde o conhecia.
- Baba de Dragão... Artigo perigoso e ter ele sem autorização pode te levar para Azkaban, Samuela. Mas posso não te denunciar se você cooperar.
- NÃO! Se eu for para Azkaban levarei o beijo! Eu faço qualquer coisa que você quiser, qualquer coisa!
- Não entendo o porque de você levar o beijo, não é para tanto... – Polkis imaginava que o ser encapuzado tinha contato com o guarda de Azkaban. – Mas me conte, o que você sabe sobre Hallows?
- Hallows... Hallows... Não são aquelas coisas que protegem Hogwarts?
- Sim, Princeton, exato. Onde elas estão?
- Na sala da diretora!
- Não, Princeton, você sabe que elas não estão lá!
- Não sei do que está falando!
- Vai me dizer aonde você as deixou?! – gritou Polkis, começando a ficar irritado pelo cheiro da baba de dragão.
Princeton parou um pouco de mexer aquela coisa gosmenta, parecendo pensar. Seu rosto abriu iluminadamente e desatou a falar.
- Eu sei onde estão! Eu sei onde estão! Elas estão enterradas no lago de Gringotes!
- Gringotes tem um lago?
- Sim, mas não diga isso para ninguém. É um segredo dos duendes, só eles sabem. E pela mor de deus! Não espalhe sobre a baba de dragão ou estarei encrencada!
Polkis saiu da casa de Princeton feliz, acabara de resolver um caso tão facilmente quanto poderia mascar um chiclete e subir uma escada ao mesmo tempo. Mal sabia ele que pelas suas costas Princeton guardava todas suas coisas rapidamente, enquanto pensava: “Otário”.
Achar o lago foi difícil, levou alguns dias. Precisou descobrir um segredo de um duende chamado Carambola para chantageá-lo. Mas a chantagem não chegou a afetar a disponibilidade de Carambola para o acompanhar até lá. No fim, Polkis teve que enfrentar sozinho alguns feitiços, animais aquáticos, maldições, mas nenhum grande dano além da perda da varinha. Teve que voltar para Hogwarts todo molhado, cheio de algas e alguns ferimentos.
Finalmente estava ali em Hogwarts novamente, se achando um idiota de talvez ter perdido o emprego por uma pista falsa daquela curandeira de meia tigela. Pobre coitada se aparecer na frente dele. Naquela altura devia estar tão longe quanto Plutão era da Terra.
Abriu o portão deprimido, precisava pegar sua varinha reserva o mais rápido possível para se limpar. Esperava que nenhum engraçadinho se metesse na frente dele antes disso.









