Já estou escrevendo o cap. 20. No site da FeB, dá pra baixar os arquivos em PDF...
Comments, pliiiis!!
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Cap 1: Fred Weasley
- Knocks, Deena! – Chamou a Profa. McGonagall.
- Corvinal!
Ao ouvir a escolha do chapéu seletor, Deena ficou radiante! Desde que ouvira falar nas casas de Hogwarts, sempre desejara ser escolhida para Corvinal. E agora, seu desejo se realizava. Aos onze anos de idade, Deena se sentia a garota mais feliz do mundo.
O ano letivo foi realmente tranqüilo. Logo, Deena percebeu que suas colegas de casa não eram exatamente expansivas, mas apreciavam sua companhia, especialmente na hora de estudar. Dona de uma mente aguçada e de incríveis habilidades mágicas herdadas de seu pai, ela não demorou a ser conhecida na turma como uma boa aluna. E isso, na Corvinal, não era pouca coisa.
Sua primeira aula de poções ficou marcada como uma tatuagem indelével em sua mente. Aquela sala cheia de vidros com conteúdos estranhos, o cheiro, e principalmente a figura exótica e aterradora do professor Snape, a quem não demorou a admirar e logo elegeu como seu favorito. O prof. Snape tinha uma postura reservada, rude até, com alunos que não fossem da casa da qual era diretor, Sonserina, mas Deena não se importava. Quanto mais ele a desafiava, mais ela se sentia estimulada a estudar.
Na aula de poções, suas notas costumavam ser as melhores da classe. Simplesmente porque o prof. Snape não tinha argumentos para descontar um décimo sequer de sua nota. Suas poções eram perfeitas! Vinha de uma casa de bruxos, desde muito cedo aprendera com a mãe as sutilezas e meandros no preparo de poções excelentes. E agora seus conhecimentos eram-lhe muito úteis.
Infelizmente, os gêmeos sentados na bancada à sua frente não pareciam dispor das mesmas habilidades. Fred e Jorge Weasley sofriam para conseguir bons resultados, vitimados na maioria das vezes por sua própria má-vontade evidente para com os detalhes de uma boa poção.
- Atenção, essas folhas devem ser picadas finamente antes de serem jogadas no caldeirão! – avisou o arrogante professor.
Deena espichou o pescoço e olhou sobre os ombros dos gêmeos, apreciando as folhas retalhadas que eles pretendiam jogar em sua própria poção. Sem saber o que a levou a desferir o feitiço, Deena sussurrou, apontando sua varinha:
- Accio folhas!
Os garotos olharam espantados enquanto suas folhas mal-cortadas voavam até a mesa de trás, sendo então substituídas por um punhado de folhas picadas em tiras tão finas que pareciam fios de cabelo. Antes que o professor percebesse, Deena cortou um pouco melhor as folhas que agora estavam em sua mesa e jogou-as no caldeirão, fazendo sua poção ficar vermelha. O rapaz da direita (seria Fred ou Jorge?) aproveitou a deixa e jogou o pequeno novelo vegetal no caldeirão também, e a poção imediatamente passou do amarelo pálido que estava para um alaranjado brilhante.
- Srta. Knocks, o que é isso em seu caldeirão? – perguntou Snape – Será que dentre todos os alunos desta sala, a Srta. entregará a pior poção por causa de um detalhe tão estúpido?
- Desculpe, professor, acho que não estou em um dos meus melhores dias...
- É, acho que não. Aliás, pelo que posso perceber por esta amostra, você não deveria ter saído da cama hoje...
***
- Olha, garota, foi muito legal aquilo que você fez na aula de poções, hoje. Aliás, por que você fez aquilo?
- Boa tarde pra vocês também. Pra começo de conversa, você é o Jorge ou o Fred?
- Eu sou o Fred, ele é o Jorge. E boa tarde.
- Bom, meu nome é Deena, e eu não sei bem por que eu troquei nossas folhas. Acho que é porque o Snape sempre pega no pé de vocês, eu vi a burrada que vocês estavam fazendo e fiquei com pena.
- PENA!!?? Nós não precisamos de nenhuma menina com pena da gente! – retrucou Jorge, com o rosto vermelho de ira. – Muito obrigado, mas da próxima vez, pode prestar atenção na sua própria poção.
- Tá bom. Não precisa arrepiar os cabelos! Eu fiz aquilo pra ver se o professor notava ou se eu seria capaz de trocar sem ele perceber, só por isso...
- Ah bom, se foi uma tentativa de enganar Snape, tudo bem – respondeu um Fred já apaziguado.
- Se é assim, a gente aceita – disse Jorge, completando a fala do irmão. E assim nasceu uma forte amizade.
Cap 2: Veneno de jararaca
O primeiro e o segundo ano de Deena em Hogwarts transcorreram sem dificuldades. Durante as férias de verão ao fim do segundo ano, Deena surpreendeu-se diversas vezes pensando no prof. Snape. Ela sempre pensava na escola e em seus colegas, que estavam tão longe. Seu pai, Shouto Knocks, era embaixador do Ministério para a América Latina, um emprego muito interessante. Ele permitia que Deena viajasse bastante, tivesse acesso à magia de diferentes culturas, e pudesse praticar o que quisesse durante as férias, uma vez que a América Latina não tinha a mesma legislação que a Europa no tocante à prática de bruxarias por menores de idade fora das escolas. Na verdade, a maioria dos países da América Latina nem possuía um ministério da magia com força suficiente para impor uma legislação muito restritiva. <br>
Assim, Deena costumava passar suas férias inteiras praticando os feitiços, poções e transformações aprendidas durante o ano letivo. E nessas horas de estudo prático, toda vez que conseguia um bom resultado a garota pensava em Snape. E quando conseguia um resultado ruim, também... <br>
Ela queria que o sisudo professor de poções prestasse atenção nela. Queria que ele percebesse toda a sua admiração, tanto por seu conhecimento quanto por seu... Aspecto fascinante. Aqueles olhos negros a seduziam e encantavam, a garota se sentia como uma presa frente a uma serpente venenosa pronta para dar o bote. Deena ainda não tinha plena consciência, mas estava apaixonada pelo professor. <br>
*****
- Oi, Fred, como foi de férias? <br>
- Eu sou o Jorge, Deena... <br>
- Não, não é. Você é o Fred, tenho certeza. <br>
- Mas como você pode ter certeza disso se nem nossa mãe tem? <br>
- Não sei, mas tenho certeza. Você é o Fred. Ele é o Jorge. E não adianta tentar me enganar, porque eu sei. E aí, como foram de férias? <br>
- Tudo bem – responderam ambos, em uníssono. – Você viu nosso irmão Rony na escolha das casas? <br>
- É eu imaginei que um menino ruivo daquele jeito só podia ser irmão de vocês. Ele também foi para Grifinória, certo? <br>
- É. <br>
- O que vocês estão fazendo aqui que ainda não foram para nossa sala comunal?– interrompeu o monitor da Grifinória. <br>
- Calma, Percy, nós estávamos apenas falando com nossa amiga aqui. – disse Jorge – Além disso, não é da sua conta. <br>
- Tá, tá bom. Agora andem logo. Você também deve ir para sua sala, mocinha. <br>
- Uuuuui, tô ficando até com medo... Mas vou mesmo assim. Tchau, rapazes, até à tarde, na aula de poções. <br>
*****
Logo depois do almoço, Deena saiu correndo para uma certa masmorra onde teria a primeira aula de poções do ano letivo. Ela levava um pequeno pacote escondido em sua manga. Após bater na porta e ouvir um abafado “Entre” vindo de dentro, a garota viu-se frente a frente com seu amado professor. <br>
