10.1 Os Traidores
Miller não dormiu a noite inteira preocupado com o livro, “E se Louis resolve-se ler sozinho e descobri-se como Salazar virou fênix? Se é que Salazar realmente virou fênix...” pensava Miller. Assim que amanheceu o dia, se vestiu sem fazer barulho, pegou o livro e saiu do Castelo, indo para margens do Lago. Sabia que Mini o procuraria lá, e ficou pensando: “Se disser ao senhor Potter sobre o livro, ele não permitiria mais ler o livro, e portanto não saberia se Salazar é culpado ou não pela Câmera Secreta. Ou seja, teria que escolher entre trair o Potter, lendo o livro, ou seu amigos, entregando o livro ao Potter.”
Enquanto pensava, Miller resolveu se esconder atrás de um arbusto para esperar por Mini, pois queria falar somente com ela. Ao tocar uma árvore, teve uma vertigem, e de repente, as coisas a sua volta começaram a rodar. Devia está muito tonto, pois a velocidade foi aumentando e sentiu-se como se tivesse sendo puxado pelo umbigo e já estava bem zonzo quando começou a cair numa sala branca, coberta por uma névoa. Caiu no chão, mas foi um pouso suave, como se a névoa ao seu redor tivesse amortecido a queda. Percebeu que estava sem roupa, completamente nu, mas que também estava sozinho em uma silenciosa sala. Ao olhar ao redor, as paredes pareciam se criar ao seu redor. Olhou para o teto e viu o sol reluzindo através de um teto de vidro transparente, parecia estar em um palácio. De repente notou que havia um banquinho branco no centro do palácio e que sobre ele estava o Chapéu Seletor. No mesmo estante sentiu vergonha de sua nudez e roupas apareceram em sua frente instantaneamente. Ele pegou as roupas brancas, limpas e macias, e as vestiu. Miller se aproximou do Chapéu Seletor e notou que ele estava mais limpo e novo do que de costume, como ele esperaria que fosse um artefato mágico tão importante em Hogwarts. O Chapéu falou:
- Dúvidas meu jovem?
- Onde estamos Chapéu Seletor?
- Onde você acha que está?
Miller fez uma cara feia para o Chapéu, será que ele nunca responde uma questão objetiva com uma resposta igualmente objetiva? Pensou se não era um sonho, mas ao se beliscar constatou que não se tratava de sonho.
- Eu sou médium, então estou numa espécie de experiência mediúnica?
- A questão não é onde você está, mas porque você está aqui?
Miller se aproximou mais do Chapéu, com uma enorme interrogação em seu semblante e perguntou.
- Sua primeira pergunta foi se eu estava com dúvidas? - Miller viu que a abertura que era o equivalente a boca do Chapéu se curvou em um sorriso e supos que isso devia ser um sim. - Estamos progredindo, eu acho!... Então, aqui é um lugar para se tirar dúvidas?... - O Chapéu continuava com uma expressão de sorriso. - Um Oráculo?
- Eu sempre tive dúvidas em qual casa o classificaria...
- Não está achando agora que sou um Corvinal, está?... - O Chapéu não se moveu e Miller completou. - Porque não sou, eu sou um sonserino, um maldito sonserino que vai trair o melhor bruxo que existe!... Me diga Chapéu, quem eu devo trair: meu amigos ou Harry Potter?
- Isso é uma pergunta que somente você tem a resposta.
- Sempre li que oráculos servem para orientar as pessoas quanto ao seu destino? - retrucou Miller.
- Você sabe qual é o seu destino? - perguntou o Chapéu.
- Libertar os sonserinos das sombras de Voldemort, livrar todos os jovens dessa culpa! - afirmou Miller, mostrando que realmente queria alcançar esse objetivo mais que tudo na vida. - O que pode acontecer ao Louis se continuarmos lendo o livro?
- Desconheço o que está no livro. - disse o Chapéu – Mas sei o que está em sua mente.
- Então? - implorou Miller como olhar.
- Acho que tem mais de um objetivo em sua mente e você deve escolher quais são suas prioridades.
- Bruxos... - pensou um pouco mais e perguntou. - O bruxo mais poderoso do mundo poderia se transformar em fênix?
- Uma pergunta complexa... - disse o Chapéu. - Mas é contra as leis mágica, a transfiguração humana em animais mágicos. Portanto, bruxos não podem se transformar em fênix, independente de seu poder.
- Acho que já tomei minha decisão. - disse Miller.
No mesmo instante, Miller começou a ver que o palácio ao seu redor estava rodando e sentiu que estava sendo puxado pelo umbigo novamente, viu as margens do Lago e começou a cair e dessa vez doe-o muito, e arranhou a testa que bateu em uma pedra. Não queria mover nenhum músculo, mas ouviu a voz de Dominique o chamando.