- O que você já está fazendo aqui? Ainda faltam 20 minutos para o início da aula. <br>
- Oi, professor, desculpe. É que eu queria trazer algo para o Sr., e achei melhor fazer isso antes que os outros chegassem. <br>
- Se eu tiver a impressão que isso é algum tipo de tentativa de suborno, tirarei 50 pontos de sua casa, Srta. Knocks. <br>
- Oh, não, professor, não é isso – respondeu Deena, insegura. – É só algo que eu trouxe do Brasil, e pensei que o Sr. fosse apreciar. É veneno de jararaca, um ingrediente muito usado pelos bruxos de lá, e que não tem por aqui. – ela disse, colocando o frasquinho em cima da mesa. <br>
Snape olhou para o frasco e dele para o rosto enrubescido da garota, sem entender direito o que estava acontecendo. <br>
- Seus pais sabem que você trouxe veneno de cobra de outro país para cá? <br>
- Hmmm, acho que não, Sr. Eles não perguntaram, sabe, e lá não há mesmo nenhum controle sobre o comércio desse tipo de ingredientes... <br>
- E o que a faz pensar que eu apreciaria tal veneno? <br>
- Esse monte de frascos que o Sr. tem aqui. Bom, é só um presente, mas se o Sr. não quiser, eu levo de volta. <br>
O professor segurou o frasquinho contra a luz da vela acesa sobre sua mesa. Admirando a transparência de seu conteúdo, ele pensou um pouco e finalmente disse: <br>
- Está bem. Obrigado, eu realmente não tenho este veneno em meu estoque. Mas que não passe pela sua cabeça a idéia de que eu a irei favorecer em qualquer coisa por causa deste presente, heim? <br>
- Não, senhor. Isso nem... <br>
A conversa foi interrompida por um grupo de alunos da Grifinória e da Corvinal, que já chegavam para a aula. Deena, envergonhada, deu as costas para o professor e foi para seu lugar ao lado da amiga Marissa, que acabara de entrar trazendo seus livros. <br>
- Oi, Marissa, obrigada por trazer minhas coisas. <br>
- Eu não sei por que, mas imaginei que você estaria aqui, sabe? – respondeu a amiga, com um risinho malicioso nos lábios. – O que você estava fazendo? <br>
- Ah, não era nada de importante, não enche!! – disse Deena, tentando esconder o riso. <br>
- Oi, Marissa! <br>
- Oi, rapazes! Desculpe se eu não sei quem é quem, mas acho que só a Deena é capaz de diferenciar vocês dois... <br>
Cap 3: A Banda
O ano transcorreu lentamente, porém sem alterações na rotina de estudos das interessadas alunas da Corvinal. No Halloween, um enorme trasgo invadira a escola, causando desordem e pânico. A criatura foi detida por três primeiranistas da Grifinória, dentre os quais estava o irmão mais novo dos gêmeos. <br>
- Ei, Fred, o que deu na cabeça do seu irmão para enfrentar um trasgo daquele jeito? – perguntou Deena, zombeteira, no corredor. <br>
- É a lendária coragem dos Weasley, oras! E eu sou o Jorge. <br>
- Não é, não. Será que vocês não cansam de tentar me enganar? <br>
- É que temos a esperança de que um dia você caia – emendou o outro irmão. <br>
- Sinto desapontá-lo, Jorge, mas isso não vai acontecer. Eu simplesmente SEI... <br>
Nesse momento, Snape passou mancando pelo grupinho. Deena parou o que estava falando e suspirou, levando um cutucão de sua amiga Marissa. <br>
- Que foi, Marissa? <br>
- Nada, ué. <br>
- Só que você parece uma tonta virando os olhos quando esse seboso passa – respondeu Fred, irritado. <br>
- E isso te incomoda, maninho? – perguntou Jorge, zombeteiro. <br>
- Vamos, Marissa, esses dois vão ficar me alugando e a estufa onde teremos aula de herbologia é muito longe... <br>
As meninas saíram, deixando um garoto irritado e o outro rindo, ambos espantados com a cena que acabaram de presenciar. <br>
*****
Novembro chegou trazendo tempo frio e quadribol. Deena não gostava de nenhum dos dois. Habituada ao calor dos trópicos, onde vivera desde muito nova, ela sofria muito com os rigores do inverno europeu e evitava deixar o castelo nessa época, a menos que fosse realmente necessário. <br>
Quanto ao quadribol, esportes de grupo nunca haviam atraído sua atenção. Ela não sabia diferenciar as bolas, não enxergava nenhuma estratégia por trás daquelas jogadas, e não se interessava por quem iria vencer. No seu primeiro ano em Hogwarts, ela não fora a nenhum jogo e aproveitara o tempo extra na biblioteca. Mas desde o segundo ano ela tinha que ir aos jogos, pois seus queridos amigos Fred e Jorge haviam entrado para o time da Grifinória, que agora contava com um novo apanhador, o famoso Harry Potter. <br>
O jogo inicial, Grifinória contra Sonserina, foi um tédio que felizmente não se prolongou demais. Logo o garoto Potter estava quase caindo de sua vassoura (e falaram que ele voava tão bem...), e depois a capa do professor Snape pegou fogo, em um improvável acidente. Em seguida, Grifinória ganhou o jogo e todos puderam voltar para dentro do castelo, onde era quente. <br>
*****
O ano seguinte se iniciou com uma forte nevasca. Deena, desacostumada com o frio, sentia-se morrer por dentro cada vez que tinha que sair de seu quarto quentinho e enfrentar os longos corredores da escola até qualquer sala de aula. Qualquer menos a masmorra onde tinha aula de poções. Lá, Deena gostaria de ficar o dia inteiro, se fosse possível. <br>
Outras alunas da sua casa começavam a reparar no interesse que Deena demonstrava na aula de poções, ou mais especificamente, para com o professor de poções. Antes do fim da temporada de quadribol, ela já havia virado motivo de chacota por suspirar cada vez que via Snape pelos corredores. O professor não percebia nada, ou se percebia, fingia não perceber. Mas as alunas não perdoavam, e logo Deena carregava o carinhoso apelido de “Sebosinha”. Mas ela não ligava. Ou melhor, fingia ser tudo uma brincadeira, e com essa estratégia de defesa, exagerava nos suspiros e zombava de si mesma. <br>
*****
O início do quarto ano em Hogwarts trouxe uma surpresa para Deena. Em um belo dia de setembro, ela estava tomando seu banho tranquilamente, cantando no chuveiro, quando ouviu vozes de outras duas meninas que entraram no banheiro. Ela continuou cantando, até para que as meninas soubessem que havia mais alguém aí, e como esperava, as meninas se calaram. <br>
Após lavar e enxugar seu corpo esguio, ela saiu do compartimento onde estava e viu as duas garotas encostadas em uma pia, como que esperando por ela. <br>
- Oi, tudo bem com vocês? – Perguntou Deena. <br>
- Você estava usando algum feitiço para cantar? – perguntou de sopetão a mais loira das duas, uma garota bonita chamada Laisa. <br>
- Não, né? Se estivesse, o resultado seria melhor – respondeu Deena mal-humorada, achando que as meninas queriam zombar dela. <br>
- Olha, nós achamos que você estava cantando super bem, sabia? – respondeu a morena, uma garota árabe conhecida como Latifah. – De fato, nós duas e meu irmão estamos pensando em montar uma banda. Meu irmão é percussionista, ele toca muito bem. Todos na nossa casa são músicos, e Laisa sabe tocar guitarra. Nós estávamos justamente falando sobre encontrar alguém que cante para entrar na banda também. Além disso, também precisamos de um baixista, porque eu toco teclado e guitarra. <br>