Minutos antes...
Louis acordou e não viu Miller, olhou para debaixo de sua cama e não viu o livro. Correu para o banheiro, trocou de roupa e foi atrás de sua irmã. Ele chamava por ela no corredor do dormitório dos sangues ruins e depois de muita confusão ela apareceu.
- Miller sumiu com o livro! - disse puxando ela para fora do dormitório. Na sala comunal ele disse a última memória que haviam visto, o que Miller fez e que ele sumiu com o livro.
- Calma Louis, Miller não vai conseguir ler o livro sem você. - disse Mini assustada. - Eu sei onde ele pode está, deixa comigo.
- Eu vou com você! - disse Louis.
- Não Louis, eu vou sozinha! - ordenou Mini. - Não ouse me seguir!
Mini despistou Louis antes de sair do Castelo e ir na direção do Lago. Ao chegar lá, chamou por Miller, que deveria está escondido e ele apareceu.
- Ainda bem que você vei sozinha. - sussurrou Miller que chegou bem perto de Mini. - Eu preciso te contar o que seu tio Potter me disse.
- O que foi isso na sua testa? - perguntou Mini preocupada.
- Nada demais. - disse enquanto ela colocava um lenço para estancar o sangue.
- Você está com o livro? - perguntou Mini.
- Sim, Mini me escute. - disse Miller interrompendo Mini. - Seu tio Potter me pediu segredo, disse que não devia te contar. Mas acho que essa é a única forma de continuarmos lendo o livro.
- Miller, só o Louis pode ler o livro, me devolva.
- Claro! É esse o seu problema, segure-o. - disse Miller irônico, levitando o livro que estava escondido num arbusto para Mini. - Eu só quero que você me escute antes de dá o livro ao Louis.
- Tudo bem! - consentiu Mini desconfiada.
- O Sr. Potter me disse que as sacerdotisas veela temem que Louis se transforme em fênix.
- Porque?
- Não me pergunte porque Mini, pois eu não entendi ainda porque o seu tio queria lhe esconder isso.
- Deve ter alguma coisa a ver com a profecia que ele não quer que eu saiba. - concluiu Mini.
- Então, eu e Louis descobrimos ontem que Salazar ambicionou se transforma em fênix, eu tenho medo que Louis acabe descobrindo como fazer isso através do livro.
- Devemos contar ao tio Harry?
- E não saber a verdade sobre Salazar? - questionou Miller. - Poderíamos consultar só mais duas palavras: profecia e câmera secreta.
- Porque profecia?
- Não será a profecia do Louis, mas sim a que Salazar registrou no Centro de Magia Celta.
- Que profecia é essa?
- “O fim da humanidade se aproxima e ocorrerá quando os seres Não-Mágicos descobrirem a existência e supremacia dos seres Mágicos.” - disse Miller. - Ela recebeu o mair grau de importância de sua época. Foi tema de uma aliança entre vários países, para ocultar a magia dos trouxas. Todos os países fazem isso hoje por conta dele.
- E o que essa profecia tem a ver com a gente?
- Mini, foi por isso que Salazar queria que Hogwarts fosse uma escola só para bruxos puro sangue. Uma forma de evitar que os pais dos nascidos trouxas revelasse a nossa existência. Naquela época, ninguém se preocupava em esconder a magia dos trouxas.
- Miller, eu acho perigoso ver as memórias de profecia de Salazar.
- Então vamos entregar o livro ao seu tio, e fim dos nossos planos.
Mini abraçou Miller e ele percebeu o quão nervosa ela estava, pois tremia involuntariamente. Mini pensou, se não entregasse o livro ao seu tio, estaria traindo a promessa que fez a ele. Mas era o único jeito de resolver o problema da Sonserina.
- Só essas duas palavras e entregamos o livro ao meu tio. - afirmou Mini.
Mini foi para o refeitório e viu que todos olhavam para Louis ou para o jornal e havia muitos comentários sobre o dia da tempestade. Chegou onde estava Louis com o livro na sua bolsa mágica.
- Louis, o livro está comigo. - Louis a olhou e Mini completou. - E vai permanecer comigo.
- O que deu em vocês dois? - Louis perguntou irritado.
- Esse livro é perigoso, pois Salazar deve ter feito muita coisa perigosa, nós vamos fazer só mais duas buscas.
- Quais?
- Profecia e Câmara Secreta. - Louis olhou surpreso para Mini que continuou. - E entregaremos o livro ao Chapéu Seletor ou ao Tio Harry. Você promete?
- Vocês não confiam em mim? - perguntou Louis.
- Louis, eu preciso que você confie em mim. - disse Mini. - O livro é perigoso!
- Mas você não confia em mim! - retrucou Louis.
- Eu deixo o livro com você como prova de minha confiança se você me prometer que só veremos as memórias relativas as palavras Profecia e Câmera Secreta.
- Tudo bem, então, eu prometo! - disse Louis e Mini entregou-lhe o livro.
Enquanto Mini e Louis brigavam, os outros assistiam sem entender o que se passava. Barth tentou argumentar, mas Miller o impediu. O clima estava muito tenso, e alheia a isso tudo, Padmé chegou querendo falar com Louis.
- Eu voltei lá Louis, no sétimo andar, não tinha banheiro nenhum lá! - dizia Padmé meio nervosa. - Foi um sonho, ou nós realmente fomos num banheiro ontem a noite?
- Nós estávamos no da Murta, esqueceu? - disse Miller irritado por ela está interrompendo uma conversa mais séria.
- Não é do banheiro da Murta que estamos nos referindo. - interrompeu Louis em defesa de Padmé. - Ontem entramos num misterioso banheiro no sétimo andar.
- Onde fica? - perguntou Mini.
- Padmé, você entrou a direita depois da escada, e depois a direita de novo? O banheiro deveria está ali, do lado direito. - disse Louis.
- Isso mesmo, a direita depois da escada, depois a direita de novo, e o banheiro deveria está a direita, mas não está! - retrucou Padmé.
- Vocês devem está confundidos, afinal, ontem não foi fácil... - falou Barth.
- Eu acho que Hogwarts deve ter um banheiro mágico para pessoas que estão muito apertadas. - disse Padmé rindo de si mesma novamente. - Eu vou passar o dia sem ir ao banheiro, só vou se for um que aparecer magicamente.
- Esquece, é só um banheiro. - disse Louis, e Padmé sorriu e parecia mais tranquila, então foi para mesa da Corvinal.
- Banheiro secreto? - brincou Barth. - Imagino o que, o veela, andou fazendo por aí com a bela Padmé... - disse Barth e todos começaram a implicar com Louis, que ficou todo envergonhado.
- Mini, você já viu o jornal, os auditores do Ministério virão amanhã. - disse Louis querendo mudar de assunto.
- Papai nem está na mesa dos professores. - observou Mini.
- Não se preocupe Louis, vamos está todos juntos. - disse Miller.
- Não confio mais em você Miller. - desprezou Louis.
- O que? Depois de tudo que eu fiz, você vai me julgar apenas porque estou com medo do que todos podemos descobrir através daquele livro? - Louis olhou sério para Miller, que continuou. - O Chapéu Seletor confiou o livro a mim, e para resolver um problema e não para revelar segredos de Salazar deliberadamente.
- Você só quer mandar em todo mundo, nos controlar. - acusou Louis. - Quer saber, eu é quem devia ser o líder, ontem eu levei todos para suas casas em segurança... O plano foi meu!
- Eu não quero controlar ninguém, você é que mudou depois que virou amiguinho da Padmé! - disse Miller.
- Padmé não tem nada a ver com isso! - gritou Louis.
- Já chega! - gritou Mini e em um tom mais baixo, completou. - Louis, realmente, o Chapéu Seletor confiou o livro ao Miller, o livro deve ficar com ele. - Louis entregou o livro a Miller com raiva e Mini continuou. - Miller será o guardião do livro, você, Louis, é o único que pode lê-lo e eu serei a líder.
Miller e Louis olhavam desafiadoramente um para o outro. Malfoy e Megan levaram Louis para as aulas, evitando que a confusão continuasse. Eles teriam aula de Trato de Criaturas Mágicas com o professor Hagrid, junto com a turma da lufa-lufa. Ao chegarem nos terrenos de Hogwarts, o professor levou todos para um criadouro de vermes. Eles aprenderiam como cuidar e para que serve esses animais horrendos. Depois de uma manhã cuidando de vermes, muitos não estavam tão dispostos a ir para o refeitório, o banheiro foi mais concorrido. A tarde tiveram aula de feitiços, com o professor Flitwick. A aula foi prática e Louis aprendeu a levitar penas usando a varinha, pois já sabia fazer isso sem ela. Foram para o refeitório famintos e receberam um convite em nome de Rose, para estarem no sétimo andar, no corredor que dá acesso a Corvinal. Todos foram, os sonserinos estavam muito desconfiados, mas era uma forma de se encontrarem e irem para o banheiro da Murta novamente. Ao poucos foram se agrupando no corredor que dá acessoa Corvinal, chamando a atenção de corvinais e grifinórios que passavam por ali. Rose chegou de repente, junto com Larcon e Padmé.
- Já chegou todos? - perguntou Padmé com um sorriso nos lábios indo na direção da Corvinal e depois voltou.