- E daí vocês me ouviram cantar no chuveiro e ficaram impressionadas com meu talento vocal? <br>
- É, é mais ou menos isso – explicou Latifah. – É muito difícil encontrar bruxas que cantem bem sem o uso de feitiços, e... <br>
- Olha, desculpa, mas pra cima de mim, não. Eu sei que vocês estão é procurando algum jeito de tirar uma com a minha cara. Mas não vai rolar, entenderam? Tchau pra vocês. <br>
Deena saiu do vestiário furiosa, pensando em quanto tempo levaria até que suas colegas de classe amadurecessem. Ela estava não nervosa que nem viu Marissa passando rumo à biblioteca. <br>
- Ei, Deena, aonde você vai com essa toalha na cabeça? <br>
- Ui, Marissa, que bom que você me avisou. Eu estava tão nervosa que nem percebi – respondeu Deena, soltando os longos cabelos castanhos molhados – Você acredita que aquelas duas meninas da Grifinória, a Laisa e a Latifah, queriam me convencer a cantar para elas? <br>
- E daí, você aceitou, né? <br>
- Eu?? Pra quê? Pra dar mais um motivo pra escola inteira rir de mim? Se eu não tivesse notas tão boas, pode ter certeza que seria mais ridicularizada que aquela menina Lovegood, filha do dono do Pasquim. <br>
- Mas do que você está falando, Deena? Todo mundo sabe que elas estão montando uma banda! Tem um monte de gente cantarolando por aí pra ver se elas ouvem e convidam para participar. Se você tirasse o nariz de dentro do livro de poções, você também saberia disso... <br>
- Jura? Então é verdade?? Ai, que fora que eu dei!! Larguei as duas falando sozinhas no banheiro... Bom, mesmo assim, eu nem queria cantar, de um jeito ou de outro... <br>
Mas a idéia de cantar em uma banda não abandonou os pensamentos de Deena. Ela começou a pensar nas músicas que sabia, nas que cantava melhor, em como seria interessante fazer um teste e saber o que os outros achavam. Conversando com Fred a respeito, o rapaz a incentivou: <br>
- Por que você não procura a Latifah? Ela é bem legal, e não vai se recusar a marcar um teste. Além disso, se você achar que o clima não ficou bom, você desafina e se desclassifica, e pronto. <br>
- É, Fred, é isso mesmo que eu vou fazer. <br>
- Só me avise quando for o teste, tá? <br>
- Por quê? Você quer ir assistir? <br>
- Não, para eu tirar meus protetores de ouvido da mala!! <br>
- Ora, seu... <br>
*****
Latifah era realmente uma pessoa acessível. Ela entendeu o ponto de vista de Deena e concordou em marcar um teste. Afinal, Deena tinha mesmo uma bela voz, que só precisava ser mais trabalhada. <br>
- Mas olha, Deena, se tiver ensaio em dia de quadribol, você tem que ir ao ensaio, tudo bem? <br>
- Ah, agora você está brincando comigo, né? <br>
*****
O teste aconteceu na noite do Halloween. Deena foi testada juntamente com outras três garotas da Lufa-lufa e duas da Grifinória. Não havia mais ninguém de sua própria casa, e os sonserinos pareciam não se misturar. Também foram testados 3 ou 4 rapazes para tocar baixo, e ao final de todos os testes, Deena e um rapaz da Lufa-lufa, Ian McKornick, foram selecionados para a banda. <br>
Quando todos saíam da sala de estudos requisitada para o teste rumo à festa, que já devia estar no fim, uma multidão nos corredores barrou o caminho dos jovens. Adiante, gritos descontrolados do zelador, o Sr. Filch, e manchas vermelhas na parede. Parece que alguém petrificara a gata do zelador... <br>
Cap 4: Hermione
Os ensaios da banda ficaram mais freqüentes com a proximidade do feriado de Natal. Deena estava se saindo muito bem, e além de cantar começara a compor músicas juntamente com Ahmed, o irmão de Latifah. <br>
- Oi, Deena, você quer estudar Poções conosco? <br>
- Fred, você vai estudar? Acho que vou faltar ao ensaio só pra ver isso... <br>
- Não seja tola, menina! – respondeu Jorge, interrompendo com uma risada a resposta que o irmão ia começar a desferir – Ele só está dizendo isso pra ver se você dá um pouco de sua atenção pra qualquer outra coisa que não seja a banda. <br>
- Ei, isso não é verdade!! Deena, não acredite nessa cópia mal-feita de mim! Eu realmente queria que você fosse conosco estudar Poções. Afinal, você é a melhor aluna da turma, e nós estamos realmente enrascados na matéria. <br>
- Fale por si só, irmãozinho. Eu não estou nem aí para o Snape e seus líquidos fedorentos. <br>
- Fred, Jorge! – interrompeu Hermione chegando perto do grupo que conversava. <br>
- Oi, Hermione. Deena, esta é Hermione Granger, ela queria te conhecer. <br>
- Oi, tudo bem? Você precisa de ajuda com alguma coisa? <br>
- Vamos até ali comigo que eu te mostro, Deena. É uma poção meio complicada, acho que você vai gostar. <br>
As duas garotas seguiram até um banheiro desativado. Deena estava achando aquilo meio estranho, afinal, um banheiro não é o melhor lugar para fabricar poções. Hermione seguia calada, com ar de mistério, e Deena achou melhor não interromper seus pensamentos. <br>
Chegando à porta do banheiro, Hermione virou-se para Deena e disse: <br>
- Deena, esse assunto é secreto. Nós confiamos em você porque Fred confia, ele nos garantiu que você saberá guardar segredo, certo? <br>
- Então tem mais gente nessa história, é? <br>
- Tem, eu, Rony, irmão do Fred e do Jorge, e o Harry Potter, não sei se você os conhece... <br>
- Não, só de vista. Tudo bem, não se preocupe. Desde que vocês não matem ninguém, nem me façam de vítima de alguma brincadeira cruel, eu não me importo. <br>
- Entre. <br>
O caldeirão estava sobre uma pia, enquanto, no box ao lado, uma garota fantasma se lamentava e chorava lugubremente. <br>
Deena observou a capa e o conteúdo do livro. <br>
- Pociones muy potentes, heim? Meu pai tem um desses. É um livro raro, sabiam? Não devia estar no banheiro... Qual receita vocês estão fazendo? <br>
- Esta aqui – indicou Rony, apontando para uma página amarelada e envelhecida. <br>
- Poção Polissuco. É uma poção complicada e demorada. Tá, eu ajudo, nunca fiz essa poção, vai ser interessante! Mas vejam bem, se vocês se meterem em encrencas por causa disso, não contem que eu ajudei! Eu negarei como uma acusada de homicídio, tá legal? <br>
- Não se preocupe. Nós não pretendemos fazer nada de (muito) errado com isso. Mas precisamos de ajuda aqui no finzinho. Onde vamos arrumar essa tal de serifólia? <br>
Deena saiu, carregando o pesado livro no meio de seu próprio material. <br>
*****
À noitinha, Deena foi até a sala do seu querido prof. Snape carregando a cópia do livro emprestado. Ela enfeitiçara a capa do livro para que parecesse a do seu pai. O professor estava sentado atrás de sua escrivaninha, com uma pilha de rolos de pergaminhos, quando Deena entrou. Silenciosamente, ela se aproximou da mesa, observando com atenção os movimentos dos olhos negros do professor. A uma distância de cerca de cinco passos da mesa, Deena quebrou o silêncio que reinava na sala: <br>