- O que deu em você Padmé, pirou? - perguntou James por não compreender o comportamento dela que agora passará por eles indo em direção ao corredor que dá acesso as escadas.
- Calma James, já vou explicar! - disse Padmé que não se aguentava de alegria indo para o outro lado, na direção da Corvinal novamente. Quando ela voltou uma porta começou a se formar e todos ficaram surpresos.
- Bem Vindos a Sala Precisa! - disse Padmé e todos entraram.
A sala era enorme, bem iluminada, com um pequeno anfiteatro (arena circular rodeada de degraus) no centro. Todos entraram maravilhados e se sentando nos degrais. Os que não entenderam estavam ouvindo explicações de Padmé, Rose e Larcon.
- Aqui poderá ser a sede da Aliança das Casas. - disse Larcon.
- Será que nossos pais sabem desse lugar? - perguntou James.
- Acho que sim. - disse Rose, - papai uma vez comentou que “em Hogwarts tinha até salas que se transformam no que precisamos”... Acho que ele me deu uma dica... Lembro que a mamãe brigou com ele por está me contando mais do que devia. Quando a Padmé me contou do banheiro, me lembrei.
- Então era aqui que a Armada de Dumbledore se reunia. - disse James. - Mas porque eles não nos contou.
- Porque a graça é descobrirmos por nós mesmo. - disse Albus. - Não é?
- Que tal voltarmos para o livro. - disse Lysander. - Eu não entendi se Salazar virou lobisomem ou se ele cuidou de um?
- Ele cuidou de um. - respondeu Molly. - O velho que ele teve o sonho sendo atacado, realmente foi atacado, então Salazar é algum tipo de profeta.
- Salazar Slytherin registrou uma profecia no extinto Centro de Magia Celta, só médium pode fazer isso. Logo, ele é médium e profeta. - explicou Miller.
- Que profecia? - perguntaram alguns.
- “O fim da humanidade se aproxima e ocorrerá quando os seres Não-Mágicos descobrirem a existência e supremacia dos seres Mágicos.” - disse Miller. - Talvez, a razão para o preconceito de Salazar Slytherin para com os trouxas.
- Devemos usar o livro com cautela. - alertou Mini. - Pois não podemos descobrir mais que o necessário para entrar com um processo contra Salazar.
- Mas e se ele não for culpado? - perguntou Pearson. - Ele não me pareceu tão ruim assim.
- Isso é o que veremos. - disse Mini. - Temos que escolher palavras que nos dê apenas as memórias que precisamos saber.
- Acredito que Profecia e Câmera Secreta são suficientes. - disse Miller.
- Há, mas eu quero saber quem era a tal Lindie? - disse Molly e Leia concordou.
- Eu também quero saber quem é o velho lobisomem. - disse James e os grifinórios concordaram.
- Até que memórias vocês viram ontem? - Miller perguntou a James.
- Até a memória em que o velho vê o livro mágico de Salazar. - respondeu James.
- Nós vimos ele fazendo anotações no livro na memória seguinte, ele tava muito obcecado em fazer anotações. - disse Pearson. - Alguém leu o que ele escreveu?
Todos balançaram a cabeça negativamente e Miller ficou aliviado.
- Vamos a mais diversão... - disse Mini querendo disfarçar. - Eu e Louis ficamos fora da penseira e o resto entra, afinal, estamos seguros aqui.
- Já disse que prefiro ficar do lado de fora, por segurança. - disse Padmé de nariz empinado.
- Eu também vou ficar do lado de fora. - disse Miller. - Será do mesmo jeito.
- Afinal, quem é o líder? Vocês não se decidem? - perguntou irritado James.
- Eu acho que em uma Aliança, não existe um líder, mais sim, uma comissão formada pelos líderes de cada grupo que se une na aliança. - explicou Padmé e Mini a olhou com muita raiva. - No caso, eu represento a Lufa-Lufa.
- Eu represento a Grifinória. - disse James sem consultar Albus e Lysander.
- Eu represento a Corvinal. - disse Molly, depois de combinar com Rose e Larcon.
- Eu representarei a Sonserina. - disse Mini sem consultar ninguém.
- Quem disse que nós escolhemos você Weasley? - perguntou Barth.
- Barth, pensei que tínhamos decidido isso hoje de manhã? - perguntou Miller e Barth se calou.
- Eu serei o representante das Vassouras. - disse Louis.
- Agora você quer ser uma vassoura, não é? - perguntou Miller e a briga iria continuar se Mini não tivesse interferido.
- Vassouras não é uma casa de Hogwarts, vocês são sonserinos e eu sou a representante. - persistiu Mini. - Já entramos num acordo, esqueceram?
E um silêncio se fez.
- Porque vocês não fazem uma simples votação? - sugeriu Padmé rindo.
- Fique na sua! - Mini disse com muita raiva.
O Clima estava pesado, os grifinórios estavam rindo, os corvinas e lufos estavam criticando os sonserinos. Mas em fim, Miller deu o livro a Louis que começou a lançar os feitiços.
- “Eu sou Salazar Slytherin!”... Paraboclavis “Profecia!”... - disse Louis e as páginas do livro começaram a passar rapidamente, até abrir em páginas em branco. - “Revele-me!”
10.2 A profecia
Eles virão o Salazar, com a idade que saiu da casa do lorde Scipio, se contorcendo no que parecia ser um pesadelo e de repente entraram nas memórias de seu pesadelo. Havia uma jovem loira e de olhos azuis. Era muito bonita, mas vestia um longo vestido sujo e cheio de remendos. Estava sendo arrastada por alguns camponeses e foi amarrada em cima de uma fogueira, onde morreu queimada. Salazar acordou assustado.
A próxima memória todos já tinham visto, quando Salazar tem um pesadelo e acorda assustado e anota em seu livro mágico um ataque de lobisomem. Mas desta vez, todos entraram no sonho e viram o velho Maden sendo atacado por um lobisomem faminto.
Agora, Salazar estava um pouco mais velho, de barba feita e cabelos bem cuidados. Vestia uma longa capa de seda de um verde muito escuro, que mais parecia preto e conversava com um senhor de barba e cabelos longos e brancos. Estavam numa construção de pedra que parecia ser um templo a céu aberto.
- Dois sonhos que se concretizaram são indícios de mediunidade, mas precisamos de provas, de que o senhor realmente possui vidência... Outros sonhos virão e assim que tiver um sonho premunitivo me escreva... E a cima de tudo, não o revele a ninguém, principalmente as partes envolvidas...
- Bardo, eu sei que terei que jurar sigilo até a comprovação... - comentou Salazar.
- O senhor tem muitos talentos meu jovem, - disse o Bardo se afastando. - Seu maior defeito é a ambição...
(Nota: Bardo para um trouxa é um poeta medieval, mas para os bruxos Celta (druidas), não era só um poeta, mas também uma especie de professor, que se encarregava de passar os costumes e conhecimentos verbalmente, muitas vezes através de poemas. Lembrando que o povo Celta acreditava que a transmissão do conhecimento deveria ser verbal, e que escrevê-los em papel os enfraquecia. Salazar almejava se transformar em Bardo e futuramente, exercer o cargo de Merlin. O Merlin retratado por J. K. Rowling é provavelmente, o Merlin mais famoso, o da história do Rei Arthur, que se tornou mais conhecido que o própio "Cargo de Merlin", o maior cargo que um sábio druida poderia chegar. Por isso, quando se fala em Merlin em Harry Potter, está se falando do Merlin das fábulas do Rei Arthur. Mas isso não quer dizer que não existiu outros Merlins ou que o Merlin das fábulas do Rei Arthur tenha sido somente um único mago.)
A próxima memória foi numa luxuosa sala de jantar de arquitetura muito antiga. Havia muitos bruxos, mas alguns deles pareciam familiar. Na ponta da mesa sentava-se o provável dono da casa, e ele era um senhor alto e magro, muito pálido e de expressões severas. Os sonserinos identificarão logo que se tratava do Barão Sangrento. Ao seu lado direito, sentava-se um bela senhora e ao lado desta, uma jovem que parecia ser sua filha, elas eram loiras e tinham olhos bem claros em tom azul. Molly falou alto enquanto apontava para a mais jovem, “é a Helena, o fantasma da Corvinal”. Rose disse então: “Essa deve ser a Rawena Ravenclaw!”. Leia disse: “Os dois ao lado da Helena são Helga Hufflepuff e Frei Gorducho, que louco!”. Ao lado esquerdo do Barão, sentava-se Salazar, seguido por um homem que usava um chapéu vermelho que todos reconheceram logo e apontaram: “Godric Gryffindor!”. E ao lado de Godric sentava-se um jovem que poderia ser o Nike quase-sem-cabeça, fantasma da Grifinória. Eles discutiam bem informalmente onde construiriam a escola? Precisavam de um lugar...
- Sra. Ravenclaw, acredito que uma caça a um tesouro resolveria os problemas financeiros. - brincou o jovem Nike.
- Precisamos de um bom lugar, isso é o suficiente para começarmos. - disse a meiga Helga.
- Já disse que tenho o mapa para a terra encantada Celta. - comentou o Frei. - Dizem que é um lugar mágico.
- Uma aventura, é disso que eu preciso. - brincou Godric.