- Professor? <br>
Snape levantou os olhos devagar e encarou a jovem quartanista diante dele. <br>
- O que você está fazendo aqui, Knocks? <br>
- A porta estava aberta e eu entrei. – explicou-se Deena – Queria perguntar uma coisa para o Sr. sobre este livro que eu estava lendo... <br>
- Este livro não é um livro acessível aos alunos, Knocks. <br>
- Não, professor, este aqui é do meu pai. Ele não liga que eu veja esses livros, agora que estudo aqui em Hogwarts. Claro que eu não pretendo fazer nenhuma dessas poções, mas eu só queria saber como se pronuncia este nome aqui, e como é a aparência desses extratos aqui... <br>
Snape virou-se para ver o livro, e dirigiu-se para o outro lado da sala em busca dos extratos que a aluna queria ver. Enquanto isso, ela rapidamente apanhou um punhado de serifólia do frasco facilmente localizado graças ao perfeccionismo do professor, que guardava tudo em ordem alfabética. <br>
- Satisfeita? Posso voltar ao meu trabalho? <br>
“Estou muito longe de ficar satisfeita...” pensou Deena, mas concluiu a conversa com um “Muito obrigada, professor, desculpe o incômodo”, e saiu da sala. <br>
*****
No dia seguinte, durante o café da manhã, Deena aproximou-se da mesa da Grifinória para entregar um pequeno pacote enrolado à nova amiga: <br>
- Hermione, aqui está o que você me pediu ontem. Consegui uma porção muito pequena, não vai dar pra fazer muita coisa, tudo bem? Se você tiver alguma dúvida, pergunte. <br>
- Puxa, muito obrigada! Bem que o Fred disse que você era esperta! <br>
- Ele disse isso, é? – perguntou Deena envergonhada. <br>
- Disse sim – piscou Hermione, com um tiquinho de malícia no olhar. <br>
- Bom, não quero nem saber o que vocês vão fazer com isso aí – concluiu Deena, baixando a voz tanto quanto possível – mas saiba que eu enfeiticei o embrulho para que minha letra não seja reconhecida. <br>
- Tudo bem, – riu Hermione – pode confiar em nós. <br>
*****
O feriado natalino chegou, e nesse ano a imensa maioria dos alunos resolveu deixar Hogwarts por causa de misteriosos ataques ocorridos no castelo. Algumas pessoas estavam petrificadas na ala médica, e ninguém conseguia fazê-las voltar ao normal. <br>
Deena não estava preocupada. Não era trouxa nem mestiça, a última nascida trouxa na sua família fora sua avó materna. Não que isso fizesse diferença. Deena não se importava com a ascendência das pessoas, se vinham de família de bruxos ou não. Aliás, na América Latina isso nem era um assunto viável, uma vez que só nas grandes cidades como São Paulo e Cidade do México existiam famílias puras de bruxos. Na maioria dos países, os bruxos existiam em quantidade tão pequena, que a miscigenação com trouxas era praticamente obrigatória. <br>
Na véspera do natal, Deena procurou um elfo doméstico por toda a sala comunal de sua casa durante a noite, e ao encontrá-lo, perguntou quem entregava os presentes de natal aos alunos e professores. O elfo assustado respondeu que eram eles mesmos, os elfos, que tinham passe livre em todos os aposentos da escola. Então Deena passou um embrulho ao elfo, pedindo para entregar à pessoa cujo nome estava no pacote. O elfo concordou e sumiu, deixando a garota com um sorriso bobo nos lábios. <br>
*****
Na manhã seguinte, Severus Snape despertou sonolento e olhou em volta, com o pressentimento de que havia alguma coisa anormal em seu austero aposento particular. De fato, sobre sua mesinha de cabeceira havia um pacote que não estava ali na noite anterior. Ao ler o bilhete que acompanhava o colorido embrulho, o professor não pôde evitar um minúsculo, quase imperceptível, sorriso. Dizia: <br>
“Feliz Natal. E isso não é uma tentativa de suborno.” <br>
Sem nome. Como se fosse necessário. <br>
*****
Os ensaios com a banda tomaram quase todo o tempo livre de Deena durante o fim de seu terceiro ano em Hogwarts. Ela recebera um misterioso cartão de dia dos namorados em um evento organizado pelo panaca do Prof. Lockhart. O cartão dizia simplesmente “Pensei em você o dia todo, hoje.”, e ela demorou meses para descobrir quem havia mandado. <br>
No final do ano letivo, a irmã mais nova de Fred e Jorge se envolveu em alguma encrenca, e rumores diziam que ela havia sido salva de Lord Voldemort graças a Harry Potter. Fred confirmou a história, mas não quis dar detalhes. Ele e o irmão ficaram muito preocupados com a caçula Weasley, e Deena colocou-se à disposição para ajudar, se necessário. Mas tudo já estava bem, e os alunos se viram às voltas com uma incrível festa no meio da noite, para comemorar o final do ano letivo e a solução de todos os problemas. <br>
Cap 5: Quinto ano
Então, novamente vieram as férias. A viagem para a Argentina foi mais tediosa do que o normal. Seus pais faziam o possível para que Deena desfrutasse da estadia em terras portenhas, mas nada fazia com que ela esquecesse sua amada rotina escolar. Ela já sentia novamente falta da biblioteca cheia de estranhos volumes, dos corredores ressoando o riso e os passos dos alunos, e das aulas, ah, que saudades das aulas e de todas as descobertas interessantes que elas traziam continuamente. <br>
Marissa escrevera a Deena algumas vezes, mas ela estava viajando com seus pais pelo interior da Rússia, o que a deixava muito difícil de ser localizada. Suas amigas da banda também mantiveram contato. Laisa estava na Inglaterra mesmo, junto com sua família trouxa, e Latifah e seu irmão Ahmed haviam voltado para a Arábia Saudita, para também passar um tempo com a família. <br>
*****
Depois do que pareceu uma eternidade, setembro chegou e Deena se viu de volta ao imponente castelo. Tudo estava muito mais sombrio do que costumava ser. Logo na viagem de ida, uma horrível criatura entrou no trem, um dementador. Ele fez Deena e suas amigas que estavam no mesmo vagão sentirem calafrios. <br>
No discurso de boas vindas, o prof. Dumbledore alertou a todos sobre a presença desses dementadores durante o ano letivo. Eles estavam procurando por um prisioneiro fugido de Azkaban, Sirius Black. <br>
Mas nem tudo foi ruim. Deena ficou muito satisfeita ao rever seus grandes amigos Weasley, e também ao rever o professor Snape, de quem estava cheia de saudades. Dumbledore também apresentou o prof. Lupin, o novo professor de Defesa contra as Artes das Trevas. Ele pareceu ser muito simpático, e rapidamente mostrou saber do que estava falando, ao contrário de seu antecessor. <br>
Logo na primeira aula, Deena reencontrou Fred e Jorge. <br>
- Oi, rapazes! As férias fizeram bem a vocês, ambos parecem muito melhores do que no fim do período passado... <br>
- Oi, Deena! – exclamou Jorge, lisonjeado. – As férias foram mesmo boas, sabe... Mas não víamos a hora de voltar. <br>
Passando por ela rumo à sala de aula, Fred se inclinou e falou baixinho no ouvido da garota: <br>
- Pensei em você o dia todo, hoje...<br>
*****
- Oi, Deena, como foi de férias? <br>