- Se os senhores e senhoras... - Salazar deu um sorriso para Rawena e continuou. - Estão realmente empenhados em construir uma escola séria, terei um prazer inestimável de fazer parte desse projeto... Mas sejamos adultos... - disse Salazar olhando para o Frei. - Precisamos adquirir uma propriedade e ter algum tipo de financiamento, talvez pedir apoio ao templo druida...
- Eles nos ignoram, - a expressão de meiguice sumiu da Sra. Hufflepuff. - Acham que os ensinamentos devem ser passado somente de pai para filho, e se esquecem que nem todos tem pais bruxos que os ensine!
- Mesmo que tenham, pode ser uns trasgos como os meus! - completou Salazar.
Nesse ponto, os sonserinos estamparão um sorriso de esperança no rosto, pois Salazar não discordou do comentário de Helga a favor dos nascidos trouxas. Os Sonserinos passaram a dar atenção a Salazar que pareceu entrar em transe, estava duro e com os olhos abertos e meio inchados. Não movia um músculo, mas ninguém parecia notar.
Rowena e Helena olhavam para Godric que prestava atenção na descrição do mapa do Frei. O Frei por sua vez, estava tirando a atenção da Helga, Godric e Nike, e o Barão olhava enciumado para Helena.
De repente todos os que estavam na penseira foram levados as memórias da premunição de Salazar, na qual, ele vê várias serpentes enormes, da grossura de basiliscos saindo de dentro de um lago, que parecia ser o Lago de Hogwarts. Depois a cena mudou de noite para um ensolarado dia onde Salazar contemplava um castelo em fase de construção, com Helga, Rawena e Godric na frente, trabalhando. De repente, todos ouviram a voz de Rawena chamando por Salazar pelo seu primeiro nome. Voltaram para a sala de jantar quando Salazar abriu os olhos e constatou que Rawena estava ao seu lado e realmente o chamará pelo primeiro nome.
- O que houve Salazar? - perguntou Rawena quando ele abriu os olhos e a contemplou.
- Foi só um mal estar... - disse piscando os olhos, talvez tentando voltar ao normal.
- Slytherin, esse é o maior problema de ser o curandeiro. - falou em tom irônico o Barão. - Não tem ninguém para medicá-lo.
- Não preciso de poção alguma... - disse Salazar se levantando. - Estou bem... A questão é, se devo deixar passar essa oportunidade de me tornar Bardo?
- Ele deve está delirando... - falou Rawena e Salazar sorriu, mas ela completou. - Sr. Gryffindor, o senhor poderia me ajudar a levar o Sr. Slytherin até seus aposentos...
- Eu estou bem. - interrompeu Salazar. - Apenas tive uma premunição... - e todos ficaram ainda mais preocupados com seu estado mental. - Eu tive uma premunição, e se eu fizesse sigilo, poderia usá-la para me tornar um Bardo... No entanto, não vejo como ela se realizará sem ser revelada.
- Que profecia? - perguntou Godric.
- Acho que o mapa do Frei nos levará a tal terra mágica e se tudo der certo, construiremos um castelo lá para ser a escola. Porém, nós teremos uma perigosa jornada pela frente... Encontraremos uma Hidra de Lerna.
- Hidra de Lerna! - disseram os fundadores, fantasmas e quem assistia as memórias, todos em coro.
- Uma Hidra é um animal fantástico, que teve origem no lago Lerne e tem um corpo de dragão com cabeças de serpente. - explicou Salazar, e se gabando completou. - Não se preocupem, sou ofidioglota e posso controlar animais que tem cabeças de serpentes...
- De quantas cabeças você está se referindo? - perguntou o Frei que parecia aflito.
- Nove cabeças... - respondeu Godric, - Mas para quem conhece a história de Hércules, é como matar nove basiliscos.
- Nove basiliscos? - perguntou novamente o Frei, mas ninguém respondeu.
- Você está pensando em seguir um mapa idiota e matar uma Hidra? - O Barão perguntou incrédulo a Salazar.
- E acharemos o lugar perfeito para construir a escola, tenho certeza. - afirmou Salazar. - Quanto a Hidra de Lerna, não precisaremos matá-la, eu já disse que posso controlá-la.
- Vá descansar Slytherin, o senhor anda trabalhando demais... - disse o Barão. - Lhe darei dois dias de folga.
- Me perdoe Barão, mas o meu tempo aos seus serviços chegou ao fim... - disse Salazar. - Estou cansado de ser nômade e empregado, acho que já sei qual é o meu lar e meu verdadeiro ofício... - O Barão estava ficando irritado, mas Salazar o ignorou. - Frei Grass, o senhor me emprestaria seu mapa?
- Oh sim, claro! - disse o Frei. - Eu só não posso acompanhá-lo e abandonar minhas crianças... Mas se o senhor aprisionar esse monstro e conseguir construir uma escola, espero que ela abrigue meus órfãos.
- Esse é o objetivo Frei! - respondeu Salazar, e Miller que já tinha entrado dentro da penseira tamanho sua empolgação, dava pulinhos de alegria. Isso era uma prova que sua teoria sobre Salazar estava correta.
O Frei lhe entregou o mapa e, Nike e Godric se candidataram a acompanhá-lo na missão.
- Barão, o senhor cuidaria de minha filha enquanto eu acompanho os cavaleiros nessa caça a terra mágica? - perguntou Rawena.
- A senhora não pode ir a um lugar tão perigoso, eu vou em seu lugar.- disse o Barão.
- Então irmos juntos Barão, pois eu irei de qualquer jeito! - e voltando-se para o Frei. - Posso deixar a Helena com o senhor Frei.
- Eu vou com a senhora, minha mãe. - pediu Helena.
- Pode deixá-la comigo Sra. Ravenclaw. - disse o Barão, e depois disfarçou. - Se insiste tanto em ir ela encontrará conforto aqui...
- Sim, claro minha querida. - disse o Frei para Rawena, ignorando o Barão e Helena. - Essa expedição não é lugar para uma garotinha.
Helena se levantou da mesa com muita raiva e saiu da sala de jantar. E o Barão a acompanhou com o olhar.
- Sr. Slytherin, eu também irei... - disse a Helga. - Tenho muitos cavalos em minha fazenda, faça uma lista do que vamos precisar nessa jornada.
- Obrigada Sra. Hufflepuff. - agradeceu Salazar. - Amanhã cedo, estarei em sua fazenda.
- Estarei a sua espera... - completou Helga
Na próxima memória, Salazar estava num lugar diferente, parecia ser um campo, mas a grama era diferente de tudo que os bruxinhos na penseira já viram antes. Havia duas lindas mulheres muito altas, com longos cabelos, uma loira e outra morena, e estavam seminuas. Salazar estava ajoelhado perante elas olhando para o chão.
- Porque matas-te o nosso guardião, Lorde das Cobras? - perguntou a morena a Salazar.
- Perdoe-me vossa santidade... Achei que podia expulsar a Hidra de Lerna do lago e tomar essa região para construir uma escola de magia... Não sabia o que a Hidra guardava.
- Ele chegou aqui... - disse a loira. - O mortal tem direito a um pedido.
Salazar ia levantando a cabeça, mas baixou.
- Eu sei o que o Lorde das Cobras almeja. - disse a morena. - Eles sempre querem a pedra filosofal para ter riqueza e imortalidade.
- O Santo Graal? - questionou Salazar, que não resistiu e levantou a cabeça, mas manteve sua visão mais baixa que as delas. - Não quero tê-lo, quero me transforma em sua forma viva... Me transformar em fênix.
- És esperto Lorde das Cobras... Mas isso terá um preço muito alto...
- Qual preço? - as palavras saíram da boca de Salazar quase como um sussurro.
- Serás o eterno guardião dos seres que habitam o teu mundo. - disse pausadamente a morena.
- E qual é a outra alternativa? - perguntou Salazar de cabeça baixa.
- Não existe outra alternativa Lorde das Cobras... Não estás aqui porque queres, mas sim porque eu te escolhi... - Salazar olhou-a surpreso. - Terás que defender o teu mundo de Arawn, pois destruirei a passagem entre o teu mundo e o meu. Quebrarei a nossa ligação...
- Porque eu? - perguntou Salazar.
- Levarás a todos os mortais, o conhecimento da profecia de teu mundo. - lançou-lhe um pedaço de pergaminho. - O teu mundo se unirá ao mundo subterrâneo e Arawn reinará... Mas poderás adiar esse momento. O destino de teu mundo agora não está mas em nossas mãos, mas sim nas tuas Lorde das Cobras.
Salazar desenrolou o pergaminho boquiaberto e assim se manteve enquanto leu:
Existem dois tipos de seres no mundo dos mortais.
Um possui a magia e o outro a genialidade.
Ambos travarão suas próprias guerras.
Um se tornará mais poderoso.
Quando um descobrir a existência do outro,
Ambos lutarão pelo domínio,
Mas ambos serão destruídos.
No final, Arawn reinará no mundo dos mortais.
- Eu não acredito! - Salazar estava desesperado, e em súplicas pediu. - Permita-me que eu traga para o lago basiliscos, hidras, quimeras... Eu não posso assumir essa responsabilidade.
- Tu és o escolhido... Não tens escolha.