- Marissa, que saudades! – Disse a garota, beijando a amiga que não via há meses – Minhas férias foram um tédio, mas adivinha? Acabei de descobrir quem me mandou aquele cartão no Dia dos Namorados! Foi o... <br>
- Me deixa adivinhar... Fred? <br>
Deena parou e olhou atônita para Marissa: <br>
- Como você sabia? <br>
- Ora, Deena, você pensa que eu sou burra, é? No primeiro momento que você me falou sobre esse cartão, eu tive certeza que o autor era ele. <br>
- Por quê? <br>
- Bom, ele sempre me pareceu gostar mais de você do que como amiga. Você nunca percebeu, não? <br>
- Não... Você sabe que meus olhos só vêem o... Bom, você sabe... <br>
- Snape? Ora, francamente... Só você para desperdiçar a adolescência inteira apaixonada por um professor que mal sabe que você existe. Ele não liga pra você e sinceramente, nem te merece – replicou Marissa, enquanto ambas andavam pelos corredores da escola a caminho do dormitório. – Por que você não investe no Fred? Você pode ter boas surpresas, que tal? <br>
- Ai, Marissa, não sei... Ele é tão meu amigo... Não queria arriscar estragar uma amizade tão legal com uma coisa que pode nem dar certo... <br>
- Olha, Dee, não estou dizendo pra você casar com ele. Dê uns beijos, passeie por Hogsmeade de mãos dadas, e se não der certo, passou, oras. O Jorge estava ficando com uma outra garota da Grifinória, parece-me que eles não estão mais juntos, mas continuam sendo amigos. <br>
- Hmmm, pode ser, pode ser. Preciso pensar um pouco nisso. <br>
- Então pensa rápido. Porque eles dois estão muuuuito gatinhos, se você não pegar logo, vai ter quem pegue, tenho certeza! – riu Marissa, vendo a cara espantada da amiga. <br>
*****
Algum tempo passou, sem surpresas no campo afetivo. Snape continuava ignorando solenemente a paixonite que Deena nutria por ele. Deena, por sua vez, começava a cansar de ser ignorada, enquanto Fred insistia na marcação. Nos últimos dias de aulas antes do recesso natalino, ambos se encontraram em um dos corredores externos. <br>
O frio havia chegado cedo esse ano. A neve cobria o vasto campo ao redor de Hogwarts, e até o salgueiro lutador parecia estar tremendo de frio. Deena caminhava rapidamente, ansiosa que estava em voltar para dentro do castelo, para o calor de seu dormitório. Fred estava parado no corredor, debruçado em uma janela, desfrutando do frio intenso e cortante, quando Deena passou por ele. <br>
- Ui, o que você está fazendo aqui, Fred? Nesse frio... <br>
- Estava pensando em você – falou o rapaz, sem rodeios. <br>
- Em mim? E por quê? – Perguntou Deena, fingindo inocência. <br>
- Nada de especial... Estava pensando em quando você vai parar de perseguir quem não se importa com você, e olhar um pouco para quem se importa. <br>
- E esse seria você? – perguntou Deena, zombeteira. <br>
- É incrível como eu nunca falo sério com ninguém, e quando eu falo, não acreditam em mim – disse Fred, aproximando-se. – Vem cá, vem... <br>
Fred puxou Deena pelo braço e enlaçou sua cintura. Ela pensou em resistir por um nanossegundo, mas antes de conseguir decidir o que fazer, Fred já estava beijando-a com uma vontade acalentada há tempos. Deena deixou-se beijar, aquele beijo aquecia seu corpo por dentro, era muito mais eficiente que a quantidade de luvas, roupas e cachecóis que a garota usava durante o inverno gelado. <br>
Ambos ficaram grudados pelo que pareceu ser uma eternidade. Ou poucos segundos. Então Deena e Fred se debruçaram na janela onde ele estivera, momentos antes, sozinho, e ficaram desfrutando a companhia um do outro, sem falar nada, para que as palavras não estragassem o conforto que ambos sentiam por estar juntos. <br>
*****
- Namorando? – perguntou Marissa, quando ambas estavam confortavelmente aquecidas em frente à lareira na sala da Corvinal. <br>
- É. Ele disse que gosta de mim há muito tempo, me conhece e sabe que é isso que ele quer. Além disso, ele disse que eu sou a única pessoa que diferencia ele do Jorge, e que isso só pode ser um sinal que fomos feitos um pro outro, hahahahaha. <br>
- É um fofo, esse Fred! Mas e o Snape? <br>
- Bom, Fred sabe da minha paixonite aguda. Ele não está iludido sobre o Snape. Mas eu realmente pensei bastante, e acho que eu preciso mesmo ocupar minha cabeça com outra pessoa para esquecê-lo. Poxa, o cara nem sabe que eu existo... Quer dizer, quando eu tinha 11 anos, é compreensível que ele me achasse uma criança, mas agora... Eu estou crescendo! <br>
- Olha, Dee, eu fico mais do que feliz em ver você avançando na vida, seguindo em frente. Deixa o Snape pra lá, o Fred é muito mais a sua cara. <br>
Mas a realidade não era assim tão simples. Fred era realmente um namorado de primeira, ele e Deena se divertiam e se davam muito bem. Entretanto, o professor de Poções não havia desaparecido; Snape continuava existindo, e a cada vez que Deena olhava para ele, não conseguia evitar um suspiro, e a cada vez que Snape olhava para ela, não dava para evitar o calafrio que aqueles olhos negros lhe causavam. <br>
O namoro prosseguiu durante o segundo período do quinto ano. Fred acompanhava Deena nos ensaios da banda, ambos estudavam juntos para as provas do N.O.M., que se aproximavam rapidamente. Às vezes, o namoro parecia uma relação a três, de tão próximo que estava Jorge. Às vezes, ainda, parecia um namoro a quatro, porque Marissa ou Laisa se juntavam ao trio. Deena sentia-se tão alegre que mal percebeu os comentários sobre a quase-prisão do perigoso Sirius Black... Com a chegada da primavera, o vento gelado que rodeava o castelo foi-se embora, e um sol cálido aquecia as tardes de sábado, encontrando freqüentemente Deena e seu grupo tocando violão pelo jardim, ensaiando as músicas da banda. <br>
Cap 6: Copa Mundial de Quadribol
Deena não queria ir à América Latina, não queria se afastar de Fred e de seus outros amigos de Hogwarts. A casa de seus pais era confortável, acolhedora, mas de alguma maneira parecia impessoal demais para a garota. Não havia lá nada que ela pudesse chamar de seu. Mas o Sr. Knocks sabia negociar; ele não era embaixador há tantos anos por nada... <br>
- Um ingresso para a Copa? Você promete, papai? <br>
- Claro, minha querida, – respondeu Shouto Knocks – se é isso que você quer por seu fantástico desempenho nos NOM... Só que eu nunca imaginei que você se interessasse por quadribol a esse ponto. Quero dizer, a Copa é um evento internacional, vai estar cheio de bruxos por lá, acampando, torcendo, gritando, sem nenhum livro por perto... <br>
- É, papai, eu sei. Mas eu quero ir. Eu AAAAAMO quadribol, sabia? Quem vai jogar, mesmo? <br>
- Bom, se você vai, eu também vou. Eu também estou cansado de reuniões e eventos de políticos trouxas que nem sabem o que eu estou fazendo entre eles. <br>
*****
A viagem de chave de portal foi uma experiência interessante para Deena. A chave estava em São Paulo, uma das maiores cidades da América Latina e a maior colônia bruxa da América do Sul. Era um livro dentro da Biblioteca Mário de Andrade. <br>
Quando Deena e o pai chegaram, já havia um bruxo jovem e sua irmã mais nova, e um casal de meia idade, aparentemente vivendo uma segunda lua-de-mel. <br>
- Saudações, embaixador! – exclamou o senhor de idade. <br>
- Ora, Oto, você pode me chamar de Shouto, que bobagem é essa? <br>
- Esta moça é a sua filha? Olá, menina, os anos em Hogwarts estão te fazendo bem, heim? A última vez que eu vi você, você tinha jeito de rapazinho e usava tranças, e eu e seu pai tínhamos um pouco mais de cobertura aqui em cima – falou o homem bem-humorado, apontando para sua própria careca brilhante. <br>
A bibliotecária se aproximou do grupo discretamente. <br>
- Sr. Embaixador? Só faltava o senhor. Agora vocês podem partir antes que chamem a atenção da bibliotecária desse andar. <br>
- Muito obrigado, Ariela. – respondeu o Sr. Knocks. E depois, voltando-se aos demais, disse – Vamos, então? Todos prontos? Um, dois, três! <br>
Todos os presentes, exceto a bibliotecária gorducha, seguraram o livro ao mesmo tempo e partiram. Uns momentos depois, todos estavam em um campo gramado, observando o deslocamento de diversos outros grupos de bruxos que também chegavam, via chaves de portais, de diversas partes do mundo. <br>
O grupo de Deena se dispersou, e o Sr. Knocks foi com ela procurar os funcionários do ministério para poder se acomodar de acordo. Deena não teve dificuldades para localizar as cabeças flamejantes dos Weasleys em meio à multidão. <br>
- Fred! Ei, Fred!! – gritou ela, dirigindo-se ao namorado que estava adiante, caminhando com um pequeno grupo. <br>
- Deena, o que você está fazendo aqui? – indagou o ruivo, enquanto o grupo seguia adiante. <br>
- Puxa, que acolhida emocionada... Pensei que você ficaria feliz em me ver, – murmurou Deena aborrecida – afinal, eu farei o sacrifício de assistir partidas de quadribol aqui nessa muvuca, só pra ficar com você. <br>
- Ei, queridinha, não é isso! – disse Fred, puxando a garota para perto de si. – Eu só fiquei surpreso, mais nada. Claro que estou feliz que você tenha vindo. Seu pai deixou? <br>
- Mais que isso. Ele me trouxe. Ali está ele. – Deena apontou para o Sr. Knocks, que se aproximava sorrindo. <br>
- Ah, Dee, já entendi seu súbito interesse em quadribol! – disse o Sr. Knocks, galhofeiro. <br>
- Papai, este aqui é o Fred Weasley. Ele estuda comigo em Hogwarts. <br>
- Prazer em conhecê-lo, Sr. Knocks – murmurou Fred, ligeiramente constrangido, afastando-se da namorada. Um pouco adiante, seus irmãos Jorge e Rony dobravam-se no meio de tanto rir, enquanto Harry, que sorria discretamente, Hermione e Gina faziam menção de se aproximar, mas ainda não tinham certeza. – Deena fala muito do senhor. <br>
- Ah fala, é? Sei... Seus pais estão por aqui? Creio que seu pai também é funcionário do ministério, certo? Eu conheci um Weasley, mas já faz tanto tempo... <br>
- Claro, meu pai está logo ali adiante. Ele é funcionário do ministério há muitos anos. Seu nome é Arthur. <br>
Nesse momento, Fred foi interrompido pela chegada de seu pai, que se juntou ao grupo animadamente. <br>
- Shouto, meu velho, há quanto tempo não nos vemos! <br>
- Então é você mesmo, Arthur! Que coincidência incrível. <br>
Os dois homens saíram conversando e rindo em direção a um outro grupo de funcionários do ministério que estava ali adiante, aparentemente esquecidos de seus filhos adolescentes. <br>
- Fred, Fred, por que você está vermelho assim? – zombou Jorge, aproximando-se do casal. <br>
- Ora, Jorge, deixe o Fred. Até que não foi tão ruim assim, vai? Meu pai é bem legal. <br>
- É, pode ser, mas mesmo assim... Venha, Dee, vamos lá pra barraca que eu vou mostrar mais umas “Gemialidades” que inventamos nas férias! <br>
*****
Mais tarde, todos juntos dirigiram-se ao estádio construído especialmente para o evento. Era um estádio imenso, com capacidade para cem mil pessoas, de acordo com o Sr. Weasley, e seus lugares eram no camarote do ministério, excelentes lugares de honra. <br>
O jogo da Irlanda e Bulgária foi excitante para o grupo todo. Os jovens vibraram com as apresentações dos times, o jogo foi intenso e empolgante. No final, com a vitória da Irlanda, os gêmeos ganharam uma aposta feita com Ludo Bagman e saíram satisfeitos com a possibilidade de mais investimentos em “Gemialidades”. <br>
Cap 7: Os Comensais da Morte
Deena e seu pai foram dormir em uma outra barraca, próxima à dos Weasley, onde haviam feito sua reserva. Infelizmente, nem tudo ficou perfeito. Com o cair da noite, um tumulto despertou o acampamento. Deena e seu pai saíram para ver a baderna generalizada que se espalhava entre a multidão. Por todos os lados, bruxos e bruxas de roupas de dormir deixavam suas tendas assustados. Mães preocupadas seguravam suas crianças, e Deena correu até a barraca de seus amigos para acordá-los. Porém, antes que pudesse entrar, ela topou com o Sr. Weasley, que caminhava para longe dali, seguido por todos os jovens. O Sr. Knocks se uniu ao grupo e em breve todos viram o porquê da confusão: um grupo de bruxos vestidos de negro se preocupava em maltratar algumas pessoas, que voavam sobre suas cabeças gritando e sendo chacoalhadas. <br>
A imagem das pessoas voando lá em cima calou fundo em Deena e impediu momentaneamente sua reação. A garota viu-se pasma e chocada no meio da massa de bruxos assustados que fugiam correndo, e foi tirada de seu devaneio indignado por Fred, que a puxou pelo braço. <br>
- Meu pai! Cadê meu pai, Fred? <br>
- Calma, Dee, nossos pais foram com o Gui, o Carlinhos e o Percy para junto do pessoal do ministério, ajudar a consertar as coisas. Vamos, eles pediram para não nos separarmos! Gina, cadê você?? – disse, pegando a mão da irmã mais nova. – Venha, vamos sair daqui! <br>
Deena, Fred, Jorge e Gina se afastaram da barraca, deixando para trás Rony, Harry e Hermione. Quando perceberam a ausência do trio, os gêmeos tentaram voltar, mas foram impedidos pela massa humana que seguia em outra direção. <br>
O grupo só parou quando alcançou a floresta. Deena estava indignada consigo mesma: <br>
- Por Merlin, como essa gente pode agir assim? E por que nós, bruxos, somos tão bananas e não fazemos nada? Olha quanta gente tem aqui em volta, éramos uns 20 mil nessa parte do acampamento. Tirando crianças e velhinhas, ainda teria uns 12 mil bruxos em condições de eliminar aquela meia-dúzia de imbecis. Por que corremos, Fred? <br>
- Ora, Deena, não diga bobagens. Qualquer ação mais repentina poderia derrubar aquela pobre família. <br>
- Sem essa, Jorge. Se 10 mil bruxos reunidos não conseguirem segurar uma família trouxa que está caindo, então é o fim do mundo... <br>
- Mas, Dee, o que nossos pais foram fazer é isso: tentar consertar esse estrago. <br>
- É, Gina, eles foram, mas, ainda assim, eram Comensais da Morte, os servos de Voldemort. Esses bruxos cruéis só se mostraram dessa forma porque tinham certeza de que não aconteceria nada com eles, entende? Até que alguém efetivamente fizesse algo, eles já estariam bem longe e em segurança. E por quê? Porque somos uns bananas. Nossa passividade é que permite que esses cretinos se instalem por aí fazendo o que bem entendem. <br>