Salazar sentou-se no chão e passava as duas mãos desesperadamente pela cabeça, enquanto perguntava.
- Eu serei um animago? Me transformarei em fênix sempre que quiser?
- Não, tu serás uma fênix e terás as outras como teu bando. - respondeu a morena.
- Não serei mas humano? - perguntou assustado, pois não era isso que pedirá.
- Tomarás a forma humana sempre que fores ao Mundo Subterrâneo.
- Porque eu iria para lá?
- Quando uma fênix morre, antes de renascer das cinzas, sua alma humana tem que vagar pelo mundo subterrâneo para se purificar antes de renascer novamente.
- Então, as outras fênix foram humanos? - perguntou surpreso.
- Foram magos, os mais poderosos, os Merlins. - disse a morena e Salazar estava assustado e desesperado ao mesmo tempo.
- Porque não escolhe um deles para ser o guardião? Porque eu?
- Nenhum deles destruiu o meu guardião ao chegar aqui. Tu pagarás pela tua ignorância...
- Você disse que me escolheu? Que me trouxe aqui? - perguntou grosseiramente Salazar, esquecendo o protocolo.
- Esse é teu destino, escolha a desculpa que quiseres, mas serás o rei das fênix e o guardião do teu mundo... - bradou a morena. - E daqui por diante, tu escolherás os teus discípulos, compartilhando tuas lágrimas.
A cena se desfez e todos viram Salazar no Centro de Magia Celta novamente. Ele registrará a seguinte profecia: “O fim da humanidade se aproxima e ocorrerá quando os seres Não-Mágicos descobrirem a existência e supremacia dos seres Mágicos.”. Fez um voto perpétuo de sigilo e o senhor de longas barbas e cabelos brancos, com quem tinha falado em memórias anteriores, fora seu padrinho no juramento perpétuo.
Salazar estava com uma aparência estranha. Ele que era muito pálido, mas agora estava bastante vermelho, como se tivesse uma irritação na pele. Estava dormindo num quarto de Hogwarts quando começou a sonhar, provavelmente mais uma profecia. No sonho, Salazar ver Miller apanhando dos alunos puro sangue e sendo chamado de sangue ruim, igualzinho como realmente aconteceu. Vê os alunos de outras casas falando mal de Salazar Slytherin e o igualando a um Lorde das Trevas, que ele Salazar não sabia quem era. Vê a humilhação que os alunos nascido trouxas passarão em sua casa. Em seguida, vê Miller propondo a nova divisão da casa em sangues puros e sangues ruins. Por fim, vê Miller tacando fogo no Chapéu Seletor, que virou cinzas. Salazar acorda muito suado e vai até a sala do diretor, que era a sala de Godric, e pega o Chapéu Seletor, levando-o para uma saleta próxima. Coloca o seu Livro Mágico dentro do Chapéu, lança um feitiço e coloca o Chapéu em sua cabeça.
- Chapéu Seletor. - diz Salazar acordando o Chapéu. - Preciso que você guarde esse livro para mim. - pediu Salazar. - Pois irei partir em breve, mas este é meu lar e aqui deixarei o minha herança, o meu Livro Mágico.
- Seria uma honra para mim guardá-lo. - respondeu o Chapéu.
- Mas o senhor não poderá entregá-lo a ninguém, me prometa! - pediu novamente Salazar.
- Qual é o intuito de guardá-lo se nunca será usado?
- Um dia, o aluno que eu estou pensando agora, o senhor o vê? - perguntou Salazar, visto que o Chapéu poderia enxergar em sua mente tudo que Salazar permitisse.
- Um jovem nascido trouxa, estou certo? - perguntou o Chapéu.
- Sim... Ele tentará queimá-lo e irá conseguir...
- Estou vendo... - comentou o Chapéu indiferente.
- Eu quero que o senhor entregue o livro a ele antes de virar cinzas.
- Quer que eu entregue sua herança a um jovem nascido trouxa? - perguntou irônico o Chapéu.
- Eu lhe pedi para classificar somente puro-sangues em minha casa, mas sei que o senhor não irá respeitar meu desejo depois de minha morte... Mas espero que não queira virar cinzas, e que entregue meu livro a esse jovem.
- Se o senhor quer tornar um nascido trouxa seu herdeiro, então porque ainda briga com os seus amigos por essa questão de descendência bruxa dos alunos?
- Não vai demorar muito e o senhor entenderá os meus motivos, provavelmente pela boca desse jovem, um nascido trouxa... Ao ler o livro, o jovem lhe pedirá para que Hogwarts não aceite mais crianças nascidas trouxas e lhe dará os motivos que eu não posso revelar em vida!... O senhor me promete que só entregará a ele?
- Como queria... Eu prometo! - prometeu o Chapéu Seletor.