- Certo, Dee, certo, agora vamos procurar o Rony e os demais. – falou Jorge, sem paciência de discutir com a amiga. <br>
- É, Jorge, eles sumiram na entrada da floresta. <br>
O grupo dirigiu-se então à borda da floresta, e assim que conseguiram ver o céu sobre suas cabeças, foram surpreendidos com a Marca Negra de lord Voldemort brilhando um pouco adiante. Assustados, os jovens decidiram voltar ao lugar onde estavam acampados, pois a maior aglomeração já havia se desfeito e os Comensais haviam sumido. <br>
Quando seus pais voltaram, trazendo consigo Harry, Rony e Hermione, o grupo recebeu as explicações pelas quais tanto ansiava e todos foram dormir. Após algumas horas de sono, o Sr. Weasley e o Sr. Shouto acordaram os jovens e todos partiram. <br>
Apesar de todo o protesto de Deena, o Sr. Shouto não permitiu que ela se hospedasse na Toca. Pai e filha ficaram, como combinado anteriormente, em um pequeno mas elegante hotel perto do Beco Diagonal, onde compraram os materiais para o próximo ano letivo e aguardaram uns dias até que Deena retornasse a Hogwarts. Dessa forma, o Sr. Shouto pôde comparecer ao Ministério para ajudar a estabilizar a situação após o desastre ocorrido na final da Copa. <br>
Cap 8: Sexto ano
O sexto ano de Deena em Hogwarts começou muito bem, com o anúncio do Torneio Tribruxo, que se realizaria naquela escola durante todo o ano, em lugar da tradicional e maçante Copa de Quadribol entre as casas. Hermione tomara como causa a situação vivida pelos elfos domésticos. Ela resolveu protestar abertamente, mas logo se tornou motivo de riso pelos demais estudantes. A garota tentou vender bottons do FALE, seu Fundo de Apoio à Libertação dos Elfos, mas a maioria das pessoas que comprou seu material o fez para que ela parasse de enchê-los. Deena ajudou com carinho sua amiga, pois assim como Hermione, ela também nunca se acostumara a tratar os elfos como escravos. Na verdade, nunca havia convivido com elfos antes, e embora essa realidade lhe parecesse meio distante, Deena ajudou com prazer. <br>
O novo professor de Defesa contra as Artes das Trevas, “Olho-Tonto” Moody, era quase uma unanimidade entre os alunos. Exceto para Deena e Marissa. Elas simplesmente não simpatizaram com ele desde o início. Deena sabia do interesse do prof. Snape pelas aulas de Defesa, mas não entendia por que Dumbledore contratava um professor diferente a cada ano, ao invés de deixar Snape lecionar logo essa disciplina. Marissa pensava que talvez Snape não gozasse de tanta confiança quanto Deena parecia acreditar, mas não era doida de comentar isso com a amiga apaixonada. <br>
Apaixonada sim. Apesar do namoro com Fred estar completando um ano, Deena não se sentia tão envolvida com ele quanto gostaria. Ela não conseguia esquecer seus sentimentos pelo professor de Poções, independentemente do esforço realizado por Fred para agradar a namorada. <br>
O namoro dos dois era bastante agradável e Deena amava Fred sinceramente. Mas não *daquele* jeito. Ela o amava como a um amigo muito especial, gostava de sua conversa e sua companhia. Admirava o incrível senso de humor dos gêmeos (que diferença do concorrente...), admirava também sua jovialidade e sua bela aparência. E ela ficava impressionada com as incansáveis tentativas de Fred em agradá-la e seduzi-la. <br>
Mas, ainda assim, Deena não conseguia parar de ver em Snape sua principal inspiração para compor. Snape era, na verdade, sua grande motivação para sair da cama de manhã. Era nele, e não em Fred, que Deena pensava antes de dormir, e com quem ela desejava sonhar todas as noites. E não havia o que Fred pudesse fazer para mudar essa situação, que ela mesma já não houvesse tentado. <br>
Outubro trouxe as delegações de Durmstrang e Beauxbatons que participariam do Torneio Tribruxo. Os jovens visitantes eram garotas e rapazes muito bonitos, inteligentes, a nata de ambas as escolas. Sua presença em Hogwarts animava a escola, mas não alterou a rotina habitual de Deena. Ela continuava estudando, freqüentando a biblioteca com Hermione e Marissa, ensaiando com a banda de Laisa e Latifah, sonhando acordada com o professor de poções... Fred e Jorge queriam a todo custo participar do Torneio, e quando souberam que não poderiam por causa da idade, envolveram Deena na busca por uma poção ou feitiço eficiente para enganar o Cálice de Fogo. Mas o resultado foi uma enorme barba branca no rosto de cada um dos gêmeos. <br>
Curiosamente, um dos nomes cuspidos pelo Cálice foi o de Harry Potter. Muitos alunos ficaram indignados, achando que Harry os havia enganado. <br>
- Harry, posso falar com você um minutinho? – disse Deena, dois dias depois do anúncio dos competidores do Torneio. <br>
- O que é, Deena? – perguntou o garoto, desanimado com as repetidas críticas. <br>
- Só queria te dizer que eu não acredito que você tenha colocado seu nome no Cálice. <br>
- Puxa, Dee, valeu. Mas por que você acredita em mim, se nem o Rony está acreditando? <br>
- Por um motivo muito simples: eu mesma tentei colocar o nome do Fred e tudo o que eu consegui foi um namorado barbudo. Com perdão pela arrogância, eu duvido que você tivesse sucesso onde eu falhei após ter pensado tanto. – ela disse e saiu, rindo da expressão atônita de Harry. <br>
Cap 9: Uma canção para Snape
Em uma fria tarde de novembro, Laisa entrou no dormitório aos pulos e se jogou no pescoço da amiga, gritando:
- Deena! Deena! Você nem vai acreditar!! Dumbledore me chamou na sala dele hoje, ele me tirou da aula para falar comigo.
- Nossa, Laisa, tá bom que você gosta do Dumbledore, mas assim já é demais – disse Marissa, que observava a cena sorrindo.
- Não, sua boba! Deixa eu terminar! Ele primeiro ficou um tempão falando sobre o Baile, a importância do Baile, as danças do Baile, uma chateação que por um momento eu achei que ele estivesse ficando gagá. E de repente, ele simplesmente vira e me diz que gostaria que nossa banda tocasse no Baile! A gente! Tocando no Baile! Pode isso?
- Ué, amiga, mas me disseram que As Esquisitonas iriam tocar no Baile... – Disse Deena intrigada.
- Pois é, mas nós vamos abrir para eles. Vamos tocar só 4 ou 5 músicas, mas já é alguma coisa, você não acha?
- Eu, Laisa? Eu acho fantástico! Mas será que não é um passo maior que nossa perna, não? Afinal, nós nunca tocamos de verdade.
- AAAARGH, Deena, às vezes é tão difícil falar com você. Venha, vamos procurar a Latifah e o Ahmed pra ver o que eles pensam disso.
A banda se reuniu muitas vezes durante o semestre para decidir quais músicas tocariam e para ensaiar e repassar o show minuto a minuto. Essas reuniões foram divertidas no início, mas começaram a ficar desgastantes conforme o baile se aproximava. Fred e Jorge não agüentavam mais ir aos ensaios e Marissa também dava sinais de desistência.
*****
No dia do baile, Jorge e Marissa foram como um par, enquanto Fred foi sozinho para encontrar Deena durante o show das Esquisitonas. Na porta do camarim, o rapaz chamou Deena e lhe deu um beijo de boa sorte. Ela estava muito nervosa, mas parecia linda com um vestido preto de um tecido mágico que imitava minúsculas estrelas que piscavam e se moviam, dando a impressão de ser algo diferente a cada vez que se olhasse. Seu longo cabelo castanho estava solto, e ela tentava decidir se usaria sapato de salto, sapatilha, ou se entraria descalça mesmo no palco.
Então houve a valsa e logo era a vez deles.
Tudo transcorreu bem durante a primeira e a segunda música. O público, que no início gritava pelas Esquisitonas, rendeu-se ao ritmo da percussão furiosa de Ahmed, ao talento das duas guitarristas e do baixista, e à voz empolgante de Deena. A terceira música realmente levantou o povo, mas a catarse ocorreu na última música, quando ao som dos primeiros acordes da guitarra de Laisa, Deena, em uma súbita inspiração, revelou ao microfone:
- Professor Snape, esta música eu fiz para você! – e cantou...
Your cruel device
(Seu plano cruel)
Your blood, like ice
(Seu sangue, como gelo)
One look could kill
(Um olhar pode matar)
My pain, your thrill
(Minha dor, sua excitação)
I want to love you but I better not touch
(Eu quero te amar, mas é melhor não tocar)
I want to hold you but my senses tell me to stop
(Eu quero te abraçar, mas meus sentidos me mandam parar)
I want to kiss you but I want it too much
(Eu quero te beijar mas eu quero demais)
I want to taste you but your lips are venomous poison
(Eu quero te provar, mas seus lábios são venenosos)
You're poison running through my veins
(Você é veneno correndo em minhas veias)
You're poison, I don't want to break these chains
(Você é veneno, e eu não quero quebrar essa corrente)
Your mouth, so hot
(Sua boca, tão quente)
Your web, I'm caught
(Sua teia, eu estou pego)
Your skin, so wet
(Sua pele, tão molhada)
Black lace on sweat
(Laço negro sobre o sour)
I hear you calling and it's needles and pins
(Eu ouço seu chamado e é como agulhas e alfinetes)
I want to hurt you just to hear you screaming my name
(Quero te ferir só para ouvir você gritar meu nome)
Don't want to touch you but you're under my skin
(Não quero te tocar mas você está sob minha pele)
I want to kiss you but your lips are venomous poison
(Quero te beijar mas seus lábios são venenosos)
You're poison running through my veins
(Você é veneno correndo em minhas veias)
You're poison, I don't wanna break these chains
(Você é veneno, eu não quero quebrar essa corrente)
Run deep inside my veins
(Correndo profundamente em minhas veias)
Its burning deep inside my veins
(Está queimando profundamente em minhas veias)
One look could kill
(Um olhar pode matar)
My pain, your thrill
(Minha dor, sua excitação)
I want to love you but I better not touch
(Eu quero te amar, mas é melhor não tocar)
I want to hold you but my senses tell me to stop
(Eu quero te abraçar, mas meus sentidos me mandam parar)
I want to kiss you but I want it too much
(Eu quero te beijar mas eu quero demais)
I want to taste you but your lips are venomous poison
(Eu quero te provar, mas seus lábios são venenosos)
You're poison running through my veins
(Você é veneno correndo em minhas veias)
You're poison, I don't wanna break these chains
(Você é veneno, eu não quero quebrar essa corrente)
Poison
(Veneno)
Nas últimas repetições do refrão, tomada pelo ritmo e energia da música, a platéia toda cantava junto com Deena, em uníssono, batendo no antebraço cada vez que gritava “Poison”. Extasiada pelo frenesi, Deena agradeceu e a banda saiu do palco, ouvindo os pedidos de “mais um!” da platéia. No camarote, o guitarrista das Esquisitonas veio cumprimentar Laisa e Deena, dizendo que a banda parecia profissional e, se continuassem tocando depois de Hogwarts, eles poderiam fazer mais shows juntos.
Tudo parecia perfeito, exceto pela ausência de Fred. Eles haviam combinado que o rapaz viria até o camarim no final do show, mas ele não apareceu. Ligeiramente aborrecida, mas sem suspeitar que houvesse algo errado, Deena tomou uma cerveja amanteigada gelada que estava sobre a mesa e saiu em busca do namorado.
Deena rodou o salão inteiro desviando dos cumprimentos entusiasmados dos colegas enquanto procurava por Fred, mas não encontrou o rapaz em canto algum. Então ela viu Rony, seu irmão mais novo, sentado junto com Harry e uma garota indiana que parecia entediada. Deena aproximou-se do desanimado grupo e perguntou:
- Ei, rapazes, vocês viram o Fred?
- Claro. – Respondeu Rony – Ele está lá fora. E está super aborrecido com você...
- Falando em aborrecimento, Rony, você também não me parece feliz.
- Fala sério, Deena, olha essa roupa que minha mãe me deu! E olha o Harry como está elegante!
- Não pensei que você fosse vaidoso a ponto de se aborrecer tanto com isso.
- E não é, - falou a garota indiana – ele está assim por causa da Granger.
- Fica quieta, Patil, ninguém te perguntou nada. – Disse Rony, agressivo.
Deena achou melhor sair dali e procurar Fred. Por que ele estaria chateado? Ele sabia que ela passaria parte do baile tocando, mas agora eles poderiam dançar. Deena saiu para a noite gelada e felizmente não precisou andar muito. Fred estava encostado em um muro, parecendo não se dar conta dos flocos de neve que se acumulavam suavemente sobre seus cabelos ruivos.
Deena se aproximou sorridente e disse:
- Não vai me dar os parabéns? O show foi um sucesso!
- Parabéns... – respondeu Fred, desanimado.
- O que é isso, Fred? Esses foram os parabéns mais frouxos que eu já ouvi...
- Deena, você tá brincando comigo, é? – Fred levantou a cabeça e olhou Deena nos olhos. Ele estava furioso, Deena nunca o vira assim antes. – Como você dedica AO SNAPE uma música como aquela? “I want to love you”? “I want to kiss you”? De onde saiu isso? Eu nunca ouvi essa música antes!
- Você já ouviu o arranjo. Eu estava trabalhando na letra, só ficou pronta semana passada. – Deena se arrependeu no instante em que a frase saiu de sua boca.
- Ah, semana passada. Legal. Então esse tempo todo que a gente está junto é nele que você pensa, é ele que você quer abraçar e beijar. Francamente, Deena, eu sabia que você não me quer tanto quanto eu te quero, mas assim já é demais.
- Fred, eu...
- Olha, Deena, me deixa, tá? Nada que você disser agora vai diminuir a raiva que eu estou sentindo. Você estragou o baile, a minha noite, e ainda me humilhou e me expôs na frente de todo mundo daqui. Me esquece, tá legal? – Dizendo isso, Fred virou as costas e partiu para o castelo. Deena cogitou a hipótese de ir atrás dele, mas, atônita, não conseguiu. Ele estava certo. Ela havia feito algo horrível e não poderia simplesmente sair correndo atrás dele para tentar consertar. Isso não ajudaria nada.
Voltando para o salão do baile, Deena encontrou Hermione sozinha perto da porta. Ela também parecia um pouco triste, mas mesmo assim notou as lágrimas que haviam escorrido pelo rosto de Deena.
- O que aconteceu, Dee?
- Adivinha, Mione... Garotos, quem pode com eles? O Fred acabou de terminar o namoro comigo.
- Por causa do Snape, é?
- É. Eu pisei na bola, não foi? – perguntou Deena, desolada.
- Foi, amiga. Mas se isso te consola, parece-me que o baile não está sendo bom para um monte de gente.
- Não, isso não me consola nada...




